Agronegócios
Especialistas confirmam inserção concreta do agro no mercado internacional e projeção otimista para 2021
Evento realizado pelo Sistema Famasul apresentou desafios, estratégias e potencialidades da agropecuária brasileira na economia de MS
“Em ano de condições atípicas, o agro vem respondendo muito bem aos desafios impostos pela pandemia, com índices de produção positivos em volume, qualidade e sustentabilidade. Este é um cenário atual, que projeta a inserção cada vez maior de nosso setor no mercado internacional”. A afirmação foi do presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, durante transmissão ao vivo do MS Agro 2020, realizado nesta quarta-feira (25).
“Os produtores fazem a ‘tarefa de casa’ para atender proativamente a demanda específica deste período. O campo segue na busca por conhecimento e inovação, pensando lá na frente. Ao mesmo tempo em que registramos queda de área para a agropecuária, tivemos um aumento considerável no volume de proteína produzida. A capacidade de empreender do produtor rural e a inovação garantem a entrega de produtos com qualidade”, acrescentou Saito, que mediou o debate entre os especialistas.
O coordenador do Centro Insper Agro Global, Marcos Jank, conduziu a primeira palestra do evento. “É importante olhar as questões internacionais sob a ótica dos interesses de cada região, considerando um ano atípico no qual o agro se saiu bem comparado a outros setores da economia. Tivemos a inserção internacional do agronegócio”.
De acordo com Jank, em 2020 o Brasil vai exportar 103 bilhões de dólares, recorde para o país. “Nunca chegamos a este número. Isso se deve aos bons resultados das safras agrícolas, ao vetor dinâmico real que é o consumo da população asiática, à produção do agro que não parou, ao auxílio entregue pelo governo, logística que funcionou bem. O potencial é imenso, mas é preciso trabalhar de forma coerente”, explica.
Ele reforça que o país tem 15 milhões de áreas com a integração e existem formas de expandir a agricultura de forma sustentável. “Destacamos a integração de MS com os portos de Santos e Paraná. É uma revolução que está acontecendo neste momento, com um bom modelo regulatório”.
Para o sócio-consultor da MS Agro, Dr. Alexandre Mendonça de Barros, ministrante da segunda palestra, vivemos um momento raro. “Uma combinação muito exótica de eventos que proporcionaram preços em Real muito elevados. Há cinco meses, os preços em dólar caíram bruscamente com a pandemia, quando houve uma ruptura na distribuição de alimentos, já que restaurantes fecharam. Toda a demanda se voltou aos canais do varejo que não conseguiram dar conta do fluxo agressivo. Isso aconteceu nos Estados Unidos, na Europa e também aqui no Brasil”.
A projeção para 2021 é de possibilidade de preços ainda mais elevados. “No Brasil temos os desafios como efeitos climáticos com a La Niña e questões econômicas e, temos do outro lado do mundo, uma gigante (China) fazendo variadas aquisições, de diferentes países. Sendo assim, o contexto é de pressão na produção. Estamos em um cenário muito positivo, com vista na construção de preços que refletem no futuro. Será um ano fantástico para formação de números, para pecuária de corte e grãos”, conclui.
Agronegócios
Gergelim: o novo trunfo do produtor mato-grossense para garantir o lucro
Mato Grosso, tradicionalmente reconhecido pela hegemonia na produção de soja e milho, diversificou sua matriz produtiva e consolidou o gergelim como uma cultura estratégica para o desenvolvimento econômico estadual. Com uma participação de 73% na produção nacional, o estado deixou de ser um produtor de nicho para se tornar o principal fornecedor do mercado brasileiro, com reflexos diretos na balança comercial.
Dados comparativos entre as safras 2018/19 e a projeção para 2025/26 revelam a velocidade da expansão: a produção estadual cresceu 465%, enquanto a área cultivada avançou 588%. Esse movimento é resultado da adaptação da oleaginosa à janela da safrinha, período em que o gergelim demonstra maior resiliência a condições climáticas adversas em comparação a outras culturas, garantindo estabilidade produtiva.
A escala alcançada por Mato Grosso permitiu a conquista de mercados externos exigentes. Entre 2020 e 2025, o volume de exportações de gergelim teve alta de 600%. A demanda é sustentada principalmente pela China e pela Índia, países que utilizam o grão tanto para o consumo in natura quanto para a extração de óleo e processamento industrial.
Para o produtor rural, a adoção do gergelim atua como um mecanismo de proteção de receita. A cultura oferece uma alternativa de fluxo de caixa que reduz a dependência exclusiva das oscilações de preços internacionais da soja e do milho, permitindo a manutenção da rentabilidade mesmo em ciclos de retração das commodities principais.
O próximo estágio do setor, segundo analistas, é a elevação do valor agregado. Embora o estado domine o volume exportado, o desafio atual é a industrialização. A transformação do grão em derivados, como óleo e farelos, dentro de Mato Grosso, é vista como o passo necessário para maximizar a captura de margens na cadeia produtiva e encerrar a dependência da exportação da matéria-prima bruta.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Agro atinge PIB recorde de R$ 279 bilhões e 24% da economia estadual
O agronegócio de Minas Gerais consolidou em 2025 o seu maior Produto Interno Bruto (PIB) desde o início da série histórica, em 2010. Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), realizado em parceria com o Sistema Faemg e a Fundação João Pinheiro (FJP), o valor do setor atingiu R$ 279 bilhões. O montante representa um avanço nominal de R$ 42 bilhões em relação ao ano anterior.
Com esse desempenho, o agronegócio mineiro passa a representar 24% de toda a economia do Estado. A performance é atribuída à resiliência da cadeia produtiva frente a desafios climáticos e à capacidade de diversificação da matriz agrícola e pecuária.
Dados técnicos apontam que o resultado foi impulsionado tanto pelo ganho de escala na produção de grãos, como soja e milho, quanto pela manutenção da liderança estadual na cafeicultura e na pecuária leiteira e de corte. O setor agropecuário mineiro demonstra, segundo os institutos, um efeito multiplicador que movimenta desde a indústria de insumos e máquinas até o setor de serviços e logística regional.
O recorde reflete o fortalecimento da posição de Minas Gerais como protagonista no cenário nacional. A representatividade de quase um quarto do PIB estadual sublinha a importância da competitividade do campo para o desenvolvimento econômico local, garantindo não apenas a balança comercial, mas a geração de emprego e renda em centenas de municípios mineiros que têm na atividade rural o seu principal motor de crescimento.
Fonte: Pensar Agro
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