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Agronegócios

Aviação agrícola abre hoje congresso que vai discutir frota recorde e pressão sobre custos

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Começa nesta terça-feira (18.08), em Goianápolis (cerca de 30 quilômetros da capital Goiânia), em Goiás, o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil. O encontro ocorre até quinta-feira (20.08), no Condomínio Aeronáutico Liberty, com mais de 200 marcas de diferentes países, exposição de aeronaves, demonstrações práticas e debates sobre custos, segurança operacional, tecnologia e qualificação profissional.

Promovido pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o congresso reúne fabricantes, empresas prestadoras de serviços, produtores rurais, pilotos, engenheiros agrônomos, pesquisadores e representantes de órgãos públicos. A programação começa às 10 horas, e a cerimônia oficial de abertura está marcada para o meio-dia.

O evento ocorre no momento em que a aviação agrícola brasileira atinge sua maior estrutura já registrada, mas enfrenta pressões provocadas por juros elevados, variações cambiais, tributação e dependência externa de aeronaves, motores e componentes.

O Brasil encerrou 2025 com 2.866 aviões e helicópteros agrícolas tripulados, crescimento de 5,25% em um ano e de 91,3% desde 2009, quando a frota somava 1.498 unidades. O país possui a segunda maior estrutura aeroagrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que operam aproximadamente 3,6 mil aeronaves.

O levantamento mais recente do Sindag mostra que 51% da frota em operação foi produzida no Brasil e 49% é de origem estrangeira. A indústria nacional mantém presença importante, principalmente com aeronaves movidas a etanol, enquanto os modelos turboélice importados avançam pela maior capacidade de carga e produtividade operacional.

Essa composição deixa parte relevante do setor exposta ao câmbio e às condições do comércio internacional. Aeronaves, turbinas, peças, sistemas eletrônicos e serviços de manutenção podem ter os custos alterados pela valorização do dólar, por mudanças tarifárias e por problemas nas cadeias globais de fornecimento.

Mato Grosso lidera a frota nacional, com 803 aeronaves, cerca de 28% do total brasileiro. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul, com 398; São Paulo, com 328; e Goiás, com 320. Juntos, os quatro Estados concentram quase dois terços das aeronaves agrícolas do país.

Na divisão regional, o Centro-Oeste reúne 1.299 unidades, equivalente a 45,3% da frota. O Sul possui 554 aeronaves; o Sudeste, 444; o Nordeste, 320; e o Norte, 249.

A distribuição acompanha as regiões com extensas áreas de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, arroz e florestas plantadas. Nessas lavouras, a rapidez da operação pode ser decisiva quando o produtor precisa controlar uma praga ou doença dentro de uma janela curta, antes que o problema comprometa a produtividade.

Além da aplicação de defensivos, as aeronaves podem ser utilizadas na distribuição de fertilizantes, sementes e produtos biológicos, no controle de vetores e no combate a incêndios florestais. Como não trafegam sobre a lavoura, também evitam o amassamento das plantas e a compactação do solo provocados pelas máquinas terrestres.

O último estudo econômico disponível sobre a atividade estima que a aviação agrícola movimentou R$ 8,17 bilhões em serviços em 2024 e realizou operações equivalentes a 136 milhões de hectares. Esse número não representa uma área física exclusiva, porque considera as diferentes aplicações feitas sobre uma mesma lavoura durante o ciclo produtivo.

A projeção setorial indica que a frota poderá superar 3,4 mil aeronaves até 2028, com atendimento equivalente a mais de 170 milhões de hectares e movimentação anual acima de R$ 10 bilhões. O crescimento dependerá, entretanto, da capacidade das empresas de financiar a renovação da frota e absorver custos de combustível, manutenção, seguro e mão de obra especializada.

Outro dado mostra uma mudança na forma como o produtor acessa a tecnologia. Aproximadamente 62,9% das aeronaves estão vinculadas a empresas de Serviços Aéreos Especializados, que atendem propriedades de terceiros. Cerca de 35,7% pertencem a operadores privados, principalmente produtores que mantêm aeronaves próprias.

FUTURO – Na quarta-feira (19.08), às 10 horas, o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), participa do painel “Geopolítica e economia internacional”. A discussão deverá relacionar câmbio, comércio exterior, tributação e reorganização das cadeias de suprimentos aos custos enfrentados pelo setor.

“O Brasil construiu uma aviação agrícola de escala mundial, mas parte importante dessa estrutura continua exposta ao dólar, aos juros e ao fornecimento externo de aeronaves, turbinas, peças e componentes. Uma crise internacional ou uma mudança tarifária deixa de ser um assunto distante quando chega ao custo da aplicação e à capacidade de investimento das empresas”, afirma Rezende.

“Não basta ampliar a frota. O país precisa criar condições para renovar equipamentos, formar profissionais e levar os sistemas mais modernos de precisão e rastreabilidade para todas as regiões produtoras. Isso exige financiamento compatível com a atividade, previsibilidade tributária, segurança jurídica e uma política industrial que reduza vulnerabilidades”, acrescenta.

“Quando o serviço especializado chega ao pequeno e ao médio produtor, a tecnologia deixa de ser um patrimônio exclusivo de grandes propriedades e passa a funcionar como infraestrutura compartilhada. O ganho está na rapidez do manejo, na redução de perdas e na possibilidade de proteger a lavoura dentro da janela correta, com responsabilidade técnica e ambiental”, conclui.

A programação desta terça-feira inclui painéis sobre tecnologia internacional de aplicação, sustentabilidade, gestão, participação feminina e controle de deriva em operações com aviões, helicópteros e drones. A primeira rodada de demonstrações práticas está prevista para as 16 horas.

Na quarta-feira, além do painel de geopolítica, serão discutidos finanças, restrições à atividade, comunicação, segurança operacional e cultura organizacional. O Congresso Científico apresentará 25 pesquisas produzidas em oito Estados.

Na quinta-feira, os debates se concentrarão no futuro da atividade, na reforma tributária, nos custos operacionais, na inteligência artificial e na qualificação de mecânicos. O encerramento terá demonstrações práticas e apresentação de acrobacias aéreas.

Os drones também ocupam espaço crescente no setor, embora não estejam incluídos nas 2.866 aeronaves tripuladas contabilizadas no levantamento da frota. O Ministério da Agricultura e Pecuária exige registro dos operadores de aviões, helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas que realizam atividades aeroagrícolas.

Nas operações tripuladas, as empresas precisam manter engenheiro agrônomo responsável, pilotos licenciados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e técnico habilitado para acompanhar o trabalho de campo. Os operadores também devem apresentar relatórios mensais das atividades executadas.

A combinação entre expansão, fiscalização e qualificação será um dos principais pontos do congresso. O desafio do setor é transformar o crescimento da frota em maior eficiência para o produtor sem abrir mão da segurança de voo, da precisão das aplicações e da proteção das áreas vizinhas.

SERVIÇO

Evento: Congresso da Aviação Agrícola do Brasil 2026
Data: 18 a 20 de agosto
Horário: das 10h às 18h
Local: Condomínio Aeronáutico Liberty
Endereço: GO-415, km 22, Goianápolis (GO)

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Reciprocidade pode proteger exportações, mas encarecer insumos

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O Brasil abriu o caminho legal para responder às sobretaxas de até 37,5% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. A medida pode reforçar a posição brasileira nas negociações e ajudar setores prejudicados, mas também traz um risco para o produtor rural: se atingir máquinas, peças, tecnologias ou insumos norte-americanos, uma retaliação poderá elevar os custos dentro da propriedade.

O procedimento foi iniciado em 13 de agosto, com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) encaminhou o pedido ao Comitê-Executivo de Gestão do órgão, enquanto o Ministério das Relações Exteriores ficou responsável por notificar Washington e solicitar consultas diplomáticas.

Essa etapa não significa que o Brasil já tenha decidido aumentar tarifas. O processo começa pela análise do enquadramento das medidas norte-americanas na legislação brasileira. Caso a avaliação seja favorável, o governo poderá elaborar uma proposta de contramedidas, ouvir o setor privado e realizar consulta pública antes da decisão final.

A lei permite restringir importações de bens e serviços, cobrar tarifas adicionais sobre produtos estrangeiros, suspender concessões comerciais ou de investimentos e, excepcionalmente, suspender obrigações relacionadas à propriedade intelectual. As respostas podem ser aplicadas isoladamente ou em conjunto, mas precisam ser proporcionais ao prejuízo causado e buscar o menor impacto possível sobre a economia brasileira.

Na prática, o governo poderá escolher produtos norte-americanos sobre os quais o Brasil tenha fornecedores nacionais ou alternativas em outros países. Essa seleção será decisiva. Uma lista concentrada em bens facilmente substituíveis pode aumentar o poder de negociação sem afetar significativamente a produção. Se alcançar itens estratégicos, porém, a conta poderá chegar ao campo.

Máquinas agrícolas, componentes eletrônicos, peças, softwares, equipamentos de precisão, produtos veterinários, genética e determinados insumos químicos estão entre as áreas que exigem atenção, embora ainda não exista uma relação oficial de mercadorias que poderão ser atingidas. Mesmo quando o produtor não importa diretamente, uma tarifa adicional pode aparecer no preço cobrado por revendas, indústrias e prestadores de serviços.

Do lado das exportações, o impacto também varia conforme a cadeia. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que 23,1% das vendas brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas às novas sobretaxas da Seção 301. Açúcar enfrenta adicional de 25%, enquanto máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos podem chegar a 37,5%.

Produtos importantes do agronegócio, como café, carnes, suco de laranja, frutas e a maior parte da celulose, ficaram fora dessas novas cobranças e continuam sujeitos às tarifas norte-americanas normais. Essa proteção, entretanto, pode ser colocada em risco caso uma disputa comercial avance e os Estados Unidos ampliem suas barreiras.

Os efeitos das tarifas já aparecem nos embarques. Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram aproximadamente R$ 109,2 bilhões, queda de 12,2%. Nos produtos sujeitos às maiores sobretaxas, as vendas recuaram 31,5%, para cerca de R$ 16,6 bilhões. Entre os itens com perdas estão sebo bovino, fumo, madeiras, portas e sucos de frutas.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) defende que a diplomacia permaneça como principal caminho. Em pesquisa realizada pela entidade, 90,5% das empresas consultadas apoiaram a intensificação do diálogo com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% apontaram a reciprocidade como estratégia prioritária.

Para o produtor, a recomendação é acompanhar o processo sem antecipar decisões de compra ou formar estoques apenas com base na possibilidade de retaliação. Associações, cooperativas e agroindústrias terão papel importante na consulta pública, indicando quais exportações precisam de proteção e quais insumos importados não podem ser encarecidos.

A reciprocidade pode funcionar como instrumento de pressão para recuperar mercados e impedir novas barreiras. Seu resultado para o campo, porém, dependerá menos do discurso político e mais da precisão da lista escolhida. Uma resposta bem calibrada pode fortalecer a negociação; uma escalada comercial pode reduzir vendas, aumentar custos e transferir para o produtor parte da conta da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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