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Solidariedade e o milagre da multiplicação

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Vivian R. Ferreira

Como o apoio da LBV a essas mulheres garante direitos e melhora a qualidade de vida delas e da comunidade onde estão inseridas

O conteúdo a seguir foi originalmente publicado na edição nº 271 da revista BOA VONTADE, de maio de 2022. Para conhecer a publicação, que é gratuita, acesse www.revistaboavontade.com.br

Capa da edição nº 271 da revista BOA VONTADE, de maio de 2022.

Por Leila Marco

Mais de 77% dos profissionais das escolas e dos Centros Comunitários de Assistência Social da Legião da Boa Vontade são mulheres. Mesmo quando não são mães biológicas, boa parte delas acaba exercendo a maternidade no seu sentido mais sublime, o de cuidado ao próximo, no acolhimento que se dá nas diversas frentes de serviços da Entidade, oferecendo a outras mamães, madrastas, tias e avós o acesso a direitos, o apoio socioeducacional aos seus filhos/tutelados e a oportunidade de crescer pelo convívio social, pelo estudo e pela capacitação profissional, de modo que possam escolher o que quiserem ser como profissionais: médicas, engenheiras, professoras, empreendedoras… E que tenham na vida valores ligados ao bem comum.

Neste mês dedicado à figura materna, nada melhor do que falar dessas guerreiras, cuja ação torna o mundo um lugar melhor, sendo um luzeiro na vida de tantas pessoas. Para homenageá-las, a revista BOA VONTADE conta a história de cinco delas, que tiveram suas existências transformadas pela atuação solidária da LBV, fazendo de suas trajetórias inspiração a outras mulheres, o que fortalece ainda mais o ser feminino no trabalho, na família, na vida comunitária ou nas ruas. Esses exemplos de maternidade tornam realidade o que o saudoso fundador da Instituição, Alziro Zarur (1914-1979), há muito anteviu em seu Poema do Grande Milênio, no qual fala que chegaria um tempo de real Fraternidade, construído por todos os de bom senso, em que “(…) Os filhos são filhos de todas as mães, e as mães são as mães de todos os filhos”. Boa leitura!

Helen Winkler
Kauã Roger

Acolher, escutar, estar presente nos momentos mais difíceis de 350 famílias chefiadas por mulheres. É assim o dia a dia da paraibana Renata Carla de Freitas Macena, 35 anos, que migrou para Natal/RN, com apenas 3 anos de idade, com a família, que buscava por novas oportunidades. Em 2012, com o falecimento do pai dos seus quatro filhos, encontrou em uma ocupação o teto para ficar com suas crianças e acabou entrando para o movimento social de pessoas sem moradia: “Pela minha vivência, pelo meu sofrimento, achei [que era preciso] lutar também por outras famílias. Para mim, é uma alegria estar ao lado delas, mostrar a elas que, apesar de a gente estar morando em condições precárias, na verdade, o importante é estar junto e lutar por um momento melhor. Até quando Deus permitir que eu fique na Terra, estarei aqui para cada uma, elas sempre podem contar comigo”.

Confira a edição nº 271 da revista BOA VONTADE, de maio de 2022

De lá para cá, não parou de trabalhar, tornando-se uma referência para mães solo nas três comunidades em que atua: Eleny Ferreira, 7 de Setembro e Marcos Dionísio, esse último aglomerado de barracos, o mais recente, surgiu há nove meses, em razão dos desdobramentos da pandemia, como a diminuição de renda, o desemprego e a alta da inflação, que atingiu duramente as populações mais carentes, inviabilizando o pagamento de aluguel e mesmo a compra de comida por parte desses brasileiros.

Kauã Roger

 Aliás, foi exatamente nesse período mais difícil de pandemia que Renata encontrou a Legião da Boa Vontade, que, em mais de dois anos de atuação nessas localidades, tem levado a essas famílias, por intermédio de suas ações emergenciais, cestas de alimentos não perecíveis, verduras e legumes e kits de higiene e de limpeza, além de ações especiais, a exemplo da que foi realizada em parceria com o projeto Faculdade na Comunidade, da Uninassau, que possibilitou a oferta de serviços de orientação em saúde bucal, aferição de pressão e de glicemia, relaxamento e ergonomia, além da elaboração de currículos para os que desejam a recolocação no mercado de trabalho.

 “Desde o meu primeiro contato, o pessoal da LBV logo fez uma visita e, quando presenciou as dificuldades, de imediato, trouxe alimentação, solidariedade para essas famílias. Eu só tenho de agradecer à Legião da Boa Vontade pela assistência que tem dado. A LBV está sempre presente, seja trazendo doação, seja ofertando uma palavra de conforto, nunca nos abandonou!”, emociona-se Renata.

+ Confira a edição nº 271 da revista BOA VONTADE, de maio de 2022

Graças à ajuda da Entidade e à coleta de materiais recicláveis, a comunidade tem conseguido tirar o sustento em tempos tão difíceis. “É tão emocionante falar da LBV, expressar a minha gratidão, porque, assim como as famílias me têm como um porto seguro, todos nós da comunidade temos a LBV como o nosso porto seguro, porque é a única Instituição que vem nos atender. Eu queria saber agradecer com mais palavras, mas sei o que estou sentindo no meu coração, é um momento de gratidão por tudo que fizeram e fazem por essas famílias nessas comunidades, muito obrigada mesmo. Quando falo com a Instituição, sinto aquela paz, esperança, uma tranquilidade de espírito, porque sei que seremos atendidos. A LBV é a mãe de todas.”

Egeziel Castro

Há quase duas décadas, Patrícia Ferreira da Silva, 41 anos, depois de enfrentar uma reviravolta em sua trajetória particular, descobriu a razão de viver com o apoio dos serviços de convivência da Legião da Boa Vontade, ampliando ainda mais o sentimento materno. Formada em Pedagogia, viu na oportunidade de ser educadora do Centro Comunitário de Assistência Social da Instituição em Goiânia/GO a realização do antigo sonho de transmitir conhecimentos a crianças em situação de vulnerabilidade social, de fazer algo pelo próximo. Ali, por sinal, ela encontrou bem mais do que esperava: “A LBV é uma instituição que eu visto a camisa mesmo, porque a amo, trabalho por Amor, pois me ajudou nos momentos mais difíceis que passei em minha vida. Eu cresci muito como pessoa porque a LBV esteve ao meu lado”.

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Aos poucos, ela relata sobre sua caminhada: “Em 2003, eu mudei de Indiara para morar em Goiânia. Não foi nada fácil, vim para uma cidade grande, estava casada, mas, logo em seguida, o meu companheiro saiu de casa, e fiquei sozinha com a minha filha. Apesar da situação difícil, eu falava para mim mesma que não voltaria para o interior. Só que aí foi ficando tão grande o meu desespero que pensei até em coisas erradas, em desistir de tudo, em não viver mais, mas aí veio a LBV, que me ajudou em tudo. Graças à equipe da LBV, que me acolheu, me ajudou mesmo, consegui suplantar, crescer profissionalmente. Sou grata, faço de tudo para estar aqui colaborando com quem mais precisa, não tem como não me emocionar ao falar disso, e eu sei que têm muitas mães que passam por isso e pensam em desistir. Não façam isso, tenham Fé, pensem em Jesus!”

O fato de poder transmitir aos atendidos da Entidade todo o seu carinho foi curando a sua dor: “Eu me via naquela situação de desespero, de sofrimento, mas, quando vinha para a LBV, nesse momento, quando as crianças me abraçavam, esses sentimentos iam embora e, aos poucos, fui livrando-me de tudo isso, graças ao carinho das crianças, das famílias ali atendidas”.

Helen Winkler

Patrícia diz que a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, criadas pelo presidente da LBV, o educador José de Paiva Netto, “que alia cérebro e coração”, é o grande diferencial do atendimento da Instituição. “Todas as pessoas que vêm trabalhar na LBV primeiramente colocam seu Amor no trabalho, depois veem as outras coisas, mas o Amor é o carro-chefe da LBV, seja na hora de entregar um benefício a uma família, seja na hora de realizar um atendimento a uma criança ou ao acolher uma pessoa que bate à porta da Instituição”. Para ela, essa Solidariedade sem fronteiras vivenciada nas unidades da Obra é como a boa semente que vai se multiplicando: “É tão importante, porque a gente percebe que planta e vai colhendo no decorrer do caminho”.

Nesse transcurso, por sinal, diversos desafios foram vencidos e pessoas amparadas e fortalecidas. Entre tantas histórias, ela se recorda da época em que residia no mesmo bairro do Centro Comunitário de Assistência Social: “Ficava bem fácil de as crianças saberem quem morava aqui próximo e houve uma vez, era de madrugada, eu já estava deitada com minha filha dormindo, e dois irmãos que eram atendidos na Entidade bateram palmas em nossa casa. Quando abri o portão, os dois estavam chorando, porque o pai havia falecido, isso me marcou bastante. A gente percebe que eles tinham uma relação muito boa de carinho, de acolhimento na LBV, a ponto de nessa hora em que se perde um ente querido eles buscarem a Instituição, porque se sentem bem ao nosso lado. Hoje, já são homens casados, mesmo agora, quando nos encontramos, me chamam de tia Patrícia”.

+ Confira a edição nº 271 da revista BOA VONTADE, de maio de 2022

Há cinco anos, ela passou a ocupar cargo administrativo na referida unidade da LBV e viu durante a pandemia da Covid-19 o aumento do número de famílias assombradas pelo fantasma da fome. Por sinal, levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa realizado em 2021 mostra que a insegurança alimentar é um problema que afeta praticamente 64% dos lares mantidos por mães solo. A pedagoga frequentemente segue com a equipe para realizar entregas de cestas de alimentos não perecíveis e verde e afirma, já com a voz embargada, que se sente gratificada por ser também um pouco mãe dessas atendidas: “Não tem como não se emocionar quando elas falam ‘essa cesta chegou em boa hora’, ‘aqui em casa não tinha nada para comer’. Eu penso em tudo o que já passei na época em que meu companheiro foi embora e que, se não fosse a LBV, a minha filha teria também passado necessidade”. E conclui essa batalhadora: “O trabalho da Legião da Boa Vontade é realmente significante, faz a diferença na vida das pessoas. A LBV é uma mãezona”.

Márcio Francisco

A aposentada Lurdes Agatha Guiconi, 61 anos, mãe de seis filhos, que há 30 anos está à frente da associação de moradores da Lomba do Pinheiro, bairro da periferia de Porto Alegre/RS, é outra liderança feminina que faz a diferença na existência de dezenas de indivíduos. Sempre em busca de melhores condições de vida, de infraestrutura básica para a localidade, essa senhora coordena uma horta e uma creche comunitária, projetos que contam com diversos atores sociais, com foco na sustentabilidade, na agroecologia e na cidadania.

Entre os apoiadores da iniciativa está a Legião da Boa Vontade: “Mais de 70% da população local migrou do interior para cá e também do inchaço da grande Porto Alegre; são indivíduos empobrecidos, vivendo de bicos, e, com a pandemia, ainda piorou, falta comida. Por que eu estou dizendo isso? Para que vejam quanto é importante a LBV, que durante todo esse período da Covid-19 veio todos os meses entregar material de higiene, máscaras, cestas de alimentos e tudo”. E concluiu: “Só mesmo a palavra gratidão a todos esses queridos doadores da LBV, essa ajuda é um presente, tem muita gente passando fome”.

Bianca Gunha

Na Legião da Boa Vontade, a participação ativa das mulheres ocorre em todos os níveis, elas estão integradas, por exemplo, na preocupação em trazer recursos para a manutenção do trabalho da organização. Entre essas agentes solidárias da Instituição está a curitibana Janefer Roberto da Silva, 33 anos, que batalha para manter a filha, Emelyn Vicytoria, 11, e que há quatro anos se dedica a solicitar o apoio de doadores para a causa da Entidade na capital paranaense.

“É gratificante saber que, com o meu trabalho, outra mãe conseguirá alimentar o seu filho, isso me deixa feliz. Nós, mães, sentimos na pele o que é um filho pedir leite ou outra coisa que seja, e não ter para dar. Eu sempre digo aos colaboradores quando estou em uma ligação que a fome é a primeira pandemia do mundo, ela sempre existiu. E, agora, com a Covid-19, a situação ficou ainda mais precária, devastadora para muitas famílias. Fazer parte deste elo, desta Corrente do Bem da LBV, é levar Esperança de que chegará um prato de comida, uma cesta de alimentos para as pessoas [em situação de vulnerabilidade social]”, ressalta Janefer.
Para ela, o grande incentivo para acordar e realizar esse serviço tão importante na LBV está “na empatia, na solidariedade, em tudo que envolve o Amor ao próximo. Minha filha entende o meu trabalho e sempre me diz: ‘mãe, tudo que você faz pelos outros é o que faz pra mim. Você é mãe de todo mundo’”.

Por LBV

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Eldorado Brasil reúne mais de 400 mulheres em evento e reforça protagonismo feminino no campo

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Três Lagoas, 30 de março de 2026 – A Eldorado Brasil Celulose, referência global em sustentabilidade e eficiência no setor, reuniu mais de 400 mulheres nesta quarta-feira (24), em Três Lagoas, para celebrar a diversidade e a presença feminina no campo. Na quarta edição, o encontro Mulheres em Campo, promove palestras, talk show e, principalmente, a promoção de troca de experiências entre profissionais que desafiam limites e rompem barreiras diariamente nas operações da companhia e no setor florestal de Mato Grosso do Sul.

De desafiar padrões, Milena da Silva Melo, 27 anos, entende bem. Mecânica na Eldorado Brasil Celulose, ela deixou por muito tempo o diploma na gaveta de casa até participar de uma seleção na empresa. “Desde criança eu sempre fui diferente das outras meninas. Enquanto elas brincavam de barbie e boneca, eu já era o tipo de criança que gostava de montar e desmontar brinquedos para ver como era. Adulta, eu fiz o curso técnico de Mecânica Industrial e como eu trabalhava, era casada, tinha minha casa, acabei deixando de lado”, relembra.

Durante uma seleção da Eldorado Brasil Celulose, um dos recrutadores pediu para analisar o currículo de Milena e deu a sugestão para que ela tentasse a vaga de mecânica da Florestal.

“Foi uma oportunidade que surgiu na hora certa, e eu a abracei da melhor forma possível. Quando cheguei ao campo, tive receio de ser deixada de lado por ser mulher em uma área predominantemente masculina, mas fui muito bem recebida pelos colegas, tanto da mecânica quanto pelas lideranças da manutenção. Posso não ter a mesma força física que um homem, mas tenho a minha força e a minha inteligência, que uso a meu favor no dia a dia no campo”, pontua.

Milena integra o quadro de colaboradores da Eldorado desde 2025 e faz parte de um movimento crescente de ampliação da presença feminina nas operações da companhia. No comparativo entre 2023 e 2024, a Eldorado registrou um aumento de 14% no número de mulheres em seu quadro de colaboradores. Na área administrativa, elas já são maioria.

Marilu Ramos, coordenadora de Treinamento Operacional e da equipe Nossa Gente Florestal, destaca a importância da iniciativa. “Estamos na quarta edição das Mulheres em Campo. É um evento pensado com muito carinho, ele é desenhado para ser um dia de celebração, de festa, de valorizar a presença feminina e o trabalho que cada uma delas desempenha”, ressalta.

Engenheira florestal, Marilu também reforça as transformações no setor. “Historicamente, essa é uma área predominantemente masculina, mas, nos últimos anos, o número de mulheres nesse setor tem aumentado, a presença feminina tem crescido — e eu sou um exemplo disso. A diversidade é fundamental para o mercado de trabalho, seja de gênero ou de qualquer outra natureza. Podemos contribuir com nosso jeito, com nosso preciosismo e qualidades”, pontua.

Sobre a Eldorado Brasil Celulose

A Eldorado Brasil Celulose, empresa do Grupo J&F, é reconhecida globalmente por sua excelência operacional e seu compromisso com a sustentabilidade, resultado do trabalho de uma equipe qualificada de mais de 6 mil colaboradores. Inovadora no manejo florestal e na fabricação de celulose, produz 1,8 milhão de toneladas de celulose de alta qualidade por ano, atendendo aos mais exigentes padrões e certificações do mercado internacional. Seu complexo industrial em Três Lagoas (MS) também tem capacidade para gerar energia renovável para abastecer uma cidade de 2,1 milhões de habitantes. Em Santos (SP), opera o EBLog, um dos mais modernos terminais portuários da América Latina, exportando o produto para mais de 40 países. A Companhia mantém um forte compromisso com a sustentabilidade, inovação, competitividade e valorização das pessoas.

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Pós-Carnaval sem perrengue: o que fazer (e o que não fazer) para melhorar da ressaca

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Foto de Pixabay

Depois de dias de folia, pouca água e sono bagunçado, é comum a manhã seguinte pesar. Dor de cabeça, enjoo, boca seca, tontura e cansaço intenso são sinais frequentes no pós-Carnaval, e não é exagero: a ressaca tem explicação fisiológica.

“A ressaca alcoólica é definida, sob o aspecto farmacológico e fisiológico, como um conjunto de sinais e sintomas resultantes dos efeitos tóxicos do etanol e de seus metabólitos”, explica Denise Basílio, coordenadora do curso de Farmácia da Estácio. Segundo ela, mesmo quando a concentração de álcool no sangue cai, o organismo segue com alterações metabólicas e inflamatórias.

O principal fator é o acetaldeído, substância formada no fígado durante o metabolismo do álcool. “O etanol é metabolizado principalmente no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase, resultando na formação de acetaldeído, um metabólito altamente reativo e tóxico”, afirma Denise. “Esse composto está amplamente associado a manifestações como náuseas, cefaleia, rubor e mal-estar geral.”

Além disso, o álcool ativa processos inflamatórios. “O consumo provoca a ativação de vias inflamatórias sistêmicas, levando ao aumento de citocinas pró-inflamatórias”, aponta. Isso ajuda a explicar a fadiga, dores no corpo e a sensibilidade maior a luz e som.

Por que a ressaca dá tantos sintomas? – A desidratação é um dos mecanismos principais, já que o álcool aumenta a perda de líquidos e eletrólitos. “Isso aumenta a diurese e provoca a perda de água e eletrólitos”, destaca Denise. Com isso, aparecem sintomas como dor de cabeça, tontura, boca seca e fraqueza.

Já o enjoo e a dor no estômago costumam ser consequência da irritação gástrica. “Estão mais relacionados à irritação da mucosa gástrica e ao aumento da secreção ácida provocados pelo álcool”, explica.

“A sensibilidade à luz e ao som, além da cefaleia pulsátil, também tem relação com alterações no cérebro. ‘Estão associadas à vasodilatação cerebral e à inflamação neurovascular’, acrescenta Denise.

E há ainda um agravante importante: o sono. O álcool diminui a qualidade do sono REM,  fase considerada essencial para a recuperação do cérebro, ligada à consolidação da memória e ao descanso mental. “Quando esse ciclo é prejudicado, a pessoa pode acordar mais cansada, irritada e com dificuldade de concentração, mesmo tendo dormido por várias horas”, pontua.

O que melhora – Quando a ressaca já chegou, não existe milagre. “A recuperação da ressaca baseia-se, essencialmente, em medidas de suporte”, orienta Denise.

A principal delas é beber água. “A hidratação adequada, de preferência com água e associada a soluções eletrolíticas, é essencial”, diz. Alimentação leve também contribui, especialmente com carboidratos, e o repouso ajuda o corpo a se recuperar do estresse metabólico.

O que piora – Na tentativa de melhorar rápido, muita gente se automedica e isso pode trazer risco. “O alívio dos sintomas deve ser feito com cautela, evitando a automedicação inadequada”, reforça Denise.

Ela alerta para o paracetamol: “Seu uso após a ingestão de álcool aumenta o risco de hepatotoxicidade, que é quando o órgão sofre dano por estar sobrecarregado ao metabolizar substâncias, como álcool e alguns medicamentos”. Anti-inflamatórios também exigem cuidado, pois podem agravar a irritação gástrica e aumentar riscos renais. Já medicamentos depressores do sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, podem ser perigosos quando associados ao álcool.

“A abordagem mais segura consiste em garantir hidratação, alimentação adequada, um ambiente tranquilo e descanso”, afirma Denise. “O uso de medicamentos deve ser reservado apenas para quando for estritamente necessário e sob orientação.”

Além disso, ela alerta que alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica. “Vômitos persistentes, confusão mental, dor abdominal intensa, sonolência excessiva, convulsões ou icterícia não são sinais de uma ressaca comum.”

Como prevenir – Para evitar a ressaca, Denise reforça que medidas simples funcionam melhor. “Evitar o consumo em jejum, alternar bebida alcoólica com água, alimentar-se adequadamente e respeitar os limites individuais são medidas embasadas em evidências”, orienta.

Ela também chama atenção para práticas comuns que podem aumentar riscos. “O uso preventivo de medicamentos e a combinação de álcool com bebidas energéticas carecem de fundamentação científica e podem piorar os danos à saúde”, conclui.

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