Mato Grosso do Sul
Saúde de MS avança com inauguração de UCO e plano de regionalização no Estado
O Governo do Estado deu passos significativos na regionalização da saúde em 2024. Entre as iniciativas de destaque, está a inauguração da UCO (Unidade Coronariana) do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas. Entregue em 21 de novembro, a UCO conta com 10 leitos de UTI e capacidade para atender até 125 pacientes por mês, representando um marco no atendimento a emergências cardíacas na região leste do estado.

Com investimento de R$ 1,05 milhão, a unidade dispõe de uma equipe multidisciplinar e tecnologia moderna para tratar pacientes com problemas cardíacos graves. A estrutura tem como objetivo principal reduzir o tempo de espera por atendimento especializado, salvar vidas e evitar deslocamentos para centros maiores, como Campo Grande. A UCO integra um esforço contínuo para consolidar o hospital como referência em alta complexidade na região.
A regionalização hospitalar também ganha impulso com o Plano de Regionalização Hospitalar do Estado, que busca descentralizar atendimentos de média e alta complexidade. O projeto prevê a criação de “cinturões de saúde”, permitindo que pacientes sejam tratados em suas regiões de origem. Em Coxim, por exemplo, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) trabalha para fortalecer o Hospital Regional Dr. Álvaro Fontoura Silva, ampliando serviços como ortopedia e urologia, enquanto Nova Andradina, Paranaíba e Cassilândia também já foram contempladas com ações estratégicas.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, o objetivo é reorganizar a rede de saúde, promovendo equidade no acesso e desafogando os grandes centros urbanos. Ele ressaltou que o projeto prioriza atendimentos especializados e inclui serviços essenciais, como cardiologia, oncologia e cuidados neonatais.
A expansão da saúde em Mato Grosso do Sul tem gerado resultados concretos. Em Três Lagoas, a UCO reduziu as transferências para Campo Grande em 40%. Este avanço se torna ainda mais significativo no contexto de uma expansão econômica que tem impulsionado o aumento populacional da cidade e regiões vizinhas. A transformação social e econômica da área trouxe a necessidade de um suporte médico adequado para atender a essa nova realidade.
As ações integram uma estratégia ampla que alia investimentos em infraestrutura, equipamentos modernos e qualificação de equipes médicas, reafirmando a regionalização como a base da saúde pública no estado.
Kamilla Ratier, Comunicação SES
Fotos: Divulgação SES
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Crescer e distribuir: a nova agenda do desenvolvimento em Mato Grosso do Sul
Empreendedorismo, investimentos e qualificação conectam o crescimento econômico às oportunidades, à renda e à melhoria da qualidade de vida dos sul-mato-grossenses
A trajetória da empreendedora Marlene Alzira Teixeira Andrade, de 49 anos, ajuda a ilustrar uma transformação que se repete em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul: pequenos negócios que surgem dentro de casa, ganham mercado, se profissionalizam e ampliam sua contribuição para a economia local.
Há dez anos, a produção da Lene Salgados acontecia na cozinha da família, com uma pequena panela que permitia fritar apenas dez salgados por vez. O que começou como uma alternativa para complementar a renda evoluiu para uma empresa estruturada, equipada com fritadeira industrial, masseira, modeladora, freezers e espaço próprio para produção.
O caminho até essa expansão não foi simples. Em 2021, Lene recebeu o diagnóstico de câncer de mama e precisou enfrentar dois anos de tratamento. Durante esse período, contou com o apoio da família para manter a empresa em funcionamento. A filha assumiu parte da produção enquanto a empreendedora conciliava a recuperação da saúde com a gestão do negócio.
Antes de se dedicar integralmente à empresa, ela trabalhava em um supermercado da cidade. O incentivo decisivo veio do marido, José Erivaldo, que investiu na compra de um freezer para ampliar a capacidade de produção e ajudar a transformar o empreendimento em uma atividade permanente.
Com o aumento das vendas, vieram novos investimentos em equipamentos, qualificação e gestão. A empreendedora deixou de atuar como Microempreendedora Individual (MEI) e migrou para o Simples Nacional, adotando uma estrutura empresarial mais robusta.

Hoje, a empresa conta com acompanhamento contábil, planejamento de crescimento e apoio de instituições como o Sebrae e a Sala do Empreendedor. A produção, que no início alcançava cerca de três mil salgados, chegou à marca de 15 mil unidades, enquanto o cardápio passou a incluir produtos gourmet para atender às novas demandas do mercado.
Além de contratar diaristas nos períodos de maior movimento, Lene já planeja ampliar a equipe de forma permanente. Para ela, empreender significa mais do que vender produtos, é gerar renda, criar oportunidades e construir relações duradouras com os clientes.
“O dia que percebi que precisava deixar de ser MEI e virar empresa de verdade foi quando caiu a ficha de que aquele sonho tinha crescido. Já não era mais só eu fazendo salgado. Era uma empresa sustentando projetos, gerando renda e abrindo novas possibilidades para a minha família”, conta.
A história de Lene ajuda a explicar como o crescimento econômico alcança as pessoas, transformando esforço individual em geração de renda, fortalecimento dos pequenos negócios e novas perspectivas para as famílias.
É o que também apontam dados da Receita Federal sobre a expansão do número de empresas no Estado. Entre 2023 e 2025, o Mato Grosso do Sul registrou um crescimento expressivo na abertura de empresas, passando de 53,1 mil para 69,5 mil novos negócios, um avanço acumulado de 30,8% no período.
O destaque foram os pequenos negócios, que responderam por quase 96% das aberturas em 2025, com 66,6 mil registros, além do empreendedorismo feminino, que cresceu de 17,8 mil empresas abertas em 2024 para 24,1 mil em 2025, alta de 35,5%. Os números de 2026, ainda parciais, já apontam para a continuidade desse movimento, com 40,9 mil novas empresas abertas até junho, sendo 39,7 mil pequenos negócios.
Histórias como as da Lene estão longe de ser um caso isolado, elas são semelhantes a muitas outras que têm se multiplicado em Mato Grosso do Sul, impulsionadas pelo avanço do empreendedorismo feminino e pela crescente participação das mulheres na economia.
Movimento que, segundo a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, tem se consolidado como uma importante força de geração de renda e desenvolvimento no Estado. “O empreendedorismo feminino tem crescido porque cada vez mais mulheres enxergam nele um caminho concreto para a independência financeira, a realização pessoal e a geração de impacto nas suas comunidades. Esse movimento tem se consolidado como uma força econômica relevante em Mato Grosso do Sul”, afirma.
Os dados do Sebrae confirmam essa maturidade. Entre as empreendedoras atendidas pelo programa Sebrae Delas, 61% possuem negócios com mais de três anos de existência. Isso significa que as mulheres não estão apenas abrindo empresas, mas conseguindo mantê-las e estruturá-las ao longo do tempo. É um sinal de uma presença cada vez mais consistente e qualificada no mercado.
Para Sandra Amarilha, o fortalecimento dessa presença feminina também está relacionado à existência de redes de apoio, capacitação e troca de experiências.

“Além do suporte técnico, iniciativas como o Delas Day contribuem para esse movimento ao criar espaços de conexão e apoio mútuo entre empreendedoras. Neste ano, o evento reuniu mais de 30 instituições parceiras mobilizadas para fortalecer o protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul, o que mostra que essa agenda vai além do Sebrae e envolve toda uma rede de atores comprometidos com o avanço das mulheres no mercado”, destaca.
Os números revelam não apenas o crescimento da participação feminina no empreendedorismo, mas também uma mudança no perfil desses negócios. Assim como ocorreu com Lene, muitas mulheres estão avançando para uma nova etapa, marcada pela profissionalização da gestão, ampliação da capacidade produtiva e busca por novos mercados.
Embora comércio e serviços continuem concentrando a maior presença feminina, especialmente em áreas como alimentação, beleza, saúde, educação e economia criativa, a atuação das empreendedoras vem se diversificando.
“As mulheres estão chegando com força também em segmentos ligados à inovação, à tecnologia e aos negócios digitais. Mas o que mais chama atenção é que elas não estão preocupadas apenas em abrir uma empresa. Existe uma busca cada vez maior por qualificação, estruturação dos processos, ampliação das vendas e consolidação dos negócios no mercado”, afirma a diretora técnica do Sebrae.
“O empreendedorismo é um dos caminhos para promover uma economia mais inclusiva e sustentável. Ele permite a autonomia financeira e cria oportunidades de trabalho e renda para quem historicamente tem menos acesso a elas, como mulheres, pessoas com deficiência e pessoas de baixa renda. Nesse contexto, a economia criativa surge como uma alternativa cada vez mais relevante, gerando impactos positivos nas comunidades ao promover a valorização da cultura local e das identidades regionais”, avalia.
Do balcão ao PIB – o ambiente que impulsiona o desenvolvimento
As histórias de empreendedores que ampliam seus negócios ajudam a revelar uma transformação maior. Enquanto novos empreendimentos surgem e se consolidam em diferentes regiões, Mato Grosso do Sul vive um dos mais intensos ciclos de crescimento econômico de sua história recente, impulsionado por investimentos privados, industrialização e integração logística.
Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu 13,4%, resultado mais de quatro vezes superior à média nacional no período. O desempenho refletiu a força de setores como agropecuária, indústria e serviços, além de um ambiente favorável à instalação de novos empreendimentos.
Atualmente, Mato Grosso do Sul reúne mais de R$ 105 bilhões em investimentos privados anunciados e, desse total, R$ 81 bilhões já estão consolidados, evidenciando a confiança do setor produtivo no potencial de crescimento do Estado. Os aportes estão distribuídos em áreas estratégicas como celulose, bioenergia, proteína animal, logística e infraestrutura.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o projeto da Arauco, em Inocência, considerado um dos maiores investimentos privados em andamento no Brasil. Com previsão de aporte de US$ 4,6 bilhões, a nova fábrica de celulose reforça a posição de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais do setor e amplia a capacidade de atração de novos negócios para a região.

As perspectivas de crescimento também são impulsionadas pela Rota Bioceânica, corredor internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico. A iniciativa representa uma mudança estrutural na logística de exportação brasileira, ao aproximar o Estado dos mercados asiáticos e reduzi tempo de deslocamento e custos associados ao transporte de cargas.
O impacto vai além do setor exportador. Com acesso mais rápido aos portos do Pacífico, Mato Grosso do Sul amplia sua capacidade de inserção em cadeias globais de valor, fortalece a atração de investimentos e consolida sua posição como plataforma logística da América do Sul.
Para o governador Eduardo Riedel, esse movimento faz parte de um ciclo de desenvolvimento que combina competitividade econômica com políticas públicas voltadas à preparação das pessoas para as novas oportunidades criadas pela expansão da economia.
“O crescimento econômico é o ponto de partida, não o ponto de chegada. Nosso compromisso é criar um ambiente que atraia investimentos, gere empregos e fortaleça a economia, mas, ao mesmo tempo, garantir que esse desenvolvimento chegue às pessoas por meio de educação de qualidade, qualificação profissional, infraestrutura, saúde e políticas públicas capazes de ampliar oportunidades. Crescer é importante. Fazer esse crescimento melhorar a vida das famílias sul-mato-grossenses é o que realmente mede o sucesso desse trabalho.”
Crescimento com reflexos sociais
Os efeitos desse ciclo de expansão econômica começam a aparecer também em indicadores ligados à qualidade de vida da população. Embora o crescimento do Produto Interno Bruto seja um dos sinais mais visíveis do desempenho da economia, especialistas destacam que o desenvolvimento de um território depende da capacidade de transformar riqueza em oportunidades, renda e melhoria das condições de vida do sul-mato-grossense.
Para o PhD em Economia e professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Michel Constantino, os resultados observados em Mato Grosso do Sul ganham relevância quando analisados à luz do cenário nacional. Ele lembra que o Brasil ainda convive com elevados níveis de desigualdade de renda e figura entre os países mais desiguais do grupo analisado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Nesse contexto, avalia que o desempenho sul-mato-grossense demonstra a importância de combinar crescimento econômico com políticas capazes de ampliar oportunidades e promover inclusão social.

“Enquanto o PIB estadual projetado para 2025 aponta um crescimento de 6,86%, muito superior à projeção nacional de 2,3%, o Estado também comemora a saída de 40 mil pessoas da linha de pobreza entre 2023 e 2024. Distribuir resultados significa fortalecer o mercado consumidor local, reduzir a dependência de programas assistenciais no longo prazo e garantir que o ciclo de prosperidade seja mais duradouro e menos vulnerável a crises externas”, afirma.
Os indicadores de capital humano ajudam a explicar por que o crescimento econômico tem produzido reflexos sociais cada vez mais perceptíveis em Mato Grosso do Sul. Em 2025, o Estado alcançou a segunda posição nacional no pilar Capital Humano do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), consolidando-se como referência nacional em aspectos ligados à formação, empregabilidade e desenvolvimento da população.
O desempenho está associado a iniciativas voltadas à preparação da mão de obra para atender às novas demandas da economia. Entre elas está o MS Qualifica, política estadual criada para ampliar o acesso à capacitação profissional e aproximar trabalhadores das oportunidades abertas pelo ciclo de investimentos em curso no Estado. Já são mais de 500 mil qualificações.
Os reflexos desse processo também podem ser observados nos indicadores sociais. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul caiu de 2,7% para 1,6%, uma redução superior a 40% em dois anos.
O resultado reforça uma discussão que ganha cada vez mais espaço entre gestores, economistas e especialistas em desenvolvimento: mais do que acelerar o crescimento econômico, é preciso garantir que seus benefícios alcancem um número cada vez maior de pessoas.
Nesse contexto, a geração de empregos, a qualificação profissional, o fortalecimento do empreendedorismo e a ampliação da renda passam a ser indicadores tão importantes quanto o próprio desempenho da economia. Para Michel Constantino, a capacidade de transformar crescimento em desenvolvimento depende diretamente da atuação do poder público.
“Em Mato Grosso do Sul, essa estratégia tem acompanhado a chegada de grandes empreendimentos. O Estado tem direcionado esforços para preparar os territórios e ampliar as oportunidades para a população. Esse trabalho envolve investimentos em infraestrutura, saúde, educação e qualificação da mão de obra, criando condições para que trabalhadores e empresas locais participem dos benefícios gerados pela expansão econômica.”
Segundo o economista, essa preparação ajuda a explicar parte dos resultados alcançados pelo Estado nos últimos anos. Mato Grosso do Sul possui atualmente a maior taxa de investimento público do país, equivalente a 15,3% da Receita Corrente Líquida, além de indicadores que refletem um ambiente favorável aos negócios, como a elevada abertura de empresas e a agilidade nos processos de formalização.
“O poder público atua na criação de um ambiente de negócios favorável, evidenciado pela alta taxa de novos negócios (55,4% em 2025) e pela agilidade na abertura de empresas, que fomenta o empreendedorismo local. O papel estatal, portanto, é o de construir a ponte entre o grande capital investidor e o pequeno empreendedor ou trabalhador local, garantindo que a riqueza circule dentro do Estado”, avalia.
Elaine Paes, Comunicação Segov
Foto de capa e galeria: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Tecnologia no campo avança além das máquinas e aproxima jovens da ciência em assentamento de MS
Projetos ligados à biotecnologia, inovação rural e pesquisa aplicada tentam transformar conhecimento acadêmico em soluções para produção de alimentos e permanência no campo
Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã, jovens filhos de agricultores familiares discutem inteligência artificial, produção de alimentos e problemas do cotidiano rural. O ambiente lembra mais um laboratório comunitário do que a imagem tradicional associada ao agronegócio de alta tecnologia, marcado por grandes máquinas e extensas plantações mecanizadas.
É nesse espaço que pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolvem projetos voltados à educação, ciência e inovação rural, numa tentativa de aproximar tecnologia e realidade do campo. A iniciativa faz parte do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul.
A coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, afirma que o trabalho começou a partir da escuta da comunidade local. Segundo ela, o objetivo era entender quais eram os principais desafios enfrentados pelos moradores antes de definir estratégias de atuação.
“O foco sempre foi alinhar produção de alimentos, desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento”, afirma.
A experiência em Nova Itamarati ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla em curso no Estado. A incorporação de tecnologia ao agronegócio deixou de se restringir à mecanização das lavouras e passou a incluir pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e agricultura de precisão desenvolvidas dentro de universidades e centros de pesquisa.
Biotecnologia ganha espaço na economia do Estado
Entre as áreas consideradas estratégicas está a biotecnologia, setor que reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura, sustentabilidade e desenvolvimento industrial. A estimativa é de que esse mercado movimente cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2030.
As pesquisas incluem desde vacinas para doenças do rebanho até soluções para problemas agrícolas, como o greening — doença que afeta plantações cítricas — além de iniciativas ligadas à melhoria genética, produção de bioinsumos e tecnologias voltadas à indústria sustentável.
Parte dessa estratégia passa pelo incentivo às chamadas Deep Techs, startups de base científica criadas a partir de pesquisas acadêmicas. A proposta é transformar conhecimento produzido nas universidades em produtos, serviços e empresas capazes de alcançar mercados fora do Estado e até do país.
Segundo o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, a intenção é aproximar pesquisadores e setor produtivo para ampliar a aplicação prática das pesquisas.
“A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios”, disse.
Educação e permanência dos jovens no campo
No assentamento de Ponta Porã, a inovação aparece também como tentativa de enfrentar outro desafio histórico do meio rural: a saída de jovens para os centros urbanos.
O Hub de Educação e Inovação Rural atua justamente para fortalecer vínculos entre estudantes e o território onde vivem. O projeto reúne professores, técnicos, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação em ações voltadas à formação tecnológica e produção rural.
Segundo Juliana Carrijo, a equipe reúne cerca de 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e busca financiamento em editais públicos de pesquisa e extensão tecnológica.
Ela afirma que o espaço deverá funcionar como uma espécie de vitrine tecnológica voltada à agricultura familiar, conectando conhecimento científico e saberes locais em projetos aplicados à realidade do assentamento.
Pesquisa aplicada mira novo perfil econômico
A aposta em ciência aplicada ao agro faz parte de uma estratégia mais ampla do Estado para diversificar a economia ligada à produção rural. Drones com inteligência artificial, agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos aparecem entre as áreas vistas como promissoras.
Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa passam a ocupar papel cada vez mais próximo das cadeias produtivas, em uma tentativa de transformar conhecimento científico em atividade econômica.
Mais do que ampliar o uso de tecnologia nas lavouras, o movimento busca criar soluções desenvolvidas dentro do próprio Estado, com potencial de aplicação em outros mercados.
Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc
Fotos: Semadesc/Arquivo
Fonte: Governo MS
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