Mato Grosso do Sul
Jariá: projeto inédito no Brasil leva inteligência artificial à segunda instância dos recursos de trânsito
Desenvolvida por servidores do Detran-MS, ferramenta auxilia a análise dos recursos julgados pelas Juntas Administrativas de Recursos de Infrações (Jari) e reforça o protagonismo de Mato Grosso do Sul na inovação aplicada à gestão pública.
Uma solução que nasceu da iniciativa de um servidor de Aquidauana e evoluiu para um projeto institucional premiado nacionalmente ganha agora um novo capítulo. O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) lançou a JARIÁ, sistema de inteligência artificial desenvolvido para auxiliar a análise dos recursos julgados pelas Juntas Administrativas de Recursos de Infrações (Jari), segunda instância administrativa dos processos de trânsito.

O lançamento foi realizado em Aquidauana, cidade natal do servidor Tony Luiz Lemos da Silva, um dos idealizadores da ferramenta. A escolha do município não foi por acaso. Foi ali que surgiu a ideia inicial que, posteriormente, recebeu apoio institucional e foi aprimorada até se transformar em uma solução inovadora para a administração pública.
Durante o lançamento, o diretor-presidente do Detran-MS, Rudel Trindade, destacou que a tecnologia surge para enfrentar um desafio comum aos órgãos públicos: o grande volume de processos e a necessidade de garantir maior agilidade nas análises.
“Não podemos perder um recurso por falta de processamento. Além do prejuízo administrativo, os recursos provenientes das multas são destinados legalmente para educação, engenharia e fiscalização de trânsito”, afirmou.
Atualmente, milhares de processos aguardam análise em diferentes etapas recursais. Segundo Rudel, além de proporcionar mais eficiência operacional, a ferramenta contribui para evitar prescrições e garantir maior efetividade à gestão pública.
Ideia que nasceu da necessidade
Servidor de carreira do Detran-MS e analista de sistemas, Tony Luiz Lemos da Silva contou que a ideia surgiu a partir de uma necessidade prática vivenciada durante sua rotina de trabalho.
Na época, além das atividades profissionais, ele conciliava estudos e a internação do filho, o que o levou a buscar alternativas para otimizar o tempo dedicado à análise dos recursos administrativos.
“Muitas vezes era preciso utilizar noites, finais de semana e momentos que poderiam ser dedicados à família para conseguir atender a demanda de processos. Foi aí que comecei a estudar formas de utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio”, relatou.
A iniciativa chamou a atenção do diretor-presidente do Detran-MS, Rudel Trindade, que determinou o apoio da Diretoria da Tecnologia da Informação (Dirti) para o aprimoramento e implementação da ferramenta. Identificou-se então a necessidade de começar pelo setor de Penalidades do Renainf (Registro Nacional de Infrações de Trânsito).
O resultado foi a criação da Defesa Prévia Inteligente (DPI), ferramenta voltada à análise da primeira instância recursal, que acontece antes da multa ser aplicada. O sucesso da iniciativa rendeu ao Detran-MS o primeiro lugar na categoria Eficiência Administrativa, Desburocratização e Melhoria de Processos durante a ExpoGov Brasil 2026.
A experiência acumulada com a DPI serviu como base para o desenvolvimento da JARIÁ, que agora passa a atuar na segunda instância administrativa dos recursos de trânsito. Neste primeiro momento, a ferramenta passará a ser utilizada em Aquidauana, e gradativamente será ampliada para as demais. Mato Grosso do Sul possui ao todo seis Juntas Administrativas de Recursos de Infrações: 1ª e 2ª JARI em Campo Grande; 3ª JARI em Dourados; 4ª JARI em Três Lagos; 5ª JARI em Aquidauana e 6ª JARI em Coxim.
Próximo passo da transformação digital
A nova ferramenta foi desenvolvida para auxiliar os relatores e membros das Jaris na elaboração das análises processuais. A decisão final continua sendo humana, mas a inteligência artificial passa a atuar como suporte técnico inteligente, reduzindo o tempo de tramitação e aumentando a produtividade das equipes.
Para Tony, a tecnologia representa uma mudança importante na forma de conduzir os processos administrativos. “Não se trata de substituir pessoas. A inteligência artificial nos ajuda a ganhar tempo, organizar informações e oferecer mais eficiência ao trabalho realizado pelos servidores”, destacou.
Projeto pioneiro no Brasil
Presente no lançamento, a presidente do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-MS), Regina Maria Duarte, afirmou que a iniciativa atende a uma necessidade cada vez mais presente nos órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos.

Segundo ela, o Cetran-MS analisa cerca de 600 processos por mês, muitos deles extensos e complexos, o que reforça a importância de ferramentas que contribuam para dar mais celeridade às análises. “Quando vemos uma ferramenta como essa, enxergamos uma oportunidade real de transformação”, afirmou.
Regina também destacou o caráter inovador da iniciativa e defendeu sua expansão para o Conselho Estadual de Trânsito, responsável pela terceira e última instância administrativa dos recursos.
“É um projeto único no Brasil. Tenho certeza de que essa experiência será levada para todo o país como referência de inovação na gestão pública”, ressaltou.
A expectativa é que a experiência bem-sucedida da JARIÁ permita, futuramente, a ampliação da tecnologia para outras etapas do processo recursal, consolidando Mato Grosso do Sul como referência nacional na aplicação da inteligência artificial à gestão de trânsito.
O lançamento contou com a presença de diretores e gerentes do Detran-MS, representantes do Cetran-MS, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Samu, imprensa regional e autoridades dos municípios de Aquidauana e Anastácio.



Mireli Obando, Comunicação Detran-MS
Fotos: Mireli Obando e Robson Dantas
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul tem 27 mil pessoas que deixaram Mais Social após melhorar de vida
Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, mostra com orgulho a carteira de trabalho. Ele está entre 27,6 mil sul-mato-grossenses que, desde 2023, devolveram o cartão do programa Mais Social porque melhoraram de vida e não precisam mais do benefício estruturante.
“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”, explicou Marcos Gabriel.
Ele entrou no programa em 2018, após perder o emprego que tinha em uma lavanderia. Depois disso, fez curso de barbeiro e começou a trabalhar em casa, mas a renda não era suficiente para sustentar a família. Vivem na mesma residência, no bairro Parati, em Campo Grande, a esposa, quatro filhos e a sogra.
Com a segurança alimentar e nutricional fornecida pelo programa da Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), Marcos Gabriel foi atrás de outras oportunidades. Chegou a trabalhar como zelador de uma igreja e hoje é vigilante em uma entidade sindical rural. Os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos, também começaram a trabalhar e a renda hoje já é suficiente para garantir dignidade à família, sem a necessidade do auxílio.
Mato Grosso do Sul é o 5º com menos dependentes de programas sociais. Isso porque o Governo do Estado tem dado uma forcinha para quem quer prosperar. Para as mães “solo” que recebem o Mais Social foi criado o Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, que paga um auxílio adicional de R$ 600 por criança com idade de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias para que elas possam deixar os filhos em um local seguro e de cuidado nos horários em que precisam trabalhar, mediante a comprovação de vínculo empregatício ou de recolhimento previdenciário.
E tem mais: as beneficiárias que decidirem frequentar ensino regular ou EJA (Educação de Jovens e Adultos) recebem um adicional de R$ 300,00 por mês. Incentivo ao estudo também é com o MS Supera, que paga uma bolsa de R$ 1.621,00 por mês a estudantes de baixa renda de cursos de educação profissional técnica de nível médio e universitários de instituições públicas ou privadas.
Os resultados dos programas sociais estruturantes, que garantem oportunidade para quem quer prosperar por meio do estudo e do trabalho, estão na queda vertiginosa dos índices de extrema pobreza. A proporção de pessoas na extrema pobreza caiu 40,74% em Mato Grosso do Sul, em apenas dois anos, passando de 2,7% para 1,6%, conforme o IBGE. É o 3º menor índice de extrema pobreza do Brasil. Além disso, 34 mil famílias saíram da condição de insegurança alimentar.
Os dados do CadÚnico também comprovam a redução da vulnerabilidade social no Estado. Nos últimos dois anos (de março de 2024 a março de 2026), 44.604 pessoas saíram da situação de pobreza em Mato Grosso do Sul.
A pujança econômica também é protagonista nessa história. Mato Grosso do Sul registrou taxa de desocupação de 2,4% no último trimestre de 2025, o menor índice da série histórica do Estado e a 2ª menor taxa do País.
E é por isso que a Sead, em parceria com as demais secretarias, trabalha para que os programas sociais incentivem a educação e a qualificação profissional fazendo com que os beneficiários possam aproveitar cada vez mais as oportunidades de emprego e renda.
Paulo Fernandes, Comunicação Sead
Fotos: Monique Alves/Sead
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Atende até em casa: MS emite 38,5 mil carteiras de identidade em maio e bate recorde histórico
Atendimento domiciliar garante documento a pessoas com dificuldade de locomoção; Estado projeta chegar a 1 milhão de CINs até o fim do ano
No mês em que Mato Grosso do Sul registrou o maior volume mensal de emissão de identidades desde a criação administrativa do Estado, uma das CINs (Carteiras de Identidade Nacional) chegou à casa de Osmar Ribeiro da Cruz, em Campo Grande. Com problemas de saúde que o impediram de buscar o serviço presencialmente, ele precisava do documento para atender a uma solicitação do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O atendimento domiciliar faz parte da rotina do Instituto de Identificação da PCi-MS (Polícia Científica de Mato Grosso do Sul) e é destinado a pessoas acamadas, internadas, moradoras de lares ou com dificuldade de mobilidade. O serviço permite que cidadãos que não conseguem ir aos postos também tenham acesso à documentação civil necessária para benefícios, cadastros, perícias, tratamentos de saúde e outros serviços públicos.
Em maio, Mato Grosso do Sul expediu 38.501 carteiras de identidade, maior volume mensal desde a criação administrativa do Estado, em 1979. O resultado, alcançado pelo Governo do Estado por meio da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), supera o recorde anterior, registrado em janeiro deste ano, quando a emissão passou de 36 mil documentos em um único mês.
Desde janeiro de 2024, quando começou a implantação da CIN no Estado, foram expedidos 796.881 documentos. Mantido o ritmo atual, a projeção do Instituto de Identificação é chegar a 1 milhão de emissões até o fim do ano.
Na segunda-feira (1º), o sistema abriu vagas para emissão da CIN em julho, na Capital e no interior. Ainda há horários disponíveis para junho em postos do Estado. O agendamento deve ser feito pelo Portal de Serviços da Sejusp: https://servicos.sejusp.ms.gov.br.
Em Campo Grande, são ofertadas cerca de mil vagas diárias para emissão do documento. No interior, a capacidade varia entre 1,2 mil e 1,3 mil atendimentos por dia, conforme a demanda.
A solicitação do atendimento domiciliar de Osmar foi feita pela irmã dele, Irene Vieira dos Anjos, após orientação recebida em um posto de identificação. Até então, ela não sabia que a coleta poderia ser realizada na residência de pessoas sem condições de deslocamento.“Eu não sabia desse serviço. Foi a primeira vez”, disse Irene.
Depois da orientação, ela reuniu a documentação necessária e solicitou o atendimento para o irmão. Para Irene, a informação pode ajudar outras famílias que enfrentam a mesma dificuldade. Ela disse que pretende orientar outras pessoas que precisem do serviço.
O atendimento domiciliar deve ser solicitado por familiares, responsáveis, cuidadores ou pela própria instituição (lares, hospitais, abrigos) junto ao posto de identificação mais próximo em todo Estado. A equipe avalia a solicitação e organiza a coleta dos dados necessários para a expedição do documento.
Pessoas com urgência comprovada também podem procurar diretamente os postos para solicitar encaixe. Entram nessa situação casos relacionados a concursos públicos, tratamentos de saúde, perícias médicas, aposentadoria e outras demandas que dependam da apresentação do documento.
Segundo o Instituto de Identificação, cerca de 30% das pessoas que agendam a emissão da identidade não comparecem aos postos.
“Quando o cidadão não puder comparecer, o cancelamento do agendamento, feito no mesmo site usado para marcar o atendimento, permite que outra pessoa seja atendida”, afirma Daniel Ferreira de Freitas, diretor do Instituto de Identificação.
Além do atendimento regular durante a semana, Campo Grande mantém emissão aos sábados no Shopping Pátio Central, das 8h às 14h, e no Shopping Norte Sul, das 10h às 17h, conforme disponibilidade de vagas no sistema.
A CIN substitui gradualmente o antigo RG e usa o CPF como número único de identificação do cidadão. A primeira via é gratuita, e o RG antigo continua válido até 2032. A troca imediata não é obrigatória para todos, mas o novo documento pode ser necessário em casos de perda, furto, documento danificado, alteração de dados, atualização cadastral ou exigência específica para acesso a algum serviço.
Para emitir a CIN, o cidadão deve agendar o atendimento pelo Portal de Serviços da Sejusp. Em caso de desistência, o horário deve ser cancelado no mesmo site, para que a vaga seja liberada a outra pessoa. O atendimento domiciliar deve ser solicitado no posto de identificação mais próximo.
Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS
Fonte: Governo MS
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