Água Clara
Com a morte de 1.100 cabeças de gado pecuarista tem prejuízo de R$ 2 milhões em fazenda do MS
A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (Iagro) está investigando a morte de 1,1 mil cabeças de gado no confinamento da Marca 7 Pecuária, na fazenda Monica Cristina, no município de Ribas do Rio Pardo, a cerca de 40 quilômetros de Campo Grande. Como os animais estavam praticamente prontos para o abate, a estimativa é que a mortandade tenha causado um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões ao criador Persio Ailton Tosi.
De acordo com a Agência Estadual de Defesa Sanitária e Animal (Iagro), a suspeita clínica da causa da morte dos animais é botulismo, mas o resultado laboratorial só será divulgado em uma semana. Amostras da ração oferecida aos animais, que é produzida na própria fazenda, e da água da localidade foram enviadas para o laboratório estadual e, caso o resultado seja positivo, será enviado para uma segunda análise em um laboratório de São Paulo.
O botulismo ataca o sistema nervoso do animal provocando paralisia motora e o período de incubação é de uma semana a oito dias. A gravidade da doença está diretamente ligada à quantidade de toxinas que o animal ingeriu e pode ser dividia em quatro graus: Super aguda, Aguda, Subaguda e Crônica. Os principais sintomas são anorexia, falta de coordenação e ataxia.
No ser humano, a doença também ataca o sistema nervoso, podendo levar a morte conforme a quantidade de toxina expelida pela bactéria. Os principais sintomas no ser humano são visão dupla e embaçada, fotofobia (aversão à luz), ptose palpebral (queda da pálpebra), tonturas, boca seca, intestino preso e dificuldade para urinar.
Posição da empresa
O criador Persio Ailton Tosi divulgou no fim da manhã desta terça-feira uma nota onde aponta que todos os animais da propriedade, especialmente, os do confinamento já tinham sido vacinados, atendendo em obediência ao que recomenda o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e que logo que começaram a ocorrer as mortes de animais, foi acionada a UFMS e a Iagro e que todas as providências pertinentes foram tomadas, sendo um caso isolado, que não demanda uma preocupação com doença desconhecida ou epidemia.
Aponta ainda que a suspeita clínica é de botulismo, mas que é prematuro se antecipar aos lados de laboratório e diagnóstico dos técnicos convocados.
CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DIVULGADA PELO CRIADOR:
Confinamento de bovinos, na Fazenda Monica Cristina, em Ribas do Rio Pardo, de 02 a 05 de agosto teve ocorrência de mortes, mais de 1.000 bois confinados.
No momento, as mortes estabilizadas, contagem final ainda sendo apurada.
Propriedade organizada, com 42 anos na atividade pecuária, é uma de cinco fazendas, assistidas por três médicos veterinários, responsáveis pela nutrição e reprodução de todo rebanho.
De imediato foram requisitados, professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, na área de clínica e patologia, comparecendo ao local, em diversas visitas, examinando todo rebanho, coletando material para pesquisa em laboratório, que possa identificar a causa da mortalidade.
A IAGRO foi notificado diretamente na pessoa do Presidente dr Luciano Chiochetta e na Delegacia Federal de Agricultura, o superintendente Celso Martins.
Todas providências pertinentes foram tomadas, em irrestrita obediência aqueles órgãos, enterrando os animais, em valas de 4 m de profundidade, em verdadeira operação de guerra, trabalho completado no último sábado, 05 de agosto pp.
Todos animais da propriedade, e especialmente aqueles do confinamento já tinham sido vacinados individualmente no tronco de contenção, em obediência ao que determina o Ministério da Agricultura.
As operações de confinamento na marca 7 Pecuária repetem-se já por 11 anos, com muita eficiência e respeito a sanidade e ao meio ambiente.
A fazenda produz 80% dos animais na categoria de novilho precoce, colaborando para produzir no Mato Grosso do Sul, a melhor carne do Brasil.
É caso isolado, não há o que preocupar-se em termos de doença desconhecida ou qualquer epidemia.
Suspeitas clínicas são de botulismo, entretanto é prematuro antecipar-se aos laudos de laboratório e diagnóstico dos técnicos convocados.
O produtor não pretende manifestar-se antes do diagnóstico dos técnicos, ao mesmo tempo em que agradece as manifestações de apoio de amigos e colaboradores que tão bem conhecem sua idoneidade e dedicação ao agronegócio.
Persio Ailton Tosi
Mais sobre Botulismo em Bovinos
O botulismo é definido como uma intoxicação, e não como uma infecção, causada pela ingestão ou absorção, por parte da mucosa intestinal, de toxina pré-formada da bactéria Clostridium botulinum, resultando em um quadro de paralisia motora progressiva.
O C. botulinum é um bacilo gram-negativo, formador de esporos, que habita o solo e a água, matéria orgânica (de origem animal e vegetal) e trato gastrointestinal de animais. Os esporos dessa bactéria apresentam uma resistência exacerbada, podendo sobreviver um período muito longo em diferentes ambientes, multiplicando-se em carcaças ou vegetais que se encontram em decomposição, nos quais sintetiza uma neurotoxina que leva à doença quando ingerida.
A partir de 1985, surgiu nos rebanhos brasileiros uma “nova” doença que ganhou grande expressão dentro dos rebanhos bovinos, especialmente da região Centro-Oeste. Apresenta grande importância econômico-sanitária, pois é uma importante causa de mortalidade bovina.
Nos bovinos, esta enfermidade é habitualmente descrita em animais criados extensivamente, que geralmente está relacionada com a falta de fósforo nas pastagens, assim como a uma suplementação mineral imprópria, que tem como consequência um quadro de depravação do apetite, levando à osteofagia nos animais. Nas carcaças, o esporo encontra um ambiente ideal para proliferar e produzir toxinas, contaminando, em especial, ossos, cartilagens, tendões e aponeuroses que apresentam uma maior resistência à decomposição. Deste modo, quando os bovinos ingerem os tecidos contaminados de carcaças encontradas no pasto, estes adquirem a toxina e esporos.
Animais confinados também podem estar expostos a riscos, principalmente quando estes recebem silagem, feno ou ração conservada inadequadamente, apresentando matéria orgânica em estado de decomposição, ou carcaças de pequenos mamíferos ou aves, sendo esta conhecida como “intoxicação da forragem”. Também existe a contaminação por veiculação hídrica, quando os reservatórios de água estão contaminados por cadáveres de animais.
Nos últimos anos, uma das principais fontes de contaminação relatada em confinamento, é a cama de frango utilizada na alimentação animal, em conseqüência da presença de restos de aves nesta.
Após ocorrida a ingestão de toxinas, estas são absorvidas pela mucosa do intestino e caem na circulação, ligando-se a receptores do sistema nervoso periférico, causando o bloqueio da síntese e liberação de acetilcolina, sendo esta medidora do impulso nervoso, determinando, deste modo, um quadro de paralisia flácida.
A severidade da sintomatologia esta diretamente relacionada à quantidade de toxina ingerida pelo animal. Esta doença pode ser dividida em quatro formas diferentes:
- Superaguda;
- Aguda;
- Subaguda;
- Crônica.
Inicialmente, os animais apresentam variados graus de incoordenação, anorexia e ataxia. Por conseguinte, inicia-se um quadro de paralisia muscular flácida progressiva, primeiramente nos membros posteriores, deixando os animais em decúbito esterno-abdominal, e quando estimulados a andar, o fazem de modo vagaroso e com dificuldade. Caso os animais fiquem estressados, podem morrer rapidamente.
Ao passo que a afecção evolui, a paralisia muscular torna-se mais acentuada, impossibilitando que o animal se mantenha em pé, permanecendo apenas em decúbito esternal, com a paralisia progredindo para os membros anteriores, pescoço e cabeça. A paralisia muscular acomete a deglutição e mastigação, o que resulta no acúmulo de alimentos na boca e sialorréia, além de protusão da língua; também há redução dos movimentos ruminais.
Por fim, há a acentuação do quadro prostático, passando o animal a ficar em decúbito lateral. O animal permanece consciente até o término do quadro, quando este entra em coma e morre.
Nos quadros agudos, o bovino caminha para o óbito dentro de um a dois dias, após surgirem os sintomas, sendo normalmente causada pela parada respiratória devido à paralisia dos músculos que coordenam os movimentos respiratórios.
Nos quadros subagudos, o animal sobrevive de três até sete dias, sendo este tipo o mais comumente observado a campo. Neste caso, os sintomas e sinais clínicos são mais evidentes, pois o período de desenvolvimento da doença é mais longo.
Quando se trata de um caso crônico, o bovino sobrevive por um tempo superior a sete dias, sendo que uma pequena parcela pode chegar a se recuperar após algumas semanas, já que as manifestações clínicas não são tão acentuadas quanto nas outras formas. Embora o bovino permaneça de decúbito esternal, ele continua alimentando-se, pois há a permanência do apetite.
O diagnóstico é feito com base nos sinais clínicos, dados epidemiológicos e pela identificação de toxinas e/ou esporos de C. botulinum no material mandado para análise. O material de eleição para essa análise é o conteúdo ruminal, conteúdo intestinal, fragmento hepático e soro sanguíneo, sendo que estes devem ser coletados em seguida à morte do animal ou mediante a eutanásia do bovino que está agonizando. O material coletado deve ser acondicionado em um frasco estéril e encaminhado imediatamente para o laboratório, sob refrigeração, juntamente com fontes suspeitas de intoxicação (cama de frango, silagem, feno, água, entre outras), quando houver.
Nos casos subagudos ou crônicos, pode ser realizado um tratamento sintomático, que objetiva oferecer condições para que o animal resista ao quadro clínica apresentado.
O controle do botulismo é feito por meio da adoção de medidas preventivas, uma vez que o tratamento normalmente não apresenta resultados positivos, além de ser economicamente inviável. Deste modo, se faz necessário a melhoria das condições do ambiente onde os animais vivem, eliminando fontes de contaminação nas pastagens, por meio da incineração de carcaças de animais; manejo nutricional adequado, como correção do nível de fósforo nas pastagens e suplementação mineral; vacinação do rebanho todo, que deve ser realizado anualmente, antes do período das chuvas, com a primeira dose seguida de reforço quatro a seis semanas depois de recebida a imunização.
Matéria: Atualizada 8 de Agosto, 12h:30
Água Clara
Água Clara promove evento “TEAcolher em Rede” para fortalecer inclusão e acolhimento
A Prefeitura de Água Clara (MS), por meio da Secretaria Municipal de Esportes, realizou nesta quarta-feira (17) o evento “TEAcolher em Rede” no Centro de Convivência. A iniciativa reuniu profissionais, servidores, educadores, famílias e comunidade em torno de um objetivo comum, ampliar conhecimentos e fortalecer práticas mais humanas e conscientes no atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
A programação foi dividida em dois períodos e contou com a participação de especialistas de destaque em suas áreas de atuação.
No período matutino, o policial rodoviário federal Alexandre Figueiredo de Araujo ministrou a palestra “PRF Amiga do Autista”. Idealizador do Instituto Guardião Azul Amigo do Autista e instrutor em Emergência Autista, o palestrante compartilhou orientações sobre abordagem, comunicação e atendimento adequado a pessoas autistas, destacando a importância de uma rede de segurança mais preparada e humanizada.
Já no período vespertino, o 1º Tenente Max Sousa Tosta, do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, conduziu a palestra “Primeira Intervenção em Crises de Suicídio e Emergências Psiquiátricas”. Com formação em Direito, Administração Pública e Gestão Pública, além de especialização em Atendimento ao Suicídio, o instrutor abordou a importância da atuação técnica e sensível diante de situações de crise, sempre com foco na preservação da vida e no cuidado humanizado.
O evento reforçou o compromisso da gestão municipal com a construção de uma sociedade mais inclusiva, preparada e acolhedora. A iniciativa proporcionou um espaço de aprendizado, escuta e troca de experiências, contribuindo para que os participantes saíssem mais atentos e conscientes sobre o respeito às diferenças e o cuidado com as pessoas.
Água Clara
“Guardiões da Natureza”: ACAC consolida operações com terceira venda e já soma 48 toneladas de recicláveis vendidos em 2026
A Prefeitura de Água Clara e a Associação dos Catadores (ACAC) celebram mais um avanço no fortalecimento da coleta seletiva no município. Nesta semana, a entidade realizou sua terceira comercialização de materiais na nova Unidade Municipal de Triagem “Guardiões da Natureza”, totalizando 15 toneladas de papelão e plástico negociadas.
Com as vendas anteriores, a primeira com 18 toneladas e a segunda com outras 15 toneladas, a associação já alcança a marca de 48 toneladas de resíduos recicláveis transformados em renda e sustentabilidade, beneficiando diretamente 13 famílias que dependem da atividade.
Inaugurada em 2026 pela gestão municipal, a unidade representa um marco na infraestrutura urbana e socioambiental da cidade. Em ambiente coberto, seguro e adequado, os catadores passaram a contar com melhores condições de trabalho, com proteção contra intempéries, equipamentos de proteção individual, uniformes e apoio logístico.
A Prefeitura reafirma seu compromisso com a categoria ao garantir repasse mensal por trabalhador e arcar integralmente com as despesas de água e energia elétrica da unidade. A medida visa assegurar dignidade, previsibilidade financeira e continuidade das operações.
Os números alcançados em um curto prazo comprovam a eficácia do modelo adotado com estrutura adequada, gestão compartilhada e valorização dos agentes ambientais. A Unidade “Guardiões da Natureza” já se consolida como referência em economia circular e inclusão produtiva, alinhando os pilares do desenvolvimento sustentável com a justiça social.
A expectativa para os próximos meses é de ampliação da produção e de novos resultados, reforçando o papel de Água Clara como município comprometido com a reciclagem, a geração de trabalho e a preservação ambiental.
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