Rural
Senai Empresa desenvolve projeto de redução de custos para a suinocultura do Estado
Com o objetivo de melhorar a produtividade e a competitividade dos suinocultores da Região de São Gabriel do Oeste (MS), o Senai Empresa, em parceria com o Sebrae/MS, Cooasgo e Cooperativa Central Aurora Alimentos, desenvolveu o Projeto Estratégico de Redução de Custos para a Suinocultura do Mato Grosso do Sul. O projeto, que foi iniciado em julho deste ano e concluído em novembro, já está pronto para ser implantado nas propriedades interessadas.
Segundo consultor do Programa Senai de Gestão Energética do Senai Empresa, o engenheiro eletricista Sebastião Dussel, o projeto consiste em avaliar o potencial de geração de energia elétrica com o biogás oriundo da suinocultura e fomentar ações de eficiência energética para a redução do consumo energético das unidades.
“A consultoria é iniciada através de visitas nas propriedades para o levantamento de informações sobre as instalações, na sequência é avaliado o potencial de geração de eletricidade a partir do biogás, seguido pela análise de viabilidade técnica e econômica de implantação. O trabalho é finalizado com um relatório técnico com objetivo de subsidiar a decisão do cliente por implementar ou não o projeto”, detalha Sebastião Dussel.
Ele explicou ainda que o biogás é um gás composto por dióxido de carbono e metano, resultado da decomposição da matéria orgânica presente nos dejetos por bactérias. “O metano é considerado um gás do efeito estufa, ou seja, altamente prejudicial ao meio ambiente. Desta forma o seu aproveitamento para geração de eletricidade é extremamente benéfico, pois além de promover a redução dos custos energéticos do produtor rural pela compensação energética, também auxilia na destinação ambientalmente correta deste resíduo do processo”, acrescentou.
O engenheiro eletricista do Senai Empresa, Elton da Silva Paim, destacou que durante o desenvolvimento do projeto, foi possível constatar elevado potencial econômico e a análise de viabilidade apontou para resultados extremamente positivos para os produtores. “Eles terão uma grande economia nos processos, resultado da compensação da eletricidade consumida pela unidade e que depende do consumo energético e do potencial de geração de cada propriedade”, disse.
Além disso, alguns produtores podem reduzir seu consumo para o valor mínimo da fatura, já considerando o crédito do excedente em outras unidades consumidoras sob sua titularidade. “É um projeto que se mostra de extrema relevância, principalmente porque no cenário econômico em que estamos, a busca por fontes alternativas de energia elétrica e a redução dos desperdícios associada à otimização dos processos são ações extremamente eficazes para reduzir os custos, melhorar a produtividade e elevar a competitividade”, finalizou Elton Paim.
Projeto Piloto
Inicialmente, o Sebrae/MS e o Senai Empresa definiram oito propriedades para participaram do projeto piloto de viabilidade econômica. “Durante um trabalho de qualidade de produção que desenvolvemos com os fornecedores da Aurora, entre eles a Cooasgo, percebemos que 10% do faturamento bruto dos produtores eram gastos com a conta de energia. Foi aí que tivemos a ideia de convidar o Senai Empresa para desenvolvermos em paralelo um projeto de eficiência energética”, comentou o analista do Sebrae/MS, Vitor Gonçalves Faria.
Para isso, foram propostas diversas adequações em equipamentos e maquinários das propriedades, tudo sob consultoria do Senai Empresa. “Primeiro a gente sabe que precisa fazer o dever de casa e depois ver a possibilidade de novos investimentos, que nesses casos são a implantação de gerador de energia a partir do biogás. O estudo de viabilidade já foi apresentado aos produtores e agora pretendemos implantar a partir de 2020”, acrescentou.
O presidente da Cooasgo, Sérgio Luiz Marcon, disse que a iniciativa de buscar o Senai Empresa para a realização do projeto de redução de custos para a suinocultura surgiu a partir de uma conversa com técnicos do Sebrae. “Os suinocultores da região estão vendo a oportunidade de reduzir os custos da produção e também a possibilidade de transferir essa energia gerada a partir do biogás para outras unidades, como residências e comércios, e diminuir muito os valores da conta de energia. Acredito que essa parceria com o Sebrae e o Senai Empresa vai fortalecer ainda mais a produção aqui na região”, destacou.
Agronegócios
Consumo aquecido no mês de dezembro, melhora preço do leite e variação registra 3,7%
C
onsiderando a oferta e demanda de lácteos no período da safra para a bovinocultura de leite em Mato Grosso do Sul, a tendência é que o preço do leite registre queda. Não foi o que aconteceu em dezembro de 2020, quando o preço chegou a R$ 1,81, variação de 3,7% comparado ao mesmo período de 2019. O motivo desta valorização é tema do #MercadoAgropecuário desta segunda-feira (25).
Os dados são da Cepea/Esalq, e foram analisados pelo Departamento Técnico do Sistema Famasul.
Para o zootecnista Juliano Barros, o que motivou esse comportamento foi a melhora do consumo de lácteos. “Impactado negativamente no primeiro semestre, com as medidas de combate à pandemia, esse consumo teve recuperação no segundo semestre, com o pagamento do auxílio emergencial; aquecimento confirmado quando se observa o resultado da balança comercial”, explica o analista técnico.
Apesar da valorização no campo, por outro lado, o produtor sentiu o expressivo aumento do preço de alguns insumos. “Em 2020, para aquisição de um saco da mistura de milho e farelo de soja, foram necessários o equivalente a 42,8 litros de leite, variação de 21% a mais que em 2019”, esclarece.
No balanço do ano para o estado, a média de preço do litro do leite foi de R$1,54, aumento de 29,3%. O bom desempenho da demanda também é confirmado quando se observa o resultado da balança comercial brasileira de lácteos.
Quer saber mais? A análise geral dos dados divulgados pela Cepea/Esalq, você confere na nova edição do BOLETIM BOVINOCULTURA DE LEITE, que será divulgada ainda nesta segunda-feira.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul – Ellen Albuquerque
Rural
Vírus que matou milhões de animais na China avança pelo mundo
Não bastasse a covid-19, outro vírus bastante agressivo, que ataca os suínos, teve uma explosão de casos na China e já atinge outros países da Ásia e da Europa. O vírus, da família Asfarviridae, infecta apenas porcos e javalis. Ele não é parente do coronavírus e não atinge os humanos.
Os suínos não têm salvação e morrem em uma semana. A doença, altamente contagiosa, chegou à China há dois anos, depois de passar pela Europa, onde não chegou a fazer muitos estragos na ocasião. “Na China, a peste provocou um surto sem precedentes, em boa parte porque a produção de porcos é feita em pequenas propriedades, mais difíceis de serem fiscalizadas”, diz Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank do Brasil, banco de origem holandesa especializado no setor de alimentos e agronegócio.
A doença já causou a morte de 440 milhões de porcos na China, a metade do rebanho do país. No mundo todo, atingiu 25% do total de suínos. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, a doença já se espalhou por 50 países, afetando 75% da produção global de porcos. Ainda não há tratamento ou vacina para o vírus.
A peste suína africana, que tem esse nome por ter sido identificada pela primeira vez na África há quase cem anos, é transmitida por carrapatos. A doença provoca febre alta e uma hemorragia mortal nos porcos. O vírus, bastante agressivo, pode ficar ativo por tempo indeterminado em alimentos contaminados, roupas, sapatos, veículos usados no transporte dos animais e até debaixo da terra, em carcaças de porcos acometidos pela doença.
A doença está se espalhando pelo mundo. Ela já chegou à Índia, onde matou mais de 14.000 porcos. O vírus também ataca a Europa. Desde o início do ano, nove países europeus confirmaram casos da doença, entre eles a Bulgária, Romênia e Bélgica. Segundo a European Food Safety Authority (EFSA), autoridade de segurança alimentar europeia, a disseminação tem sido rápida.
Novos focos da doença foram detectados na Polônia e na Grécia nas últimas semanas. Preocupado, o governo alemão mandou erguer uma cerca eletrificada na fronteira com a Polônia. “A Alemanha e a Espanha estão entre os maiores exportadores de carne suína, por isso precisam tomar um cuidado redobrado para não serem contaminados”, diz Yanaguizawa.
Apesar de estar em declínio na China, a doença ainda não está controlada. Em abril, o governo chinês reportou novos casos na província de Gansu. Para o Brasil, a boa notícia é que o vírus não chegou aqui – e as exportações de carne para a China, com o estoque de suínos em baixa, estão aumentado.
Segundo o Rabobank, nos primeiros quatro meses do ano o embarque de carne de porco para a China aumentou 29% em volume e 54% em faturamento. “O Brasil tomou medidas de precaução para evitar com que a doença chegue aqui e está sabendo aproveitar a oportunidade de negócios com a China”, afirma Yanaguizawa. Para os criadores de porcos na China e outros países, resta a esperança de ter uma vacina para o vírus. “Estudos vêm sendo feitos há dois anos e em algum momento terão sucesso”, diz Yanaguizawa.
Fonte: Carla Aranha / Exame
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