Agronegócios
Taranis recebe aporte de US$ 30 milhões para revolucionar a agricultura global
A última rodada de financiamento posiciona a Taranis como a startup de tecnologia de monitoramento agrícola de precisão mais bem financiada, transformando a capacidade dos agricultores de impedir a perda de rendimento; Brasil é o segundo maior mercado para a empresa
A empresa de inteligência agrícola Taranis anuncia um aporte global da Rodada C de US$ 30 milhões. Com a Vertex Growth e o Orion Fund do Kuok Group (administrados pela K3 Ventures), a Taranis levantou um total de US$ 60 milhões e planeja avançar na implantação em larga escala do serviço de inteligência agronômica da empresa. Alimentada por sua tecnologia proprietária AI2 SmartScout, essa plataforma exclusiva inaugura a primeira ferramenta de monitoramento de ampla cobertura, que garante aos produtores atenderem seus objetivos com risco mínimo. Entre os novos investidores nesta rodada, estão Hitachi Ventures, Mitsubishi UFJ Capital, Micron Ventures, UMC Capital, La Maison, Mindset Ventures, iAngels e Gal Yarden. Os investidores atuais, como Vertex Ventures Israel, Viola, Finistere e OurCrowd, também continuam seu apoio.
“Até recentemente, os produtores precisavam aguardar um monitoramento manual demorado para avaliar ameaças, formular um plano de ação e reagir. Nosso serviço de inteligência agrícola traz informações locais precisas e em tempo real dos campos”, disse Ofir Schlam, CEO e cofundador da Taranis. “E não vamos parar. Temos programas que mudarão completamente o modelo de mitigação de risco para uma abordagem baseada em resultados, prognósticos de ameaças e expectativas de rendimento”.
As soluções AI2 SmartScout proprietárias da Taranis trazem um novo nível de eficiência ao setor, capturando imagens com resolução de 0,3 mm/pixel a partir de aviões e drones a uma velocidade de até 40 hectares em seis minutos. Com essa tecnologia, é possível gerar um diagnóstico preciso, vinte vezes mais rápido que a alternativa manual e com 20 vezes mais pontos monitorados.
Além de capturar as necessidades das culturas com velocidade incomparável, a solução AI2 SmartScout™ utiliza um banco de dados de mais de um milhão de espécies de ameaças para criar planos de prescrição precisos e personalizar tratamentos e taxas de aplicação.
“A combinação de imagens de alta definição e inteligência tem o potencial de revolucionar a agricultura global”, disse MX Kuok, diretor da K3 Ventures. “A liderança da Taranis na identificação de pragas e doenças específicas não só ajuda os agricultores a interromper os danos às culturas mais cedo, mas também reduz as aplicações de produtos para proteção às culturas. Agricultores e seus clientes podem se beneficiar dessa tecnologia promissora”.
“O mercado das agtechs em breve verá uma consolidação no setor de análises de imagens para fins de monitoramento, restando apenas alguns players relevantes. Acreditamos firmemente que a Taranis liderará o grupo”, disse Hock Chuan Tam, diretor da Vertex Growth. “Com o apoio da Taranis, produtores, revendedores, cooperativas e consultores agronômicos podem detectar, analisar e tratar problemas de colheita o mais cedo possível, tomando medidas preventivas com precisão e obtendo maior grau de controle sobre o rendimento de suas colheitas. Com a Taranis, o monitoramento nunca mais será o mesmo”.
Até o momento, a Taranis mantém parcerias com as principais empresas de distribuição de insumos, equipamentos agrícolas e proteção de cultivos, incluindo John Deere, Syngenta, Nutrien, Climate Corp e BASF. A tecnologia Taranis monitorou mais de dois milhões de acres de commodities em todo o mundo, criando a base de conhecimento mais abrangente do setor sobre ameaças às culturas O Brasil é o segundo maior mercado para a empresa, atrás apenas dos Estados Unidos.
“Esta última rodada de financiamento nos solidifica como líder em inteligência agrícola e nos posiciona para o crescimento”, disse Mike DiPaola, gerente-geral da América do Norte e vice-presidente de vendas globais da Taranis. “Fornecemos a melhor tecnologia do setor, que desafia a categoria tradicional. Os produtores esperam um nível maior de serviços de colheita, mais rápidos e mais confiáveis. Nosso portfólio de tecnologias trará mais previsibilidade e confiabilidade para produtores e fornecedores em todo o mundo”.
Sobre a Taranis
A Taranis é uma plataforma líder de inteligência agrícola que combina imagens aéreas de alta resolução com IA para identificar e analisar ameaças de culturas, como infestação de insetos, doenças, ervas daninhas e deficiências de nutrientes, além de auxiliar na definição do melhor tratamento com seu mecanismo de prescrição para ajudar os agricultores a evitar a perda de rendimento das culturas. A plataforma de ponta a ponta da Taranis ajuda produtores, consultores e produtores a monitorar os campos em tempo real, tomar decisões baseadas em dados e agir de acordo com eles. A empresa trabalha com 16 das 20 maiores distribuidoras agrícolas e empresas de proteção de cultivos do mundo e monitora mais de 20 milhões de acres de terra em todo o mundo para mais de 19.000 clientes nos Estados Unidos, Canadá, América Latina, Rússia, Ucrânia e Austrália. A Taranis emprega mais de 80 pessoas em todo o mundo e está sediada em Sunnyvale (EUA).
Agronegócios
Soja redesenha a produção no Centro-Oeste e Norte do País
Um mapeamento inédito realizado por imagens de satélite e sensoriamento remoto pela Serasa Experian, revela que os estados de Mato Grosso e Rondônia incorporaram, juntos, 294 mil hectares ao cultivo da oleaginosa na safra 2025/26. O crescimento consolida a soberania mato-grossense no setor e joga luz sobre a rápida transformação de Rondônia, que desponta como uma das fronteiras agrícolas mais dinâmicas da Região Norte.
Desejo antigo de expansão do setor, o apetite por terra na região não ficou restrito ao grão principal. O levantamento territorial identificou que a área destinada ao milho primeira safra registrou um salto expressivo de 13% no consolidado dos dois estados, mostrando que a rotação de culturas segue ganhando tração.
O peso da escala em Mato Grosso
Com o novo aporte de terra na safra atual — responsável por 268 mil hectares do total expandido —, Mato Grosso rompeu a barreira dos 12,4 milhão de hectares cultivados com soja. O número confere ao estado o controle de aproximadamente 25% de toda a produção nacional do grão.
Diferente de outras regiões do País, o modelo mato-grossense é fortemente ancorado na economia de escala: as grandes propriedades rurais concentram 60% de toda a área de plantio, enquanto os pequenos produtores respondem por uma fatia de 18%.
Geograficamente, o crescimento foi puxado por polos consolidados e novas franjas de produção. O município de Paranatinga liderou a abertura de frentes agrícolas, com um incremento de 21,9 mil hectares, seguido por Novo São Joaquim (+12,5 mil) e Nova Mutum (+12,4 mil). Na outra ponta, o monitoramento por satélite captou um movimento de acomodação de área em cerca de 20 municípios, com retrações superiores a mil hectares. O caso mais emblemático foi o de Alta Floresta, onde o cultivo encolheu 6% em comparação ao ciclo anterior.
Rondônia: a força da pequena propriedade
Se o modelo de Mato Grosso impressiona pelos volumes absolutos, Rondônia chama a atenção dos analistas pela velocidade da sua transição no campo. O estado adicionou 26 mil hectares na safra 2025/26, atingindo uma área total de 730 mil hectares de soja. O dado mais robusto, no entanto, está no acumulado: nos últimos seis ciclos agrícolas, a arrancada rondoniense na área plantada foi de impressionantes 84,4%.
A grande diferença em relação ao vizinho do Centro-Oeste está no perfil de quem planta. Em Rondônia, a soja avança pelas mãos da agricultura familiar e de médio porte. As pequenas propriedades rurais são as grandes protagonistas da cultura no estado, liderando com 44% da área cultivada, superando as grandes fazendas, que detêm 38%. Os municípios de Alto Paraíso (+4,9 mil hectares) e a capital Porto Velho (+4,2 mil) foram os motores desse salto na Região Norte.
O passaporte ambiental da lavoura
O estudo também cruzou a malha de satélites com os dados regulatórios de regularização fundiária, revelando que a expansão da soja na Amazônia e no Cerrado ocorre sob forte monitoramento. O índice de conformidade ambiental é elevado: em Mato Grosso, 97% de toda a área plantada com o grão já possui registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em Rondônia, o índice atinge 93% da área total.
Especialistas em inteligência de mercado apontam que esse nível de rastreabilidade tornou-se o padrão de segurança do setor. Em um mercado global cada vez mais restritivo a produtos de áreas de desmatamento, comprovar por meio de coordenadas geográficas e imagens de alta resolução que o crescimento de quase 300 mil hectares ocorre sobre áreas consolidadas e legalizadas funciona como um salvo-conduto. É a garantia de que a soja do Centro-Oeste e do Norte mantém suas portas abertas tanto para o mercado interno quanto para as exigentes gôndolas internacionais.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Barreiras verdes da Europa colocam em risco mercado de R$ 16,5 bilhões do agro brasileiro
Correndo contra o tempo para não colocar em risco cerca de R$ 16,5 bilhões (US$ 3 bilhões) em exportações, o agronegócio brasileiro vive uma realidade de dupla velocidade em sua relação comercial com a Europa.
De um lado, o setor acompanha as vantagens do acordo comercial provisório entre o Mercosul e a União Europeia, em vigor desde o dia 1º de maio, que traz uma redução gradual das tarifas de importação até a alíquota zero para diversos produtos. De outro, corre contra o tempo para se adequar à Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), cuja aplicação, após forte pressão dos países produtores, está confirmada para dezembro deste ano.
O emaranhado de regras e o tom das cobranças europeias foram o centro dos debates no Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP). Lideranças do setor e representantes do governo pouparam críticas ao formato da nova legislação ambiental, classificada como unilateral e insensível à realidade do produtor rural brasileiro.
Para o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as medidas restritivas adotadas pelo bloco europeu perdem eficiência justamente por ignorar os esforços e os dados oficiais do Brasil. Representantes da pasta destacaram que o País conseguiu reduzir o desmatamento em 50%, um resultado robusto que deveria ser considerado em negociações bilaterais (construídas em conjunto por ambos os lados), em vez de imposições de caráter extraterritorial, ou seja, leis criadas fora que tentam ditar as regras dentro do território nacional.
O governo brasileiro reforçou que está intensificando os canais de comunicação com a Europa para esclarecer as diferenças fundamentais entre o texto da lei internacional e a realidade prática das propriedades rurais no Brasil.
O avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia mira um mercado estratégico para o bolso do produtor. O bloco europeu consolidou-se como o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, fechando o ano de 2025 com importações que somaram US$ 22,1 bilhões em produtos do campo, liderados pelo complexo soja, café e carnes.
A consolidação do acordo com tarifa zero promete abrir de forma definitiva as portas para um mercado consumidor de mais de 500 milhões de pessoas com alto poder aquisitivo, cujo PIB em bloco chega a impressionantes R$ 130 trilhões, aumentando drasticamente a competitividade do produto nacional frente aos concorrentes globais.
Por outro lado, especialistas em economia agrícola alertam que o desmatamento ilegal cobra uma conta alta e direta do setor. No curto prazo, a não adequação às exigências da lei europeia (EUDR) coloca em risco imediato cerca de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 16,5 bilhões) em exportações brasileiras de produtos diretamente afetados pela nova regra, como o café e a soja.
Além do bloqueio comercial, o prejuízo atinge a produtividade dentro da porteira: estudos técnicos apontam que a degradação ambiental e a alteração no regime de chuvas causadas pelo desmatamento na Amazônia e no Cerrado já geram uma perda estimada em mais de R$ 5 bilhões anuais para o agronegócio brasileiro, devido a atrasos no plantio e quebras de safra por seca no Centro-Oeste e no Sudeste.
Apesar do cenário de cobrança, o setor exportador entende que a lei é uma realidade incontornável e que o Brasil precisa transformar o desafio em oportunidade comercial, mostrando ao mercado global o rigor da sua produção.
Segundo entidades ligadas aos exportadores de café, o setor precisa estar preparado até dezembro. No entanto, há um alerta para falhas técnicas cruciais no entendimento dos europeus sobre a geografia e a legislação brasileira.
Os principais gargalos regulatórios apontados pelas entidades:
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Desrespeito às bases públicas: A União Europeia ainda resiste em utilizar e respeitar os dados oficiais de monitoramento e os cadastros públicos do governo brasileiro, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
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Confusão de conceitos: A regulamentação atual da lei europeia não faz uma diferenciação clara entre o que é floresta nativa e o que é floresta plantada.
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Risco injustificado: Na prática, a existência de um talhão de eucalipto ou outra espécie plantada para fins comerciais dentro de uma propriedade tecnicamente correta já eleva, aos olhos do comprador europeu, o risco de descumprimento da lei.
A busca por simplificação, contudo, ganhou um aceno recente. De acordo com informações de agências de certificação internacional, a União Europeia divulgou um pacote com a quinta atualização dos documentos orientadores da lei ambiental. O objetivo desse novo pacote é dar mais clareza ao processo, desburocratizar a papelada e reduzir os custos operacionais para que o foco central — o combate ao desmatamento real — seja atingido sem penalizar quem produz de forma correta.
Se por um lado o acordo provisório com o Mercosul abriu as portas para a redução de impostos, o Ministério da Agricultura adverte que o alívio nas tarifas não significa, de forma alguma, um afrouxamento na fiscalização da Europa.
As barreiras técnicas e sanitárias continuam rígidas. Um exemplo recente foi a suspensão temporária do Brasil da lista de exportadores de determinados produtos de origem animal para o bloco europeu, motivada pelo uso de antimicrobianos (medicamentos utilizados no controle de infecções bacterianas) na cadeia produtiva.
Para o produtor rural brasileiro, a mensagem que sai do setor técnico é clara: o mercado europeu continuará sendo um dos principais compradores do agro nacional e a tarifa zero é uma grande vantagem econômica, mas o acesso real a esse dinheiro dependerá, cada vez mais, de dados rastreáveis, comprovação de sustentabilidade e conformidade sanitária absoluta.
Fonte: Pensar Agro
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