Brasil
Ex-governador do Espírito Santo Gerson Camata é sepultado na Serra
Milhares de pessoas foram dar o último adeus ao ex-governador Gerson Camata, de 77 anos, na tarde desta quinta-feira (27). Camata, assassinado na tarde de ontem pelo seu ex-assessor Marcos Venicio Moreira Andrade, 66, foi enterrado no cemitério Jardim da Paz, na Serra com honras fúnebres.
Cerca de 5 mil pessoas passaram pelo velório realizado no Salão São Thiago do Palácio Anchieta durante todo o dia, informou a Casa Militar. Um cortejo saiu do local às 14h30 com a proteção da Polícia Militar até o cemitério no caminhão do Corpo de Bombeiros.
O corpo foi recepcionado pelo pelotão da companhia de operações especiais no cemitério e os militares levarão o caixão até o local a ser sepultado. Antes do enterro, os policiais fizeram uma salva fúnebre de três tiros.
Depois do ato, os militares dobraram uma bandeira do Estado e entregram para os familiares de Camata. O governador Paulo Hartung e o governador eleito Renata Casagrande participaram do ato.
Quando o caixão começou a baixar na sepultura foi executado o toque de silêncio e a comoção contagiou os amigos e familiares que se despediram de Gerson Camata.
A história de Gerson Camata
Gerson Camata, de 77 anos, dedicou a maior parte da sua vida à política. Foram 44 anos de vida pública atuando como vereador, deputado estadual, deputado federa, senador e governador do Espírito Santo. “Se há algo de que me orgulho é de nunca ter encontrado dificuldades para conciliar ética e política”, afirmou o político em seu discurso de despedida da vida pública em 2010.
A morte trágica de Camata, assassinado um dia após o Natal em Vitória nesta quarta-feira, pelo seu ex-assessor Marcos Venicio Moreira Andrade, 66 anos, gerou comoção em todo o Estado e repercutiu em todo o Brasil.
Nascido em 29 de junho de 1941, em Castelo, Sul do Espírito Santo, Gerson Camata formou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Filho de Júlia Bragato Camata e Higino Camata, tornou-se conhecido como radialista de algumas emissoras em Vitória, principalmente a partir de 1964 quando apresentou o noticioso policial “Ronda da Cidade” e posteriormente na TV Vitória onde chegou a diretor de jornalismo dos Diários Associados no Espírito Santo.
Sua vida pública teve início quando ingressou na legenda da ARENA ao se eleger vereador em Vitória em 1966. Com o retorno ao pluripartidarismo em 1980, Gerson Camata optou pelo PMDB, e foi eleito governador do Espírito Santo em 1982, com o apoio de uma dissidência do PDS comandada pelo ex-governador Élcio Álvares, atitude essa resultante de uma série de deserções havidas entre as forças políticas situacionistas no estado ao longo dos anos.
Após sua vitória, sofreu uma ameaça de processo com base na Lei de Segurança Nacional por ter supostamente chamado o presidente João Figueiredo de “general mentiroso” durante a campanha eleitoral, fato rechaçado. Já investido no cargo, conheceu a jovem Rita de Cássia Paste, que após o casamento em 1981, passou a assinar Rita Camata.
Trajetória política
Gerson Camata foi senador pelo Espírito Santo no período 1 de fevereiro de 1987
até 31 de janeiro de 2011. Foi o 40.° Governador do Espírito Santo no período de 31 de março de 1983 até 14 de maio de 1986.

Como deputado federal atuou de 1975 a 1983, e como deputado estadual de 1971 a 1975. Também foi vereador por Vitória de 1967 a 1971.
Em 1986, concorreu ao Senado com incentivo de José Sarney, sendo substituído no Executivo estadual pelo vice-governador José de Morais.
Foi eleito senador e foi reconduzido outras duas vezes ao cargo ficando por 24 anos no Senado. Foi autor do projeto de Lei do Senado número 292/1999, que deu origem ao Estatuto do Desarmamento – atual Lei 10.826/2003
Dentre as ações do também ex-senador da república, foi a luta que empreendeu para a aprovação da Lei 11.687, de sua autoria, do Dia Nacional do Imigrante Italiano (21 de fevereiro), cuja data refere-se ao início do desembarque da primeira grande leva de italianos no Brasil, que se deu em Vitória, em fevereiro de 1874, episódio que inaugurou a imigração em massa da Itália para o Brasil.
De maio a novembro de 2006, licenciou-se para ser secretário de Desenvolvimento do governo Paulo Hartung.
Em 2010, Camata encerrou sua vida pública e em seu discurso de despedida, em 16 de dezembro, ressaltou que saía da política e que mesmo fora nunca banadonaria a crença de que tudo é possível quando existe empenho.
“Se há algo de que me orgulho é de nunca ter encontrado dificuldades para conciliar ética e política. (…) Mesmo fora da vida pública, nunca abandonarei esta crença, a de que tudo é possível quando existe empenho, vontade de progredir e de mudar, para proporcionar uma vida melhor a todos. Estarei sempre à disposição para trabalhar, voluntariamente, pelo desenvolvimento do Espírito Santo”, declarou.
O assassino
Preso pouco depois de matar o ex-governador Gerson Camata, de 77 anos, com um tiro no pescoço, o ex-assessor da vítima, Marcos Venicio Moreira Andrade, de 66 anos, confessou o crime e disse não se arrepender.

Para a polícia, ele afirmou ter feito justiça com as próprias mãos. A motivação, segundo Venicio, foi um processo movido contra Camata em 2009, onde o ex-assessor faz uma série de acusações, entre elas, o uso de notas fiscais falsas nas campanhas eleitorais, mesadas de empreiteiras e funcionários que eram obrigados a pagar despesas do então senador.
Considerando injustas as acusações, Camata procurou a Justiça e pediu indenização por danos morais a Marcos Venicio no valor de R$ 1 milhão.
A justiça entendeu que não havia provas contundentes contra o ex-governador e condenou o ex-assessor a pagar R$ 50 mil a Camata, em 2012, que teve os bens bloqueados.
Marcos Venicio começou a trabalhar com Gerson Camata em 1986. Por 20 anos ele foi responsável pela administração financeira das campanhas eleitorais concorridas por Camata.
Fonte: Aqui Noticias
Brasil
Eldorado Brasil reúne mais de 400 mulheres em evento e reforça protagonismo feminino no campo
Três Lagoas, 30 de março de 2026 – A Eldorado Brasil Celulose, referência global em sustentabilidade e eficiência no setor, reuniu mais de 400 mulheres nesta quarta-feira (24), em Três Lagoas, para celebrar a diversidade e a presença feminina no campo. Na quarta edição, o encontro Mulheres em Campo, promove palestras, talk show e, principalmente, a promoção de troca de experiências entre profissionais que desafiam limites e rompem barreiras diariamente nas operações da companhia e no setor florestal de Mato Grosso do Sul.
De desafiar padrões, Milena da Silva Melo, 27 anos, entende bem. Mecânica na Eldorado Brasil Celulose, ela deixou por muito tempo o diploma na gaveta de casa até participar de uma seleção na empresa. “Desde criança eu sempre fui diferente das outras meninas. Enquanto elas brincavam de barbie e boneca, eu já era o tipo de criança que gostava de montar e desmontar brinquedos para ver como era. Adulta, eu fiz o curso técnico de Mecânica Industrial e como eu trabalhava, era casada, tinha minha casa, acabei deixando de lado”, relembra.

Durante uma seleção da Eldorado Brasil Celulose, um dos recrutadores pediu para analisar o currículo de Milena e deu a sugestão para que ela tentasse a vaga de mecânica da Florestal.
“Foi uma oportunidade que surgiu na hora certa, e eu a abracei da melhor forma possível. Quando cheguei ao campo, tive receio de ser deixada de lado por ser mulher em uma área predominantemente masculina, mas fui muito bem recebida pelos colegas, tanto da mecânica quanto pelas lideranças da manutenção. Posso não ter a mesma força física que um homem, mas tenho a minha força e a minha inteligência, que uso a meu favor no dia a dia no campo”, pontua.
Milena integra o quadro de colaboradores da Eldorado desde 2025 e faz parte de um movimento crescente de ampliação da presença feminina nas operações da companhia. No comparativo entre 2023 e 2024, a Eldorado registrou um aumento de 14% no número de mulheres em seu quadro de colaboradores. Na área administrativa, elas já são maioria.
Marilu Ramos, coordenadora de Treinamento Operacional e da equipe Nossa Gente Florestal, destaca a importância da iniciativa. “Estamos na quarta edição das Mulheres em Campo. É um evento pensado com muito carinho, ele é desenhado para ser um dia de celebração, de festa, de valorizar a presença feminina e o trabalho que cada uma delas desempenha”, ressalta.
Engenheira florestal, Marilu também reforça as transformações no setor. “Historicamente, essa é uma área predominantemente masculina, mas, nos últimos anos, o número de mulheres nesse setor tem aumentado, a presença feminina tem crescido — e eu sou um exemplo disso. A diversidade é fundamental para o mercado de trabalho, seja de gênero ou de qualquer outra natureza. Podemos contribuir com nosso jeito, com nosso preciosismo e qualidades”, pontua.
Sobre a Eldorado Brasil Celulose
A Eldorado Brasil Celulose, empresa do Grupo J&F, é reconhecida globalmente por sua excelência operacional e seu compromisso com a sustentabilidade, resultado do trabalho de uma equipe qualificada de mais de 6 mil colaboradores. Inovadora no manejo florestal e na fabricação de celulose, produz 1,8 milhão de toneladas de celulose de alta qualidade por ano, atendendo aos mais exigentes padrões e certificações do mercado internacional. Seu complexo industrial em Três Lagoas (MS) também tem capacidade para gerar energia renovável para abastecer uma cidade de 2,1 milhões de habitantes. Em Santos (SP), opera o EBLog, um dos mais modernos terminais portuários da América Latina, exportando o produto para mais de 40 países. A Companhia mantém um forte compromisso com a sustentabilidade, inovação, competitividade e valorização das pessoas.
Brasil
Pós-Carnaval sem perrengue: o que fazer (e o que não fazer) para melhorar da ressaca
Depois de dias de folia, pouca água e sono bagunçado, é comum a manhã seguinte pesar. Dor de cabeça, enjoo, boca seca, tontura e cansaço intenso são sinais frequentes no pós-Carnaval, e não é exagero: a ressaca tem explicação fisiológica.
“A ressaca alcoólica é definida, sob o aspecto farmacológico e fisiológico, como um conjunto de sinais e sintomas resultantes dos efeitos tóxicos do etanol e de seus metabólitos”, explica Denise Basílio, coordenadora do curso de Farmácia da Estácio. Segundo ela, mesmo quando a concentração de álcool no sangue cai, o organismo segue com alterações metabólicas e inflamatórias.
O principal fator é o acetaldeído, substância formada no fígado durante o metabolismo do álcool. “O etanol é metabolizado principalmente no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase, resultando na formação de acetaldeído, um metabólito altamente reativo e tóxico”, afirma Denise. “Esse composto está amplamente associado a manifestações como náuseas, cefaleia, rubor e mal-estar geral.”
Além disso, o álcool ativa processos inflamatórios. “O consumo provoca a ativação de vias inflamatórias sistêmicas, levando ao aumento de citocinas pró-inflamatórias”, aponta. Isso ajuda a explicar a fadiga, dores no corpo e a sensibilidade maior a luz e som.
Por que a ressaca dá tantos sintomas? – A desidratação é um dos mecanismos principais, já que o álcool aumenta a perda de líquidos e eletrólitos. “Isso aumenta a diurese e provoca a perda de água e eletrólitos”, destaca Denise. Com isso, aparecem sintomas como dor de cabeça, tontura, boca seca e fraqueza.
Já o enjoo e a dor no estômago costumam ser consequência da irritação gástrica. “Estão mais relacionados à irritação da mucosa gástrica e ao aumento da secreção ácida provocados pelo álcool”, explica.
“A sensibilidade à luz e ao som, além da cefaleia pulsátil, também tem relação com alterações no cérebro. ‘Estão associadas à vasodilatação cerebral e à inflamação neurovascular’, acrescenta Denise.
E há ainda um agravante importante: o sono. O álcool diminui a qualidade do sono REM, fase considerada essencial para a recuperação do cérebro, ligada à consolidação da memória e ao descanso mental. “Quando esse ciclo é prejudicado, a pessoa pode acordar mais cansada, irritada e com dificuldade de concentração, mesmo tendo dormido por várias horas”, pontua.
O que melhora – Quando a ressaca já chegou, não existe milagre. “A recuperação da ressaca baseia-se, essencialmente, em medidas de suporte”, orienta Denise.
A principal delas é beber água. “A hidratação adequada, de preferência com água e associada a soluções eletrolíticas, é essencial”, diz. Alimentação leve também contribui, especialmente com carboidratos, e o repouso ajuda o corpo a se recuperar do estresse metabólico.
O que piora – Na tentativa de melhorar rápido, muita gente se automedica e isso pode trazer risco. “O alívio dos sintomas deve ser feito com cautela, evitando a automedicação inadequada”, reforça Denise.
Ela alerta para o paracetamol: “Seu uso após a ingestão de álcool aumenta o risco de hepatotoxicidade, que é quando o órgão sofre dano por estar sobrecarregado ao metabolizar substâncias, como álcool e alguns medicamentos”. Anti-inflamatórios também exigem cuidado, pois podem agravar a irritação gástrica e aumentar riscos renais. Já medicamentos depressores do sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, podem ser perigosos quando associados ao álcool.
“A abordagem mais segura consiste em garantir hidratação, alimentação adequada, um ambiente tranquilo e descanso”, afirma Denise. “O uso de medicamentos deve ser reservado apenas para quando for estritamente necessário e sob orientação.”
Além disso, ela alerta que alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica. “Vômitos persistentes, confusão mental, dor abdominal intensa, sonolência excessiva, convulsões ou icterícia não são sinais de uma ressaca comum.”
Como prevenir – Para evitar a ressaca, Denise reforça que medidas simples funcionam melhor. “Evitar o consumo em jejum, alternar bebida alcoólica com água, alimentar-se adequadamente e respeitar os limites individuais são medidas embasadas em evidências”, orienta.
Ela também chama atenção para práticas comuns que podem aumentar riscos. “O uso preventivo de medicamentos e a combinação de álcool com bebidas energéticas carecem de fundamentação científica e podem piorar os danos à saúde”, conclui.
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