Agronegócios
Primeira onda de frio do ano acende alerta para geadas e pode afetar milho, café e pecuária
A primeira onda de frio de 2026 começou a avançar pelo Centro-Sul do Brasil neste fim de semana e já colocou o agronegócio em alerta, principalmente em áreas produtoras de milho safrinha, café, hortaliças e pecuária leiteira. Depois de provocar geadas no Rio Grande do Sul no sábado (09.05) e hoje, a massa de ar polar deve derrubar as temperaturas ao longo desta semana em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O frio em si não preocupa tanto o setor produtivo. O risco está nos efeitos que temperaturas mais baixas podem provocar sobre lavouras em fase sensível de desenvolvimento, pastagens e manejo animal.
Segundo meteorologistas, a massa de ar polar entrou pelo interior do continente, e não pelo oceano, como costuma ocorrer na maior parte das incursões frias de outono. Esse trajeto continental faz o ar gelado avançar com mais intensidade sobre áreas agrícolas do país e permanecer por mais tempo.
O maior ponto de atenção está no milho safrinha do Paraná, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo. Em regiões onde o plantio ocorreu mais tarde, as lavouras ainda estão em fase de enchimento de grãos e podem sofrer perdas caso as geadas avancem sobre áreas produtoras.
Há previsão de geada ampla nos três estados do Sul até a quarta-feira (13), além de risco moderado para o sul de Mato Grosso do Sul e possibilidade baixa no oeste paulista. No Paraná, o frio deve ganhar força principalmente entre segunda (11) e terça-feira (12), com temperaturas entre 4°C e 7°C em parte do estado. Em áreas mais elevadas do sul paranaense, os termômetros podem se aproximar de zero grau.
Para o milho, o impacto depende diretamente do estágio da lavoura. Áreas mais avançadas tendem a sofrer menos. Já plantas ainda em formação podem registrar queda de produtividade em caso de geada mais intensa.
O café também entra no radar do setor climático. Apesar de o frio mais forte atingir inicialmente o Sul do país, a massa de ar deve avançar sobre o Sul de Minas e parte da Mogiana paulista ao longo da semana.
Neste primeiro momento, o cenário ainda não aponta risco elevado para cafezais, mas o mercado acompanha o avanço da massa polar porque episódios de frio mais intenso nesta época do ano costumam aumentar a volatilidade nos preços internacionais do café.
Na pecuária, os efeitos tendem a ser mistos. O frio reduz o desenvolvimento das pastagens, especialmente em sistemas a pasto no Sul e Centro-Oeste, e aumenta a necessidade de suplementação alimentar em algumas regiões.
Por outro lado, as temperaturas mais baixas ajudam a reduzir parte do estresse térmico sobre bovinos confinados e animais leiteiros, favorecendo desempenho zootécnico em determinadas condições.
A frente fria também pode beneficiar culturas de inverno. O trigo, por exemplo, tende a ganhar umidade e ambiente mais favorável para desenvolvimento inicial em parte do Paraná e Rio Grande do Sul.
Outro efeito observado pelo setor está no risco de atraso logístico. A previsão de chuva, vento forte e temporais em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste pode dificultar operações de colheita, transporte e escoamento da produção nos próximos dias.
Segundo os meteorologistas, várias cidades do Centro-Sul devem registrar as menores temperaturas do ano até agora, com marcas até 10°C abaixo da média histórica de maio. A expectativa é de que o frio perca intensidade apenas a partir da quarta-feira (13), quando a massa polar começa a avançar em direção ao oceano.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Estado concentrou 56% de toda a expansão regional. Crescimento de 98 mil hectares de soja
O segundo capítulo da série “Mapas Agro”, da Serasa Experian, aponta um avanço de 175 mil hectares na área de soja plantada na safra 2025/2026, considerando a soma dos dados de Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. O ritmo de crescimento foi puxado principalmente pela Bahia, que concentrou 56% de toda a expansão registrada no bloco analisado, o equivalente a cerca de 98 mil hectares.
Com esse resultado, a Bahia consolida seu protagonismo como o maior produtor de soja do Nordeste. O estado atingiu 2,27 milhões de hectares cultivados, uma alta de 4,5% frente ao ciclo anterior e um salto acumulado de 23% nos últimos seis anos. Os municípios de São Desidério, Jaborandi, Correntina, Formosa do Rio Preto e Cocos foram os principais motores desse aumento na área plantada.
O avanço do milho Além da soja, o levantamento destaca uma alta expressiva de 20% na área de milho de primeira safra, que atingiu 360 mil hectares nas regiões estudadas. A Bahia lidera esse cenário, com 190 mil hectares, movimento diretamente ligado à expansão da indústria de etanol de milho no Oeste baiano. A estratégia das usinas em busca de biomassa tem incentivado produtores a ampliar o cultivo do grão.
Crescimento no Centro-Oeste Em Goiás e no Distrito Federal, a soja segue em ritmo forte, atingindo 5,84 milhões de hectares. Comparado à safra 2020/2021, o crescimento acumulado na região chega a 28,4%, ou 1,2 milhão de hectares a mais. No Mato Grosso do Sul, a área cultivada chegou a 3,9 milhões de hectares, com uma expansão de 14,4% nos últimos seis anos.
Transparência e compliance Mais do que medir hectares, o relatório da Serasa Experian oferece uma ferramenta de inteligência para bancos, cooperativas e tradings, que utilizam esses dados para monitorar riscos e garantir a conformidade socioambiental. O mapeamento identifica áreas cultivadas em imóveis que possuem registros de supressão de vegetação após julho de 2019, conforme as regras previstas no Manual de Crédito Rural (MCR).
O levantamento também aponta a presença da cultura em assentamentos rurais, com destaque para o Mato Grosso do Sul (100 mil hectares) e Goiás/Distrito Federal (70 mil hectares).
Para Dyego Santos, gerente de soluções agro da Serasa Experian, essa tecnologia de monitoramento é hoje um ativo estratégico para o setor. “Em um cenário marcado pela restrição de crédito e novas exigências de rastreabilidade, a previsibilidade tornou-se fundamental. O cruzamento de imagens de satélite com inteligência territorial permite que as instituições avaliem o risco com mais profundidade, garantindo que o crédito chegue a quem opera dentro das normas e contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável”, afirma.
O uso dessas informações permite que as empresas do setor planejem suas operações logísticas e comerciais com antecedência, antecipando tendências e ajustando estratégias de investimento conforme a real ocupação do solo e a conformidade das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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