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Rural

A moderna agricultura brasileira: mudanças e novas oportunidades

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Os conhecimentos gerados pela pesquisa agropecuária, a capacidade empreendedora dos agricultores e a rede de assistência técnica, tem levado a significativas mudanças na agricultura brasileira. Para os consumidores pode se destacar como maiores mudanças nesse cenário: maior oferta de alimentos, fibra e energia; maior regularidade da oferta e melhoria da qualidade dos produtos oriundos da agricultura. Para os agricultores, as mudanças em curso estão proporcionando diversificação da produção, enquanto antes se cultivava apenas soja, hoje o cultivo ocorre associado ao cultivo de outras culturas tais como milho, algodão e pastagens. Ou seja, está havendo modificações nos modelos de produção e novas oportunidades de geração de renda.

E as modificações dos modelos exigiram a utilização de máquinas e implementos mais modernos. A mecanização da agricultura talvez tenha sido uma das maiores transformações e seus efeitos estão sendo espetaculares. Com as modernas máquinas tornou-se possível semear num menor intervalo de tempo uma área significativamente maior, e o que é mais importante, a qualidade dos trabalhos melhoraram muito, tendo como resultados ganhos de produtividade e melhoria de qualidade de vida.

A moderna agricultura exige um grau de profissionalismo muito grande por parte do agricultor. Algumas habilidades são fundamentais, dentre as quais podem ser destacadas: capacidade de planejar e de tomar decisões. O agricultor precisa estar muito bem informado sobre mercado para que possa decidir com segurança o que e quanto plantar; conhecer muito bem sobre as tecnologias disponíveis para que possa obter boas produtividades com custos compatíveis com o mercado. Para isso, é indispensável que o agricultor seja muito bem assessorado por profissional que possa lhe prestar as informações necessárias para a sustentabilidade do seu negócio.

Quando se cultivava apenas soja, as pragas se restringiam a essa cultura. Com a diversificação do cultivo (soja, milho, algodão, feijão, girassol, etc), há uma série de pragas e doenças que ocorrem em vários cultivos, ou seja, não são mais específicas de determinada cultura.  O cultivo de mais de uma espécie e sua integração com a pecuária, por exemplo, é uma das estratégias mais adequadas para ter a sustentabilidade assegurada. Desta forma, o agricultor precisa combinar os cultivos de tal forma a se obter os efeitos positivos desta combinação. Em muitas das situações, a integração lavoura-pecuária é uma alternativa viável para assegurar a lucratividade do sistema de produção. Assim, intensificar e integrar passou a ser uma exigência para que o negócio seja efetivamente sustentável (duradouro). Em síntese, não é mais possível pensar apenas no cultivo de uma determinada espécie, a visão de sistema passa ser imperiosa sob todos os aspectos.

Dentro do contexto de modernização da agricultura há de se pensar também na agricultura irrigada. Em algumas regiões brasileiras, esse modelo vem proporcionando grandes avanços, especialmente sobre o ponto de vista quantitativo. Em muitas situações, sem desconsiderar outros fatores de produção, a irrigação, é a alternativa mais viável para melhorar o desempenho da agricultura, possibilitando o cultivo de várias espécies durante o ano e para eliminação ou redução da sazonalidade de oferta de determinados produtos.

Muitas vezes uma determinada decisão é tomada sem a devida fundamentação. Isto não é mais possível. A agricultura digital já é uma realidade e, com certeza, trará grandes benefícios tanto em termos de ganhos de produtividade como em redução de custos. No entanto, é preciso um bom entendimento sobre o que é agricultura digital, pois, talvez até mais importante do que um sensor para coletar os dados é a interpretação dos dados, Uma vez adequadamente interpretados os dados se constituem em informações que subsidiarão as tomadas de decisão. Dada a gama de oportunidades para melhoria da produtividade da agricultura, não dá para pensar numa agricultura sustentável, sem o uso da agricultura digital. No entanto, é preciso planejar muito bem o uso desta nova ferramenta. Em resumo, a modernização é algo irreversível, e, mais do que isso, uma necessidade. Utilizando-se os conhecimentos disponíveis, é possível melhorar a oferta de alimentos, fibra e energia, assim como a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Fernando Mendes Lamas
[email protected]
Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

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Agronegócios

Consumo aquecido no mês de dezembro, melhora preço do leite e variação registra 3,7%

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C

onsiderando a oferta e demanda de lácteos no período da safra para a bovinocultura de leite em Mato Grosso do Sul, a tendência é que o preço do leite registre queda. Não foi o que aconteceu em dezembro de 2020, quando o preço chegou a R$ 1,81, variação de 3,7% comparado ao mesmo período de 2019. O motivo desta valorização é tema do #MercadoAgropecuário desta segunda-feira (25).

Os dados são da Cepea/Esalq, e foram analisados pelo Departamento Técnico do Sistema Famasul.

Para o zootecnista Juliano Barros, o que motivou esse comportamento foi a melhora do consumo de lácteos. “Impactado negativamente no primeiro semestre, com as medidas de combate à pandemia, esse consumo teve recuperação no segundo semestre, com o pagamento do auxílio emergencial; aquecimento confirmado quando se observa o resultado da balança comercial”, explica o analista técnico.

Apesar da valorização no campo, por outro lado, o produtor sentiu o expressivo aumento do preço de alguns insumos. “Em 2020, para aquisição de um saco da mistura de milho e farelo de soja, foram necessários o equivalente a 42,8 litros de leite, variação de 21% a mais que em 2019”, esclarece.

No balanço do ano para o estado, a média de preço do litro do leite foi de R$1,54, aumento de 29,3%. O bom desempenho da demanda também é confirmado quando se observa o resultado da balança comercial brasileira de lácteos.

Quer saber mais? A análise geral dos dados divulgados pela Cepea/Esalq, você confere na nova edição do BOLETIM BOVINOCULTURA DE LEITE, que será divulgada ainda nesta segunda-feira.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul – Ellen Albuquerque

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Rural

Vírus que matou milhões de animais na China avança pelo mundo

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Não bastasse a covid-19, outro vírus bastante agressivo, que ataca os suínos, teve uma explosão de casos na China e já atinge outros países da Ásia e da Europa. O vírus, da família Asfarviridae, infecta apenas porcos e javalis. Ele não é parente do coronavírus e não atinge os humanos.

Os suínos não têm salvação e morrem em uma semana. A doença, altamente contagiosa, chegou à China há dois anos, depois de passar pela Europa, onde não chegou a fazer muitos estragos na ocasião. “Na China, a peste provocou um surto sem precedentes, em boa parte porque a produção de porcos é feita em pequenas propriedades, mais difíceis de serem fiscalizadas”, diz Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank do Brasil, banco de origem holandesa especializado no setor de alimentos e agronegócio.

A doença já causou a morte de 440 milhões de porcos na China, a metade do rebanho do país. No mundo todo, atingiu 25% do total de suínos. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, a doença já se espalhou por 50 países, afetando 75% da produção global de porcos. Ainda não há tratamento ou vacina para o vírus.

A peste suína africana, que tem esse nome por ter sido identificada pela primeira vez na África há quase cem anos, é transmitida por carrapatos. A doença provoca febre alta e uma hemorragia mortal nos porcos. O vírus, bastante agressivo, pode ficar ativo por tempo indeterminado em alimentos contaminados, roupas, sapatos, veículos usados no transporte dos animais e até debaixo da terra, em carcaças de porcos acometidos pela doença.

A doença está se espalhando pelo mundo. Ela já chegou à Índia, onde matou mais de 14.000 porcos. O vírus também ataca a Europa. Desde o início do ano, nove países europeus confirmaram casos da doença, entre eles a Bulgária, Romênia e Bélgica. Segundo a European Food Safety Authority (EFSA), autoridade de segurança alimentar europeia, a disseminação tem sido rápida.

Novos focos da doença foram detectados na Polônia e na Grécia nas últimas semanas. Preocupado, o governo alemão mandou erguer uma cerca eletrificada na fronteira com a Polônia. “A Alemanha e a Espanha estão entre os maiores exportadores de carne suína, por isso precisam tomar um cuidado redobrado para não serem contaminados”, diz Yanaguizawa.

Apesar de estar em declínio na China, a doença ainda não está controlada. Em abril, o governo chinês reportou novos casos na província de Gansu. Para o Brasil, a boa notícia é que o vírus não chegou aqui – e as exportações de carne para a China, com o estoque de suínos em baixa, estão aumentado.

Segundo o Rabobank, nos primeiros quatro meses do ano o embarque de carne de porco para a China aumentou 29% em volume e 54% em faturamento. “O Brasil tomou medidas de precaução para evitar com que a doença chegue aqui e está sabendo aproveitar a oportunidade de negócios com a China”, afirma Yanaguizawa. Para os criadores de porcos na China e outros países, resta a esperança de ter uma vacina para o vírus. “Estudos vêm sendo feitos há dois anos e em algum momento terão sucesso”, diz Yanaguizawa.

Fonte: Carla Aranha / Exame

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