Mundo
Furacão Fiona atinge Porto Rico e deixa milhões sem energia
A maior parte da ilha de Porto Rico ficou sem energia neste domingo (18), quando o furacão Fiona atingiu o território, causando graves inundações e deslizamentos de terra antes de atingir a República Dominicana, disse uma agência do governo.
O centro da tempestade atingiu a costa sudoeste de Porto Rico, perto de Punta Tocon, às 15h20 (ET) com ventos máximos sustentados de cerca de 85 milhas (140 quilômetros) por hora, limpando o limite para um furacão de categoria 1, disse o Centro Nacional de Furacões.
O Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) disse que a tempestade estava causando “inundações catastróficas” no início da noite de domingo.
A eletricidade estava inicialmente completamente sem energia em toda a ilha de 3,3 milhões de pessoas, disse a LUMA Energy, operadora da rede da ilha e a autoridade de energia de Porto Rico, na tarde deste domingo. Durante a noite, as autoridades disseram que alguma energia havia começado a ser restaurada, mas a reconexão de toda a ilha levaria vários dias.
Em uma coletiva de imprensa na capital San Juan na noite de domingo, o porta-voz da LUMA, Abner Gomez, disse que todo o sistema elétrico foi desligado para proteger sua infraestrutura. Alguma energia estava sendo restaurada com prioridade para hospitais e outros serviços comunitários críticos, disse ele.
“Isso foi catastrófico”, disse o governador de Porto Rico, Pedro Pierluisi, na entrevista coletiva. “Estamos respondendo à emergência conforme as condições climáticas permitirem.”
Vários deslizamentos de terra foram relatados, disseram autoridades. Estradas foram fechadas e uma ponte rodoviária em Utuado, uma cidade no centro da ilha, foi levada pela enchente de um rio.
Os portos de Porto Rico foram fechados e os voos do aeroporto principal cancelados. Chuvas torrenciais e deslizamentos de terra também foram previstos para a República Dominicana à medida que a tempestade avança para o noroeste, com as Ilhas Turks e Caicos provavelmente enfrentando condições de tempestade tropical na terça-feira, disse o NHC.
“Essas chuvas produzirão inundações repentinas e catastróficas e inundações urbanas em Porto Rico e no leste da República Dominicana”, disse a agência.
O presidente dos EUA, Joe Biden, aprovou uma declaração de emergência para Porto Rico no domingo, uma medida que autoriza a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências a coordenar o socorro a desastres e fornecer medidas de proteção de emergência.
A secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, disse que funcionários da agência enviados a Porto Rico ajudarão nos esforços de restauração “à medida que se tornar seguro fazê-lo”.
As chuvas aumentaram de intensidade desde a manhã de domingo, juntamente com fortes rajadas de vento, disseram moradores.
Denise Rios, que mora na cidade de Hormigueros, no sudoeste, disse que ficou sem energia após uma forte rajada de vento e chuva que começou por volta do meio-dia.
“Desde então, não parou”, disse ela. “Está chovendo muito e o vento sopra forte. Estou calmo, mas alerta.”
Prevê-se que uma ampla faixa de Porto Rico receba de 12 a 16 polegadas (30 a 40 cm) de chuva, enquanto partes podem ser atingidas por até 25 polegadas (63,5 cm), de acordo com o NHC.
A rede de Porto Rico permanece frágil depois que o furacão Maria, em setembro de 2017, causou o maior apagão da história dos EUA. Naquela tempestade de categoria 5, 1,5 milhão de clientes perderam eletricidade com 80% das linhas de energia desligadas.
As autoridades abriram mais de 100 abrigos e fecharam praias e cassinos, e os moradores foram instados a procurar abrigo.
Uma morte ligada a Fiona foi relatada até agora, na ilha caribenha francesa de Guadalupe. Autoridades disseram que um homem foi encontrado morto no sábado depois que sua casa foi varrida pelas inundações. A França reconhecerá um estado de desastre natural para Guadalupe, disse o presidente Emmanuel Macron no Twitter neste domingo.
Por CNN Brasil
Mundo
250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, o Estado Laico e o Estado Secular
Por Aldir Guedes Soriano
Em 4 de julho de 2026, a Declaração de Independência dos Estados Unidos de 1776, redigida por Thomas Jefferson, completa 250 anos. Nesse contexto histórico, o pensamento de Jefferson foi influenciado por pensadores como Xenofonte, Francis Bacon, John Locke e Roger Williams. Moldado por essas ideias, ele levantou a metáfora do muro de separação entre a Igreja e o Estado. Esse princípio da separação foi consagrado na Primeira Emenda da Constituição Americana, assegurando a liberdade de religião e de expressão. Assim, foram institucionalizadas boas ideias como a igualdade de direitos perante a lei, a limitação do poder e a separação entre as religiões e o Estado como pilares de uma nação livre e soberana.
Ayn Rand ressaltou a relevância da separação entre o Estado e a Religião para a coexistência pacífica entre as diferentes religiões. Também destacou a separação entre o governo e a economia como meio para se obter a paz, a harmonia e a justiça entre os homens.
As boas ideias de Jefferson inspiraram a separação dos poderes temporal e religioso nas monarquias japonesa e iraniana. A monarquia secular Pahlevi modernizou o Irã, revogando normas legais discriminatórias inspiradas pela Sharia. Nesse período, havia liberdade religiosa e igualdade de direitos entre homens e mulheres no solo iraniano. Essas boas ideias também chegaram ao Brasil. Em 1890, mediante o Decreto 119-A de Ruy Barbosa, ocorreu a separação entre a Igreja e o Estado brasileiro. Assim, o Brasil se tornou um país laico.
Por outro lado, a Sharia discrimina não muçulmanos. Inexiste, portanto, igualdade de direitos nesse contexto. Isso colide frontalmente com o sistema jurídico do Estado secular, fundado na igualdade de direitos para todos, indistintamente. Assim, a Sharia é de Marte e a legislação brasileira é de Vênus. Há, portanto, uma profunda incompatibilidade entre a Sharia e o Ordenamento dos Estados seculares.
Gravíssimos problemas emergem quando a premissa maior (Sharia) encontra a premissa menor (afloramento do fundamentalismo). Essa lei tem viajado no tempo e no espaço, levando a conflitos, guerras civis, violações de direitos humanos e transformando Estados seculares em teocracias. São inegáveis os aspectos draconianos da lei, potencialmente lesivos às mulheres e a não muçulmanos. Isso não muda com o tempo. A variável é o nível de fanatismo fundamentalista. Não é uma questão de generalização ou preconceito. É fato: os relatórios do Pew Research Center mostram inúmeros países muçulmanos com o grandes violadores da liberdade religiosa. Em 2025, o Irã executou ao menos 2.159 pessoas e segue matando opositores políticos por enforcamento, segundo a Anistia Internacional. Apontar para a raiz do problema não é o problema. A questão é que o encontro da Sharia com o fundamentalismo tem sido prevalente, mesmo em países ocidentais. Isso não tem a ver com a parte da Sharia que regula a devoção pessoal do muçulmano.
O importante filósofo do direito Montesquieu, em seu livro Do espírito das leis, já alertava: “a religião maometana, que só fala de espada, age ainda sobre os homens com esse espírito destruidor que a fundou.” Mais recentemente, Christopher Hitchens criticou a toxicidade da religião islâmica associada à fusão da fé com o poder político, a ameaça totalitária e o ímpeto de instaurar a Sharia através da guerra santa (jihad).
Ademais, Nasr Abu Zayd, muçulmano e egípcio, criticou a Sharia acerca de seus aspectos incompatíveis with a modernidade, como discriminações em relação às mulheres, cobranças de jizia (imposto) de não muçulmanos, a escravização de mulheres, assim como o uso ideológico da Sharia como instrumento de dominação política. Foi declarado apóstata e penalizado com divórcio forçado da esposa. Viveu os seus últimos dias exilado na Holanda.
Em pleno século XXI, o apedrejamento de mulheres até a morte por adultério (zina) é legal em países como Irã, Arábia Saudita e Afeganistão. A lei islâmica discrimina as mulheres e pune os crimes de blasfêmia e de apostasia. Também comina penas como a amputação de membros e o enforcamento. A Sharia não se coaduna com a ordem jurídica brasileira e internacional. Por isso, com o escopo de rechaçar aspectos inconstitucionais da Sharia, o Projeto de Lei 824/2026 do deputado federal Luiz Philippe Orleans e Bragança, reitera a Lei Maior (CF/1988), garantindo a soberania nacional, a laicidade estatal e a igualdade de direitos fundamentais perante a lei.
A Sharia, conforme a ancestral cultura árabe pré-islâmica, deveria ser como o caminho para as águas tranquilas, ou seja, uma belíssima metáfora de justiça e paz. No entanto, converteu-se em caminho para águas poluídas, tóxicas, conflituosas e beligerantes, servindo como instrumento de opressão e pretexto para a satisfação da ambição totalitária, despótica e teocrática. Essa lei, todavia, não tem como prosperar se o Estado laico for levado a sério.
Assim, a importância da separação entre as religiões e o Estado não pode ser negligenciada, sob pena de retrocesso cultural e civilizatório. O desprezo dessa conquista significa o lastimável aniquilamento da igualdade de direitos fundamentais perante a lei. É preciso vigilância em face do ressurgimento do fundamentalismo no tabuleiro geopolítico. Antes prevenir do que remediar.
Aldir Guedes Soriano é escritor, advogado e jurista com destacada atuação acadêmica em direitos humanos e liberdade religiosa tanto no Brasil quanto no exterior. Possui publicações sobre direito constitucional e liberdades individuais. Primeiro presidente da Academia Venceslauense de Letras. Graduado em direito. Pós-Graduado em Direito Público pelo Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP e em Direito Constitucional pela Universidade de Salamanca (Espanha).
Internacional
Morre Miguel Uribe, pré-candidato à presidência da Colômbia
O senador e pré-candidato à presidência da Colômbia Miguel Uribe, vítima de um atentado em junho durante comício em Bogotá, morreu nesta segunda-feira (11) após mais de dois meses lutando pela vida. A morte foi anunciada por sua esposa, Maria Claudia Tarazona, e confirmada pelo hospital onde ele estava internado.
Uribe, de 39 anos, era senador de oposição ao atual governo e um dos favoritos na corrida eleitoral colombiana. O senador também era neto de um ex-presidente e filho de uma jornalista sequestrada e assassinada pelo Cartel de Medellín. Além da esposa, Miguel Uribe deixa um filho.
O senador foi baleado duas vezes na cabeça e uma na perna na noite de 7 de junho enquanto discursava em um evento de rua na capital colombiana, em meio ao crescimento de atos políticos visando as próximas eleições presidenciais na Colômbia, marcadas para março de 2026.
O atentado a Uribe foi o primeiro de uma onda de ataques ocorridos na Colômbia nos últimos meses, que reviveram o fantasma da violência política no país dos anos 1990. Na época, três candidatos à presidência foram assassinados durante a campanha eleitoral.
Desde o atentado, Uribe estava internado no Fundação Santa Fé de Bogotá. Ele ficou à beira da morte, mas foi estabilizado após diversas e cirurgias e intervenções. No entanto, Uribe “regrediu à condição crítica devido a uma hemorragia no sistema nervoso central”, foi submetido a uma cirurgia de emergência e precisou voltar a ser sedado, segundo boletim divulgado pelo hospital no sábado (9).
A Fundação Santa Fé confirmou a morte de Uribe e disse que o pré-candidato morreu à 1h56 da madrugada desta segunda-feira no horário local de Bogotá (23h56 de domingo em Brasília). O hospital afirmou que os médicos “trabalharam incansavelmente” para tentar o salvar, porém, houve um “desfecho triste”.
ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, líder do partido Centro Democrático, ao qual Uribe era filiado, lamentou a morte do senador. “O mal destrói tudo, mataram a esperança. Que a luta de Miguel seja uma luz que ilumine o caminho correto da Colômbia”, disse em sua conta no X.
G1
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