Agronegócios
Chuva atrasa safrinha no Centro-Oeste e seca derruba soja no Sul
O campo brasileiro vive, neste início de 2026, duas realidades opostas — e igualmente preocupantes. Enquanto o excesso de chuva em Mato Grosso impede máquinas de avançarem, no Rio Grande do Sul a falta d’água já destrói lavouras inteiras. No meio desse contraste climático, o resultado é o mesmo: risco para a produção e incerteza para o produtor.
No maior Estado produtor de grãos do país, Mato Grosso, as precipitações frequentes vêm interferindo diretamente no ritmo da colheita da soja e, principalmente, na janela de plantio do milho safrinha. A colheita até avança em relação ao ano passado — 39,61% da área havia sido retirada até 6 de fevereiro, contra 28,58% em igual período de 2025 —, mas o excesso de umidade impede a entrada de máquinas e trava a sequência do calendário agrícola.
O reflexo imediato aparece no milho. O plantio atingia 28,30% da área prevista, abaixo da média histórica de 35,54%. Em outras palavras: a soja está sendo colhida, mas não no ritmo necessário para permitir a semeadura do milho dentro da janela ideal.
O problema é técnico e econômico. O milho safrinha depende quase totalmente do calendário. Cada semana de atraso aumenta a probabilidade de pegar seca no final do ciclo, especialmente em abril e maio. Ou seja, o produtor pode plantar — mas com risco crescente de produtividade menor.
Além disso, a chuva constante também dificulta práticas agronômicas essenciais, como a aplicação de fertilizantes nitrogenados. O nitrogênio é decisivo para a formação de espigas e enchimento de grãos. Sem aplicação adequada, mesmo áreas plantadas no prazo podem perder potencial produtivo.
Outro efeito indireto começa a preocupar: doenças e pragas. A colheita mais longa da soja eleva a pressão de percevejos, mosca-branca e ferrugem asiática, problemas que não apenas reduzem rendimento como também aumentam custos com defensivos.
Se no Centro-Oeste a água sobra, no Sul ela simplesmente desapareceu.
No Rio Grande do Sul, a safra de verão caminha para mais uma quebra relevante. Em várias regiões do oeste gaúcho, o acumulado de chuva em janeiro ficou abaixo de 40 milímetros, segundo levantamento da Conab. A consequência já aparece no campo: estresse hídrico, abortamento de flores e vagens, queda de folhas e redução irreversível do potencial produtivo da soja.
Produtores relatam perdas superiores a 50% em algumas propriedades. Em São Borja, há áreas há mais de 30 dias sem precipitação significativa. Lavouras que projetavam produtividade próxima de 60 sacas por hectare agora dificilmente passarão de 35.
A assistência técnica confirma o quadro. Relatórios de campo apontam temperaturas próximas de 40 °C, alta evaporação e baixa umidade relativa do ar — uma combinação que impede a planta de completar o ciclo reprodutivo. Na prática, a soja até cresce, mas não enche grãos.
E o impacto vai além da agronomia. Depois de sucessivas frustrações desde 2020, muitos produtores já entraram nesta safra com menos investimento. Alguns reduziram tecnologia, outros plantaram áreas menores e há casos em que a produção passada ainda nem foi paga, agravado por dificuldades de crédito e problemas financeiros em cooperativas regionais.
O resultado é um círculo perigoso: menos produtividade gera menor renda, que reduz investimento na próxima safra, que por sua vez aumenta o risco de nova quebra.
Os números da safra passada ajudam a dimensionar. A produção gaúcha de soja caiu 25,2% e a produtividade recuou para 33,5 sacas por hectare — abaixo do custo operacional estimado em 43,8 sacas. Ou seja, mesmo colhendo, parte dos produtores trabalhou no prejuízo.
Agora, a situação tende a repetir-se.
O cenário climático atual mostra um ponto cada vez mais claro na agricultura brasileira: não é apenas a quantidade de chuva que define a safra, mas sua distribuição. Mato Grosso tem água demais no momento errado. O Rio Grande do Sul, nenhuma no momento decisivo.
Para o mercado, isso significa volatilidade. O atraso da safrinha pode afetar a oferta de milho no segundo semestre, enquanto a quebra gaúcha reduz o volume nacional de soja disponível e pressiona margens do produtor.
Para quem está no campo, porém, o efeito é mais simples — e mais duro: planejamento cada vez mais difícil e risco cada vez maior. A safra continua dependendo do clima, mas o clima já não respeita mais o calendário agrícola.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Produtores avaliam estratégias de mecanização diante do anúncio do Plano Safra 2026/27
A expectativa em torno do Plano Safra 2026/27 recoloca no centro das decisões do produtor rural uma pergunta estratégica: é o momento de comprar uma máquina nova ou de melhorar a eficiência da frota já existente com um retrofit? Em um cenário de custos elevados, margens mais apertadas e necessidade de maior racionalidade no uso do crédito, a Fertisystem, especialista em tecnologias para o plantio e adubação, chama atenção para a importância de avaliar, dentro da porteira, quais investimentos podem gerar melhor retorno na implantação da lavoura, especialmente em plantadeiras e sistemas de dosagem, monitoramento e controle de fertilizantes e sementes.
O Plano Safra é tradicionalmente um dos principais instrumentos de estímulo à modernização da produção agropecuária brasileira. No ciclo 2025/26, o Governo Federal destinou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, sendo R$ 101,5 bilhões voltados a investimentos. Para esse tipo de finalidade, as taxas variaram entre 8,5% e 13,5% ao ano, conforme o programa e o perfil do produtor. A expectativa do setor, agora, é que o próximo Plano Safra, prestes a ser divulgado, traga condições mais competitivas, sobretudo em linhas voltadas à aquisição de máquinas, implementos e tecnologias agrícolas.
Mas, mesmo em um ambiente de juros mais favoráveis, a decisão de compra não deve ser automática. Para Rafael Luche, gerente executivo de negócios da empresa, o produtor precisa analisar a operação de forma ampla, considerando não apenas a taxa oferecida, mas também sua capacidade de endividamento, a condição estrutural da máquina atual e o retorno que cada investimento pode trazer à lavoura. “A decisão de comprar uma máquina nova ou melhorar a existente tem muito mais a ver com a capacidade de investir e com o que o agricultor tem disponível hoje. Não é porque o dinheiro está mais acessível que a compra necessariamente faz sentido, tem que fazer conta”, afirma Luche.
A análise ganha relevância porque o produtor chega a este novo ciclo ainda pressionado por fatores que fogem ao seu controle, como oscilação cambial, juros elevados, conflitos internacionais, instabilidade climática e volatilidade das commodities. Internamente, porém, há pontos que podem ser geridos com mais precisão, como manutenção, regulagem, monitoramento, qualidade do plantio e eficiência no uso de fertilizantes e sementes.
Como saber?
Segundo o gerente executivo, a primeira avaliação deve partir da condição da máquina atual. Se a plantadeira ainda apresenta boa estrutura, bom chassi e condições adequadas de operação, pode haver espaço para modernizações pontuais. Em muitos casos, investimentos entre 20% e 30% do valor do equipamento podem ampliar a vida útil da máquina e melhorar a qualidade do plantio por mais dois ou três ciclos.
“Se a máquina está estruturalmente boa e o produtor consegue, pode melhorar a capacidade de plantio, monitorar fertilizante, controlar dosagem e aumentar a assertividade, há uma oportunidade clara de retrofit. Agora, quando o investimento necessário passa de 50% do valor da máquina, já é uma sinalização de que talvez faça mais sentido pensar na substituição”, explica.
Na prática, o processo começa pelo básico, antes de avançar para tecnologias mais complexas, o produtor deve verificar se os dosadores de fertilizante estão em bom estado, se há componentes danificados, se a regulagem está correta e se o fertilizante efetivamente chega à linha de plantio. O mesmo raciocínio vale para a semente: escolha correta dos discos, manutenção dos dosadores, espaçamento adequado e profundidade de deposição são fatores que interferem diretamente na qualidade da implantação da lavoura.
A partir daí, o monitoramento passa a ser uma etapa estratégica. Sensores e sistemas de acompanhamento permitem identificar falhas de fluxo, entupimentos, mangueiras soltas ou interrupções na distribuição de fertilizante e sementes. Esse tipo de tecnologia ajuda o produtor a confirmar se aquilo que foi regulado está realmente acontecendo no campo. “Às vezes, ele tem os dosadores em ordem, fez a regulagem correta, mas precisa garantir que o fertilizante está chegando à linha e que a semente está caindo no espaçamento adequado. O monitoramento é o primeiro passo para saber se a máquina está fazendo o trabalho de forma correta”, afirma o gerente.
Em uma etapa seguinte, a automação pode ampliar o controle sobre a operação. Sistemas capazes de ajustar a dosagem de fertilizante de acordo com a necessidade de cada área, permitem melhor aproveitamento dos insumos, especialmente em propriedades que já trabalham com análise de solo e mapas de variabilidade. O objetivo é evitar aplicações uniformes em áreas com necessidades diferentes, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência agronômica.
Essa lógica é especialmente importante em um contexto no qual parte expressiva do custo de implantação da lavoura passa pela plantadeira. Fertilizantes, sementes e a qualidade da deposição no solo influenciam diretamente o estabelecimento da cultura e, consequentemente, o potencial produtivo. Por isso, a eficiência do equipamento não está ligada apenas ao desempenho mecânico, mas também à rentabilidade da operação. “Na implantação da lavoura, grande parte do custo passa pela plantadeira. Se o produtor melhora a qualidade do plantio, melhora a distribuição do fertilizante e evita falhas. É um investimento que precisa ser avaliado pelo retorno que pode gerar”, pontua Luche.
Às vezes é melhor trocar
A modernização de equipamentos e a renovação de frota não são estratégias concorrentes. Em muitas propriedades, elas coexistem. Máquinas novas incorporam tecnologias cada vez mais avançadas, enquanto equipamentos em bom estado estrutural podem receber atualizações que ampliem sua eficiência operacional.
Isso não significa que a compra de uma máquina deixe de ser relevante. Pelo contrário. Em casos de frota defasada, alto custo de manutenção, baixa capacidade operacional ou impossibilidade de receber novas tecnologias, a renovação pode ser a melhor alternativa. Algumas já podem sair de fábrica com recursos embarcados, como sistemas elétricos, corte de seção, desligamento linha a linha, monitoramento e maior capacidade de integração tecnológica.
Mesmo com a possibilidade de crédito mais favorável, a compra de uma máquina nova deve ser avaliada com cautela. Para o produtor, o ponto central é entender se o investimento cabe no planejamento financeiro da propriedade e se trará retorno operacional no curto e médio prazo. No ciclo vigente, o BNDES indica prazos de até sete anos para itens novos, com possibilidade de pagamento da primeira prestação em até 14 meses após a contratação, conforme as condições do programa.
Para Luche, o ponto central é que o crédito seja usado de forma consciente. O Plano Safra pode criar uma janela de oportunidade, mas é preciso comparar alternativas. Em alguns casos, comprar uma máquina pode ser justificável, em outros, a modernização do equipamento atual, associada à manutenção preventiva e ao monitoramento, pode entregar ganhos relevantes com menor comprometimento financeiro. “O produtor tem uma capacidade de investimento e precisa escolher onde alocar esse recurso. Pode ser na máquina, no custeio, na correção do solo, na tecnologia ou em outras melhorias da lavoura. A decisão precisa ser racional. O investimento é pago com margem, não apenas com preço de commoditie”, destaca.
Diante desse cenário, o Plano Safra 2026/27 tende a ser mais do que um instrumento de financiamento, ele também abre espaço para uma discussão sobre gestão, eficiência e priorização de recursos. Para a Fertisystem, o caminho está em orientar o produtor a avaliar o momento da propriedade. “Como indústria, é importante que o mercado de máquinas novas avance, mas também precisamos ser transparentes. Se é o momento de investir em uma máquina nova, invista. Se ainda não é, vamos olhar para dentro de casa e ajustar”, conclui o especialista da FertiSystem.
Agronegócios
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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