Agronegócios
Bloqueio de R$ 445 milhões no seguro rural preocupa setor e pode afetar próxima safra
A possível suspensão de R$ 445 milhões do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) acendeu um sinal de alerta no setor agropecuário brasileiro e causou alvoroço nesta sexta-feira (20.06). A informação, ainda sem confirmação oficial por parte do governo federal, preocupou seguradoras, lideranças do setor agrícola e produtores rurais diante dos impactos que a medida pode gerar, especialmente sobre o planejamento da próxima safra de verão.
A subvenção ao seguro rural é considerada uma das principais ferramentas de proteção contra perdas causadas por eventos climáticos extremos. O programa subsidia parte do valor dos prêmios pagos pelos agricultores na contratação de seguros, garantindo acesso à cobertura principalmente para pequenos e médios produtores que não têm condições de arcar com o custo integral da proteção.
Segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), caso o bloqueio se confirme, o PSR pode sofrer um forte retrocesso. Nos últimos anos, a área segurada no país já foi reduzida pela metade — de 14 milhões de hectares em 2023 para 7 milhões em 2024 — e a estimativa, com o novo cenário, é que esse número caia para menos de 5 milhões de hectares em 2025.
O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende (foto), também manifestou preocupação. Para ele, a eventual contenção do orçamento compromete diretamente a política pública de estímulo à resiliência do campo. “O bloqueio no orçamento do seguro rural, se confirmado, é profundamente preocupante. O PSR é uma ferramenta essencial de proteção para o agricultor brasileiro, sobretudo em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais frequentes e severas. Sem essa subvenção, milhares de produtores, principalmente os de menor porte, ficam completamente expostos ao risco de perdas, o que compromete não só a produção, mas toda a cadeia do agronegócio”, afirmou Rezende.
Ele destacou que a redução na área segurada nos últimos anos já acende um alerta importante. “Saímos de 14 para 7 milhões de hectares segurados em apenas um ano. Se esse bloqueio for mantido, a tendência é de nova retração, e podemos chegar a níveis críticos. Isso compromete a capacidade de recuperação do produtor em caso de intempéries, afeta o crédito rural e enfraquece a estabilidade econômica do campo”.
“O agronegócio precisa de previsibilidade e de instrumentos sólidos de gestão de risco. Um corte dessa magnitude, feito sem diálogo e sem comunicação oficial, demonstra falta de sensibilidade com quem produz. O impacto não será apenas no campo, mas em toda a economia nacional, já que o setor é responsável por mais de um quarto do PIB brasileiro. Precisamos urgentemente de responsabilidade e compromisso com o produtor rural”, disse o presidente do Instituto.
Ainda segundo Rezende, o momento exige diálogo e clareza por parte do governo. “Um corte dessa magnitude, feito sem comunicação prévia, demonstra falta de sensibilidade com quem produz. O impacto não será apenas no campo, mas em toda a economia nacional, já que o setor representa uma fatia significativa do PIB brasileiro”, pontuou.
A proposta das seguradoras é reforçar o orçamento do programa. Um pedido de dotação adicional de R$ 2,8 bilhões foi encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com objetivo de manter a estabilidade do seguro rural e evitar um colapso na cobertura já fragilizada. A expectativa do setor é que, mesmo com o cenário fiscal desafiador, haja espaço para a construção de uma solução que garanta a continuidade do programa.
Experiências internacionais mostram que a adoção de políticas sólidas de apoio ao seguro rural é estratégica para garantir segurança alimentar, estabilidade produtiva e gestão de risco no campo. Nos Estados Unidos e na Europa, o seguro é um instrumento consolidado, com forte presença pública e alto alcance entre os agricultores.
Por ora, produtores e entidades seguem aguardando um posicionamento oficial por parte do governo federal, especialmente no contexto da construção do novo Plano Safra, previsto para ser anunciado nas próximas semanas.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
ExpoCarpina começa amanhã com mais de 1,5 mil animais e foco em negócios
A 47ª edição da ExpoCarpina começa nesta quarta-feira (22.04), em Carpina (cerca de 50 km da capital, Recife), em Pernambuco, reunindo pecuaristas e empresas do setor em uma das principais vitrines da agropecuária da Mata Norte pernambucana. O evento segue até o dia 26, no Parque de Exposições Senador Paulo Guerra, com entrada gratuita e programação voltada à geração de negócios, difusão de tecnologia e melhoramento genético.
Organizada pela Associação dos Criadores da Mata Norte de Pernambuco, a feira deve reunir mais de 1.500 animais entre bovinos e equinos, além de atrair criadores de diferentes estados do Nordeste. A expectativa é repetir — e superar — o volume das edições anteriores, que já ultrapassaram a marca de 4 mil animais comercializados.
A agenda inclui leilões, provas zootécnicas e atividades técnicas. Entre os destaques está o leilão com foco em cria, recria e engorda, além do 2º Leilão Carpina Quarter Horse, voltado à raça Quarto de Milha. Na programação de pista, estão previstas provas de três tambores e julgamentos de Mangalarga Marchador, que tradicionalmente movimentam o setor de equinos na região.
Além da parte comercial, a ExpoCarpina mantém o eixo técnico com palestras, oficinas e rodadas de negócios, voltadas à capacitação do produtor e à integração com empresas do setor. A feira também conta com exposição de máquinas, insumos e serviços ligados à produção agropecuária.
Realizada em uma região com forte presença da pecuária, a ExpoCarpina se consolidou como ponto de articulação do setor na Mata Norte, com impacto direto sobre a economia local, seja pela comercialização de animais, seja pela movimentação de fornecedores e prestadores de serviço.
Serviço
ExpoCarpina 2026
📅 22 a 26 de abril
📍 Parque de Exposições Senador Paulo Guerra — Carpina (PE)
Fonte: Pensar Agro
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