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Órfãos do Feminicídio: uma triste evidência da violência contra as famílias
O feminicídio, assassinato de uma mulher pela simples questão de gênero, é, por si só, uma situação de extrema violência. No entanto, alguns dos impactos desse crime não são tão evidentes ou imediatamente percebidos. Trata-se dos filhos que perderam suas mães ou responsáveis legais: os órfãos do feminicídio.
No Brasil, eles representam uma trágica consequência de um problema estrutural e urgente. Pesquisas recentes demonstram uma escalada recorde na violência. Segundo o “Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025”, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem/UEL), o país registrou 2.149 assassinatos de mulheres por razão de gênero no ano passado, o que representa uma média de quase seis mortes por dia. Este número, que supera os dados oficiais, revela a dimensão da subnotificação e do problema.
Estima-se que essa violência deixe um rastro devastador, gerando em média quatro novos órfãos por dia no país, como apontou um levantamento do Lesfem no primeiro semestre de 2025. Muitas dessas crianças enfrentam não apenas a perda irreparável de suas mães, mas também a ausência do pai, que frequentemente é o autor do crime e acaba preso ou comete suicídio, configurando um duplo abandono.
A identificação dos autores dos crimes em 2025 retrata uma realidade ainda mais devastadora, concentrada no círculo íntimo da vítima. A análise dos casos mostra que o agressor é: o parceiro íntimo em 46,28% dos casos, e o ex-parceiro íntimo em 33,15% dos casos. Somados, esses homens são responsáveis por quase 80% dos feminicídios, reforçando que o lar, que deveria ser um local de segurança, é onde a maioria das mulheres é assassinada.
Essa violência tem características de intimidade com a vítima. Assim, esses órfãos perdem a mãe e veem o pai ser encaminhado ao sistema prisional, ficando sob os cuidados de avós ou outros familiares, que muitas vezes não possuem recursos financeiros ou apoio psicológico adequados. Quando não há familiares capazes de assumir essa responsabilidade, as crianças são encaminhadas para abrigos públicos, onde convivem com outras vítimas de diferentes formas de violência.
As consequências psicológicas são graves. Estudos indicam que essas crianças podem desenvolver transtornos como estresse pós-traumático, além de dificuldades emocionais e comportamentais que afetam seu desenvolvimento. Ademais, o luto complexo e as carências f inanceiras agravam ainda mais a situação dessas famílias.
Embora o Brasil tenha avançado com a Lei nº 14.717/2023, que instituiu uma pensão especial para órfãos de feminicídio, o suporte ainda é limitado. O benefício, equivalente a um salário mínimo, é destinado a famílias com renda per capita inferior a ¼ do salário-mínimo, mas enfrenta desafios de implementação, como subnotificação de casos e falta de infraestrutura para atendimento às famílias em regiões remotas.
Políticas públicas adicionais são essenciais para oferecer acolhimento e suporte a esses órfãos, incluindo assistência psicológica especializada, transferência de renda para os responsáveis e acesso facilitado à educação.
As vulnerabilidades desses órfãos são agravadas pela falta de estrutura nos abrigos públicos, pela violência institucional nesses estabelecimentos e pelo descompromisso do Poder Público em acompanhar essas crianças e adolescentes de forma especializada. Privados dos laços familiares em virtude da violência e sem políticas públicas efetivas, eles ficam ainda mais expostos à falta de perspectivas de vida.
É fundamental que o Estado adote providências mais eficazes no acompanhamento dessas vítimas indiretas do feminicídio no Brasil. Infelizmente, os números não indicam uma redução desse tipo de violência; pelo contrário, há um crescimento preocupante. É urgente que medidas concretas sejam tomadas para romper esse ciclo de sofrimento e abandono.
* Aline Casado, advogada e professora de Direito na UniCesumar de Maringá.
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Libertar-se de namoros tóxicos
O Dia dos Namorados costuma ser celebrado com flores, presentes, jantares românticos e declarações de amor. É uma data bonita e importante, mas também pode servir como um momento de reflexão sobre a qualidade dos relacionamentos que estamos construindo.
Independentemente dos casos extremos de violência física, psicológica ou patrimonial — que são crimes e devem ser combatidos com rigor pelas leis e pela sociedade — existem muitos relacionamentos que já apresentam, desde o início, sinais claros de que podem se transformar em fontes permanentes de sofrimento.
São os chamados relacionamentos tóxicos, marcados por comportamentos incompatíveis com o amor saudável, como ciúmes excessivos, controle, manipulação emocional, arrogância, agressividade, desrespeito, mentiras frequentes, egoísmo, infidelidade, vícios, grosseria e falta de compromisso com valores morais e familiares.
Muitas vezes, homens e mulheres ignoram esses sinais por paixão, carência afetiva ou pela esperança de que o parceiro irá mudar. Porém, a experiência demonstra que mudanças verdadeiras dependem da vontade sincera da própria pessoa. Quem fecha os olhos para defeitos graves no início do relacionamento frequentemente acaba enfrentando problemas muito maiores no futuro.
O namoro existe justamente para isso: conhecer profundamente o outro. Não foi criado apenas para momentos de diversão, mas para avaliar compatibilidade de valores, objetivos, princípios e projetos de vida.
Antes de assumir um compromisso mais sério, é importante observar como a pessoa trata os pais, os amigos, os colegas de trabalho e até desconhecidos. Como reage diante das frustrações? Como administra o dinheiro? Qual é sua relação com bebidas alcoólicas, drogas, jogos ou outros vícios? É alguém honesto? Cumpre a palavra? Respeita os sentimentos alheios?
As respostas para essas perguntas costumam revelar muito mais sobre o futuro do relacionamento do que as promessas feitas em momentos de romantismo.
Infelizmente, muitos casais percebem tarde demais que estavam seguindo caminhos incompatíveis. Quando surgem filhos, financiamentos, patrimônio compartilhado e outros compromissos familiares, a separação torna-se mais dolorosa e complexa, afetando não apenas o casal, mas toda a família.
Por isso, terminar um relacionamento que demonstra sinais evidentes de incompatibilidade ou de comportamento abusivo não deve ser encarado como fracasso. Em muitos casos, é um ato de coragem, maturidade e amor-próprio.
O amor verdadeiro não aprisiona, não humilha, não controla e não ameaça. O amor verdadeiro inspira crescimento, confiança, respeito, admiração e paz.
Mais importante do que encontrar alguém bonito, rico ou popular é encontrar alguém de caráter. Uma pessoa que compartilhe valores semelhantes, que respeite seus sonhos, que tenha princípios sólidos e que esteja disposta a construir uma vida baseada na confiança, na lealdade e no companheirismo.
Neste Dia dos Namorados, talvez a pergunta mais importante não seja “quanto amo essa pessoa?”, mas sim: “essa pessoa me ajuda a ser melhor, mais feliz e mais próximo dos meus valores e objetivos de vida?”
Se a resposta for positiva, vale a pena investir no relacionamento. Se os sinais apontarem para sofrimento, violência, desrespeito ou incompatibilidades profundas, talvez seja o momento de refletir e tomar decisões difíceis, mas necessárias. Afinal, uma escolha amorosa acertada pode trazer décadas de felicidade. Uma escolha equivocada, ignorando sinais evidentes, pode gerar anos de dor e arrependimento.
A Palavra de Deus também nos orienta sobre a importância das boas escolhas. O apóstolo Paulo ensina: “Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos” (2 Coríntios 6:14), alertando sobre a necessidade de união entre pessoas que compartilhem princípios e valores semelhantes. Já em Gálatas 5, aprendemos que os frutos do Espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Quando esses frutos estão ausentes e são substituídos por violência, egoísmo, mentira e desrespeito, é sinal de que algo não está bem.
Que cada pessoa tenha sabedoria para escolher não apenas alguém para amar, mas alguém com quem possa construir uma vida feliz, equilibrada e abençoada por Deus.
Wilson Aquino – Jornalista, professor e escritor
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Dia dos Namorados: exames pré-nupciais ajudam casais a planejar o futuro com mais saúde e segurança
Com a chegada do Dia dos Namorados, muitos casais aproveitam o momento para celebrar a relação e fazer planos para o futuro. Para aqueles que estão pensando em casamento e na construção de uma família, o cuidado com a saúde é uma etapa importante dessa preparação. A realização de exames pré-nupciais funciona como um guia preventivo, ajudando a avaliar as condições gerais de saúde, verificar a compatibilidade sanguínea para evitar uma gravidez de risco, auxiliar no planejamento familiar e identificar precocemente Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Segundo a ginecologista do Sabin Diagnósticos e Saúde, Luciana de Paiva Nery Soares, a iniciativa é, acima de tudo, um ato de cuidado mútuo. “Essas avaliações ajudam a identificar possíveis alterações de saúde, permitindo até mesmo uma gestação mais segura e tranquila no futuro, caso seja o desejo do casal”, explica a especialista. Ela reforça ainda que os exames para detectar ISTs deveriam ser um passo inicial em qualquer relacionamento sexual.
Para apoiar os casais nessa jornada de prevenção e cuidado, a especialista destaca alguns exames importantes para fornecer um panorama detalhado da saúde de ambos. Entre os principais estão o hemograma completo, que auxilia na identificação de anemia, infecções e outras alterações sanguíneas e a tipagem sanguínea e fator Rh, fundamental para avaliar a compatibilidade sanguínea do casal e prevenir casos de eritroblastose fetal (Doença Hemolítica do Recém-Nascido) em futuras gestações.
As sorologias para ISTs, que incluem testes para HIV, sífilis e hepatites B e C, e exames de urina (EAS) e fezes, que ajudam na avaliação do sistema urinário e na detecção de parasitas ou infecções intestinais, também estão entre os mais importantes. A médica também menciona exames complementares, como eletrocardiograma, para avaliação cardíaca, e exames de imagem, como ultrassonografias pélvica e transvaginal, voltadas à análise dos órgãos internos e do sistema reprodutor.
“Além desses exames básicos, o médico pode solicitar outros testes tanto para homens quanto para mulheres, de acordo com o histórico clínico e familiar de cada paciente. Em alguns casos, também podem ser indicados exames de fertilidade, especialmente para mulheres com mais de 35 anos, já que tende a diminuir com a idade, ou para aquelas que já apresentam condições que podem impactar a fertilidade, como a endometriose”, finaliza Luciana.
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