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Mato Grosso do Sul

Do celular guardado ao robô em movimento: escolas de MS reinventam o uso da tecnologia em sala de aula

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Lousas interativas, plataformas digitais, laboratórios e kits de robótica transformam a rotina de professores e estudantes, mostrando que a tecnologia não saiu da escola — ela ganhou propósito pedagógico.

O celular ficou guardado na mochila, mas a tecnologia não saiu da sala de aula. Em escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, ela aparece agora em lousas interativas, plataformas digitais, laboratórios de informática e robôs montados pelos próprios estudantes. A mudança, que reorganiza a forma como os recursos digitais são usados no ambiente escolar, tem transformado a rotina de professores e alunos da Rede Estadual de Ensino.

A estudante Emily de Oliveira chegou para mais uma aula na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, em Campo Grande, sem imaginar que a experiência seria diferente. O celular estava guardado, como determina a regra adotada nas unidades escolares. À frente da turma, porém, uma lousa interativa de 75 polegadas conduzia a aula. A professora abriu um mapa, depois exibiu um vídeo, apresentou um gráfico e transformou o conteúdo em uma experiência mais visual, dinâmica e participativa.

A cena ajuda a explicar uma mudança em curso na educação pública estadual. A regulamentação do uso do celular nas escolas, com a orientação de que os aparelhos permaneçam guardados e desligados durante as aulas, salvo em situações excepcionais, não significou a retirada da tecnologia do ambiente escolar. Ao contrário: abriu espaço para uma nova etapa, em que os recursos digitais deixam de disputar a atenção dos estudantes e passam a ser utilizados de forma planejada, coletiva e integrada ao currículo.

Para Emily, aluna do 3º ano do Ensino Médio, a diferença já aparece na forma como as aulas são conduzidas. “Vim de uma escola particular que ainda usava Datashow. Agora, as aulas estão mais interessantes”, afirma.

No início de 2025, quando Mato Grosso do Sul regulamentou o uso do celular nas escolas estaduais, uma pergunta passou a orientar o debate: como aumentar a atenção dos estudantes sem abrir mão das possibilidades da educação digital? A resposta veio com reorganização pedagógica, investimento em infraestrutura e ampliação do acesso a ferramentas tecnológicas dentro da própria escola.

Lousa interativa em sala de aula

No primeiro ano da nova regra, as escolas da Rede Estadual receberam mais de R$ 100 milhões em modernização da infraestrutura tecnológica, com aquisição de equipamentos, ampliação de laboratórios, renovação do parque tecnológico e implantação de plataformas digitais voltadas ao processo de ensino e aprendizagem. Na prática, o celular deixou de ser o centro da experiência em sala de aula, mas a tecnologia ganhou mais presença e mais propósito.

Hoje, o aparelho particular pode complementar atividades fora da escola, apoiar pesquisas e ser utilizado em situações específicas, sempre de forma orientada. Dentro da sala, porém, o protagonismo passou a ser de ferramentas coletivas, supervisionadas e pensadas para o aprendizado, como lousas interativas, laboratórios de informática, plataformas educacionais e kits de robótica.

Um dos pilares desse novo ambiente é a plataforma de protagonismo digital, disponível gratuitamente para os estudantes da Rede Estadual de Ensino. O espaço reúne recursos digitais de aprendizagem alinhados ao currículo e oferece aos professores materiais confiáveis para enriquecer as aulas, ampliando as possibilidades de ensino sem depender do celular de cada aluno.

Para a professora de inglês Luzimar Cristiane, a ferramenta qualifica o uso da tecnologia e ajuda a reduzir desigualdades de acesso. “É um cardápio confiável de conteúdos para enriquecer nossas aulas. Para o estudante, é a garantia de que o acesso à educação digital não depende dos celulares, depende da escola”, destaca.

A mudança também fortalece o papel do professor. Com os novos recursos, o conteúdo pode ser apresentado de diferentes formas, combinando texto, imagem, vídeo, mapas, gráficos, exercícios interativos e atividades práticas. O que antes dependia de equipamentos mais limitados ou de soluções improvisadas passa a fazer parte de um ambiente mais estruturado, em que a tecnologia é usada para ampliar a atenção, estimular a participação e aproximar o estudante do conteúdo.

A estudante Emily

Essa transformação não está restrita às salas com lousas digitais. Em diferentes municípios, a Educação Digital tem levado estudantes da Rede Estadual a experiências práticas que antes pareciam distantes da realidade da escola pública. Em Dourados, na Escola Estadual Floriano Viegas Machado, o estudante Sidney Matheus Ferraz Sanchez, do 9º ano do Ensino Fundamental, montou seu primeiro robô com apoio de professores e recursos pedagógicos.

O processo começou com peças de encaixe, sensores, motores, baterias e comandos de programação. Ao ver o robô se movimentar pela primeira vez, Sidney percebeu que o conteúdo aprendido em sala podia ganhar forma, movimento e função. “A gente começa montando e acaba criando um robô. Ele passa a se movimentar de acordo com os comandos programados e é como se ganhasse vida”, conta o estudante.

A experiência mostra como a robótica educacional tem transformado a relação dos alunos com disciplinas tradicionais. A matemática, por exemplo, deixa de aparecer apenas no quadro, no caderno e nos exercícios. Ela passa a estar também nos circuitos, nas medidas, nos testes, nos sensores, na lógica de programação, na solução de problemas e no trabalho em equipe. O aprendizado se torna mais concreto porque o estudante participa da construção do resultado.

Desde 2022, kits de robótica e ferramentas de montagem e fabricação vêm sendo incorporados às escolas estaduais como parte das ações de educação digital. Os kits são organizados em maletas com peças, motores, sensores, baterias e computadores programáveis, permitindo que os alunos desenvolvam projetos orientados por professores especialistas em práticas inovadoras. A proposta é estimular raciocínio lógico, criatividade, colaboração, resolução de problemas e contato com áreas estratégicas para o futuro, como tecnologia, engenharia, programação e inovação.

Em Aquidauana, a chegada da robótica também mudou a rotina dos estudantes da Escola Estadual Coronel José Alves Ribeiro. Até o ano passado, os alunos da unidade não tinham contato direto com esse tipo de atividade. Com a expansão dos laboratórios e das oficinas na Rede Estadual, a robótica chegou à escola em abril e, em menos de dois meses, já produziu um resultado considerado marcante para a comunidade escolar: pela primeira vez, estudantes do 5º ano foram inscritos na Olimpíada Brasileira de Robótica, a OBR 2026.

A professora Luzimar

Entre eles está Pietro Miguel da Rocha Ferreira, aluno do 5º ano do Ensino Fundamental. Para ele, o contato com a robótica abriu novas possibilidades de aprendizado e ajudou a derrubar a ideia de que esse tipo de conhecimento pertence apenas a estudantes mais velhos ou a ambientes universitários.

“Antes eu achava que a robótica era matéria de faculdade e, aqui, aprendi que é coisa de quem quer aprender. Agora, o objetivo é continuar criando e desenvolvendo”, afirma Pietro.

As histórias de Emily, Sidney e Pietro mostram diferentes faces de uma mesma transformação. Em Campo Grande, a lousa interativa prende a atenção e torna a aula mais visual. Em Dourados, o robô em movimento ajuda o estudante a compreender programação, lógica e matemática. Em Aquidauana, a chegada da oficina cria novas expectativas e leva alunos dos anos iniciais a participarem de uma olimpíada nacional de robótica.

O ponto comum entre essas experiências é a presença da tecnologia com finalidade pedagógica. O objetivo não é apenas modernizar a escola com novos equipamentos, mas garantir que esses recursos contribuam para melhorar a aprendizagem, ampliar o interesse dos estudantes e apoiar o trabalho dos professores. A tecnologia deixa de ser uma distração individual e passa a ser uma ferramenta coletiva, orientada e integrada ao cotidiano escolar.

Na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul, a restrição ao uso do celular durante as aulas abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o papel da escola na formação digital dos estudantes. A escola pública passa a assumir a responsabilidade de oferecer acesso, orientar o uso e transformar equipamentos, plataformas e laboratórios em instrumentos reais de aprendizagem.

O pequeno Pietro e seu robô

Com isso, o ambiente escolar se aproxima do mundo em que os estudantes vivem, mas com mais organização, segurança e intencionalidade pedagógica. Em vez de depender do aparelho de cada aluno, a educação digital passa a ser construída como política pública, com investimento, estrutura e acompanhamento.

O celular saiu das mãos durante a aula. Mas a tecnologia permaneceu na escola, maior, mais acessível, mais coletiva e mais conectada ao que realmente importa: ensinar melhor, aprender mais e preparar os estudantes para um futuro cada vez mais digital.

Gilberto Vargas Jr, Comunicação SED
Fotos: Gilberto Vargas Jr

Fonte: Governo MS

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Mato Grosso do Sul

Escola estadual de Corumbá se consolida como polo de ciência e tecnologia no Pantanal

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Escola pública do interior mostra que inovação não é privilégio dos grandes centros

Há escolas que falam sobre o futuro enquanto outras constroem. É o caso da Escola Estadual Dom Bosco, em Corumbá, que oferece oportunidades de aprendizagem com as melhores tecnologias educacionais disponíveis na atualidade. Com robótica, inteligência artificial, Arduino, LEGO Education e uma carreta escola equipada com 18 notebooks, a escola amplia ainda mais as possibilidades de quem estuda no coração do Pantanal.

Essa conquista foi celebrada com a cerimônia de inauguração do Espaço Maker ‘Pe. Didimo de Campos Filho’ e a chegada da Carreta Escola do Senac, na presença de autoridades, gestores, professores, estudantes e parceiros num momento que marca uma virada na trajetória dos mais de 1.600 estudantes atendidos pela unidade.

O Espaço Maker foi planejado para integrar ciência, tecnologia, engenharia e matemática, o chamado STEM, com atividades de robótica, programação, eletrônica, automação e inteligência artificial. O ambiente conta com computadores, recursos multimídia, materiais de prototipagem, arenas para treinamento de equipes de robótica e plataformas como LEGO Education, Arduino e Conecta Edutec.

Um detalhe que merece destaque, o espaço também dispõe de kits de Robótica para Inclusão, destinados a estudantes público-alvo da Educação Especial — porque inovação que exclui não é inovação.

Crianças das escola corumbaense tem acesso às melhores práticas educacionais da atualidade

IA para proteger o Pantanal

Entre os projetos desenvolvidos na escola, um chama atenção pelo propósito. O SAVIA (Sistema de Alerta e Vigilância Inteligente Ambiental) desenvolvido por estudantes do Ensino Médio Integrado ao Ensino Técnico em Informática para Internet.

O projeto usa sensores, automação e inteligência artificial para auxiliar na prevenção de atropelamentos de animais silvestres e na detecção precoce de incêndios florestais no Pantanal.

A iniciativa chegou à semifinal do programa ‘Solve for Tomorrow Brasil’ e foi contemplada pelo Pictec (Programa de Iniciação Cientifica e Tecnológica) da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia), ambos de Mato Grosso do Sul.

O SAVIA é uma conquista que prova o quanto a ciência feita por estudantes da escola pública pode e deve ter alcance nacional.

A carreta que amplia horizontes

Além do Espaço Maker, a Dom Bosco passou a contar com a Carreta Escola do Senac, uma unidade móvel moderna equipada com 18 notebooks, telas de projeção, sistema de sonorização, internet via satélite e ambiente climatizado. A parceria com o Senac amplia significativamente a capacidade de atendimento das atividades tecnológicas e de formação profissional da escola.

Equipe que integra a Carreta do Senac

Mais de 30 estudantes já participam das atividades do Clube de Robótica, desenvolvendo projetos e se preparando para competições como a OBR (Olimpíada Brasileira de Robótica). São jovens que aprendem fazendo e que já mostram que o Pantanal também é território de inovação.

A Dom Bosco se torna um dos principais polos de ciência, tecnologia e iniciação científica da região pantaneira, revelando uma educação pública de qualidade onde há planejamento e dedicação.

Um reconhecimento especial é dedicado aos professores Felipe de Oliveira e Bruno Silva, além do diretor-adjunto Elvécio Zequeto, educadores atuantes na orientação dos estudantes para o desenvolvimento do sistema de inteligência artificial para proteger o Pantanal, um dos maiores desafios do nosso tempo.

Para o diretor Fernando Cruz, a chegada da Carrega Escola do Senac representa a materialização de um compromisso coletivo para que os estudantes de Corumbá possam competir com qualquer estudante do país.

“O Espaço Maker e a Carreta do Senac chegaram para que nossos estudantes não precisem buscar outro espaço para encontrar o futuro porque ele já está aqui, dentro da Dom Bosco”, ressalta o diretor Fernando.

Gilberto Junior, Comunicação SED
Fotos: Reprodução

Fonte: Governo MS

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Mato Grosso do Sul

Funtrab participa do 3º Encontro Nacional da Rede de Observatórios do Trabalho em Brasília

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A Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab) participa do 3º Encontro Nacional da Rede de Observatórios do Trabalho, realizado entre os dias 15 e 17 de junho, no auditório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília (DF). O evento reúne gestores públicos, pesquisadores e representantes de instituições de todo o país para debater os principais desafios e perspectivas do mercado de trabalho brasileiro.

Promovido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o encontro tem como objetivo fortalecer a produção e a utilização de informações estratégicas para subsidiar políticas públicas voltadas ao emprego, à qualificação profissional e ao desenvolvimento regional.

A programação contempla debates sobre temas atuais e relevantes para o mundo do trabalho, como o cenário conjuntural do emprego, a jornada de trabalho e os impactos da digitalização das empresas. Também estão em pauta assuntos relacionados à transição ecológica, incluindo energia limpa, empregos verdes, bioeconomia, economia solidária e a promoção do trabalho justo.

Outro eixo de discussão aborda as oportunidades de desenvolvimento regional, com destaque para a produção de alimentos, o fortalecimento do mercado interno, a soberania alimentar e os investimentos em infraestrutura básica como instrumentos de geração de emprego e renda.

Durante o evento, os participantes acompanham ainda o lançamento do novo site do Observatório Nacional do Mercado de Trabalho e da quinta edição da Revista Observatório do Trabalho Brasileiro. A programação inclui oficinas voltadas ao uso do Painel de Indicadores da Rede de Observatórios do Trabalho e à captação de recursos para projetos de assessoramento estatístico.

O economista Thiago Henrique Evangelista Segovia, do Observatório do Trabalho de Mato Grosso do Sul da Funtrab, destacou que o 3º Encontro proporcionou uma importante troca de experiências entre observatórios estaduais, órgãos federais e instituições de pesquisa. “Os debates sobre metodologias, uso de dados, monitoramento de políticas públicas e temas como empregos verdes, bioeconomia e transformação digital ampliaram o conhecimento técnico dos participantes. Os aprendizados e conexões institucionais fortalecem a atuação do Observatório do Trabalho de MS e contribuem para a produção de informações estratégicas que apoiam a formulação de políticas públicas voltadas ao emprego, renda e desenvolvimento econômico”, ressalta.

A participação da Funtrab reforça o compromisso do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul com o acompanhamento das transformações do mercado de trabalho e com a construção de políticas públicas baseadas em dados, evidências e boas práticas, contribuindo para ampliar as oportunidades de emprego e promover o desenvolvimento sustentável no Estado.

Cláudia Yuri, Comunicação Funtrab

Fonte: Governo MS

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