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Pecuária pode reduzir emissões de metano sem perder produtividade

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Produzido naturalmente no processo de digestão dos bovinos, o metano é um dos principais gases de efeito estufa. Apesar de permanecer menos tempo na atmosfera que o dióxido de carbono (CO₂), o impacto do metano é muito mais forte no curto prazo: cerca de 28 vezes maior em potencial de aquecimento global. Por isso, a redução desse gás vem se tornando prioridade nas políticas ambientais do Brasil e do mundo.

Durante a COP26, em 2021, o Brasil se comprometeu a diminuir suas emissões, e agora, na COP 30 que começou nesta segunda-feira (10.11) a pecuária está de volta ao centro dessa discussão. No entanto, longe de ser vilã, a atividade vem mostrando que pode ser parte da solução.

Em Bagé (RS), no coração do bioma Pampa, a Embrapa Pecuária Sul realiza um trabalho pioneiro que busca identificar animais com menor emissão de metano. Em três anos de estudos, já foram avaliados mais de 400 exemplares das raças Hereford, Braford, Angus, Brangus e Charolês — todas amplamente criadas no Sul e em outras regiões do país.

Os resultados têm animado os pesquisadores: é possível reduzir as emissões sem comprometer a produtividade. A combinação de genética, nutrição e manejo de pastagens vem mostrando resultados promissores e deve ser apresentada na COP30, que ocorrerá no Brasil em 2025. O foco é mostrar que a pecuária pode, sim, ser uma aliada na mitigação das mudanças climáticas.

Um dos avanços mais interessantes é o uso da genética. A Embrapa vem montando um banco de dados que permite selecionar reprodutores com base também na emissão de metano. Em testes, a diferença entre os animais foi significativa: o touro menos eficiente chegou a emitir 532,5 gramas de metano por dia, enquanto o mais eficiente liberou apenas 128 gramas, nas mesmas condições de alimentação. Isso mostra que a seleção genética pode fazer enorme diferença no impacto ambiental da atividade.

A estimativa dos pesquisadores é de que o melhoramento genético sozinho possa reduzir entre 30% e 40% das emissões. Já o manejo adequado de pastagens e a nutrição de qualidade podem contribuir com outros 30%. O próximo passo do projeto é levar esse monitoramento para fazendas particulares, a fim de testar os resultados em escala real.

Outro ponto importante é o manejo do pasto. Estudos da Embrapa mostram que a altura da pastagem influencia diretamente na emissão de gases. Um exemplo é o azevém, cujo ponto ideal de pastejo é de cerca de 20 centímetros. Quando o pasto é mantido nessa altura, a emissão de metano pode cair até 30% em relação aos índices padrão utilizados pelo IPCC, órgão da ONU que calcula as emissões globais. Isso mostra que, além de alimentar bem o rebanho, o produtor também precisa “alimentar bem” o solo.

As informações coletadas estão sendo usadas pelo governo do Rio Grande do Sul para atualizar os inventários de gases do Estado, que servirão de base para relatórios internacionais. De acordo com a Embrapa, os números atuais do IPCC superestimam as emissões do rebanho brasileiro: enquanto o órgão calcula cerca de 56 quilos de metano por animal/ano, medições locais indicam algo entre 38 e 40 quilos.

Fora do Sul, outras instituições também estão avançando. Em São Paulo, o Instituto de Zootecnia (IZ-SP) passou a incluir em 2025, pela primeira vez, um indicador genético específico para a emissão de metano em seu Sumário da raça Nelore — que representa cerca de 80% do rebanho nacional. Os experimentos do instituto mostram que touros selecionados para eficiência alimentar geram descendentes que consomem menos ração e emitem menos gás, sem perda de peso ou de ganho médio diário. Em confinamentos de 90 dias, isso pode representar economia de duas toneladas de alimento e redução de 500 quilos de metano a cada mil animais.

Os números podem parecer pequenos isoladamente, mas ganham escala em um país com mais de 230 milhões de cabeças de gado. Além disso, animais mais eficientes chegam ao peso de abate mais cedo, o que significa menos tempo emitindo gases na atmosfera. A redução da idade de abate é, portanto, outro caminho importante para tornar a pecuária mais sustentável.

Hoje, o confinamento emite entre 160 e 170 gramas de metano por animal/dia, mas esse número varia conforme a dieta, o manejo e a genética. A pesquisa brasileira vem testando novas formulações alimentares, incluindo aditivos e óleos naturais, para tornar a digestão mais eficiente e reduzir as perdas em forma de gás.

Os especialistas reforçam que o segredo está na intensificação sustentável da produção — ou seja, fazer mais com menos. Isso significa aumentar a taxa de prenhez, garantir um bezerro por vaca a cada ano, melhorar a recria e o ganho de peso, e antecipar o abate para 24 meses ou menos. O objetivo é otimizar todo o ciclo, reduzindo o impacto ambiental sem diminuir a renda do produtor.

O Brasil tem um dos maiores potenciais do mundo para combinar produtividade e sustentabilidade na pecuária. Com tecnologia, manejo adequado e genética de ponta, o setor pode não só atender às exigências ambientais internacionais, mas também abrir novas oportunidades de mercado para a carne nacional — valorizando quem produz de forma eficiente e responsável.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Centro de inovação mira avanço da produção brasileira de azeite de oliva

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O Rio Grande do Sul, responsável por mais de 80% da produção brasileira de azeite de oliva, começou a estruturar um novo movimento para fortalecer tecnicamente a olivicultura nacional. A criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura pretende ampliar estudos sobre adaptação climática, produtividade e qualidade dos azeites produzidos no estado, em uma tentativa de reduzir a instabilidade causada pelas variações do clima e consolidar a cadeia produtiva no país.

A iniciativa reúne universidades, governo estadual e produtores rurais em uma parceria articulada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura. O protocolo foi assinado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em Triunfo, e envolve a participação da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, além de secretarias estaduais ligadas à inovação e agricultura.

O projeto surge em um momento de expansão da olivicultura brasileira, mas também de crescente preocupação com os efeitos climáticos sobre a produção. O Rio Grande do Sul concentra praticamente toda a produção comercial de azeite extravirgem do país, porém enfrenta oscilações frequentes de safra provocadas por estiagens, excesso de chuva, geadas e variações térmicas durante períodos críticos do desenvolvimento das oliveiras.

Nos últimos anos, o estado ganhou reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites produzidos localmente. Marcas gaúchas acumulam premiações em concursos internacionais, especialmente pela qualidade sensorial dos azeites extravirgens produzidos em regiões da Campanha, Serra do Sudeste e fronteira oeste gaúcha. Apesar disso, o setor ainda busca estabilidade produtiva para consolidar escala comercial.

A proposta do novo centro é justamente aproximar ciência e produção rural. A estrutura deverá atuar em pesquisas voltadas à adaptação de cultivares ao clima gaúcho, manejo de olivais, controle fitossanitário, qualidade industrial, certificação de origem e desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar produtividade e reduzir perdas.

Segundo lideranças do setor, um dos principais gargalos da olivicultura brasileira ainda está dentro da porteira. A produção nacional de azeite continua pequena frente ao consumo interno, que depende majoritariamente de importações vindas de países como Portugal, Espanha e Argentina. O Brasil consome mais de 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional representa apenas uma fração desse volume.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Projeto bilionário de porto quer disputar exportações do agronegócio no Nordeste

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O Porto Piauí busca consolidar uma nova rota logística para o agronegócio brasileiro em um momento em que o Matopiba amplia produção, industrialização e pressão por corredores de exportação fora do eixo tradicional do Sul e Sudeste. As negociações em andamento para movimentar fécula de mandioca, trigo e grãos pelo terminal de Luís Correia revelam a estratégia do estado de transformar o litoral piauiense em plataforma de integração entre produção agrícola, indústria e comércio exterior.

O projeto ganhou força após o Governo do Piauí anunciar previsão de mais de R$ 7 bilhões em investimentos até 2030 ligados à estrutura portuária, hidrovia, logística e expansão operacional do terminal. Nesta semana, o estado realizou em Luís Correia o seminário “Porto Piauí e Hidrovia do Parnaíba: avanços e resultados”, marcado também pela inauguração do Cais Multipropósito e da nova sede administrativa do porto.

A dimensão dos investimentos ajuda a explicar a aposta do governo estadual. Somente as obras de urbanização, cercamento, sistemas de alfandegamento e rede elétrica somam cerca de R$ 60 milhões. O aprofundamento e manutenção do canal devem receber outros R$ 250 milhões. Há ainda recursos previstos para sinalização náutica, participações societárias e implantação de uma unidade de beneficiamento de pescado.

O avanço da infraestrutura ocorre em meio ao crescimento da produção agrícola no estado. O Piauí colheu mais de 6 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas oficiais, puxado principalmente por soja e milho produzidos no cerrado do sul do estado. Apesar da expansão, boa parte dessa produção ainda depende de longas rotas rodoviárias até portos de outros estados, elevando custos logísticos e reduzindo competitividade.

A aposta agora é criar uma estrutura capaz de absorver tanto cargas agrícolas quanto produtos industrializados ligados ao agro. Entre as empresas que avaliam operar pelo terminal está a Delta Brazilian Starch, instalada na Zona de Processamento de Exportações (ZPE) de Parnaíba. A indústria recebeu investimento estimado em R$ 40 milhões e foi projetada para processar inicialmente 300 toneladas de mandioca por dia.

A operação mira um mercado em expansão. O Brasil produz cerca de 500 mil toneladas de fécula de mandioca por ano, concentradas principalmente no Paraná e Mato Grosso do Sul. No Nordeste, a produção industrial ainda é limitada, apesar da forte presença da mandioca na agricultura regional. Segundo dados do setor, aproximadamente 95% da fécula consumida no Piauí ainda vem de estados do Sul do país.

A estratégia da indústria instalada em Parnaíba é justamente inverter esse fluxo: utilizar mandioca produzida localmente para abastecer mercados nacionais e exportar parte da produção. A estimativa é que a cadeia gere cerca de 500 empregos diretos e indiretos, envolvendo produtores rurais, transporte, armazenagem e serviços ligados ao processamento industrial.

O porto também negocia operações com a Moinhos Piauí, que busca estruturar uma rota de cabotagem para importação de trigo. O cereal é praticamente todo trazido de outras regiões do país ou do exterior, principalmente Argentina e Paraguai. Hoje, a dependência de transporte terrestre encarece o abastecimento da indústria moageira nordestina.

A cabotagem aparece como alternativa para reduzir custos logísticos em um setor pressionado por frete elevado. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a navegação de cabotagem movimentou 303,7 milhões de toneladas no Brasil em 2025, alta de 3,4% sobre o ano anterior. O governo federal e operadores privados veem o modal como peça-chave para reduzir a concentração do transporte rodoviário no país.

Em paralelo às negociações comerciais, o Porto Piauí tenta acelerar sua estruturação física. Durante a Intermodal South America 2026, a CS Infra apresentou estudos para implantação de um terminal de grãos em Luís Correia. A empresa já opera a Rodovia Transcerrados, principal corredor de escoamento da produção agrícola do sul do Piauí.

Os estudos analisam desde acesso rodoviário até operações de embarque e integração logística com o Matopiba, região que reúne áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por uma das maiores expansões agrícolas do país nas últimas décadas.

Outra frente em andamento envolve a implantação de um terminal de cargas gerais pela CNAGA – Armazéns Gerais Alfandegados. O projeto prevê investimento inicial de R$ 21 milhões em uma área de 27 mil metros quadrados voltada à movimentação de contêineres e cargas diversas.

Embora ainda opere em escala reduzida, o terminal de Luís Correia é tratado pelo governo estadual como peça estratégica para mudar a dinâmica econômica do estado. A avaliação no setor é que o porto pode reduzir custos de exportação, atrair agroindústrias e ampliar a competitividade da produção agrícola piauiense, especialmente em cadeias de maior valor agregado.

Na prática, o desafio vai além da infraestrutura portuária. Especialistas apontam que o sucesso do projeto dependerá da capacidade de consolidar volume de cargas, atrair operadores logísticos e criar integração eficiente entre produção, armazenagem e transporte. Sem escala, o custo operacional tende a limitar a competitividade frente a portos já consolidados do Arco Norte e do Sudeste.

Fonte: Pensar Agro

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