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Internacional

Cerca de 230 mil brasileiros podem ser deportados pelo Governo Trump

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Donald Trump tomou posse como o 47º presidente dos EUA e selou o início de sua segunda passagem pela Casa Branca. Em longo discurso, o magnata não deixou que a liturgia do cargo recém-assumido afetasse o tom irascível emprestado às suas propostas durante a campanha e reiterou as mais ousadas, como tolerância zero com a imigração ilegal. A estruturação de programas de deportação em massa pode afetar milhões de estrangeiros, entre eles, centenas de milhares de brasileiros. O último levantamento do governo americano, de 2022, indica cerca de 230 mil brasileiros em situação irregular no país.

Trump fez vários discursos ao longo do dia e em todos propostas para a política imigratória tiveram destaque em meio a outras medidas de teor nacionalista. Assim como em sua primeira campanha, em 2016, sob o mote do “build the wall”, em referência à construção de um muro na fronteira com o México, o foco principal foi o país vizinho.

“Primeiro, declararei uma emergência nacional na nossa fronteira sul. Toda entrada ilegal será imediatamente interrompida e começaremos o processo de devolver milhões e milhões de estrangeiros criminosos aos lugares de onde vieram. Reinstalaremos minha política de ‘Permanecer no México’. Acabarei com a prática de capturar e soltar. E enviarei tropas para a fronteira sul para repelir a desastrosa invasão do nosso país”, disse Trump, evidenciando sua preocupação com os imigrantes saídos do México.

Os mexicanos lideram a lista dos estrangeiros com maior número de imigrantes irregulares nos EUA. Segundo o último relatório publicado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), são 4,8 milhões. O dado foi divulgado no ano passado com base em informações levantadas até 2022.

O foco no México é acompanhado pelo discurso que alia a chegada de imigrantes ao território americano ao aumento da criminalidade no país. No discurso de posse, Trump listou o decreto de uma lei de segurança pública do fim do século 18 como parte de suas políticas para lidar com as fronteiras.

“Sob as ordens que assinei hoje, também designaremos os cartéis como organizações terroristas estrangeiras. E ao invocar o Ato de Inimigos Estrangeiros de 1798, direcionarei nosso governo a usar todo o imenso poder das forças de segurança federais e estaduais para eliminar a presença de todas as redes criminosas de gangues estrangeiras trazendo crimes devastadores para os EUA, incluindo nossas cidades e centros urbanos”, disse.

À época da eleição de Trump, o professor de direito internacional da UFMG Lucas Carlos Lima falou sobre como o emprego da lei bicentenária pode abrir caminho para uma política de deportação mais intransigente em relação às que regem as medidas tomadas atualmente.

“Em teoria. já existe legislação capaz de acabar com a migração ilegal, mas, para respeitá-la, é necessário seguir o devido processo legal. Sua estratégia jurídica é utilizar uma antiga legislação que não garanta esse devido processo aos imigrantes ilegais. Isso será certamente contestado judicialmente. Seriam necessárias maior fiscalização e implementação dessas políticas e, para isso, será necessário o deslocamento de orçamento e energias do estado. Durante a campanha, Trump mencionou o 1798 Alien Enemies Act, que permitiria às autoridades contornar o devido processo legal para deportar membros de cartéis de droga ou a bandos criminosos. Caso possa ser efetivamente utilizada, implicaria processo altamente arbitrário que não exigiria o contraditório e o devido processo legal”, disse o jurista ao EM.

Clandestinos EUA

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NACIONAIS

De acordo com o relatório do DHS, há 230 mil brasileiros vivendo ilegalmente nos EUA. O número coloca o país na oitava colocação do ranking dos imigrantes não regulamentados, que conta com quase 11 milhões de pessoas no total. Os quase 4,8 milhões de mexicanos são seguidos por 750 mil guatemaltecos, 710 mil salvadorenhos, 560 mil hondurenhos, 350 mil filipinos, 320 mil venezuelanos e 240 mil colombianos.

No sábado, o Ministério de Relações Exteriores do Brasil, emitiu nota com balanço sobre a participação da pasta na Reunião Vice Ministerial sobre Mobilidade Humana na Rota Norte, realizada na Cidade do México em 2024. Sem citar Trump, o documento aponta preocupação com deportação em massa.

“O governo brasileiro parabeniza o México pela convocação do encontro, no qual se demonstrou séria preocupação com a possibilidade de deportações em massa. Na ocasião, a delegação brasileira reafirmou o compromisso com os direitos humanos dos migrantes e a defesa de seus nacionais, por meio de sua rede consular e independentemente de seu status migratório”, diz trecho da nota.

Brasileiros deportados dos EUA chegam ao país natal exclusivamente pelo aeroporto de Confins, na Grande BH. O movimento nos últimos anos já foi intenso e, se Trump cumprir suas promessas, deve aumentar. Segundo a concessionária do aeroporto, desde janeiro de 2023, 3.660 brasileiros chegaram ao terminal deportados dos EUA. Ao todo, foram 32 voos, 14 em 2023; 17 em 2024; e um já em 2025. Se somados aos números publicados pelo EM em 2023, foram 11.471 deportações em cinco anos. Em 2020, 1.145 brasileiros chegaram a Confins; em 2021, foram 2.150; e em 2022, 4.516.

Por Estado de Minas

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Internacional

Calor foi responsável por 2.149 mortes na Espanha

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Estima-se que quase 2.150 pessoas tenham morrido por causas relacionadas ao calor na Espanha em agosto, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (1º), após ondas de calor recordes terem assolado a Europa Ocidental durante o verão.

Dados do sistema de monitoramento diário de mortalidade do Ministério da Saúde, o MoMo, mostraram 2.149 mortes atribuídas ao calor no mês passado, o segundo maior número notificado em agosto desde o início dos registros, em 2015, superado apenas pelo recorde do ano passado, de 2.184.

O MoMo estimou que 5.234 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor entre 15 de maio e 31 de agosto, o maior número registrado para o período de verão desde que o sistema de monitoramento foi lançado em 2015, mesmo sem os dados de setembro.

O maior número de mortes em agosto ocorreu na região da Catalunha, com 1.164, segundo os dados, seguida pelas regiões de Valência e da Andaluzia, com 227 e 138 mortes, respectivamente.

Entre os mortos, 1.283 eram mulheres e 866 eram homens, enquanto 2.064 tinham mais de 65 anos, incluindo 1.285 com mais de 85 anos.

O calor extremo pode causar mortes ao provocar insolação ou agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, sendo os idosos um dos grupos mais vulneráveis.

A agência meteorológica espanhola Aemet informou que um período de calor atípico para o início de setembro se iniciaria a partir de quinta-feira (3) e, provavelmente, persistiria até o fim de semana, com temperaturas subindo bem acima das médias sazonais. A previsão é de que as máximas ultrapassem 35 graus Celsius em grande parte do interior da Espanha, acompanhadas por noites tropicais generalizadas, com temperaturas permanecendo acima de 20°C.

Por Agência Brasil

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Internacional

Casamento com inteligência artificial avança no debate nos EUA e levanta novos desafios para o Direito

Casos de vínculos afetivos com chatbots já mobilizam legisladores e mostram como novas formas de relacionamento começam a exigir respostas jurídicas

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Casar com uma inteligência artificial ainda não tem validade legal nos Estados Unidos, mas a ideia já deixou de pertencer apenas à ficção. Pessoas que desenvolveram vínculos afetivos com chatbots têm buscado cerimônias simbólicas, certificados de compromisso e até alianças criadas por inteligência artificial para formalizar, ainda que sem efeitos jurídicos, essas relações.

A popularização desse tipo de vínculo já chegou ao campo legislativo. Segundo levantamento da revista Wired, ao menos quatro estados americanos — Idaho, Dakota do Norte, Utah e Tennessee — aprovaram medidas para impedir que sistemas de inteligência artificial tenham os mesmos direitos atribuídos a pessoas em casamentos.

Desde 2022, pelo menos 23 projetos relacionados ao tema foram apresentados em diferentes estados dos Estados Unidos. Embora hoje não exista possibilidade legal de casamento entre uma pessoa e um chatbot, as propostas procuram antecipar discussões sobre personalidade jurídica, direitos patrimoniais e os limites do reconhecimento dessas relações.

A movimentação acompanha o crescimento do uso da inteligência artificial para companhia e conversas pessoais. Aplicativos voltados à criação de parceiros virtuais ganham espaço, enquanto usuários de ferramentas de uso geral também relatam vínculos emocionais cada vez mais intensos com chatbots.

Um dos casos citados pela Wired envolve uma mulher da Califórnia que procurou uma capela em Las Vegas para saber se poderia realizar uma cerimônia de casamento com um chatbot. O celebrante consultado contou que ela tinha consciência de que se tratava de uma situação incomum. A cerimônia, porém, ainda não havia sido realizada quando o caso foi divulgado.

Em outros países, celebrações simbólicas semelhantes também já foram registradas. Em uma delas, Yurina Noguchi participou de uma cerimônia com um parceiro virtual criado a partir do ChatGPT, utilizando recursos de realidade aumentada e votos conduzidos por um celebrante.

O fenômeno ainda é recente, mas ajuda a mostrar como a inteligência artificial começa a ocupar espaços cada vez mais íntimos da vida cotidiana — e como situações antes inimagináveis começam a chegar ao Direito.

Quando a realidade chega antes da lei

Para o bacharel em Direito, Leonardo Moraes Velosi, do escritório Moraes Souza Advocacia, os vínculos afetivos com inteligência artificial representam um exemplo extremo de um desafio que tende a se tornar cada vez mais frequente: a necessidade de o Direito acompanhar transformações sociais que surgem antes mesmo de existir uma legislação específica para elas.

“O Direito está constantemente sendo provocado por novas formas de relacionamento e de organização da vida privada. A questão dos chatbots é um exemplo extremo e ainda distante da nossa realidade, mas mostra como os vínculos sociais mudam e como o Direito precisa interpretar essas transformações”, avalia.

No Brasil, o debate sobre relacionamentos com inteligência artificial ainda está muito distante de produzir efeitos semelhantes. Em uma escala completamente diferente, porém, discussões já consolidadas sobre união estável também mostram como as relações podem existir e gerar consequências jurídicas antes mesmo de qualquer formalização tradicional.

É o caso de casais que constroem uma vida em comum sem casamento civil ou registro em cartório. A ausência de uma certidão, por si só, não impede que aquela relação seja reconhecida juridicamente.

A união estável pode ser caracterizada quando existe convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituir família. Isso não significa, porém, que morar junto, dividir despesas ou manter um relacionamento longo seja suficiente para esse reconhecimento. Cada caso deve ser analisado a partir das características concretas da relação.

“Muitas pessoas acreditam que, por nunca terem oficializado o relacionamento, não existem consequências jurídicas. Mas isso não é necessariamente verdade. Em uma eventual separação ou falecimento, pode ser necessário discutir judicialmente se aquela relação configurava ou não uma união estável”, explica Moraes.

A Justiça brasileira também reconhece situações classificadas como namoro qualificado, em que existe uma relação intensa e duradoura, eventualmente até com coabitação, mas sem a intenção presente de constituir uma família.

A diferença pode ter impacto direto sobre o patrimônio. Quando uma união estável é reconhecida e não há contrato estabelecendo outro regime, aplica-se, em regra, a comunhão parcial de bens. Nesse cenário, determinados bens adquiridos de forma onerosa durante a convivência podem integrar uma eventual partilha, respeitadas as exceções previstas em lei.

Por isso, segundo Moraes, definir previamente as regras da relação pode reduzir incertezas e evitar conflitos futuros. “Formalizar não significa prever o fim da relação. Significa deixar claras as escolhas do casal e estabelecer segurança jurídica para ambos. Muitas discussões poderiam ser evitadas se essas questões fossem tratadas antes de surgir um conflito”, afirma.

Dos vínculos com chatbots às discussões já presentes no cotidiano dos casais brasileiros, as situações são bastante diferentes, mas apontam para um mesmo desafio: o Direito precisa interpretar relações que se transformam continuamente e encontrar respostas para realidades que nem sempre chegam acompanhadas de regras prontas.

Evelise Couto – Assessoria de Imprensa

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