Mato Grosso do Sul
MS avança no enfrentamento ao racismo com entrega de instrumento técnico construído em rede
Após quase um ano de trabalho articulado entre instituições públicas e sociedade civil, o GTI (Grupo de Trabalho Interinstitucional) FortaleSer, da Rede de Enfrentamento ao Racismo, apresentou como resultado das atividades o Instrumento Técnico da Rede de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa. O material foi construído ao longo de 2025 com o objetivo de orientar, de forma prática, a atuação do Estado e dos municípios diante de situações de discriminação racial e religiosa.
O documento foi apresentado no painel que encerrou a programação dos 21 Dias de Ativismo pelo Enfrentamento à Intolerância Religiosa, realizado no dia 20 de março, na SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), marcando um momento simbólico de síntese e compromisso com o fortalecimento das políticas públicas na área.

Instituído no primeiro semestre de 2025, o GTI é coordenado pela Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, vinculada à SEC, e tem como missão prevenir, enfrentar e erradicar todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata, promovendo a igualdade de direitos e oportunidades para todas as populações étnico-raciais.
A iniciativa reúne representantes de diversas secretarias estaduais, como Saúde (SES), Educação (SED) e Justiça e Segurança Pública (Sejusp), além do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e de instituições de ensino superior, como a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Também integram a rede grupos e organizações que representam os movimentos negros no Estado, ampliando o diálogo e a construção coletiva das ações.

Guia para atuação integrada
Com 37 páginas, o instrumento técnico funciona como um guia prático para gestores públicos, profissionais da rede de proteção e representantes da sociedade civil. O documento apresenta diretrizes para organizar e fortalecer a Rede de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa em Mato Grosso do Sul, com orientações que vão desde o acolhimento das vítimas até o encaminhamento e o monitoramento dos casos.
Entre os principais pontos, o material reúne a finalidade da rede, seus princípios e fundamentos legais, além de conceitos essenciais para a compreensão do racismo e da intolerância religiosa. Também detalha a estrutura de atuação integrada entre áreas como saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de justiça.
O documento traz ainda orientações práticas para atuação nos territórios, fluxos de atendimento diante de denúncias e recomendações para que os municípios implementem ou aprimorem suas redes locais, respeitando as diferentes realidades.
Construção coletiva e atuação na ponta

Durante a apresentação do guia, o subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, Deividson Silva, destacou o papel da Rede Fortalecer, formada por instituições governamentais e não governamentais, como um dos principais desdobramentos do programa “MS sem Racismo”.
“Nesse quase um ano de atuação, a rede chegou aos municípios, à ponta, enfrentando o racismo de forma concreta. Um dos grandes desafios era construir esse instrumento técnico, que é uma cartilha, um manual que orienta a sociedade sobre a política de combate ao racismo e à intolerância religiosa”, explicou.
Segundo ele, o material sistematiza a atuação das diferentes áreas, apresenta a classificação das formas de racismo, reúne dispositivos legais, tipos de violência e indica os canais de denúncia disponíveis para a população.
Avanços institucionais e mudança de cultura
Colaborador do GTI, o delegado da Polícia Civil, Fabrício Dias dos Santos, ressaltou que o trabalho em rede tem promovido mudanças importantes dentro das instituições, especialmente na área da segurança pública.
“Hoje já adequamos a linguagem: não falamos mais apenas em injúria racial, mas em racismo na modalidade injúria racial. Pode parecer pouco, mas isso tem um impacto muito grande na sociedade”, afirmou.
Ele também destacou a criação de protocolos de atendimento voltados à população negra, indígena e cigana, além da inclusão de uma disciplina específica sobre enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa na formação de novos policiais civis. “É uma mudança de postura institucional, que mostra que a Polícia Civil está voltando os olhos para essa questão”, completou.
Representando a SED (Secretaria de Estado de Educação) no GTI, a vice-presidente do Cedine (Conselho Estadual dos Direitos do Negro), Myla Meneses, enfatizou que a atuação em rede fortalece as ações dentro das escolas.
“Hoje já conseguimos diferenciar, inclusive nos sistemas de denúncia, que racismo não é bullying. São coisas distintas, e isso já está disciplinado. Também estamos construindo um protocolo antirracista para as escolas e uma campanha de identidade étnico-racial, para que os estudantes possam se reconhecer e, a partir disso, construir um ambiente com menos racismo e mais respeito”, afirmou.

No âmbito municipal, a representante do Núcleo de Promoção da Igualdade Racial de Campo Grande, Giselle dos Santos, destacou que o desafio é ampliar o debate para além das datas simbólicas.
“Estamos trabalhando para que o racismo seja discutido no dia a dia, dentro das secretarias, com capacitação de servidores e ações contínuas. A participação na rede tem fortalecido esse processo e ajudado o município a avançar”, disse.
Política estruturada e olhar para os territórios
Encerrando a apresentação, a técnica da Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Irineia Cesário, reforçou que o programa “MS sem Racismo” integra uma série de iniciativas estruturantes.
“Esse programa reúne uma luta histórica. E, junto com ele, temos o plano de ação antirracista, que vai efetivar essas políticas. Nosso desafio é ampliar esse olhar para diferentes populações, incluindo comunidades quilombolas, além da população urbana”, destacou.
Para visualizar o guia completo, clique aqui.
Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Foto de capa: Matheus Carvalho/SEC
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Juruva é instituída ave símbolo da Mata Atlântica em MS e fortalece agenda de conservação e aviturismo
Mato Grosso do Sul instituiu a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica no Estado. A medida foi oficializada com a sanção da Lei nº 6.563/2026 e representa um avanço na valorização da biodiversidade, além de reforçar políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento do turismo de natureza.
A legislação estabelece que o reconhecimento da espécie tem como objetivos promover a biodiversidade sul-mato-grossense, incentivar ações de educação ambiental, estimular o turismo de observação de aves e a pesquisa científica, além de ampliar a conscientização da população sobre a importância da preservação da Mata Atlântica e de seus habitats.
A escolha da juruva é resultado de um processo participativo que mobilizou instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil. A proposta foi apresentada pela Frente Parlamentar de Unidades de Conservação durante reunião realizada na Assembleia Legislativa em 27 de maio de 2025, data em que se celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica. O resultado da consulta pública foi divulgado em 5 de junho, no Dia Mundial do Meio Ambiente.
A sanção da lei ocorre em um momento estratégico, logo após a realização da COP15 em Mato Grosso do Sul, reforçando o protagonismo do estado nas discussões globais sobre conservação da biodiversidade.
A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul teve atuação desde a construção da proposta. Segundo Edson Moroni, gerente de Estruturação e Inovação da Oferta Turística da Fundtur, a iniciativa fortalece o posicionamento do estado no turismo de natureza. “A Fundação de Turismo participou ativamente desde o início da construção dessa iniciativa. Estamos felizes em ver esse passo se concretizando, fortalecendo a valorização da biodiversidade e do turismo de natureza no estado”.
Para o diretor de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur MS, Geancarlo Merighi, a medida reforça o papel da gestão pública na consolidação do segmento. “A escolha da ave símbolo reforça a valorização da identidade local e o papel da gestão pública na consolidação do segmento de observação de aves como vetor de desenvolvimento sustentável”.
A nova legislação também prevê que o Poder Executivo poderá adotar medidas complementares para promover a imagem da espécie em campanhas educativas, materiais institucionais e eventos ambientais.
Para Ana Luzia Abrão, gestora da RPPN Ernesto Vargas Baptista, localizada no município de Eldorado, a aprovação reflete o esforço coletivo de diferentes atores. “Essa aprovação mostra a união de diversas instituições em prol da valorização de uma espécie emblemática da nossa fauna. Destaco o papel da Fundação de Turismo, das IGRs, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, do Imasul, das RPPNs, das prefeituras e das organizações locais”.
Na avaliação de José Lucas, operador turístico e executivo da Instância de Governança Vale das Águas, a iniciativa representa um marco para o setor. “Essa ação foi fundamental para valorizar o segmento de turismo de observação de aves. Houve uma mobilização importante de diversos atores, e entendemos que fortalecer esse segmento é estratégico para o desenvolvimento sustentável do território”.
A iniciativa também se conecta a ações estruturantes já em andamento. Recentemente, a Fundação de Turismo, em parceria com a IGR Vale das Águas e o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), lançou uma rota de observação de aves em Unidades de Conservação da Mata Atlântica, ampliando as oportunidades para o aviturismo na região.
Mato Grosso do Sul possui cerca de 6,3 milhões de hectares inseridos no bioma Mata Atlântica, abrigando a maior área contínua preservada desse bioma no interior do Brasil. Desse total, mais de 1 milhão de hectares estão em unidades de conservação, como o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, além de reservas particulares e áreas municipais protegidas.
A Juruva é uma espécie típica da Mata Atlântica e conhecida por sua beleza singular, comportamento discreto e importância ecológica, sendo considerada um importante indicador da qualidade ambiental dos ecossistemas florestais.
Com a instituição da juruva como ave símbolo, o estado reforça seu posicionamento como destino estratégico para o turismo de natureza, integrando conservação ambiental, pesquisa científica, educação e desenvolvimento econômico.
Débora Bordin, Comunicação Fundtur MS
*com informação da Gerência de Estruturação e Inovação da Oferta Turística
Foto destaque: Geancarlo Merighi
Internas: divulgação @visitmsoficial e Leonardo Casadei
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Fórum das Juventudes reúne jovens de sete municípios e consolida 40 propostas para o Plano Estadual
Com escuta ativa, protagonismo juvenil e construção coletiva, o Fórum das Juventudes reuniu 172 participantes, entre jovens e gestores públicos, na última sexta-feira (27), no Complexo Multiuso da UFMS, em Campo Grande, como parte da programação do Festival da Juventude 2026.
Vindos de diferentes territórios de Mato Grosso do Sul, como Campo Grande, Nioaque, Figueirão, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Água Clara e Corumbá, os jovens participaram de uma tarde de diálogos, trocas e construção de propostas que irão subsidiar a atualização do Plano Estadual da Juventude.

A atividade integrou o Circuito da Juventude, iniciativa que percorreu diversas regiões do Estado promovendo escuta qualificada e participação social. Ao todo, o Fórum resultou na consolidação de 40 propostas, organizadas em cinco eixos temáticos: Educação, Profissionalização, Trabalho e Renda; Cultura, Esporte e Lazer; Participação Social, Diversidade e Igualdade; Sustentabilidade, Meio Ambiente, Território e Mobilidade; e Saúde Mental.
“O fórum faz parte de um circuito. A gente passou por sete regiões realizando essas escutas e o Conselho esteve presente em todos os momentos. Tudo isso que está acontecendo aqui, dentro do festival, é fruto de uma construção coletiva e de parceria. E não é um espaço para elogios, mas de debate e construção de participação social”, destacou o subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz.

A abertura do encontro foi marcada por uma apresentação cultural de rap, construída a partir de uma nuvem de palavras elaborada pelos próprios participantes com a temática “o que é ser jovem?”. A intervenção artística trouxe para o centro do debate as vivências e percepções da juventude presente, fortalecendo o sentimento de pertencimento e identidade coletiva.
Durante a programação, os participantes foram divididos em grupos de trabalho, com mediação especializada, para discutir desafios e apontar soluções a partir de suas realidades. Cada grupo elencou, pelo menos, três propostas prioritárias, posteriormente apresentadas em plenária.

Para a presidente do Conselho Estadual de Juventude, Isabela Nantes, o espaço foi pensado para garantir voz ativa aos jovens. “Esse é um espaço para vocês falarem, questionarem, colocarem suas demandas. A gente precisa discutir acesso ao esporte, oportunidades de trabalho e construir metas reais. E isso também passa por orçamento, por garantir que a política pública de juventude tenha recursos para acontecer”, afirmou.
A secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, reforçou a importância de reconhecer e aproveitar as oportunidades. Em um relato pessoal, ela compartilhou sua trajetória marcada por desafios e destacou o papel da educação e das políticas públicas na transformação de vidas.
“Às vezes, a gente fecha os olhos para aquilo que pode mudar a nossa vida. Hoje, vocês têm a oportunidade de construir um plano que não é para ficar no papel, mas para transformar realidades, nas escolas públicas, nas periferias, nas comunidades indígenas e ribeirinhas”, afirmou.
Viviane Luiza também destacou o investimento do Governo do Estado no fortalecimento da participação estudantil, com repasses financeiros para grêmios escolares. “A participação da juventude dentro do governo começa na escola, na comunidade. É ouvindo vocês que a gente constrói políticas públicas mais justas e efetivas”, completou.
Vozes da juventude

Entre os participantes, a estudante Thallysa Antero de Luna, de 17 anos, moradora do bairro União, destacou a importância de contribuir com ideias para o futuro. “Isso pode complementar na melhora da cidade, da infraestrutura. É muito útil poder participar, porque são várias opiniões e isso pode melhorar futuramente”, afirmou.

Do município de Ribas do Rio Pardo, o estudante Jhoseff Gabriel, de 16 anos, da Escola Estadual Maria Ramos, também ressaltou o valor de ser ouvido. “Acho que pode ser gratificante para algumas pessoas poder se expressar, se libertar. Às vezes, o que falta para a juventude é mais educação”, disse.
Já o jovem Samuel Bobson, estudante do IFMS, chamou atenção para a necessidade de ampliar o acesso à cultura e aos espaços públicos.

“A gente ficou muito preso nas telas e agora que pode sair, muitas vezes não tem o que fazer. É preciso levar ações para as praças, dar espaço para artistas, grupos de teatro. A arte não precisa de milhões para acontecer, ela precisa de oportunidade. A gente precisa de palco para poder brilhar”, defendeu.
Ao final do encontro, as 40 propostas sistematizadas passam a compor um conjunto de subsídios técnicos e políticos que irão orientar a elaboração do novo Plano Estadual da Juventude, com foco em maior aderência às realidades contemporâneas das juventudes sul-mato-grossenses.
Além da construção de propostas, o encontro fortaleceu a articulação entre poder público, conselho de juventude e lideranças locais, consolidando o Fórum como um espaço estratégico de participação cidadã e de desenvolvimento do senso crítico e do engajamento político entre jovens.



Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania
Fotos: Paula Maciulevicius/SEC
Fonte: Governo MS
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