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Agronegócios

Alternativas de entressafra podem ocupar áreas de até 30% para plantios mais tardios

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O plantio do milho safrinha, com menor risco, vai até 10 de março, de acordo com o zoneamento agrícola de risco climático (ZARC) para a maioria das regiões em Mato Grosso do Sul. Quando se aproxima do fim do zoneamento é a oportunidade de trabalhar com outras culturas de inverno. “Além de diminuir o potencial produtivo do milho safrinha, os riscos climáticos aumentam. Então é hora de fazer diversificação de culturas. Não é possível dizer se vai ser economicamente mais viável. O zoneamento trabalha com probabilidade. Tem determinado ano em que, mesmo se o plantio acontecer fora do zoneamento, a produtividade vai ser satisfatória. E tem ano em que, mesmo que ele plante dentro do zoneamento, pode ser ruim. Mas as chances de acertar são maiores”, pondera o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS).

A mensagem que o pesquisador quer passar é que, se chegou em épocas menos favoráveis para o milho safrinha, o risco de plantio para essa cultura aumenta. “Há uma oportunidade para trabalhar a diversificação de culturas em parte da propriedade. É claro que depende da região, mas cerca de 25% da área poderia ser destinada para outras alternativas de cultivo”, explica.

Culturas viáveis para Mato Grosso do Sul

As condições edafoclimáticas são bem distintas no Estado. Da capital (Campo Grande) em direção ao sul de MS, a entressafra possui maior volume de chuvas e temperaturas mais baixas, com risco de geadas Para realizar a diversificação de culturas, os cereais de inverno são uma boa oportunidade. Não é à toa que nessa região, antigamente, havia muito trigo plantado. A aveia e o trigo são as principais culturas que tem a possibilidade de vender o grão e ter retorno econômico.

De Campo Grande para o norte do estado, ambiente mais de Cerrado, a entressafra é um pouco mais seca e não há ocorrência de geadas. Por esse motivo, esses cereais de inverno já não se adaptam àquela região. “Para essa região, o sorgo granífero é uma ótima opção por tolerar mais seca do que o milho. Além de ter o custo de produção mais baixo, também dá para colher grãos”, exemplifica Garcia. Outras opções, independentemente de ser ao norte ou ao sul, são os cultivos de plantas de cobertura, como crotalárias, milheto e braquiárias, em que, apesar da não haver colheita de grãos para comercialização e retorno econômico imediato, trazem inúmeros benefícios para o sistema de produção, afetando positivamente os cultivos, inclusive a soja, que vem na sequência.

Período adequado cada plantio de cultura

Quando se avalia as alternativas para a safra de inverno, o pesquisador diz que o plantio deve ser visto para o sistema de produção como um todo. No caso da crotalária, seu maior potencial de produção é no verão, em outubro e novembro, mas nessa época cultiva-se a soja. Na safrinha, a crotalária vai diminuir seu potencial, mas vai agregar uma série de benefícios para o sistema, como redução de nematoides e aporte de nitrogênio.

Outro exemplo é o sorgo que tem maior potencial no verão, mas também vai muito bem na safrinha, principalmente nos plantios mais tardios que passaram do período adequado de plantio do milho safrinha. “Avançou o mês de março, quando o risco para o milho safrinha aumenta consideravelmente, é a oportunidade para se trabalhar essas espécies alternativas”.

Já o plantio dos cereais de inverno é realmente na safrinha, que vão ser posicionados em uma melhor época para o potencial produtivo, em meados de março.

Benefícios

Segundo o pesquisador, as opções de cereais de inverno ou sorgo também conseguem gerar receita, colhendo o grão, e estarão beneficiando o sistema de produção, trazendo outras melhorias pela diversificação de cultivos. “Sem falar no retorno indireto. A aveia, além de se colher o grão, é uma excelente alternativa para controlar buva [planta daninha]. As braquiárias, a mesma coisa. A melhor forma de controlar buva é a cobertura do solo proporcionada por essas plantas. Então se gasta menos com herbicida na hora de fazer a dissecação para plantar a soja”, esclarece.

Não existe planta ideal que atende todos os quesitos e em todas as condições. Elas agregam pontos positivos distintos. As crotalárias, por exemplo, são excelentes para controlar nematoides e aumentar o nitrogênio no solo. As braquiárias são eficientes para produção de palha e melhorias no perfil do solo, proporcionando maior armazenamento de água no solo, favorecendo a soja em sucessão.

Assessoria Embrapa Agropecuária Oeste

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Agronegócios

Soja redesenha a produção no Centro-Oeste e Norte do País

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Um mapeamento inédito realizado por imagens de satélite e sensoriamento remoto pela Serasa Experian, revela que os estados de Mato Grosso e Rondônia incorporaram, juntos, 294 mil hectares ao cultivo da oleaginosa na safra 2025/26. O crescimento consolida a soberania mato-grossense no setor e joga luz sobre a rápida transformação de Rondônia, que desponta como uma das fronteiras agrícolas mais dinâmicas da Região Norte.

Desejo antigo de expansão do setor, o apetite por terra na região não ficou restrito ao grão principal. O levantamento territorial identificou que a área destinada ao milho primeira safra registrou um salto expressivo de 13% no consolidado dos dois estados, mostrando que a rotação de culturas segue ganhando tração.

O peso da escala em Mato Grosso

Com o novo aporte de terra na safra atual — responsável por 268 mil hectares do total expandido —, Mato Grosso rompeu a barreira dos 12,4 milhão de hectares cultivados com soja. O número confere ao estado o controle de aproximadamente 25% de toda a produção nacional do grão.

Diferente de outras regiões do País, o modelo mato-grossense é fortemente ancorado na economia de escala: as grandes propriedades rurais concentram 60% de toda a área de plantio, enquanto os pequenos produtores respondem por uma fatia de 18%.

Geograficamente, o crescimento foi puxado por polos consolidados e novas franjas de produção. O município de Paranatinga liderou a abertura de frentes agrícolas, com um incremento de 21,9 mil hectares, seguido por Novo São Joaquim (+12,5 mil) e Nova Mutum (+12,4 mil). Na outra ponta, o monitoramento por satélite captou um movimento de acomodação de área em cerca de 20 municípios, com retrações superiores a mil hectares. O caso mais emblemático foi o de Alta Floresta, onde o cultivo encolheu 6% em comparação ao ciclo anterior.

Rondônia: a força da pequena propriedade

Se o modelo de Mato Grosso impressiona pelos volumes absolutos, Rondônia chama a atenção dos analistas pela velocidade da sua transição no campo. O estado adicionou 26 mil hectares na safra 2025/26, atingindo uma área total de 730 mil hectares de soja. O dado mais robusto, no entanto, está no acumulado: nos últimos seis ciclos agrícolas, a arrancada rondoniense na área plantada foi de impressionantes 84,4%.

A grande diferença em relação ao vizinho do Centro-Oeste está no perfil de quem planta. Em Rondônia, a soja avança pelas mãos da agricultura familiar e de médio porte. As pequenas propriedades rurais são as grandes protagonistas da cultura no estado, liderando com 44% da área cultivada, superando as grandes fazendas, que detêm 38%. Os municípios de Alto Paraíso (+4,9 mil hectares) e a capital Porto Velho (+4,2 mil) foram os motores desse salto na Região Norte.

O passaporte ambiental da lavoura

O estudo também cruzou a malha de satélites com os dados regulatórios de regularização fundiária, revelando que a expansão da soja na Amazônia e no Cerrado ocorre sob forte monitoramento. O índice de conformidade ambiental é elevado: em Mato Grosso, 97% de toda a área plantada com o grão já possui registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em Rondônia, o índice atinge 93% da área total.

Especialistas em inteligência de mercado apontam que esse nível de rastreabilidade tornou-se o padrão de segurança do setor. Em um mercado global cada vez mais restritivo a produtos de áreas de desmatamento, comprovar por meio de coordenadas geográficas e imagens de alta resolução que o crescimento de quase 300 mil hectares ocorre sobre áreas consolidadas e legalizadas funciona como um salvo-conduto. É a garantia de que a soja do Centro-Oeste e do Norte mantém suas portas abertas tanto para o mercado interno quanto para as exigentes gôndolas internacionais.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Barreiras verdes da Europa colocam em risco mercado de R$ 16,5 bilhões do agro brasileiro

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Correndo contra o tempo para não colocar em risco cerca de R$ 16,5 bilhões (US$ 3 bilhões) em exportações, o agronegócio brasileiro vive uma realidade de dupla velocidade em sua relação comercial com a Europa.

De um lado, o setor acompanha as vantagens do acordo comercial provisório entre o Mercosul e a União Europeia, em vigor desde o dia 1º de maio, que traz uma redução gradual das tarifas de importação até a alíquota zero para diversos produtos. De outro, corre contra o tempo para se adequar à Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), cuja aplicação, após forte pressão dos países produtores, está confirmada para dezembro deste ano.

O emaranhado de regras e o tom das cobranças europeias foram o centro dos debates no Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP). Lideranças do setor e representantes do governo pouparam críticas ao formato da nova legislação ambiental, classificada como unilateral e insensível à realidade do produtor rural brasileiro.

Para o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as medidas restritivas adotadas pelo bloco europeu perdem eficiência justamente por ignorar os esforços e os dados oficiais do Brasil. Representantes da pasta destacaram que o País conseguiu reduzir o desmatamento em 50%, um resultado robusto que deveria ser considerado em negociações bilaterais (construídas em conjunto por ambos os lados), em vez de imposições de caráter extraterritorial, ou seja, leis criadas fora que tentam ditar as regras dentro do território nacional.

O governo brasileiro reforçou que está intensificando os canais de comunicação com a Europa para esclarecer as diferenças fundamentais entre o texto da lei internacional e a realidade prática das propriedades rurais no Brasil.

O avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia mira um mercado estratégico para o bolso do produtor. O bloco europeu consolidou-se como o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, fechando o ano de 2025 com importações que somaram US$ 22,1 bilhões em produtos do campo, liderados pelo complexo soja, café e carnes.

A consolidação do acordo com tarifa zero promete abrir de forma definitiva as portas para um mercado consumidor de mais de 500 milhões de pessoas com alto poder aquisitivo, cujo PIB em bloco chega a impressionantes R$ 130 trilhões, aumentando drasticamente a competitividade do produto nacional frente aos concorrentes globais.

Por outro lado, especialistas em economia agrícola alertam que o desmatamento ilegal cobra uma conta alta e direta do setor. No curto prazo, a não adequação às exigências da lei europeia (EUDR) coloca em risco imediato cerca de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 16,5 bilhões) em exportações brasileiras de produtos diretamente afetados pela nova regra, como o café e a soja.

Além do bloqueio comercial, o prejuízo atinge a produtividade dentro da porteira: estudos técnicos apontam que a degradação ambiental e a alteração no regime de chuvas causadas pelo desmatamento na Amazônia e no Cerrado já geram uma perda estimada em mais de R$ 5 bilhões anuais para o agronegócio brasileiro, devido a atrasos no plantio e quebras de safra por seca no Centro-Oeste e no Sudeste.

Apesar do cenário de cobrança, o setor exportador entende que a lei é uma realidade incontornável e que o Brasil precisa transformar o desafio em oportunidade comercial, mostrando ao mercado global o rigor da sua produção.

Segundo entidades ligadas aos exportadores de café, o setor precisa estar preparado até dezembro. No entanto, há um alerta para falhas técnicas cruciais no entendimento dos europeus sobre a geografia e a legislação brasileira.

Os principais gargalos regulatórios apontados pelas entidades:

  • Desrespeito às bases públicas: A União Europeia ainda resiste em utilizar e respeitar os dados oficiais de monitoramento e os cadastros públicos do governo brasileiro, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

  • Confusão de conceitos: A regulamentação atual da lei europeia não faz uma diferenciação clara entre o que é floresta nativa e o que é floresta plantada.

  • Risco injustificado: Na prática, a existência de um talhão de eucalipto ou outra espécie plantada para fins comerciais dentro de uma propriedade tecnicamente correta já eleva, aos olhos do comprador europeu, o risco de descumprimento da lei.

A busca por simplificação, contudo, ganhou um aceno recente. De acordo com informações de agências de certificação internacional, a União Europeia divulgou um pacote com a quinta atualização dos documentos orientadores da lei ambiental. O objetivo desse novo pacote é dar mais clareza ao processo, desburocratizar a papelada e reduzir os custos operacionais para que o foco central — o combate ao desmatamento real — seja atingido sem penalizar quem produz de forma correta.

Se por um lado o acordo provisório com o Mercosul abriu as portas para a redução de impostos, o Ministério da Agricultura adverte que o alívio nas tarifas não significa, de forma alguma, um afrouxamento na fiscalização da Europa.

As barreiras técnicas e sanitárias continuam rígidas. Um exemplo recente foi a suspensão temporária do Brasil da lista de exportadores de determinados produtos de origem animal para o bloco europeu, motivada pelo uso de antimicrobianos (medicamentos utilizados no controle de infecções bacterianas) na cadeia produtiva.

Para o produtor rural brasileiro, a mensagem que sai do setor técnico é clara: o mercado europeu continuará sendo um dos principais compradores do agro nacional e a tarifa zero é uma grande vantagem econômica, mas o acesso real a esse dinheiro dependerá, cada vez mais, de dados rastreáveis, comprovação de sustentabilidade e conformidade sanitária absoluta.

Fonte: Pensar Agro

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