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Mato Grosso do Sul

Crianças da Furnas do Dionísio recebem brinquedos da campanha ‘Caixa Encantada’

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Crianças da comunidade Furnas do Dionísio, localizada no município de Jaraguari, receberam presentes de Natal da campanha “Caixa Encantada”, realizada pelo Governo do Estado de Mato Grosso Sul.

A entrega ocorreu hoje (21), na EE Zumbi dos Palmares – na área localizada a 43 km de Campo Grande. A primeira-dama Mônica Riedel, madrinha da campanha, participou da entrega junto com o secretário Marcelo Miranda (Setescc), além de Vania Lucia Baptista Duarte (subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial), Neidy Nunes Barbosa Centurião (subcomandante-geral da Polícia Militar), e outras autoridades.

“Nossa missão é fazer coisas que impactam na vida de todos os sul-mato-grossenses. E a campanha da ‘Caixa Encantada’ foi um sucesso, com a participação dos servidores e a sociedade do Estado. Por isso, as crianças estão recebendo presentes nesta época tão importante”, destacou Mônica Riedel.

A campanha “Caixa Encantada”, realizada entre outubro e dezembro deste ano, arrecadou aproximadamente 45 mil brinquedos que são entregues para crianças e adolescentes atendidos em 300 instituições de todo o Estado.

Aproximadamente 100 crianças da comunidade Furnas do Dionísio foram presenteadas hoje. Entre elas os três filhos de Daiane Fernandes Brum, 25 anos. Ao lado dela, Heitor Gabriel, de apenas 3 anos, mostrava orgulhoso o trator que ganhou e já dividia o brinquedo com a irmã Maria Valentina, de 6 anos, que aguardava para receber seu presente de Natal.

“Eu fico feliz e agradecida de ver uma ação dessas. Para minha família foi importante. Eles ganharam brinquedos e agora posso me preocupar só com as roupas, é menos pesado no orçamento e eles ficaram felizes com o que ganharam aqui”, afirmou Daiane, que estava com a filha caçula no colo, Maria Vitória, de 3 meses.

O diretor da escola onde foi realizada a entrega dos presentes, Marcos Antonio da Silva, afirma que ações como esta contribuem para a comunidade. “Temos 102 alunos do 6° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio. A comunidade é muito envolvida com as atividades, são parceiros em tudo. E participar de um momento como este é especial para todos”.

A presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Furnas do Dionísio, Leandra Martins da Silva, também comemorou a escolha da comunidade para que as crianças fossem presenteadas. “Parabenizo o Governo do Estado por esta ação. Para as 110 famílias que vivem aqui é muito importante. Estamos felizes e já garante o presente de Natal das nossas crianças”.

História

Entre as comunidades remanescentes de quilombos no Estado, Furnas do Dionísio é uma das mais antigas e populosas, sendo constituída por pequenos sítios e chácaras onde reside uma população de aproximadamente 450 pessoas.

O fundador da comunidade, Dionísio Antônio Vieira, era um ex-escravo proveniente de Minas Gerais e chegou ao local em 1890 em busca de terras férteis para plantação de subsistência. Com pau-a-pique, sapê, argila e esterco de vaca, ele e sua família levantaram as primeiras casas que vieram a dar origem às Furnas do Dionísio. Todos os moradores da comunidade são descendentes diretos do senhor Dionísio.

Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Fotos: Bruno Rezende

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Leia mais:

‘Caixa Encantada’ arrecada 45 mil brinquedos que serão distribuídos para crianças em 300 instituições de MS

Fonte: Governo MS

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Mato Grosso do Sul

Rodar MS vai baratear transporte e reduzir mais de um terço do custo com manutenção de estradas

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Programa foca na manutenção proativa, adequação a resiliência climática e segurança rodoviária

Praticamente 1 mil quilômetros de estradas renovadas, com pavimento nas melhores condições de trafegabilidade com um custo que pode ser até 38% menor que o usual no atual sistema de gestão logístico rodoviário. Esse é o Rodar MS, projeto que Mato Grosso do Sul começa a colocar em prática ao concretizar a contratação de crédito junto ao BIRD (Banco Mundial). A economia de recursos também chega ao setor privado e população, já que a expectativa é que haja queda em até quatro vezes no valor dos custos operaracionais dos veículos de carga.

Os índices citados acima são baseados em estudos do próprio BIRD, balizador do projeto que além do ponto de vista financeiro também considera a segurança e o conforto que será adicionado aos usuários dos trechos inclusos no Rodar MS, que adota um modelo inovador, o Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias).

“A maior vantagem que Mato Grosso do Sul terá ao adotar o Crema é que a empresa contratada é quem irá executar o projeto executivo. Ela fecha o contrato através de um projeto básico e propõe o projeto executivo, que segue para aprovação da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Daí é que ela [a empresa] executa os primeiros dos anos de restauração da rodovia”, frisa o secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara.

O chefe da pasta sul-mato-grossense de obras continua a explicação, revelando o grande trunfo desse modelo inovador. “Quanto melhor for a restauração, menos custo terá para a manutenção. Daí a vantagem da empresa fazer um ótimo projeto e uma excelente execução”, conclui o titular da secretaria que tem em seu escopo a Agesul.

Ao todo, o Rodar MS estima um investimento de U$S 250 milhões – na cotação atual a conversão chega a aproximadamente R$ 1,25 bilhão. Desse total, US$ 200 milhões são oriundos do Banco Mundial, enquanto os US$ 50 milhões restantes devem sair dos cofres estaduais, como contrapartida do projeto. Já o total de municípios impactados de forma direta e indireta pelo Rodar MS chega a 22, sendo 18 deles na região leste de Mato Grosso do Sul – onde fica o Vale do Ivinhema – e outras quatro no Bolsão, território do Vale da Celulose.

Conheça mais sobre o projeto

Tabela com trechos do Rodar MS, municípios e extensão da malha rodoviária

Dentro do modelo Crema adotado por Mato Grosso do Sul existem duas vertentes, a DBM (Design, Build, Maintain) e a via PPP (Parceria Público-Privada). Na primeira situação, o Rodar MS inclui 730,3 km, sendo 686,4 km de eixo principal e 43,8 km de travessia urbana. Os detalhes podem ser conferidos ao lado, na imagem com a tabela da Seilog.

No DBM, a duração do contrato será de 10 anos, com contratação integrada de projeto, obra, manutenção e pagamento pelo Estado sendo feito com base no cumprimento de indicadores de desempenho previamente estabecidos em contrato – ou seja, os repasses não estão vinculados apenas à execução de serviços, mas também à qualidade das obras.

Já no Bolsão, Água Clara, Inocência, Paranaíba e Três Lagoas estão entre os municípios impactados pelo Rodar MS. Lá, porém, o modelo a ser implantado será o de PPP, que terá a mesma dinâmica do BDM, mas com duração maior: 30 anos.

Nesse período, a empresa que ficar responsável pelo serviço terá que manter em boas condições de tráfego e segurança as rodovias MS-377 (entre Água Clara e Inocência) e MS-240 (entre Inocência e Paranaíba). São 208,7 km, todos rodoviárias, sendo 128,14 km na MS-377 (entre a BR-158 e a MS-112) e outros 80,56 km na MS-240 (entre a BR-262 e a MS-112).

Acessibilidade em 24 escolas públicas

Construído conjuntamente por Seilog e EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas), o Rodar MS ainda apresenta ações para dar mais segurança no entorno de escolas públicas. As intervenções nas estradas, próximas a essas unidades de educação, têm foco na redução de riscos na travessia para alunos, comunidade escolar e toda comunidade do entorno.

As ações relacionadas à segurança viária e à acessibilidade serão realizadas em 24 escolas públicas municipais e estaduais, contribuindo para a redução de riscos de sinistros de trânsito e para a proteção de estudantes, profissionais da educação e da comunidade escolar.

As intervenções, segundo o projeto, permitirão a melhoria das condições de deslocamento, com maior segurança para pedestres e ciclistas, além de promover inclusão e acessibilidade. Adicionalmente, será realizado diagnóstico técnico que possibilitará uma tomada de decisão mais eficiente e baseada em evidências, otimizando a alocação de recursos públicos e priorizando as áreas de maior criticidade. Como resultado espera-se a criação de ambientes escolares mais seguros, inclusivos e adequados ao desenvolvimento social e educacional.

Nyelder Rodrigues, Comunicação Governo de MS
Foto: Saul Schramm/Secom/Arquivo

Fonte: Governo MS

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Mato Grosso do Sul

Quando histórias indígenas ocupam espaços, sonhos reacendem em Mato Grosso do Sul

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No mês em que o País volta o olhar para o 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, histórias que antes permaneciam restritas aos territórios ganham voz, corpo e presença. Em Mato Grosso do Sul, elas não falam apenas de resistência, como também de protagonismo. São trajetórias que atravessam dificuldades, constroem caminhos próprios e hoje ocupam espaços, inspirando quem está dentro e também fora das aldeias.

Foi nesse contexto que a Secretaria de Estado da Cidadania promoveu o painel “Indígenas que inspiram: Indígenas na Educação, na Saúde, no Agronegócio e na Justiça — Minha história, minha trajetória: como posso inspirar?”

A proposta nasceu de uma constatação simples, mas potente: existem muitas histórias indígenas que ainda não são conhecidas, narrativas que ficaram restritas às comunidades, às famílias, aos territórios. Ao colocá-las em evidência, o painel não apenas valoriza trajetórias, como também amplia o horizonte de quem ainda está começando.

Quatro convidados, de áreas diferentes, representaram esse conjunto maior. Não como exceções, mas como parte de um movimento que cresce silenciosamente e, agora, começa a ser visto.

Educação que transforma e devolve

A trajetória do educador e liderança indígena Flaviano Franco é atravessada por aprendizados e escolhas que nasceram, muitas vezes, da necessidade. Criado pelos avós, ele cresceu em um contexto de limitações materiais, mas cercado por referências que moldaram sua forma de ver o mundo. Foi na escola que encontrou uma possibilidade concreta de mudança, não como ruptura com sua origem, e sim como continuidade.

“Eu sempre digo que o importante não é como a gente começa, é como a gente vai terminar. E, para mim, foi o estudo que mudou o rumo da minha vida.”

Antes de chegar à universidade, sua caminhada passou por diferentes ofícios. Foi pedreiro, cortador de cana, trabalhador em espaços onde, mais do que exercer uma função, precisava reafirmar diariamente sua capacidade. Experiências que revelaram, de forma direta, as barreiras que ainda se impõem à população indígena. “Eu precisei provar que era capaz mesmo já tendo qualificação. Foi ali que entendi que não era só sobre formação, era sobre preconceito.”

Justamente desse incômodo surgiu o impulso para seguir pela área da linguagem. Ao perceber que muitas das desigualdades também se manifestam na forma como os indígenas são vistos e representados, Flaviano encontrou na educação e na pesquisa um caminho de enfrentamento e de reconstrução de narrativas.

“Se a gente não ocupar esses espaços, vão continuar falando por nós. A gente precisa ensinar o sistema, porque o sistema não sabe nada sobre nós.”

Hoje, sua atuação vai além da sala de aula. Como educador, pesquisador e liderança, ele trabalha para fortalecer a educação indígena como um espaço que não apenas transmite conteúdo, mas preserva saberes, valores e formas próprias de existir.

Caminhos que começam cedo

A trajetória da médica indígena Laysa Moreira Dorneles, do povo Terena, começa muito antes da universidade. Começa na infância, em uma realidade onde o trabalho não era escolha, mas necessidade, onde ela aprendeu a conciliar responsabilidades, ajudando a família e, ao mesmo tempo, alimentando um sonho que ainda parecia distante.

“Desde cedo eu aprendi que, se eu quisesse conquistar algo, eu precisaria trabalhar, me esforçar e não desistir.”

Ainda criança, passou por diferentes atividades, desde venda de produtos, trabalho como babá, atuação na área da beleza, e fazendo o que fosse possível para seguir estudando. Esse movimento contínuo de esforço não parou com a chegada à universidade. Pelo contrário, se intensificou.

Durante a graduação em Medicina, Laysa precisou equilibrar rotina acadêmica, trabalho e dificuldades financeiras. Para se manter, continuou atendendo clientes, organizando horários e adaptando sua realidade para não abandonar o curso.

“Eu precisei conciliar o trabalho com os estudos para conseguir me manter durante a faculdade. Não foi fácil. Teve dificuldades financeiras, teve cansaço, teve momentos em que parecia que não ia dar.”

Além dos desafios materiais, havia também o peso do preconceito e dos estereótipos que ainda cercam a identidade indígena. “Muitas pessoas ainda têm um estereótipo do que é ser indígena, como se existisse um padrão único. Mas ser indígena não é aparência. É pertencimento, é cultura, é comunidade.”

Formada recentemente, Laysa hoje atua na área da saúde e segue ampliando sua atuação profissional, carregando consigo não apenas uma conquista individual, mas um significado coletivo. “Hoje eu sou uma mulher indígena, médica, ocupando um espaço que não foi pensado para nós.”

Saberes que se encontram

Na área do agronegócio, a trajetória da engenheira agrônoma Tainara Terena revela um caminho construído entre diferentes formas de conhecimento. Formada pela UFGD, ela rapidamente percebeu que o diploma não encerrava os desafios, pelo contrário, era apenas o início de uma caminhada ainda mais complexa.

“Mulher indígena e engenheira agrônoma não é fácil. A gente acha que depois de formada vai ser mais simples, mas não é.”

Logo após a formação, começou a atuar diretamente com sua comunidade. Mas a realidade do mercado de trabalho trouxe obstáculos que exigiram adaptação, deslocamento e persistência. Foi nesse movimento que Tainara passou a construir sua atuação, unindo o conhecimento técnico adquirido na universidade com os saberes tradicionais aprendidos com a família e com a vivência na aldeia. Um encontro que orienta sua prática até hoje.

“Eu sempre procuro unir o conhecimento técnico com aquilo que a gente já sabe, que vem dos nossos pais, dos nossos avós.”

Com mais de 14 anos de atuação, ela trabalha diretamente com produtores indígenas, orientando práticas sustentáveis, fortalecendo a agricultura familiar e incentivando a geração de renda dentro das comunidades. “A ideia é mostrar que nós, indígenas, somos capazes de produzir, de plantar, de comercializar, e ainda fazer isso de forma orgânica.”

O cotidiano, no entanto, não é simples. As mudanças climáticas, a falta de investimento e as dificuldades estruturais impactam diretamente a produção nas aldeias. “Hoje a gente vê produtores que não conseguem mais colher como colhiam antes. O clima mudou, a realidade mudou.”

Diante disso, seu trabalho também passa por adaptação. Buscar alternativas, orientar técnicas e, principalmente, respeitar o tempo e as condições de cada território. “Não é só aplicar técnica. É entender a realidade de cada comunidade.”

Ainda assim, é nesse cenário que ela reafirma uma convicção que atravessa sua trajetória: é possível desenvolver, inovar e crescer sem abrir mão da identidade. “Eu quero mostrar que nós somos capazes, sem deixar de lado aquilo que somos.”

Presença que transforma instituições

No campo da Justiça, a trajetória do promotor Fernando Júnior carrega não apenas uma conquista individual, mas o peso e o significado de uma presença que ainda é rara em espaços institucionais. Natural de Dourados, da aldeia Jaguapiru, ele começou a sonhar com o Direito ainda criança.

Com o tempo, esse sonho ganhou contornos mais definidos. O que antes parecia distante se transformou em objetivo concreto, sustentado por estudo, disciplina e muitas renúncias ao longo da juventude.

A aprovação em um dos concursos mais concorridos do país o levou ao Ministério Público do Estado do Pará, onde hoje atua como promotor de Justiça. Um lugar que, como ele próprio reconhece, não foi historicamente pensado para indígenas. “Esses espaços não foram pensados para nós. Existem muros invisíveis, como o preconceito e a dificuldade de acesso.”

Sua atuação hoje envolve uma rotina intensa, lidando com diferentes áreas e demandas da sociedade. Mas, mesmo distante de Mato Grosso do Sul, sua trajetória segue conectada à origem e ao compromisso com as comunidades indígenas. “Quando a gente chega nesses espaços, a gente carrega uma responsabilidade. A gente não chega sozinho.”

Essa responsabilidade se traduz em uma ideia que atravessa toda a sua fala: a de multiplicar caminhos. “A gente quer que outros também cheguem. A gente quer ensinar, ajudar, diminuir esses caminhos.”

Além de ocupar espaços, a presença indígena nas instituições representa uma mudança de perspectiva. Um movimento que não apenas amplia a participação dos povos originários, mas também tensiona e transforma esses ambientes. “Hoje a gente mostra que é possível chegar e continuar sendo quem a gente é.”

Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Foto de capa e internas: Matheus Carvalho/SEC
Galeria: Paula Maciulevicius

Fonte: Governo MS

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