Agronegócios
Novas sementes prometem menor custo de adubo e defensivos
O pequeno produtor de Goiás ganhou um aliado de peso para segurar os custos e aumentar o lucro com a terra. Variedades de sementes e mudas de feijão, mandioca, milho, arroz e batata-doce que passaram pelos últimos testes de campo em Rio Verde começam a ser distribuídas para multiplicação nas propriedades. O objetivo da iniciativa é entregar ao agricultor plantas mais fortes, que produzem bem mesmo usando menos adubo químico e remédio para pragas, aliviando o bolso de quem vive da roça.
De acordo com pesquisadores da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater-GO), a introdução de variedades selecionadas de arroz, feijão comum, milho, mandioca e feijão-caupi busca garantir a segurança alimentar e a rentabilidade por meio de sementes com maior rusticidade e adaptadas ao clima do Cerrado. A estratégia inclui a distribuição de materiais propagativos para que os próprios agricultores multipliquem a genética validada em suas propriedades.
Com os preços dos insumos importados pesando cada vez mais na engrenagem das propriedades, a estratégia dos especialistas é usar a seleção de plantas tradicionais para criar uma espécie de “escudo” para o agricultor familiar, que hoje representa mais de 70% das propriedades rurais de Goiás.
A força de quem planta o alimento básico No Brasil inteiro, a agricultura familiar é a grande dona da mesa. O setor responde por quase 70% da mandioca e mais de 50% do feijão que o trabalhador consome na cidade, movimentando cerca de 23% do valor total de tudo o que a agropecuária produz no País.
O grande destaque desse trabalho são os chamados alimentos biofortificados, como é o caso de uma nova variedade de batata-doce. Na prática, os cientistas conseguiram desenvolver plantas que já vêm com mais vitaminas e nutrientes naturais de berço. Para quem planta, a vantagem é dupla: essas culturas são mais rústicas e aguentam melhor o clima do Cerrado, e o produto final ganha valor de mercado na hora da venda direta nas feiras ou para a merenda das escolas públicas.
Além do ganho debaixo da terra, os técnicos também demonstraram estruturas de agricultura vertical — onde as hortaliças são plantadas em camadas sobrepostas, economizando espaço e água. Segundo os agrônomos envolvidos nos testes, esse modelo funciona como uma garantia contra as quebras de safra provocadas pelo clima maluco, garantindo que o canteiro continue produzindo mesmo em épocas de seca severa.
Mais do que apenas mostrar as plantas bonitas no mostruário, as equipes técnicas começaram a entregar ramas e sementes diretamente para os produtores levarem para suas comunidades. Essa parceria entre os institutos de pesquisa e as agências de assistência técnica tenta resolver um problema antigo: fazer com que a inteligência dos laboratórios vire, de fato, comida no prato e dinheiro no bolso de quem acorda cedo para alimentar o País.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Ação do MPT na Justiça Federal pede proibição do glifosato em todo o País
O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou na sexta-feira (22.05) uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a União pedindo a proibição imediata, em todo o território nacional, de produtos à base de glifosato. O composto é o herbicida mais comercializado no Brasil e o principal insumo utilizado no manejo de pragas nas safras de grãos, cana-de-açúcar e culturas perenes.
Por se tratar de uma ação proposta por um órgão de abrangência federal contra a União e uma autarquia regulatória, o processo tramita na Justiça Federal de Brasília. Uma eventual decisão favorável ao pedido terá efeito imediato sobre todo o território nacional, afetando diretamente as regras de comercialização em todos os estados produtores.
A petição exige o cancelamento de todos os registros vigentes e veda novas autorizações para produção, importação, comercialização e uso da substância e de seus derivados. Caso a Justiça Federal acate o pedido, a Anvisa e a União terão um prazo de transição de até 180 dias para aplicar o banimento, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão. Representantes do setor produtivo apontam risco de impacto financeiro sobre o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário e na competitividade das commodities brasileiras.
Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmam o volume do uso do defensivo no País: o glifosato lidera o ranking de ingredientes ativos mais vendidos no mercado doméstico, com 231,9 mil toneladas comercializadas no último ano consolidado.
Especialistas em agronomia afirmam que a retirada do princípio ativo geraria dificuldades técnicas no controle de plantas daninhas no sistema de plantio direto. O argumento do setor é que as alternativas químicas disponíveis hoje na indústria possuem custo superior, demandam maior número de aplicações e registram menor eficácia em lavouras geneticamente modificadas, o que elevaria o custo de produção.
O MPT fundamenta o pedido no princípio da precaução, apresentando relatórios sobre riscos à saúde ocupacional de trabalhadores rurais e contaminação de mananciais de água potável. A peça jurídica cita a classificação de 2015 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), que enquadrou o herbicida como “provavelmente carcinogênico para humanos”.
O órgão também aponta a recente retratação acadêmica de um artigo científico do ano 2000 que atestava a inocuidade do produto, alegando que houve quebra de integridade na publicação original.
A Anvisa mantém o parecer de sua última reavaliação oficial do ativo, na qual concluiu que o glifosato não preenche os critérios legais para proibição total no mercado brasileiro. A agência optou por manter a liberação do ingrediente, mas estabeleceu restrições de dispersão e novos parâmetros de referência toxicológica para a proteção dos trabalhadores que manejam o produto no campo.
A disputa amplia a pressão jurídica sobre empresas do setor químico, com destaque para a alemã Bayer, detentora da marca Roundup, que enfrenta processos semelhantes nos Estados Unidos movidos por trabalhadores que alegam ter desenvolvido linfoma não-Hodgkin após exposição crônica ao produto. A companhia defende a segurança do defensivo quando utilizado de acordo com as instruções da bula.
No Brasil, o embate nacional soma-se a ações regionais movidas pelo Ministério Público em estados como Mato Grosso, maior produtor de grãos do País. Entidades como a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) contestam as tentativas de restrição, apontando falta de alternativas exequíveis no curto prazo.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Excessos de Chuva e seca levam emergência a 18 municípios
O Diário Oficial da União desta segunda-feira (25.05) formalizou o reconhecimento federal de situação de emergência em 18 municípios espalhados por nove estados brasileiros, evidenciando o cenário de extremos climáticos que atinge o País simultaneamente.
Enquanto o cinturão agrícola do Sul e faixas do Nordeste sofrem com o avanço da estiagem prolongada, as populações da Região Norte enfrentam o impacto severo de chuvas intensas e alagamentos. A medida, chancelada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), abre caminho para a liberação de recursos federais obrigatórios para socorro humanitário e reconstrução de estruturas básicas.
O mapa da crise desenha uma dualidade econômica preocupante. Na fronteira da estiagem e da seca severa, estão municípios da Bahia (Chorrochó e Tremedal), Paraíba (Barra de São Miguel, São Bento, Joca Claudino, Taperoá, Princesa Isabel e Manaíra), Rio Grande do Norte (Alexandria), Paraná (Pérola D’Oeste), Rio Grande do Sul (Gentil e São Pedro do Sul) e Santa Catarina (Correia Pinto).
No outro extremo, o excesso de precipitação causou estragos severos na infraestrutura da Região Norte e em partes do Maranhão. Cidades como Parintins, Borba e Careiro, no Amazonas, além de Godofredo Viana, no Maranhão, e Santa Izabel do Pará, no Pará, foram castigadas por tempestades e inundações.
Nesses locais, o principal desafio imediato é o isolamento de comunidades rurais e ribeirinhas, a perda de lavouras de subsistência e o comprometimento de estradas vicinais utilizadas para o escoamento de produtos locais.
Longe de ser apenas um entrave burocrático, a fragmentação entre seca extrema e inundações simultâneas ameaça diretamente as margens financeiras da safra e acende o alerta para o risco de inadimplência em polos produtivos regionais.
O Custo Invisível do Risco Climático no Agro
| Região / Impacto | Reflexo Econômico Direto | Impacto no Financiamento |
| Sul e Nordeste (Estiagem) | Queda na conversão alimentar do gado; necessidade de compra de ração comercial cara. | Aumento na taxa de sinistralidade dos seguros agrícolas; busca por renegociação de custeio. |
| Norte e Maranhão (Inundações) | Desperdício de produtos perecíveis na porteira; alta de até 40% no valor do frete regional. | Elevação do prêmio do seguro de carga e depreciação acelerada de maquinário pesado. |
A homologação da situação de emergência pelo governo federal funciona como um freio de arrumação legal. Mais do que liberar verbas para ajuda humanitária nas cidades, o decreto é o instrumento jurídico indispensável para que o produtor rural consiga comprovar o caso fortuito ou de força maior junto às instituições financeiras. Sem isso, o acesso à prorrogação de dívidas de crédito rural e o congelamento de juros de custeio ficariam travados, empurrando milhares de produtores para a inadimplência forçada.
Fonte: Pensar Agro
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