Saúde
Caso importado de sarampo em São Paulo alerta para vacinação, inclusive de adultos
Adolescentes e adultos em dúvida sobre se foram imunizados também devem se proteger. Vacina é recomendada do 1º ano de vida aos 59
O novo caso importado de sarampo na cidade de São Paulo voltou a deixar em alerta o Ministério da Saúde. A paciente é uma bebê menina de seis meses, sem histórico de vacinação. Há registro de viagem da criança para a Bolívia entre dezembro e janeiro. O país vizinho enfrenta um surto da doença que preocupa autoridades brasileiras em regiões de fronteira. No ano passado, o Brasil registrou ao menos 38 casos importados deste país até agosto, a maioria deles no Tocantins e Mato Grosso.
“É uma doença potencialmente grave e a confirmação recente de um caso importado reforça a necessidade de medidas de vigilância e profilaxia”, afirma a médica infectologista pediátrica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informam que, em 2025, foram confirmados cerca de 14.800 casos da doença na região das Américas.
Em 2025, foram disponibilizadas 600 mil doses de vacina para cidades fronteiriças no Mato Grosso do Sul ou regiões com grandes colônias, como o Tocantins. O Brasil recuperou oficialmente a certificação de país livre da circulação do sarampo em novembro de 2024, concedida pela OPAS.
A médica do Sabin ressalta que a vacinação é o melhor caminho para prevenir o sarampo. O Ministério da Saúde indica a vacina Tríplice Viral, que protege os imunizados também contra a caxumba e a rubéola, para crianças, a partir 12 meses. A segunda dose do esquema de imunização deve ser realizada aos 15 meses com a vacina tetraviral. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar o esquema vacinal.
Para aqueles até 29 anos, caso não tenham sido vacinados no período recomendado, a orientação do Programa Nacional de Imunizações é de duas doses com no mínimo um mês de intervalo. A partir dos 30 anos até 59 anos completos, quem ainda não tomou a vacina recebe dose única. Trabalhadores de saúde não imunizados previamente devem receber duas doses com intervalo de 30 dias.
Em situações de surto, as recomendações rotineiras podem ser alteradas, sendo possível a administração de uma dose da vacina tríplice viral nas crianças entre 6 e 12 meses de idade (“dose zero”), entre outras medidas. O vírus do sarampo, do gênero Morbillivirus, pode ser transmitido por via respiratória, ao espirrar, tossir, falar e respirar. “A transmissão pode ocorrer antes que o paciente apresente sintomas típicos como as manchas no corpo”, alerta Sylvia. “Como circula em outros países e pode voltar a circular no Brasil é importante os adultos verificarem se foram imunizados na infância. O sarampo, como sabemos, é uma doença potencialmente grave. Os pacientes em dúvida, devem procurar uma unidade de vacinas”, orienta a médica.
Antes da introdução da vacina na década de 60, o mundo vivia epidemias em intervalos de dois a três anos que culminaram na morte de 2,6 milhões de pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma das doenças mais contagiosas do mundo e um indivíduo doente por gerar até 18 novos infectados. Nos casos mais graves, pacientes podem desenvolver complicações como encefalite e infeções bacterianas secundárias, como pneumonia otite média aguda. Grávidas que contraem o sarampo podem sofrer parto prematuro ou gerar um bebê de baixo peso, entre outras complicações graves para mãe e o bebê. Crianças de até 5 anos e imunossuprimidos são os grupos de maior risco de agravamento.
O viajante que retorna ao Brasil deve manter a atenção ao aparecimento de sintomas em até 21 dias, destaca a infectologista pediátrica do Sabin, reforçando a orientação do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE – SP). Caso apresente febre e manchas vermelhas na pele, evite o contato com outras pessoas até ser avaliado por um profissional da saúde.
Sintomas do sarampo
Os primeiros sintomas da doença – tosse, coriza e mal-estar – são pouco específicos e podem se assemelhar aos de outras infecções. Conjuntivite e febre maior que 38,5oC costumam ocorrer na fase inicial. O indício mais emblemático, conforme explica a infectologista pediátrica, é quando as pessoas apresentam manchas na pele, que aparecem cerca de 2 a 4 dias após o início dos sintomas iniciais. Inicialmente, as lesões surgem no rosto e se espalham, em seguida, para o tronco e extremidades.
“Lesões na mucosa da bochecha chamadas de manchas de Koplik aparecem na fase inicial da doença e são típicas do sarampo. São pequenos pontos próximos aos molares”, informa Sylvia, que acrescenta: “Os principais sintomas do sarampo são febre alta e manchas na pele, associados a tosse, coriza e irritação nos olhos. Sintomas gastrointestinais (vômito e diarreia) podem estar presentes. É importante ter atenção a sintomas neurológicos, que podem sinalizar encefalite (inflamação cerebral), uma das complicações possíveis. Sintomas pulmonares, em consequência da própria doença ou mesmo de infecções bacterianas secundárias, podem ocorrer também.”
Vacinas disponíveis
No Brasil, duas vacinas diferentes são destinadas à prevenção do sarampo de forma rotineira: a tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola, e a tetraviral que se destina a segunda dose do esquema de imunização de crianças a partir dos 15 meses e adicionalmente oferta proteção contra varicela (catapora). Uma terceira formulação, a vacina duploviral, que protege contra sarampo e rubéola, tem sido reservada para estratégias especiais em alguns contextos específicos.
Sobre o Grupo Sabin
Com 41 anos de atuação, o Grupo Sabin é referência em saúde, destaque na gestão de pessoas e liderança feminina, dedicado às melhores práticas sustentáveis e atuante nas comunidades, o Grupo Sabin nasceu em Brasília (DF), fruto da coragem e determinação de duas empreendedoras, Janete Vaz e Sandra Soares Costa, em 1984. Hoje conta com 7.400 colaboradores unidos pelo propósito de inspirar pessoas a cuidar de pessoas. O grupo também está presente em 14 estados e no Distrito Federal oferecendo serviços de saúde com excelência, inovação e responsabilidade socioambiental às 78 cidades em que está presente com 362 unidades distribuídas de norte a sul do país.
O ecossistema de saúde do Grupo Sabin integra portfólio de negócios que contempla análises clínicas, diagnósticos por imagem, anatomia patológica, genômica, imunização e check-up executivo. Além disso, contempla também serviços de atenção primária contribuindo para a gestão de saúde de grupos populacionais por meio de programas e linhas de cuidados coordenados, pela Amparo Saúde e plataforma integradora de serviços de saúde – Rita Saúde – solução digital que conta com diversos parceiros como farmácias, médicos e outros profissionais, promovendo acesso à saúde com qualidade e eficiência.
Saúde
Veganismo pode aumentar o risco de anemia?
Especialista explica por que dietas restritivas exigem atenção redobrada ao consumo de ferro e acompanhamento nutricional adequado
A decisão de seguir uma alimentação vegana ou vegetariana tem se tornado cada vez mais comum, seja por questões de saúde, sustentabilidade ou escolhas pessoais. Recentemente, o tema voltou ao debate após declarações da modelo Gisele Bündchen sobre mudanças em sua alimentação e os impactos percebidos em sua saúde, reacendendo discussões sobre os desafios nutricionais de dietas restritivas.
Embora padrões alimentares baseados em vegetais possam trazer benefícios e ser perfeitamente saudáveis, a restrição de alimentos de origem animal exige atenção especial ao consumo de nutrientes essenciais, entre eles o ferro, mineral fundamental para o transporte de oxigênio no organismo e prevenção da anemia.
De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, dietas veganas e vegetarianas podem ser saudáveis e equilibradas, desde que bem planejadas. O principal ponto de atenção está na ingestão e absorção de ferro, já que a principal fonte de ferro de alta biodisponibilidade é encontrada em alimentos de origem animal.
“O ferro presente em vegetais existe, mas sua absorção costuma ser menor quando comparada ao ferro heme, encontrado em carnes e vísceras. Isso significa que pessoas vegetarianas e veganas precisam ter um olhar ainda mais atento para a composição da dieta e para possíveis sinais de deficiência”, explica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a anemia afeta cerca de 1,62 bilhão de pessoas no mundo, sendo a deficiência de ferro sua principal causa. Mulheres em idade fértil, gestantes, crianças e pessoas com dietas restritivas estão entre os grupos de maior risco.
Dados publicados pelo periódico científico Nutrients apontam que vegetarianos e veganos podem apresentar estoques de ferro mais baixos quando comparados à população onívora, especialmente mulheres, devido à combinação entre maior necessidade fisiológica e menor biodisponibilidade do mineral na dieta.
Entre os alimentos vegetais ricos em ferro estão feijões, lentilha, grão-de-bico, tofu, vegetais verde-escuros, sementes e oleaginosas. Ainda assim, especialistas reforçam que a absorção pode ser prejudicada por compostos presentes em alguns alimentos, como fitatos e polifenóis, encontrados em cereais integrais, café e chás.
Uma estratégia recomendada é associar fontes vegetais de ferro ao consumo de vitamina C, presente em frutas cítricas, acerola, morango e kiwi, que melhora a absorção do nutriente.
Os sinais de deficiência de ferro incluem cansaço excessivo, falta de concentração, queda de cabelo, palidez, unhas frágeis e baixa imunidade. Quando identificados, devem ser avaliados por um profissional de saúde.
“O mais importante não é demonizar nenhum padrão alimentar, mas entender que cada escolha nutricional exige responsabilidade e acompanhamento. Em alguns casos, a suplementação pode ser necessária para garantir níveis adequados de ferro e prevenir complicações”, reforça Dr. Carlos.
Com o crescimento do número de adeptos às dietas baseadas em vegetais, o debate sobre nutrição individualizada ganha ainda mais relevância. A orientação profissional continua sendo essencial para garantir saúde, equilíbrio e prevenção de deficiências nutricionais.
Sobre a Carnot Laboratórios
A Carnot® Laboratórios é uma empresa focada na pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores para a saúde. Fundada no México há mais de 80 anos, em 1941, a Carnot® é uma empresa empreendedora capaz de gerar medicamentos e tratamentos inovadores, em nichos especializados baseados em pesquisa e tecnologia próprias. O Grupo oferece uma grande variedade de medicamentos especializados em saúde da mulher, dermatologia, pediatria, gastroenterologia, sistema respiratório, sistema nervoso central, entre outros.
Saúde
Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão: condição silenciosa atinge cerca de 28% dos brasileiros
Especialista reforça a importância do acompanhamento médico e de hábitos saudáveis para diminuir riscos e complicações da doença
Silenciosa e muitas vezes assintomática, a hipertensão arterial atinge cerca de 28% da população brasileira adulta, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. A condição é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento contínuo dos pacientes.
Doença silenciosa
Caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial, geralmente igual ou superior a 140/90 mmHg, a hipertensão pode evoluir sem apresentar manifestações claras. Quando surgem, sinais como dor de cabeça frequente, tontura, falta de ar e alterações visuais podem indicar a necessidade de avaliação médica.
De acordo com Leonardo Abreu, médico de família e comunidade e coordenador técnico da Amparo Saúde, empresa de Atenção Primária à Saúde do Grupo Sabin, a hipertensão costuma evoluir de forma silenciosa, mas a ausência de sintomas não significa ausência de risco, uma vez que seus impactos são acumulativos e potencialmente graves. “Quando não tratada, pode comprometer órgãos vitais como coração, cérebro e rins”, explica.
Diagnóstico e acompanhamento
O especialista destaca que o diagnóstico deve ser feito com medições repetidas e acompanhamento ao longo do tempo. “Vale lembrar que uma única aferição acima do normal não fecha diagnóstico, mas serve como alerta. O mais importante é acompanhar esse paciente de forma contínua, para agir precocemente e reduzir riscos”, explica.
“Com um monitoramento regular e ajustes progressivos no tratamento é possível manter níveis de pressão arterial mais estáveis e reduzir significativamente o risco de eventos graves ao longo do tempo”, completa.
Nesse contexto, modelos de cuidado baseados na Medicina de Família e Comunidade (MFC) têm ganhado destaque por priorizar a prevenção, o vínculo entre médico e paciente e monitoramento regular. Iniciativas como a Amparo Saúde oferecem linhas de cuidado especializadas para grupos populacionais em, por exemplo, empresas e operadoras de saúde, que vão de pacientes com condições crônicas, como hipertensão, até pessoas saudáveis, para prevenção e cuidado integral.
Segundo o médico, a especialidade tem um papel no manejo da hipertensão por sua atuação proativa e integral, diferente de modelos reativos, que esperam o paciente chegar doente ao consultório. “Esse cuidado antecipatório é fundamental diante de uma condição silenciosa, permitindo identificar precocemente alterações e intervir antes do surgimento de complicações”, destaca Leonardo.
Além de fatores genéticos, a hipertensão está associada ao estilo de vida. Consumo excessivo de sal, sedentarismo, tabagismo, álcool e estresse estão entre os principais fatores de risco. “Pequenas mudanças na rotina já fazem diferença, mas precisam ser sustentáveis. Quando o cuidado é construído junto ao paciente, os resultados tendem a ser mais consistentes”, completa.
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