Agronegócios
Cade avalia pedido da Aprosoja-MT de suspender Moratória da Soja
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avalia a possibilidade de adotar uma medida preventiva para suspender a Moratória da Soja. A analise que se encontra em curso é resultado de uma ação da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) protocolou um pedido formal ao Conselho para investigar práticas comerciais das empresas signatárias da Moratória da Soja (veja aqui).
A entidade entrou com ação no Cade em dezembro do ano passado, argumentando que o pacto, firmado em 2006 para conter o desmatamento no bioma amazônico, transformou-se em um mecanismo de exclusão econômica que viola o princípio da livre concorrência e prejudica os produtores que seguem a legislação ambiental.
O acordo, firmado entre grandes exportadoras, proíbe a compra de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após 2008, mesmo quando o desmatamento segue as regras da legislação brasileira.
O órgão antitruste analisa se a prática caracteriza ação coordenada e se impõe restrições que afetam diretamente a livre concorrência no mercado. A investigação tramita em caráter sigiloso e pode, nos próximos meses, resultar na abertura de um processo administrativo. Entre as medidas em análise estão desde a suspensão provisória até a aplicação de sanções às empresas envolvidas.
A discussão reacende um impasse que já dura quase duas décadas e que tem gerado preocupação no setor produtivo. O argumento central é que o acordo privado cria barreiras comerciais que impactam produtores que operam dentro da legislação, limitando o acesso ao mercado mesmo em propriedades que cumprem integralmente o Código Florestal.
O tema também gera divergências dentro do próprio governo. Enquanto áreas técnicas do setor produtivo defendem o fim da Moratória por entender que ela desrespeita a legislação nacional e compromete o desenvolvimento econômico das regiões produtoras, outros órgãos ligados à pauta ambiental alertam para possíveis impactos na imagem do Brasil no comércio internacional.
O Cade já solicitou acesso a documentos e informações em processos que tramitam no Judiciário, onde o tema também vem sendo discutido. A avaliação do órgão é que o acordo pode ter influência direta sobre mais de 90% do mercado comprador de soja na região, concentrando poder de decisão nas mãos de poucas empresas e impondo limitações à expansão da produção legalizada.
De acordo com informações técnicas, apenas no estado de Mato Grosso, os impactos econômicos associados à Moratória já ultrapassam R$ 20 bilhões por ano em prejuízos diretos, com efeito multiplicador que pode superar R$ 60 bilhões na economia regional.
O setor produtivo defende que a regra privada viola os princípios da livre iniciativa, interfere no desenvolvimento econômico de centenas de municípios localizados no bioma amazônico e compromete investimentos em tecnologia, geração de empregos e crescimento sustentável.
A expectativa é que, nas próximas semanas, o órgão conclua a análise preliminar. Caso haja entendimento de que a Moratória de fato compromete a concorrência, o Cade poderá adotar medidas provisórias, além de avançar na formalização de um processo administrativo, que pode levar à revisão ou até ao fim do acordo em vigor desde 2006.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
ExpoCarpina começa amanhã com mais de 1,5 mil animais e foco em negócios
A 47ª edição da ExpoCarpina começa nesta quarta-feira (22.04), em Carpina (cerca de 50 km da capital, Recife), em Pernambuco, reunindo pecuaristas e empresas do setor em uma das principais vitrines da agropecuária da Mata Norte pernambucana. O evento segue até o dia 26, no Parque de Exposições Senador Paulo Guerra, com entrada gratuita e programação voltada à geração de negócios, difusão de tecnologia e melhoramento genético.
Organizada pela Associação dos Criadores da Mata Norte de Pernambuco, a feira deve reunir mais de 1.500 animais entre bovinos e equinos, além de atrair criadores de diferentes estados do Nordeste. A expectativa é repetir — e superar — o volume das edições anteriores, que já ultrapassaram a marca de 4 mil animais comercializados.
A agenda inclui leilões, provas zootécnicas e atividades técnicas. Entre os destaques está o leilão com foco em cria, recria e engorda, além do 2º Leilão Carpina Quarter Horse, voltado à raça Quarto de Milha. Na programação de pista, estão previstas provas de três tambores e julgamentos de Mangalarga Marchador, que tradicionalmente movimentam o setor de equinos na região.
Além da parte comercial, a ExpoCarpina mantém o eixo técnico com palestras, oficinas e rodadas de negócios, voltadas à capacitação do produtor e à integração com empresas do setor. A feira também conta com exposição de máquinas, insumos e serviços ligados à produção agropecuária.
Realizada em uma região com forte presença da pecuária, a ExpoCarpina se consolidou como ponto de articulação do setor na Mata Norte, com impacto direto sobre a economia local, seja pela comercialização de animais, seja pela movimentação de fornecedores e prestadores de serviço.
Serviço
ExpoCarpina 2026
📅 22 a 26 de abril
📍 Parque de Exposições Senador Paulo Guerra — Carpina (PE)
Fonte: Pensar Agro
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