Agronegócios
Remanejamento de R$ 162 milhões do FCO Empresarial para o Rural atende demandas do agronegócio em MS
Deliberações do CEIF/FCO (Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste), publicadas no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (10) pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) autorizam o remanejamento de R$ 162 milhões dos recursos do FCO Empresarial para o montante do FCO Rural a ser aplicado no ano de 2023 em Mato Grosso do Sul.
As medidas foram aprovadas em reunião do CEIF/FCO realizada em 23 de junho, presidida pela Semadesc e com a participação de instituições que integram o Conselho, como a Seilog, Sead, Agraer, Imasul, Famasul, Fecomércio, Sebrae e Banco do Brasil, Credicoamo e BRDE. A Deliberação CEIF/FCO nº 669 autoriza o remanejamento de R$ 100 milhões do FCO Empresarial para o FCO Rural para atender à demanda de atividades consideradas prioritárias no exercício de 2023 em Mato Grosso do Sul, como a Implantação de Sistema de Irrigação, Avicultura e Suinocultura.
Já a Deliberação CEIF/FCO nº 670, autoriza o remanejamento de R$ 62 milhões do orçamento previsto FCO Empresarial para o FCO Rural, visando atender a demanda de aquisição de Máquinas, Equipamentos, Implementos Agrícolas e de Caminhões. Para o ano de 2023, Mato Grosso do Sul dispõe de R$ 2,2 bilhões em recursos do FCO. Deste total, R$ 1,1 bilhão é destinado ao FCO Rural e R$ 1,1 bilhão ao FCO Empresarial.
“Há uma intensa demanda de financiamentos destinados às atividades rurais consideradas prioritárias no exercício de 2023, como a suinocultura, avicultura e irrigação. Para continuarmos com o acolhimento de novas propostas de financiamento desse tipo e empreendimento, autorizamos o remanejamento de recursos do FCO Empresarial para o Rural. Essa é uma medida que tomamos todos anos, geralmente ocorre no mês de agosto, mas neste ano está ocorrendo mais cedo”, comenta o secretário Jaime Verruck, da Semadesc.
Somente na 5ª Reunião Extraordinária do CEIF/FCO, coordenada pelo secretário-executivo de Desenvolvimento Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, foram aprovados um total de R$ 51,53 milhões em financiamentos de projetos voltados às atividades consideradas prioritárias no exercício de 2023, sendo R$ 12,5 milhões em sistema de Irrigação (por aspersão e pivô); R$ 34 milhões para implantação de unidade de aves e outros R$ 5,03 milhões para unidades de suinocultura.
Até o momento, somente do FCO Rural, o Banco do Brasil já contratou a aplicação de R$ 481,21 milhões em 2023 e outros R$ 539,15 milhões em propostas encontram-se em fase de contratação no banco. Entre as outras instituições financeiras que operam o Fundo no Estado, o BRDE já liberou R$ 11,895 milhões no FCO Rural e R$ 20,216 milhões no Empresarial, enquanto que, somente no Rural, a Credicoamo já aplicou R$ 22,336 milhões e tem outros R$ 52,371 milhões em fase de análise para contratação.
Marcelo Armôa, Semadesc
Foto: Mairinco de Pauda, Semadesc
Fonte: Governo MS
Agronegócios
Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade
Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.
Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.
O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.
A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.
Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.
Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.
Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.
Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.
Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Crise do crédito dominou debates no Summit Pensar Agro
Em um momento de forte pressão financeira sobre o agronegócio brasileiro, o Summit Pensar Agro reuniu na última sexta-feira (29.05), em Cuiabá, representantes do setor produtivo, especialistas, lideranças empresariais e autoridades para discutir alternativas voltadas à competitividade e à sustentabilidade econômica da atividade rural. O encontro integrou a programação da GreenFarm 2026, realizada no Parque Novo Mato Grosso.
O evento ocorreu em meio a um cenário marcado pelo aumento do endividamento dos produtores rurais, retração do crédito agrícola e impactos provocados por adversidades climáticas em diversas regiões do país. Dados do Ministério da Agricultura apontam desaceleração nas contratações do Plano Safra 2025/2026, com redução nas operações de custeio e investimento, enquanto lideranças do setor defendem medidas para ampliar o acesso ao financiamento e garantir condições para a continuidade da produção.
A internacionalização do agronegócio brasileiro esteve entre os principais temas debatidos durante o Summit. No painel dedicado às oportunidades no mercado internacional, representantes diplomáticos e integrantes de câmaras de comércio discutiram caminhos para ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados estratégicos da Ásia e da América Latina, reforçando o potencial de Mato Grosso como um dos principais fornecedores globais de alimentos.
Outro destaque da programação foi o debate sobre segurança jurídica no campo. Especialistas abordaram temas relacionados à sucessão familiar, regularização ambiental e previsibilidade regulatória, apontados como fatores essenciais para garantir investimentos e a continuidade das atividades agropecuárias ao longo das próximas gerações.
A questão financeira também ocupou espaço central nas discussões. Durante o painel sobre inteligência financeira, especialistas defenderam o uso de ferramentas de gestão, planejamento e tecnologia para aumentar a eficiência das propriedades rurais em um cenário de margens mais apertadas e custos elevados. O tema ganhou relevância diante das dificuldades enfrentadas por produtores para acessar crédito e renovar operações de custeio para a próxima safra.
Sob curadoria de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o Summit Pensar Agro reuniu nomes de destaque do cenário nacional e internacional. Entre eles, o embaixador da Indonésia no Brasil, Andhika Chrisnayudhanto, que participou do painel sobre oportunidades de mercado para o agro brasileiro, além de representantes das câmaras de comércio Índia-Brasil e Brasil-Peru, especialistas em segurança jurídica, gestão financeira e lideranças de entidades ligadas à agropecuária, indústria e formulação de políticas públicas.
O encerramento ocorreu com o Fórum Brasil Central, que reuniu representantes de entidades do agronegócio, da indústria e do poder público para discutir estratégias de desenvolvimento regional, infraestrutura e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária.
Além do Summit Pensar Agro, a GreenFarm 2026, que terminou neste sábado (30.05) manteve durante toda a semana uma extensa programação de exposições, palestras técnicas, leilões e rodadas de negócios. Com mais de uma centena de expositores, a feira consolidou-se como uma das principais vitrines do agronegócio do Centro-Oeste e reforçou seu papel como espaço para debates sobre os desafios e oportunidades do setor em um período marcado pela busca de soluções para a crise de crédito que afeta produtores em diversas regiões do país.
Fonte: Pensar Agro
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