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Agronegócios

Produtores usam aviões para tentar fazer chover sobre as lavouras

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Em Goiás, o agro está, literalmente, tentando fazer chover, com o uso de aviões agrícolas. A técnica, conhecida como semeadura ou nucleação de nuvens, espalha partículas de sal em formações carregadas de umidade para tentar antecipar ou aumentar a precipitação.

O interesse cresceu diante das estiagens prolongadas e da irregularidade das chuvas no Cerrado. Segundo a empresa responsável pela iniciativa, aproximadamente 100 produtores de diferentes regiões goianas já demonstraram interesse em participar das operações.

A tecnologia não produz nuvens nem retira água de uma atmosfera seca. Sua utilização depende da existência de nuvens com características adequadas e de um processo de formação de chuva já em andamento. As aeronaves lançam partículas de cloreto de sódio na base de nuvens do tipo cúmulo, desde que apresentem umidade elevada e correntes de ar ascendentes. O sal funciona como um núcleo em torno do qual as pequenas gotas de água podem se agrupar. Ao ganhar tamanho e peso, elas têm maior possibilidade de chegar ao solo na forma de chuva.

A operação em Goiás é realizada em nuvens quentes, nas quais a precipitação ocorre principalmente pelo encontro e pela união das gotas de água. A aeronave precisa alcançar a formação no momento adequado, o que exige acompanhamento meteorológico e uma janela limitada para o voo.

Sem nuvens com água suficiente, a tentativa não produz precipitação. Por isso, a nucleação não substitui irrigação, reservatórios, conservação do solo ou planejamento hídrico. Também não deve ser tratada como garantia contra perdas provocadas pela seca.

Essa dificuldade não se restringe ao projeto desenvolvido no Estado. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) reconhece que a estrutura das nuvens pode ser alterada pela introdução de partículas, mas alerta que os resultados variam conforme o tipo de formação e as condições atmosféricas. Experiências feitas em uma região não podem ser automaticamente reproduzidas em outra, segundo a avaliação da entidade.

Uma análise do Escritório de Accountability Governamental dos Estados Unidos, órgão de fiscalização ligado ao Congresso americano, encontrou estimativas de aumento da precipitação entre zero e 20% nos estudos examinados. O relatório ressalta, porém, que as limitações das pesquisas dificultam a medição do efeito real da tecnologia. A chuva poderia ocorrer naturalmente, mesmo sem a intervenção.

Para verificar o resultado, seriam necessários radares meteorológicos, pluviômetros distribuídos pela área, informações detalhadas sobre cada nuvem e a comparação com formações semelhantes que não recebessem partículas. O acompanhamento por mais de uma temporada também ajudaria a separar o possível efeito da nucleação da variação natural do clima.

A semeadura de nuvens não é uma atividade nova. Há programas de modificação do tempo nos Estados Unidos, na China, na Austrália, na Tailândia e em países do Oriente Médio. Os materiais utilizados variam conforme as características das formações. Em nuvens quentes, podem ser empregadas partículas de sal; em nuvens frias, é mais comum o uso de iodeto de prata.

No Brasil, a nucleação de nuvens está enquadrada entre as operações que podem ser executadas pela aviação agrícola. Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também mencionam aeronaves utilizadas para provocar precipitação. O reconhecimento da atividade, contudo, não representa uma certificação de eficácia para qualquer operação ou condição meteorológica.

Para o produtor, a decisão de contratar o serviço deve considerar o custo, a frequência de nuvens adequadas, a área potencialmente atendida e a existência de dados que permitam avaliar o resultado. Também é necessário verificar se a empresa e a aeronave estão regularizadas e se o plano operacional inclui acompanhamento meteorológico.

A experiência goiana amplia a atuação dos aviões agrícolas para além da aplicação de defensivos, fertilizantes e sementes. A frota já é empregada no combate a incêndios e agora tenta ocupar espaço na gestão do risco hídrico. A tecnologia pode funcionar como ferramenta complementar, mas não elimina a necessidade de seguro rural, manejo conservacionista, armazenamento de água e sistemas de irrigação onde forem economicamente viáveis.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Pressão do super El Niño e gargalos logísticos aceleram corrida por silos de alta performance em Mato Grosso

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O avanço da produção agrícola em Mato Grosso vem ampliando a pressão sobre a infraestrutura de pós-colheita do estado, que historicamente opera sob um déficit de capacidade estática superior a 40 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Em 2026, esse cenário ganhou contornos ainda mais críticos devido aos reflexos climáticos do Super El Niño, que provocou chuvas irregulares e janelas de colheita severamente estranguladas. O resultado é a chegada de grãos com teores de umidade muito acima da média aos armazéns, transformando o desafio logístico de espaço em um gargalo urgente de velocidade de processamento, secagem e eficiência operacional.

Para Henrique Moraes, gerente comercial nacional da AGI Brasil, uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país, a instabilidade climática alterou drasticamente a dinâmica de recepção das unidades.

‘’Com o produtor forçado a acelerar as colheitadeiras para proteger a safra no campo, o tempo de retenção e as filas de caminhões nas estruturas analógicas dispararam, gerando o efeito “estadia” — o tempo ocioso do motorista na plataforma de descarga. Conforme indicadores de mercado do Imea e do Esalq-Log (USP), essa lentidão no recebimento das plantas tradicionais sobrecarrega os equipamentos e encarece o custo do frete rodoviário em até 20% nos períodos de pico, corroendo diretamente as margens da atividade”, explica.

Para mitigar o colapso operacional das plantas, a demanda agrícola mato-grossense tem migrado rapidamente para sistemas de automação preditiva e engenharia de fluxo contínuo, capazes de elevar substancialmente a taxa de ocupação dos silos sem comprometer a integridade física do ativo.

“O mercado atingiu um nível de maturidade e pressão em que a infraestrutura precisa operar como o núcleo da inteligência financeira do negócio. Unidades obsoletas geram um consumo energético descontrolado e perdas por quebra técnica de umidade que desvalorizam o grão antes mesmo da comercialização”, analisa Moraes, destacando que a aeração ineficiente responde por parte expressiva dos custos fixos operacionais de um armazém.

Engenharia de fluxo e preservação de margens

A adoção de tecnologias avançadas de monitoramento integrado, que avaliam simultaneamente as variáveis internas e externas de temperatura e umidade, reposiciona o papel do silo no planejamento estratégico do agronegócio.

’Em vez de operar como um mero depósito passivo e emergencial, as estruturas de alta performance — com sistemas de descarga rápida e secagem inteligente — eliminam o gargalo das filas e garantem ao produtor o controle físico sobre o tempo do seu produto. Essa eficiência técnica desata o nó logístico e permite que indústrias e agricultores gerenciem seus estoques com segurança por períodos prolongados, neutralizando a necessidade de escoamento imediato sob condições desfavoráveis de mercado”, afirma.

Ainda segundo o especialista, “essa capacidade de conservação técnica reconfigura a balança comercial do campo ao devolver o poder de negociação e a flexibilidade comercial para as fazendas. Ao evitar a venda forçada na “bacia das almas” durante o pico da colheita — momento em que a supersafra historicamente pressiona as cotações para baixo —, o investidor que detém infraestrutura tecnológica de ponta consegue escolher as melhores janelas de preço e esticar as negociações com tradings e indústrias de biocombustíveis’’.

Conforme dados técnicos da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós), o manejo inadequado e a falta de controle preditivo respondem por perdas de até 15% na qualidade do grão armazenado, gargalo que desqualifica o produto frente às exigências de rastreabilidade e auditoria do mercado de capitais para a liberação de crédito privado.

Diante do cenário de alta competitividade e “bancarização” do agro, a tendência é que o Centro-Oeste e as novas fronteiras de expansão continuem concentrando investimentos maciços na modernização do pós-colheita. Segundo o gerente da AGI Brasil, a infraestrutura avançada deixou de ser um diferencial de grandes corporações para se tornar o pilar central de sustentabilidade econômica de operadores de médio e grande porte.

“A competitividade logística do Brasil não se resolve mais apenas nas rodovias ou nos portos, mas dentro da porteira. Regiões em franca expansão, como o norte de Mato Grosso, Rondônia e Roraima, começam a entender que a engenharia de precisão aplicada à armazenagem é o único caminho seguro para blindar o fluxo de caixa contra as incertezas climáticas e logísticas do setor”, conclui.

 Sobre a AGI Brasil

A AGI Brasil é uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país. Com sede em Cândido Mota (SP), a companhia faz parte da AGI — Ag Growth International, referência global em equipamentos agrícolas e de infraestrutura, com presença em mais de 100 países. Seu portfólio inclui silos metálicos, sistemas de secagem, aeração e transporte de grãos, além de estruturas e soluções completas para pós-colheita. A AGI Brasil alia experiência local à expertise internacional, oferecendo tecnologia, confiabilidade e eficiência para apoiar a competitividade do agronegócio.

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Agronegócios

Frigoríficos voltam às compras e boi gordo reage em parte do país

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A necessidade de completar as escalas de abate levou frigoríficos a aumentar as compras de gado e abriu espaço para a recuperação da arroba em algumas regiões. O movimento foi mais evidente em Goiás e Mato Grosso do Sul, mas ainda não representa uma alta generalizada do boi gordo no país.

Em Goiânia, a arroba a prazo encerrou a quinta-feira, 16, em R$ 320, alta semanal de 1,59%. Em Dourados, o preço chegou a R$ 325, avanço de 1,56%. São Paulo permaneceu em R$ 330, enquanto Cuiabá ficou em R$ 320 e Uberaba, em R$ 310. Em Vilhena, na contramão, houve queda para R$ 310.

A diferença entre as praças mostra que o poder de negociação continua ligado à situação de cada frigorífico. Empresas com escalas mais curtas aceitaram pagar mais para garantir animais, enquanto unidades abastecidas mantiveram as ofertas.

A continuidade da reação dependerá principalmente da disponibilidade de gado terminado e do ritmo de abate. Se a indústria voltar a alongar as escalas, a pressão compradora poderá diminuir.

O mercado também acompanha os efeitos da cota criada pela China para a carne brasileira. Em 2026, até 1,106 milhão de toneladas podem entrar no país asiático sem a tarifa adicional de 55%. Frigoríficos e analistas já consideram o limite comprometido por cargas entregues e produtos ainda em trânsito.

A restrição não impede novos embarques, mas torna as vendas que ultrapassarem a cota menos competitivas. Como a China é o principal destino da carne bovina brasileira, uma redução das compras poderá limitar a capacidade dos frigoríficos de sustentar preços maiores pela arroba.

Por enquanto, as exportações totais continuam fortes. Até a segunda semana de julho, o Brasil embarcou 104,7 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com receita de US$ 668,1 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Na comparação com julho do ano passado, a média diária exportada cresceu 8,7%. O preço médio avançou 15%, para US$ 6.382 por tonelada, e ajudou a elevar em 25% a receita diária.

No mercado interno, o comportamento dos cortes foi desigual. O quarto dianteiro caiu para R$ 19 por quilo, enquanto o traseiro subiu para R$ 26. A perda de força do consumo na segunda quinzena e a concorrência da carne de frango dificultam reajustes mais amplos.

Para o pecuarista, o momento é de acompanhar as escalas e comparar ofertas. A arroba encontrou sustentação onde a indústria precisou comprar, mas a reação ainda depende de uma oferta controlada de animais e da capacidade dos exportadores de compensar a provável redução dos negócios com a China.

Fonte: Pensar Agro

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