Mato Grosso do Sul
Tecnologia no campo avança além das máquinas e aproxima jovens da ciência em assentamento de MS
Projetos ligados à biotecnologia, inovação rural e pesquisa aplicada tentam transformar conhecimento acadêmico em soluções para produção de alimentos e permanência no campo
Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã, jovens filhos de agricultores familiares discutem inteligência artificial, produção de alimentos e problemas do cotidiano rural. O ambiente lembra mais um laboratório comunitário do que a imagem tradicional associada ao agronegócio de alta tecnologia, marcado por grandes máquinas e extensas plantações mecanizadas.
É nesse espaço que pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolvem projetos voltados à educação, ciência e inovação rural, numa tentativa de aproximar tecnologia e realidade do campo. A iniciativa faz parte do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul.
A coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, afirma que o trabalho começou a partir da escuta da comunidade local. Segundo ela, o objetivo era entender quais eram os principais desafios enfrentados pelos moradores antes de definir estratégias de atuação.
“O foco sempre foi alinhar produção de alimentos, desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento”, afirma.
A experiência em Nova Itamarati ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla em curso no Estado. A incorporação de tecnologia ao agronegócio deixou de se restringir à mecanização das lavouras e passou a incluir pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e agricultura de precisão desenvolvidas dentro de universidades e centros de pesquisa.
Biotecnologia ganha espaço na economia do Estado
Entre as áreas consideradas estratégicas está a biotecnologia, setor que reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura, sustentabilidade e desenvolvimento industrial. A estimativa é de que esse mercado movimente cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2030.
As pesquisas incluem desde vacinas para doenças do rebanho até soluções para problemas agrícolas, como o greening — doença que afeta plantações cítricas — além de iniciativas ligadas à melhoria genética, produção de bioinsumos e tecnologias voltadas à indústria sustentável.
Parte dessa estratégia passa pelo incentivo às chamadas Deep Techs, startups de base científica criadas a partir de pesquisas acadêmicas. A proposta é transformar conhecimento produzido nas universidades em produtos, serviços e empresas capazes de alcançar mercados fora do Estado e até do país.
Segundo o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, a intenção é aproximar pesquisadores e setor produtivo para ampliar a aplicação prática das pesquisas.
“A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios”, disse.
Educação e permanência dos jovens no campo
No assentamento de Ponta Porã, a inovação aparece também como tentativa de enfrentar outro desafio histórico do meio rural: a saída de jovens para os centros urbanos.
O Hub de Educação e Inovação Rural atua justamente para fortalecer vínculos entre estudantes e o território onde vivem. O projeto reúne professores, técnicos, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação em ações voltadas à formação tecnológica e produção rural.
Segundo Juliana Carrijo, a equipe reúne cerca de 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e busca financiamento em editais públicos de pesquisa e extensão tecnológica.
Ela afirma que o espaço deverá funcionar como uma espécie de vitrine tecnológica voltada à agricultura familiar, conectando conhecimento científico e saberes locais em projetos aplicados à realidade do assentamento.
Pesquisa aplicada mira novo perfil econômico
A aposta em ciência aplicada ao agro faz parte de uma estratégia mais ampla do Estado para diversificar a economia ligada à produção rural. Drones com inteligência artificial, agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos aparecem entre as áreas vistas como promissoras.
Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa passam a ocupar papel cada vez mais próximo das cadeias produtivas, em uma tentativa de transformar conhecimento científico em atividade econômica.
Mais do que ampliar o uso de tecnologia nas lavouras, o movimento busca criar soluções desenvolvidas dentro do próprio Estado, com potencial de aplicação em outros mercados.
Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc
Fotos: Semadesc/Arquivo
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Ladrão furta carro e móveis de residência, sofre acidente durante fuga e abandona veículo em MS
Um homem ainda não identificado furtou móveis e um veículo de uma residência e acabou sofrendo um acidente durante a fuga, na noite desta terça-feira (8), na rodovia MS-427, em Rio Verde de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul.
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito teria arrombado a porta dos fundos do imóvel, localizado na Rua Duque de Caxias, no bairro Vila Carmem, utilizando um machado.
Em seguida, ele teria furtado diversos objetos e o veículo que estava estacionado na garagem.O homem utilizou o carro para fugir, mas, durante o trajeto, perdeu o controle da direção e saiu da pista.
O veículo parou aproximadamente dois quilômetros após o fim do trecho pavimentado da MS-427, já em uma estrada de terra.Conforme apurado pelo portal Rio Verde News, equipes policiais conseguiram localizar o veículo com auxílio de imagens de câmeras de segurança.
O carro apresentava danos na lataria provocados pelo acidente.O suspeito, porém, havia fugido do local antes da chegada dos policiais e ainda não foi localizado.O caso segue em investigação para identificar e localizar o responsável pelo furto.
Tatiane Linhares Vicente, com informações de Top Mídia News
Mato Grosso do Sul
Operação identifica desmatamento ilegal equivalente a quase 350 campos de futebol em MS
Operação Mata Atlântica em Pé identificou 348,67 hectares de desmatamento ilegal em Mato Grosso do Sul em 2026. Para ter uma ideia do tamanho da área, o total equivale, em uma comparação aproximada de 1 hectare por campo de futebol, a quase 350 campos.
As irregularidades foram encontradas a partir da análise de 18 alertas de desmatamento distribuídos por 15 municípios do estado. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), houve uma redução expressiva na extensão das áreas desmatadas em relação à edição do ano passado.
Os alertas foram analisados pelo Núcleo de Geotecnologias (Nugeo) do MPMS, que utilizou imagens de satélite e outras ferramentas para verificar se as áreas indicadas realmente tinham sofrido desmatamento ilegal.
Após a confirmação das ocorrências, os dados foram encaminhados ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), responsável pela fiscalização e aplicação das medidas administrativas.
A partir das informações recebidas, o órgão realizou as autuações de forma remota. Ao todo, foram aplicados R$ 1.521.044 em multas aos responsáveis pelas áreas identificadas.
Fiscalização com imagens de satélite
De acordo com o MPMS, a operação utiliza alertas de satélite cruzados com informações de mapas e registros das propriedades para identificar possíveis áreas de vegetação nativa derrubadas sem autorização.
O coordenador do Nugeo/MPMS, promotor de Justiça Luciano Loubet, destacou que o uso da tecnologia permite identificar e confirmar as áreas com mais rapidez.
“O uso de geotecnologias avançadas transformou a fiscalização ambiental em Mato Grosso do Sul. A validação rápida e precisa dos alertas pelo Nugeo permite que o Imasul atue de forma remota e imediata, garantindo que a infração não passe despercebida”, afirmou.
Segundo ele, a integração entre os órgãos de fiscalização e o uso de dados e imagens de satélite têm ajudado a combater o desmatamento ilegal no estado.
Operação nacional
A mobilização ocorreu entre os dias 17 e 27 de agosto, simultaneamente em 17 estados que possuem áreas do bioma Mata Atlântica.
A força-tarefa reúne Ministérios Públicos, órgãos de fiscalização ambiental e forças policiais. Entre as ferramentas utilizadas estão imagens de satélite e plataformas de monitoramento, como o MapBiomas Alerta.
Participaram da operação Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.
A Operação Mata Atlântica em Pé é coordenada nacionalmente pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
O que acontece após a identificação do desmatamento
Quando a fiscalização confirma uma área desmatada de forma irregular, os responsáveis podem sofrer diferentes tipos de medidas.
Entre elas estão:
- Multas e autos de infração: os responsáveis podem ser multados e a área pode ser embargada, impedindo novas atividades no local.
- Recuperação da área: são adotadas medidas para que a vegetação degradada seja recuperada.
- Responsabilização na Justiça: o caso também pode gerar procedimentos nas áreas cível e criminal.
- Restrições no cadastro ambiental: propriedades podem sofrer bloqueios no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
-
Restrição de crédito: os responsáveis podem ter o acesso a crédito rural e outros recursos financeiros suspenso.
-
Celulose em Destaque3 dias atrásArauco inicia instalação das vigas da ponte ferroviária sobre o córrego São Mateus, em Inocência (MS)
-
Agronegócios6 dias atrásEmbargo às carnes abre crise comercial e Brasil ameaça retaliar a UE
-
Arapuá4 dias atrás5ª Feirinha da Agricultura Familiar de Arapuá abre espaço gratuito para produtores e pequenos empreendedores
-
Fama4 dias atrásShow de Michel Teló no ES vira piada por falta de público





