Mato Grosso do Sul
Projetos da Agepen fortalecem a cultura indígena e ampliam a inclusão no sistema prisional de MS
O sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul tem avançado na implementação de políticas públicas voltadas à valorização da diversidade cultural, especialmente no atendimento à população indígena privada de liberdade. Com iniciativas estruturadas e permanentes, a Agepen (Agepen Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) promove ações que respeitam tradições, fortalecem vínculos e contribuem para a reinserção social.
Atualmente, o estado contabiliza cerca de 500 indígenas custodiados, concentrados principalmente na região de Dourados, o que impulsiona a criação de estratégias específicas voltadas a esse público. Entre elas, destacam-se projetos educacionais, culturais e profissionalizantes que reconhecem a identidade dos povos originários como elemento essencial no processo de ressocialização.
Nesse contexto, unidades prisionais do estado vêm adotando práticas que garantem o respeito às crenças, costumes e idiomas indígenas. Entre as ações estão a oferta de ensino na língua materna, atividades culturais, oficinas de artesanato e acesso à documentação civil básica, promovendo cidadania e dignidade.
A alfabetização bilíngue, por exemplo, já é realidade em unidades como a Penitenciária Estadual de Dourados, onde internos indígenas participam de aulas em Português e Guarani, fortalecendo o aprendizado e a preservação cultural.
Destaque para Naviraí: projeto pioneiro no Brasil
Em Naviraí, a Penitenciária de Segurança Máxima se tornou referência nacional com o projeto “Tembiaporã: Che Añekambia”, iniciativa pioneira voltada exclusivamente ao atendimento de indígenas privados de liberdade.
De caráter permanente, o projeto atende atualmente 44 custodiados e tem como foco o resgate dos vínculos culturais, familiares e espirituais, aliado à qualificação educacional e profissional. Entre as principais ações estão o ensino da língua guarani kaiowá, ministrado por professor indígena, e a produção de artesanato tradicional como alternativa de geração de renda.
Como marco recente, foi realizada a entrega de certificados a 34 internos que participaram do atendimento educacional especializado em língua materna, desenvolvido em parceria com a Rede Municipal de Ensino. A participação nas atividades também garante remição de pena, ampliando os benefícios da iniciativa.
Os resultados já são expressivos: fortalecimento dos laços familiares — com aumento no número de internos que recebem visitas —, regularização documental de cerca de 80% dos custodiados e acompanhamento jurídico integral assegurado a todos, por meio da Defensoria Pública.
Amambai: cultura, cidadania e transformação social
O Estabelecimento Penal de Amambai também se destaca com ações que integram cultura, educação e desenvolvimento humano.
O projeto “Coração Valente” atua no fortalecimento da identidade cultural indígena por meio de rodas de conversa, oficinas de artesanato e música, além de palestras sobre temas como cidadania, cultura da paz, família e enfrentamento à violência. A metodologia participativa valoriza a escuta e a troca de experiências, promovendo reflexão e reconstrução de trajetórias.
A iniciativa considera a realidade local, onde cerca de 13,5% da população carcerária é indígena, e busca estimular autoestima, senso de pertencimento e construção de novos projetos de vida.
Complementando as ações, o Programa “Teko Porã” amplia as oportunidades com cursos profissionalizantes, suporte psicossocial e ações integradas de cidadania. Dentro desse contexto, destaca-se a implementação do projeto “Tekojoja: Semeando a Liberdade”, desenvolvido pelo Ministério dos Povos Indígenas em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul.
A iniciativa oferta cursos de curta duração, como horta comunitária e barbeiro/cabeleireiro, adaptados à realidade da unidade e à rotatividade dos internos. As atividades são acompanhadas por profissionais de diferentes áreas, incluindo apoio psicológico, orientação jurídica e mediação cultural com uso da língua guarani kaiowá.
Além da qualificação profissional, o projeto promove rodas de conversa e grupos de reflexão, fortalecendo vínculos, incentivando a responsabilização e contribuindo para uma reinserção social mais consciente e humanizada.
Sistema que valoriza a diversidade
De acordo com a Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen, as iniciativas desenvolvidas no sistema prisional do estado seguem diretrizes nacionais que asseguram o tratamento adequado à população indígena no sistema de justiça criminal, respeitando a autodeclaração e as especificidades culturais de cada povo.
Conforme a diretora da DAP, Maria de Lourdes Delgado Alves, “mais do que ações pontuais, os projetos implementados nas unidades penais de Mato Grosso do Sul representam uma política pública consistente, que reconhece a diversidade como elemento essencial para a construção de um sistema penitenciário mais justo, humano e eficiente”.
Keila Oliveira, Comunicação Agepen/MS
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Hospital Regional de Mato Grosso do Sul inova com tecnologia que transforma diagnósticos em horas
Único hospital público do Centro-Oeste com MALDI-TOF, o hospital identifica bactérias e fungos em menos de 24 horas — revolucionando o tratamento de infecções graves
Com investimento contínuo no parque tecnológico, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) deu mais um passo na qualidade do atendimento aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). O Laboratório de Análises Clínicas da unidade passou a contar com o MALDI-TOF — técnica avançada de espectrometria de massa que identifica microrganismos como bactérias e fungos com alta velocidade e precisão. O HRMS é o único hospital público do Centro-Oeste equipado com essa tecnologia.
Se antes a identificação de bactérias e fungos levava até cinco dias, agora o diagnóstico microbiano pode ser liberado em menos de 24 horas. Na prática, isso significa que o paciente inicia o tratamento adequado mais rápido e, com isso, pode até receber alta mais cedo.
Segundo a bióloga Eliane Borges de Almeida, gerente e responsável técnica do laboratório, a grande inovação está na velocidade. “Enquanto os métodos tradicionais de identificação de bactérias e fungos levam de 48 a 72 horas, o MALDI-TOF entrega o resultado em poucos minutos. Para um paciente em estado grave, como em casos de sepse, cada minuto conta para aumentar as chances de sobrevivência”, explica.
Ela destaca ainda o impacto no uso de medicamentos: com a identificação imediata do agente causador da infecção, a equipe médica pode prescrever o antibiótico exato logo no início do tratamento. Isso evita o uso de medicamentos de amplo espectro desnecessários, combatendo a resistência bacteriana.
Os benefícios vão além do paciente individual. A diretora técnica do HRMS, Patricia Rubini, ressalta o impacto no sistema como um todo. “Quando o paciente recebe o tratamento com o antibiótico específico desde o primeiro dia, sua recuperação é mais rápida e segura. Isso significa alta mais precoce, mais leitos disponíveis para quem precisa e um uso muito mais responsável dos recursos do SUS. O MALDI-TOF é, ao mesmo tempo, uma conquista clínica e uma ferramenta de gestão eficiente para o hospital”, destaca a médica.
Na prática, a redução no tempo de internação permite que mais pacientes sejam atendidos pela unidade, otimizando a fila do SUS.
Patrícia Belarmino, Comunicação HRMS
Fotos: Patrícia Belarmino
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Motor novo, horizonte aberto: como a Agraer mudou a vida de uma família na Serra do Amolar
Na borda mais isolada do Pantanal sul-mato-grossense, a Serra do Amolar se ergue como um recorte de resistência. Ali, o acesso não se mede em quilômetros, mas em horas de navegação. Não há estrada e quem chega, chega pelas águas – ou pelo céu. Para a maioria, a rodovia é o rio.
Entre as pessoas que vivem ali está a família de Edilaine Nogales de Arruda, pescadora profissional e moradora da região. Até então, a burocracia era uma barreira concreta: a distância da cidade tornava quase impossível a emissão de documentos essenciais para acessar políticas públicas.
“Como nós somos ribeirinhos, temos o privilégio de sermos pescadores profissionais. Sou filiada a uma colônia, e por meio dela me orientaram sobre o CAF (Cadastro da Agricultura Familiar). Para termos a possibilidade de investimento, melhorar os equipamentos de pesca, motor e ter os benefícios’’, afirma.
O problema é que dificilmente a família se deslocava até Corumbá, município mais próximo. Foi então que ano passado a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) entrou na jogada por meio da 10ª Expedição Pantanal, organizada pela PMA (Polícia Militar Ambiental). Na ocasião, o extensionista Isaque Pécora de Andrade passou vários dias embarcado e voltou com 45 novos CAFs na bagagem.
Na vida de Edilaine, o serviço abriu a possibilidade do financiamento via Pronaf B de um motor para o barco da família. “Antes da melhoria, o pescado muitas vezes não passava da porta de casa. A venda dependia de quem chegasse. Agora conseguimos transportar o nosso produto. Só nos trouxe melhoria.”
Além disso, o equipamento também encurtou o tempo. E, no Pantanal, isso é expandir o mundo. Corumbá, que antes consumia um dia inteiro de deslocamento, passou a caber em menos horas. O que era exceção virou possibilidade.
‘’Melhorou muito a nossa logística. Agora em caso de uma emergência, consigo chegar mais rápido com minha família até a cidade’’, diz Edilaine.
Não se trata apenas de velocidade. Trata-se de autonomia. De poder escolher quando ir, para onde ir, a quem vender. De transformar o rio — antes obstáculo — em caminho de escoamento e renda.
A presença da Agraer na expedição não levou soluções prontas; levou acesso a direitos. Em territórios como o da Serra do Amolar, políticas públicas não chegam por inércia. Precisam ir — com planejamento, parceria e disposição para atravessar distâncias reais.
E no fim, a história de Edilaine não é sobre um motor. É sobre o que ele move: dignidade, renda e a possibilidade de ficar — por escolha, não por falta de opção. No coração do Pantanal, onde tudo parece longe, um documento aproximou o futuro.
A Agraer está presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul e segue ao lado de quem faz o campo acontecer. A instituição mantém o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis, unindo conhecimento, tecnologia e tradição para que cada propriedade avance com equilíbrio e rentabilidade.
Produtores que desejam iniciar e aprimorar alguma atividade, ou agregar valor à produção, podem procurar um de nossos escritórios e conversar com nossos extensionistas.
Ricardo Campos Jr. e Brennon Quintino, Comunicação Agraer
Foto de capa: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo
Internas: Agraer
Fonte: Governo MS
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