Arapuá
74 anos de Alcidia de Araújo Barros
No último sábado (26) de Janeiro, aconteceu no Centro Comunitário de Arapuá a comemoração dos 76 anos de Alcidia de Araújo Barros.
Um momento de muito louvor e oração, onde Alcidia contou com a presença de amigos e familiares, que mesmo com a chuva que caiu no Distrito, marcaram presença na festa.
A aniversariante contou ao ArapuáMS um pouco da sua história, “cheguei em Arapuá, em 1966, num momento de altos e baixos, sem dinheiro, a sorte nossa foi que encontramos a família Trannin, aqui no Arapuá. Trannin, que era o pai da Sueli Trannin, que ajudou muito quando viemos do Ceará, o seu Trannin, falou pra nós o que nos pode fazer por vocês é ajudar, seu Trannin e Dona Tereza, (esposa) os pioneiros do arapuá, pra chegar no que cheguei, trabalhei muito na roça na Piaba e continuei morando aqui dentro do Arapuá, quinze anos só na Fazenda do Miguel Marin, tocando roça, seis alqueires de milho e quantas carradas de amendoim, eu colhia mamona, e vendia aqui na maquina do Finado Trannin, dentro do Arapuá. A trajetória de muitos anos, que eu posso contar pra vocês, eu amo essa família (Trannin), eles são como meus parentes, considero Dona Tereza como uma mãe minha, de fé, uma mãe legitima, me ajudou demais, e toda minha família. Finado João meu tio criou um menino o Expedito e o Finado Trannin, fez todos os gastos de levar ele pra São Paulo, a Maria, minha irmã Francisca era professora, lutou muito aqui dentro deste Arapuá, dando aula, no Rio Branco, Maracaju, nessa redondeza toda, na Piaba, no Seu Hilário, ficou seis anos dando aula na Piaba, ai quando foi nesta época, nos mudamos para Maracaju, nos fomos de trem levamos até cavalo, cachorro, tudo dentro do vagão do trem, ficamos um ano em Maracaju, numa época que tinha muita praga, mato e nos morava na beira de um varjão, na Santa Maria, terra do Prata. Depois disso voltamos ao Arapuá, e novamente quem nós socorreu, foi o finado Trannin, ele deu um conselho: Filha eu dou um conselho pra vocês parar, ficar viajando vocês acaba com que tem, e eu ajudei vocês, para vocês se levantar, nos tomemos o conselho e até hoje continuo morando no Distrito de Arapuá. Por isso que estou aqui nesta noite com esta festa, de agradecimento a Deus. O sentimento meu hoje é de alegria, da família ao meu lado. Deus já levou minha irmã professora Francisca, minha irmã Conceição, comadre Dió, compadre Dionizio, Maria do Sr. Daniel, tudo enterrado aqui neste cemitério de Arapuá, por isso que eu falo, nos viemos embora pra cá, e só esta eu para contar história, Éramos dez irmãos, seis estão vivos. Duas irmãs estão aqui e a sobrinhada toda.
Arapuá
O lado invisível da celulose| Esvaziamento populacional e apagamento cultural em Arapuá e Garcias
Entre 2000 e 2020, enquanto o setor de celulose impulsionava a economia regional, os distritos de Arapuá e Garcias seguiam no caminho inverso, enfrentando um rápido encolhimento populacional. Dados do IBGE e projeções demográficas revelam que a população de Arapuá caiu 17% (de 1.911 para 1.586 habitantes), enquanto Garcias registrou uma queda de 15% (de 2.301 para 1.967 moradores).
Uma pesquisa conduzida pela geógrafa francesa Marine Dubos-Raoul, professora convidada da UFMS, revela que esse impacto vai além da economia: trata-se do esfacelamento da vida comunitária.
De Vilas Vivas a “Cidades Desertas”
A partir de dezenas de entrevistas com moradores, a pesquisadora documentou a perda das tradições que uniam a população. Tradicionais bailes, quermesses, campeonatos de futebol e festas religiosas desapareceram à medida que as famílias deixavam a zona rural.
“Tem dias que você passa lá e parece uma cidade deserta”, relata um morador. Outro relembra que os bailes que duravam até o amanhecer deram lugar a ruas totalmente vazias antes mesmo da meia-noite.
A mudança na paisagem também foi radical. Entrevistados relatam que antigas sedes de fazendas, que antes abrigavam dezenas de famílias de trabalhadores, foram demolidas. Tratores abriram grandes valas para enterrar as estruturas das antigas moradias, abrindo espaço para os extensos monocultivos de eucalipto e apagando vestígios da história local.
Impactos na Fauna, Flora e o Fim da Escola Local
O estudo também capturou a percepção dos moradores sobre as alterações no ecossistema:
- Fauna: Espécies nativas como perdizes, jaós e anus tornaram-se raras. Em contrapartida, tucanos, araras, papagaios e macacos passaram a invadir os quintais das casas, provavelmente atraídos pela busca por alimento.
- Flora: Frutos tradicionais do Cerrado, como a guavira, o pequi e o marolo, tornaram-se cada vez mais difíceis de encontrar. (Os autores ressaltam que esses relatos refletem a percepção dos moradores e não estabelecem, isoladamente, uma relação científica de causa e efeito).
O Símbolo do Abandono
O marco mais doloroso dessa transição foi o fechamento das instituições locais. A escola, que historicamente funcionava como o principal ponto de encontro e integração dos moradores, viu o número de alunos despencar.
Em Garcias, a escola foi definitivamente desativada em 2018. Com o encerramento das atividades, o sentimento de comunidade se enfraqueceu ainda mais, e as crianças da região passaram a enfrentar longas e cansativas viagens diárias de ônibus para conseguir estudar no distrito vizinho.
Leia na integra a pesquisa geógrafa francesa Marine Dubos-Raoul, professora convidada da UFMS
Por Campo Grande News
Arapuá
Defesa Civil acompanha recuperação de erosão na MS-459 e reforça segurança no trecho para moradores locais
A Defesa Civil de Três Lagoas segue atuando de forma preventiva na identificação e solução de situações que possam comprometer a segurança da população. Na manhã desta segunda-feira, 20 de julho, o agente da Defesa Civil, Luiz Fabiano, acompanhado do engenheiro da AGESUL, Mário, esteve na rodovia MS-459, no trecho entre a BR-262 e o Distrito de Arapuá, para vistoriar uma erosão identificada nos últimos dias.
O local, que já havia sido devidamente sinalizado e isolado para garantir a segurança dos motoristas, começou a receber nesta segunda-feira os serviços de recuperação. A intervenção tem como objetivo restabelecer as condições adequadas de trafegabilidade da via, evitar o avanço da erosão e proporcionar mais segurança aos usuários da rodovia.
| Texto por: | Raquel Tozi | Foto por: | Defesa Civil |
Fonte: Prefeitura Três Lagoas MS
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