Agronegócios
Produtores usam aviões para tentar fazer chover sobre as lavouras
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
UE descarta mudar regras e carne brasileira pode perder mercado em setembro
A União Europeia não pretende reduzir suas exigências sobre o uso de antimicrobianos para manter a entrada de produtos brasileiros. Sem um acordo técnico, carnes e outros alimentos de origem animal produzidos no Brasil deixarão de ser aceitos no bloco a partir de 3 de setembro.
A posição foi reforçada pelo embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher. O país ocupa até dezembro a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, responsável por coordenar os trabalhos dos governos do bloco.
A restrição não decorre da descoberta de contaminação em carregamentos brasileiros. O problema está na comprovação de que o sistema de produção nacional atende às regras europeias, especialmente a proibição de antimicrobianos usados para acelerar o crescimento dos animais e de medicamentos reservados ao tratamento de infecções humanas.
Em junho, a Comissão Europeia retirou o Brasil da relação de países considerados aptos a cumprir essas normas. A mudança alcança carne bovina, de frango e de cavalo, além de pescado, mel, tripas e outros produtos antes habilitados.
As exigências já estavam previstas na legislação europeia e passam a ser aplicadas integralmente em setembro. Segundo o embaixador, o Brasil conhecia as condições e vinha discutindo sua implementação com autoridades do bloco havia anos.
Para retornar à lista, o governo brasileiro terá de demonstrar que possui controles capazes de acompanhar o uso dos medicamentos ao longo da cadeia produtiva. Não basta uma empresa ou fazenda declarar que atende às regras: a União Europeia exige garantias oficiais, fiscalização e certificação.
Essa necessidade ajuda a explicar a dificuldade de uma solução rápida. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que a adaptação completa da pecuária bovina poderá levar cerca de 30 meses, considerando o ciclo de produção dos animais.
Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram habilitados, o que enfraquece o argumento de que a decisão tenha sido uma barreira dirigida ao Mercosul. Para o bloco europeu, a retirada do Brasil foi resultado da análise técnica da documentação apresentada.
A suspensão não fecha todos os mercados para a carne brasileira nem afeta a comercialização no país. Seu efeito ficará concentrado nas empresas e propriedades que abastecem a União Europeia, destino menor em volume do que a China, mas relevante pela compra de cortes de maior valor e pela diversificação das exportações.
O impasse ocorre justamente nos primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Assinado em janeiro, o tratado começou a produzir efeitos em 1º de maio e prevê a redução gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos. A aplicação provisória está confirmada pela Comissão Europeia.
O acordo, contudo, não elimina exigências sanitárias. A redução de tarifas pode facilitar o comércio, mas cada produto continuará obrigado a cumprir os padrões do mercado importador. Na prática, a carne brasileira poderá ter condições tarifárias melhores e, ao mesmo tempo, permanecer impedida de entrar no bloco por falta de habilitação sanitária.
Brasil e Comissão Europeia ainda negociam uma solução. Gallagher afirmou que o bloco está aberto ao diálogo, mas não trabalha com a possibilidade de flexibilizar suas normas. Também não há indicação de que o país conseguirá recuperar a autorização antes de 3 de setembro.
Até lá, frigoríficos habilitados precisam acompanhar o destino das cargas e as orientações do governo. Caso o Brasil não seja reincluído na lista, produtos que chegarem ao mercado europeu depois da entrada em vigor da regra poderão não ser aceitos, mesmo que tenham sido embarcados anteriormente.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Pressão do super El Niño e gargalos logísticos aceleram corrida por silos de alta performance em Mato Grosso
O avanço da produção agrícola em Mato Grosso vem ampliando a pressão sobre a infraestrutura de pós-colheita do estado, que historicamente opera sob um déficit de capacidade estática superior a 40 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Em 2026, esse cenário ganhou contornos ainda mais críticos devido aos reflexos climáticos do Super El Niño, que provocou chuvas irregulares e janelas de colheita severamente estranguladas. O resultado é a chegada de grãos com teores de umidade muito acima da média aos armazéns, transformando o desafio logístico de espaço em um gargalo urgente de velocidade de processamento, secagem e eficiência operacional.
Para Henrique Moraes, gerente comercial nacional da AGI Brasil, uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país, a instabilidade climática alterou drasticamente a dinâmica de recepção das unidades.
‘’Com o produtor forçado a acelerar as colheitadeiras para proteger a safra no campo, o tempo de retenção e as filas de caminhões nas estruturas analógicas dispararam, gerando o efeito “estadia” — o tempo ocioso do motorista na plataforma de descarga. Conforme indicadores de mercado do Imea e do Esalq-Log (USP), essa lentidão no recebimento das plantas tradicionais sobrecarrega os equipamentos e encarece o custo do frete rodoviário em até 20% nos períodos de pico, corroendo diretamente as margens da atividade”, explica.
Para mitigar o colapso operacional das plantas, a demanda agrícola mato-grossense tem migrado rapidamente para sistemas de automação preditiva e engenharia de fluxo contínuo, capazes de elevar substancialmente a taxa de ocupação dos silos sem comprometer a integridade física do ativo.
“O mercado atingiu um nível de maturidade e pressão em que a infraestrutura precisa operar como o núcleo da inteligência financeira do negócio. Unidades obsoletas geram um consumo energético descontrolado e perdas por quebra técnica de umidade que desvalorizam o grão antes mesmo da comercialização”, analisa Moraes, destacando que a aeração ineficiente responde por parte expressiva dos custos fixos operacionais de um armazém.
Engenharia de fluxo e preservação de margens
A adoção de tecnologias avançadas de monitoramento integrado, que avaliam simultaneamente as variáveis internas e externas de temperatura e umidade, reposiciona o papel do silo no planejamento estratégico do agronegócio.
‘’Em vez de operar como um mero depósito passivo e emergencial, as estruturas de alta performance — com sistemas de descarga rápida e secagem inteligente — eliminam o gargalo das filas e garantem ao produtor o controle físico sobre o tempo do seu produto. Essa eficiência técnica desata o nó logístico e permite que indústrias e agricultores gerenciem seus estoques com segurança por períodos prolongados, neutralizando a necessidade de escoamento imediato sob condições desfavoráveis de mercado”, afirma.
Ainda segundo o especialista, “essa capacidade de conservação técnica reconfigura a balança comercial do campo ao devolver o poder de negociação e a flexibilidade comercial para as fazendas. Ao evitar a venda forçada na “bacia das almas” durante o pico da colheita — momento em que a supersafra historicamente pressiona as cotações para baixo —, o investidor que detém infraestrutura tecnológica de ponta consegue escolher as melhores janelas de preço e esticar as negociações com tradings e indústrias de biocombustíveis’’.
Conforme dados técnicos da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós), o manejo inadequado e a falta de controle preditivo respondem por perdas de até 15% na qualidade do grão armazenado, gargalo que desqualifica o produto frente às exigências de rastreabilidade e auditoria do mercado de capitais para a liberação de crédito privado.
Diante do cenário de alta competitividade e “bancarização” do agro, a tendência é que o Centro-Oeste e as novas fronteiras de expansão continuem concentrando investimentos maciços na modernização do pós-colheita. Segundo o gerente da AGI Brasil, a infraestrutura avançada deixou de ser um diferencial de grandes corporações para se tornar o pilar central de sustentabilidade econômica de operadores de médio e grande porte.
“A competitividade logística do Brasil não se resolve mais apenas nas rodovias ou nos portos, mas dentro da porteira. Regiões em franca expansão, como o norte de Mato Grosso, Rondônia e Roraima, começam a entender que a engenharia de precisão aplicada à armazenagem é o único caminho seguro para blindar o fluxo de caixa contra as incertezas climáticas e logísticas do setor”, conclui.
Sobre a AGI Brasil
A AGI Brasil é uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país. Com sede em Cândido Mota (SP), a companhia faz parte da AGI — Ag Growth International, referência global em equipamentos agrícolas e de infraestrutura, com presença em mais de 100 países. Seu portfólio inclui silos metálicos, sistemas de secagem, aeração e transporte de grãos, além de estruturas e soluções completas para pós-colheita. A AGI Brasil alia experiência local à expertise internacional, oferecendo tecnologia, confiabilidade e eficiência para apoiar a competitividade do agronegócio.
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