Economia
Valmet investe € 380 milhões e adquire área de negócios de Tissue da Körber
Multinacional finlandesa dá mais um passo para consolidar sua liderança em tecnologias do segmento e compra empresa alemã, referência no setor
Líder mundial em desenvolvimento e fornecimento de tecnologias, automação e serviços para as indústrias de celulose, papel e energia, a Valmet anunciou no início de julho um investimento de 380 milhões de euros para adquirir 100% do capital da área de negócios de Tissue do Grupo Körber, empresa com sede em Hamburgo, na Alemanha. A multinacional finlandesa busca consolidar sua cadeia de valor e figurar como o player com a mais abrangente tecnologia de processos, automação e serviços no mercado de papel tissue.
A Körber Tissue, por sua vez, é especializada em tecnologias e serviços inovadores de conversão e embalagem para a indústria desse setor. Ao combinar a oferta e as competências complementares das empresas, a Valmet terá abrangência ainda maior nos segmentos de tecnologia, automação e serviços do mercado para a crescente indústria de papel tissue.
Detalhes da transação
O valor da transação é de aproximadamente EUR 380 milhões, pago à vista e livre de dívidas. A aquisição está prevista para ser concluída no início novembro de 2023, sujeita à aprovação das autoridades de concorrência. A Valmet financiará a aquisição por meio de duas linhas de crédito obtidas no Danske Bank A/S e Nordea Bank Abp. Essas linhas de crédito totalizam EUR 250 milhões e EUR 150 milhões, com vencimentos em janeiro de 2028 e dois anos após o fechamento da aquisição, respectivamente. O restante será custeado pela própria companhia.
A Valmet estima que a aquisição trará sinergias de vendas, serviços e redução de custos no valor de EUR 8 milhões até o final de 2026. O negócio adquirido será integrado à linha de negócios de papel da multinacional finlandesa como uma unidade de negócios separada. Em termos operacionais, o segmento de tecnologia de processo do negócio será consolidado na linha de negócios de papel e o setor de serviços na linha de negócios de serviços.
“A Valmet se beneficia da crescente demanda por produtos de base biológica globalmente. Com essa aquisição, damos mais um passo à frente e fortalecemos os segmentos de Tecnologia de Processos e Serviços. A combinação da oferta atual de fabricação de papel tissue da Valmet, serviços e oferta de automação, e as competências adquiridas de conversão de tissue são uma boa associação estratégica e formam uma base sólida para criar oportunidades de negócios e servir melhor nossos clientes. Estamos felizes e orgulhosos em dar as boas-vindas a todos os novos colegas da Körber Tissue”, celebra o presidente e CEO da Valmet, Pasi Laine.
“A Körber Tissue é um player global no mercado. A fusão é uma excelente oportunidade de formar um único player de tissue e traçar o caminho para o futuro. Nossa área de Tissue poderá expandir ainda mais seu potencial, oferta e alcance com a Valmet como sua nova proprietária”, comenta o CEO do Grupo Körber, Stephan Seifert.
A área de Tissue da Körber oferece tecnologias de processo e serviços para a conversão de bobinas de papel tissue em produtos para uso doméstico e não doméstico (institucional). Com a oferta mais ampla da indústria de conversão, ela possui linhas de produtos para rolos de papel tissue, assim como para papel tissue interfolhado, incluindo embalagem de produtos, bem como serviços e soluções digitais.
“A Valmet tem profunda expertise no mercado, foco no cliente e vasta experiência na integração de competências adicionais. Estamos muito satisfeitos por termos encontrado na Valmet um parceiro ideal para o futuro dos nossos colaboradores, clientes e fornecedores e, consequentemente, alavancar o nosso negócio”, complementa o CEO da Körber Tissue, Oswaldo Cruz.
Performance e resultados operacionais das empresas
Em 2022, as vendas líquidas da Körber Tissue totalizaram EUR 305 milhões e sua margem EBITDA ajustada foi de aproximadamente 12%. A empresa possui um forte e crescente negócio de serviços, que representou 36% das vendas líquidas totais em 2022. Atualmente, a companhia alemã emprega cerca de 1.170 funcionários na Itália, Brasil, EUA, China e Japão.
No final do 1.º trimestre de 2023, a Valmet tinha uma forte liquidez de caixa no valor de EUR 429 milhões e passivos líquidos com juros totalizando EUR 345 milhões. A relação dívida líquida para EBITDA da Valmet foi de 0,49 e a alavancagem de 15%. A empresa vai realizar uma coletiva de imprensa sobre o resultado parcial do segundo trimestre de 2023, em 26 de julho de 2023, às 15h, horário finlandês (EEST), com um webcast ao vivo. O presidente e CEO, Pasi Laine, e a CFO, Katri Hokkanen, apresentarão os resultados e discutirão a aquisição da área de negócios Tissue do Grupo Körber.
Economia
Presidente do Concen-MS participa de reunião na ANEEL sobre regras que afetam a tarifa de energia
Representantes de associações e entidades de defesa dos consumidores de energia elétrica participaram nesta quinta-feira (25), em Brasília, de uma reunião promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para discutir propostas de aperfeiçoamento da metodologia do Fator X, componente utilizado nos processos de reajuste e revisão tarifária das distribuidoras de energia elétrica. A iniciativa faz parte das discussões preparatórias para uma futura consulta pública sobre o tema.
Entre os participantes esteve a presidente do Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Energisa Mato Grosso do Sul (Concen-MS) e também do Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica (Conacen), Rosimeire Costa, que representou os consumidores nas discussões sobre os impactos da metodologia tarifária e a necessidade de ampliar os mecanismos de participação social nas decisões regulatórias.
O Fator X é um dos componentes considerados pela ANEEL nos reajustes tarifários e tem como objetivo compartilhar com os consumidores os ganhos de produtividade obtidos pelas distribuidoras ao longo dos ciclos tarifários. Atualmente, o mecanismo também incorpora indicadores relacionados à qualidade do serviço prestado e à satisfação dos consumidores.
Durante a reunião, Rosimeire Costa destacou a importância de que as futuras alterações continuem fortalecendo o papel do consumidor dentro do modelo regulatório brasileiro.
“É fundamental que os indicadores utilizados pela ANEEL reflitam cada vez mais a experiência real do consumidor. A qualidade do fornecimento, a eficiência dos serviços prestados e a percepção dos usuários precisam estar no centro das discussões tarifárias”, afirmou.
A dirigente também ressaltou que os conselhos de consumidores acompanham de forma permanente os processos tarifários em todo o país e têm papel estratégico na tradução dos temas regulatórios para a sociedade.
O encontro foi conduzido por técnicos da agência reguladora e integra uma série de discussões com os diferentes segmentos envolvidos no setor elétrico. Segundo a ANEEL, o objetivo é aprimorar a metodologia do Fator X para que os ganhos de eficiência das distribuidoras sejam compartilhados com os consumidores de forma mais equilibrada e transparente. Uma consulta pública deverá ser aberta nos próximos meses para receber contribuições da sociedade, distribuidoras, especialistas e entidades representativas.
A discussão ocorre em um momento em que a agência vem ampliando o peso dos indicadores de satisfação do consumidor na composição das tarifas. Em janeiro deste ano, a ANEEL aprovou mudanças que reforçam a influência da avaliação dos consumidores sobre a receita das distribuidoras, por meio de indicadores como o Índice ANEEL de Satisfação do Consumidor (IASC) e mecanismos relacionados ao atendimento das demandas registradas pelos usuários.
Para Rosimeire Costa, a participação das entidades de consumidores nesse processo é essencial para garantir que as mudanças regulatórias resultem em benefícios concretos para a população.
“Nosso papel é assegurar que as decisões regulatórias considerem não apenas os aspectos técnicos e econômicos do setor, mas também os impactos diretos na vida dos consumidores que pagam suas contas de energia todos os meses”, concluiu.
Foto: Divulgação / ANEEL
Economia
Brasileiros já convivem com o dólar no dia a dia, mas ainda investem pouco na moeda
Mesmo quem nunca comprou um único dólar já convive diariamente com os efeitos da moeda americana. Combustíveis, medicamentos, eletrônicos, passagens aéreas e parte dos alimentos consumidos no Brasil possuem preços influenciados pelo câmbio. A diferença é que, para a maioria das pessoas, essa exposição acontece apenas do lado das despesas — e não do patrimônio.
“O brasileiro já está dolarizado sem perceber. O problema é que essa exposição normalmente acontece apenas quando os preços dos produtos consumidos sobem. Ter parte do patrimônio em ativos atrelados ao dólar pode funcionar como um mecanismo de proteção e diversificação”, afirma Pedro Fontes, Analista de Research do MB | Mercado Bitcoin.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros sofre influência direta ou indireta do dólar. O levantamento sugere que uma exposição semelhante a ativos dolarizados pode ajudar a neutralizar parte do impacto cambial sobre o poder de compra da população.
Acesso simplificado ao dólar com Stablecoins
Durante décadas, investir em dólar exigia abrir contas internacionais, realizar remessas bancárias, converter moedas e aguardar processos de liquidação que podiam levar dias. O avanço das stablecoins — criptomoedas lastreadas em moedas fiduciárias, como o dólar — vem mudando esse cenário.
Com ativos como USDT e USDC, o acesso ao dólar ocorre de forma digital, com negociação disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, liquidação praticamente instantânea e maior transparência nos custos de conversão.
“A tecnologia eliminou grande parte da burocracia associada à dolarização. Hoje é possível acessar o dólar em segundos, sem depender dos processos tradicionais do sistema financeiro internacional”, afirma Pedro.
O crescimento das stablecoins reflete essa transformação. Juntas, USDT e USDC já somam mais de US$ 260 bilhões em circulação, movimentando volumes superiores à base monetária de diversos países. As reservas que lastreiam esses ativos são compostas majoritariamente por títulos do Tesouro americano, colocando suas emissoras entre os maiores financiadores da dívida pública dos Estados Unidos.
Dólar digital também possibilita rendimento
Outro diferencial das stablecoins é a possibilidade de combinar exposição cambial com geração de renda. Enquanto recursos mantidos em contas internacionais frequentemente permanecem sem rendimentos, algumas soluções do mercado permitem que investidores obtenham ganhos adicionais sobre seus ativos dolarizados.
No Mercado Bitcoin, por exemplo, investidores podem adquirir dólar digital por meio de stablecoins como USDT e USDC e utilizá-las em soluções de staking que atualmente oferecem rendimentos de até 5% ao ano em dólar.
Na prática, isso permite reunir três características em um único ativo: exposição à moeda americana, liquidez praticamente imediata e potencial de rendimento em uma moeda forte.
“O debate sobre dolarização não deveria estar restrito à expectativa sobre o câmbio. O ponto principal é reconhecer que parte relevante da vida financeira dos brasileiros já depende do dólar. A questão é se os investimentos acompanham essa realidade”, conclui Pedro.
Sobre o MB | Mercado Bitcoin
Com 4,5 milhões de clientes em 13 anos de operação, o MB | Mercado Bitcoin é a plataforma de investimentos em ativos digitais líder na América Latina, a partir da atuação como corretora de criptomoedas, tokenizadora de ativos e banco digital. Primeiro unicórnio cripto brasileiro, tem sedes no Brasil e em Portugal e opera com os mais altos padrões de transparência e integridade financeira, sendo auditada pela KPMG, uma das maiores empresas de auditoria do mundo.
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