TRÊS LAGOAS
Pesquisar
Close this search box.

Agronegócios

UE barra carnes do Brasil a partir de setembro e pode frear mercado de quase R$ 10 bilhões

Publicado em

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco europeu caiu como uma bomba, nesta terça-feira (12.05). A medida, anunciada 12 dias depois da entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, prevê restrições às exportações brasileiras de animais destinados à alimentação humana e derivados a partir de 3 de setembro, caso o país não comprove conformidade com as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

O bloqueio poderá atingir exportações de carne bovina, aves, ovos, produtos da aquicultura, mel e outros itens de origem animal. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil precisará demonstrar que atende integralmente às exigências relacionadas ao controle e uso de antibióticos e medicamentos veterinários durante todo o ciclo produtivo dos animais.

Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura, Desenvolvimento, Indústria e Relações Exteriores afirmaram ter recebido a decisão “com surpresa” e informaram que o governo adotará imediatamente medidas para tentar reverter a situação antes da entrada em vigor das restrições.

“O Brasil possui um sistema sanitário robusto e reconhecido internacionalmente. O país exporta proteínas animais para o mercado europeu há mais de 40 anos e continuará trabalhando para garantir a manutenção desse fluxo comercial”, afirmaram os ministérios por meio de suas assessorias.

DIMENSÃO – A União Europeia não é o maior comprador de carne brasileira em volume, mas é um dos mercados mais valiosos para o setor. Em 2025, o bloco europeu importou cerca de US$ 1,8 bilhão (quase R$ 10 bilhões) em proteínas animais do Brasil, somando aproximadamente 368 mil toneladas entre carne bovina e frango. Só a carne bovina gerou mais de US$ 1 bilhão em receita.

O peso econômico da Europa vai além do volume embarcado porque o bloco compra cortes premium e paga mais pela carne brasileira. Em média, os europeus desembolsam cerca de US$ 8,2 mil por tonelada de carne bovina, valor muito acima da média geral das exportações brasileiras. Ou seja: perder esse mercado afeta diretamente a rentabilidade dos frigoríficos e de parte da cadeia pecuária.

Sobre os antimicrobianos, a questão é mais complexa do que simplesmente afirmar que o Brasil “usa antibióticos proibidos”. A União Europeia endureceu nos últimos anos as regras contra o uso preventivo de antibióticos e contra substâncias usadas para acelerar ganho de peso animal, por receio do avanço da resistência bacteriana em humanos. Algumas substâncias antes comuns na pecuária mundial passaram a ser vetadas no bloco europeu.

No Brasil, o uso veterinário de antimicrobianos é permitido dentro de protocolos autorizados pelo Ministério da Agricultura e pela Anvisa. O problema apontado pelos europeus não é necessariamente contaminação da carne exportada, mas a falta de garantias documentais e de rastreabilidade total durante toda a vida do animal. A UE quer comprovação completa de que determinados antibióticos proibidos no bloco não foram usados em nenhuma etapa da criação.

Esse ponto ajuda a explicar por que Argentina, Uruguai e Paraguai continuaram habilitados, enquanto o Brasil ficou fora da lista revisada da UE. A crítica europeia está centrada menos no produto final e mais no sistema de controle, monitoramento e rastreamento sanitário apresentado pelo país. Ao mesmo tempo, entidades do agro brasileiro argumentam que há também forte pressão política de produtores europeus, especialmente da Irlanda e da França, preocupados com a competitividade da carne sul-americana após o avanço do acordo Mercosul-União Europeia.

Apesar da decisão europeia, as exportações brasileiras seguem ocorrendo normalmente neste momento. O prazo até setembro abre espaço para negociações técnicas entre autoridades brasileiras e europeias na tentativa de comprovar conformidade com as normas exigidas pelo bloco.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também reagiu à decisão e afirmou que o setor já atende às regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos. Segundo a entidade, o Brasil possui rígidos protocolos de rastreabilidade, fiscalização veterinária e controle sanitário. O setor brasileiro cumpre integralmente os requisitos da União Europeia e demonstrará isso às autoridades sanitárias europeias”, informou a associação em nota.

Do outro lado a medida foi comemorada por produtores rurais europeus, especialmente na Irlanda, onde entidades agrícolas têm pressionado a Comissão Europeia contra o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Representantes da Irish Farmers’ Association alegam preocupação com o controle sanitário e o uso de antibióticos na pecuária brasileira.

O presidente da entidade irlandesa, Francie Gorman, afirmou que a decisão representa “um primeiro passo importante” e defendeu regras mais rígidas para rastreamento e controle de medicamentos utilizados na produção animal brasileira.

A tensão ocorre em um momento sensível das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia. O acordo entre os blocos começou a entrar em vigor provisoriamente neste mês e vinha sendo apontado como oportunidade para ampliar as exportações do agronegócio brasileiro ao mercado europeu.

Especialistas avaliam que, além da questão sanitária, a decisão também reflete pressões políticas e econômicas de produtores europeus preocupados com o avanço da competitividade da carne brasileira dentro do bloco. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta evitar que o impasse evolua para uma barreira comercial com impactos diretos sobre um dos principais mercados consumidores de proteína animal do mundo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook

Agronegócios

Exportações de madeira movimentaram R$ 860 milhões com retomada dos EUA

Published

on

By

O Brasil vendeu R$ 859 milhões em abril, avanço de 34% no comparativo mensal, em produtos de madeira para os Estados Unidos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram avanço tanto no volume embarcado quanto no faturamento do setor, impulsionados principalmente pela retomada da demanda dos Estados Unidos.

Segundo o levantamento, os embarques da cesta de produtos florestais saltaram de 515,5 mil metros cúbicos em março para 771,3 mil metros cúbicos em abril, crescimento de 38% em apenas um mês.

O faturamento das exportações passou de R$ 641,5 milhões em março para R$ 859 milhões em abril, avanço de 34% no comparativo mensal. O resultado representa a primeira recuperação consistente de 2026 acima dos níveis registrados no ano passado, tanto em volume quanto em receita.

A retomada do mercado norte-americano foi decisiva para o avanço das exportações brasileiras. Após a redução das tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, de 50% para 10%, as negociações voltaram a ganhar ritmo e ampliaram a competitividade da madeira nacional.

Segundo o Mdic, os Estados Unidos responderam por cerca de um terço de todas as exportações brasileiras de madeira em abril. O principal destaque foi o compensado de Pinus destinado ao mercado norte-americano. As vendas do produto saltaram de R$ 41 milhões em março para R$ 132 milhões em abril, praticamente retornando aos níveis observados em 2025.

Entre os produtos mais exportados, a madeira serrada de Pinus liderou os embarques, com 320,5 mil metros cúbicos exportados e faturamento de R$ 370 milhões. Na sequência aparece o compensado de Pinus, que movimentou R$ 346 milhões, com embarques de 234,6 mil metros cúbicos.

Apesar da recuperação em abril, o setor ainda acumula retração em 2026. Entre janeiro e abril, as exportações dos produtos monitorados pela WoodFlow somaram R$ 2,72 bilhões, abaixo dos R$ 3,16 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Em volume, os embarques também seguem menores, refletindo a desaceleração da demanda internacional observada nos primeiros meses do ano, além das oscilações logísticas e da instabilidade econômica global.

A avaliação do mercado é de que o ambiente internacional seguirá sendo determinante para o ritmo das exportações brasileiras de madeira ao longo de 2026, especialmente diante da forte dependência do mercado norte-americano para produtos industrializados do setor florestal.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue Reading

Agronegócios

Agro exporta quase R$ 6 bilhões em abril com disparada da soja e do milho

Published

on

By

As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul registraram forte recuperação em abril e movimentaram cerca de R$ 5,85 bilhões, impulsionadas principalmente pelo avanço dos embarques de soja, milho, óleo de soja e proteínas animais. Os dados constam no relatório mensal de comércio exterior divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Segundo o levantamento, o agro gaúcho exportou US$ 1,17 bilhão no mês, alta de 37,6% em relação a abril do ano passado. Em volume, os embarques cresceram 59,3%, alcançando 1,78 milhão de toneladas. O setor respondeu sozinho por 67% do valor total exportado pelo estado e por mais de 86% de todo o volume embarcado no período.

O principal destaque foi o complexo soja, beneficiado pela entrada mais forte da nova safra no mercado. As exportações do segmento somaram US$ 347,6 milhões — cerca de R$ 1,74 bilhão — avanço de 97% sobre abril de 2025.

A soja em grão liderou a recuperação. O Rio Grande do Sul embarcou 405,5 mil toneladas do produto, com crescimento superior a 100% tanto em volume quanto em receita. A China retomou protagonismo nas compras e ampliou significativamente os embarques da oleaginosa gaúcha.

O farelo de soja também avançou, puxado principalmente pela demanda de países como Irã, Coreia do Sul, França e Vietnã. Já o óleo de soja bruto ganhou espaço nas exportações para a Índia, que praticamente concentrou as compras do produto no mês.

Outro destaque foi o milho. As exportações do cereal dispararam em relação ao ano passado e somaram US$ 69,8 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 349 milhões. Em volume, os embarques chegaram a 302,4 mil toneladas.

Enquanto soja e milho avançaram, o trigo seguiu caminho oposto. As exportações do cereal caíram mais de 68% na comparação anual. Segundo a Farsul, o recuo está ligado à ausência de operações excepcionais realizadas com a Nigéria em 2025 e ao cenário internacional de elevada oferta e forte concorrência entre exportadores.

As proteínas animais também sustentaram o crescimento das vendas externas do estado. A carne bovina registrou alta de 41,9% em valor, impulsionada pela retomada da demanda chinesa. A carne suína teve um dos melhores desempenhos do mês, com forte crescimento nas vendas para Filipinas, Malásia, Vietnã, África do Sul e Chile.

A Ásia manteve posição de principal destino do agronegócio gaúcho, movimentando mais de US$ 572 milhões em abril. A China voltou a liderar o ranking de compradores, seguida por Estados Unidos, Vietnã, Índia e Coreia do Sul.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, as exportações do agro do Rio Grande do Sul somam US$ 4,26 bilhões, cerca de R$ 21,3 bilhões, com crescimento de 3,5% frente ao mesmo período do ano passado.

O levantamento também aponta uma mudança gradual no perfil dos mercados compradores, com aumento da participação de países como Filipinas, Egito, Índia e Turquia. Para a Farsul, o movimento demonstra maior diversificação das exportações gaúchas, reduzindo parcialmente a dependência do mercado chinês.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue Reading

TRÊS LAGOAS

Três Lagoas13/05/2026

VAGAS DE EMPREGO – Veja as oportunidades disponíveis na Casa do Trabalhador nesta quarta-feira (13)

A Prefeitura de Três Lagoas e a Casa do Trabalhador divulgam as oportunidades de empregos disponíveis nesta quarta-feira, 13 de...

Três Lagoas12/05/2026

Três Lagoas destaca potencial turístico do Parque do Pombo durante maior evento mundial de observação de aves

O município de Três Lagoas deu mais um passo para fortalecer o turismo de natureza ao participar, no último sábado...

Três Lagoas12/05/2026

PARTICIPE – Prefeitura de TL realiza audiência pública para prestação de contas do 1º quadrimestre de 2026

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Fazenda, realizará no dia 28 de maio a audiência...

Três Lagoas12/05/2026

Prefeitura inicia manutenção predial corretiva programada na USF Jardim Atenas nesta quinta-feira (14)

A Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Três Lagoas informa que a Unidade de Saúde da Família USF...

Três Lagoas12/05/2026

Caravana “Eletrônico Não é Lixo” chega a Três Lagoas durante a Semana do Meio Ambiente

A população de Três Lagoas terá mais uma oportunidade de realizar o descarte correto de resíduos eletrônicos com a chegada...

Três Lagoas12/05/2026

Sua opinião importa: participe do Orçamento Participativo da LDO 2027

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Fazenda (SEFAZ), quer ouvir a população. Por isso, convida...

ÁGUA CLARA

CÂMARA DE TRÊS LAGOAS

SUZANO

ELDORADO

Assembléia Legislativa MS

Mato Grosso do Sul

POLICIAL

Mais Lidas da Semana