Mato Grosso do Sul
Formação ‘vira a chave’ em aldeia e indígenas de MS lucram mais de 2 mil reais em uma semana de trabalho
Nem o frio e nem a chuva que mudaram o tempo repentinamente conseguiu desanimar quem estava decidido a encarar o desafio do Empretec Indígena, na aldeia Marangatu, em Antônio João (MS). O seminário realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, em parceria com o Sebrae e apoio da Prefeitura de Antônio João, terminou no último sábado (1º), com histórias que mostram como o conhecimento pode transformar vidas e gerar renda.
Uma das participantes que mais se destacou foi a professora de Química, Jéssica Barbosa de Carvalho, de 32 anos. No início, ela nem pensava em fazer o curso. “Eu falei pro professor: ‘pra que eu vou fazer se não tenho nada pra vender’?”, relembra. Desafiada pelos colegas, acabou aceitando o convite, e saiu do Empretec com uma nova visão.


“Eu entendi que empreender é muito mais do que vender alguma coisa. É sobre atitude, persistência, comprometimento. Aprendi que o medo é o que mais impede a gente de tentar”, contou.
Durante a formação, Jéssica integrou o grupo responsável pela “Estação do Sorvete”, uma empresa criada dentro do seminário para simular um negócio real. A ideia inicial era abrir uma sorveteria, mas o frio e a chuva dos primeiros dias mudaram os planos. “A gente pensou: se o tempo muda, o cardápio também pode mudar. Então criamos a Estação do Sabor, pra vender de tudo um pouco: doce, caldo, pocheirada”, explicou.
De casa em casa, o grupo enfrentou o barro, a chuva e o cansaço para oferecer seus produtos na comunidade. O resultado surpreendeu até as próprias empreendedoras.
“A gente começou entregando embaixo de chuva, e mesmo assim deu certo. Em cinco dias, faturamos R$ 2.408, quase metade do salário que eu ganho como professora. Isso mostrou que é possível, que a gente tem cabeça e capacidade pra fazer acontecer”, comemorou Jéssica.
E para quem nunca havia batido de porta em porta e achava que poderia ser até humilhante tentar vender alguma coisa, o exercício foi transformador. “Percebi que eu consigo convencer as pessoas, consigo fazer acontecer. Agora quero continuar com o projeto”, disse.

Empretec Indígena
Criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e aplicado no Brasil pelo Sebrae, o Empretec é uma metodologia que desenvolve o comportamento empreendedor.
Desde 2024, o Governo do Estado passou a realizar a versão “Indígena”. Inédito no País, o primeiro foi realizado em abril do ano passado, com os Ofaié, no município de Brasilândia.
Durante seis dias intensos, os participantes vivenciam desafios práticos e reflexões que estimulam a autoconfiança, a capacidade de planejamento e a busca por resultados. Voltado a despertar o potencial e transformar atitudes, o Empretec propõe uma verdadeira imersão para quem deseja empreender com propósito e protagonismo.
No encerramento do seminário realizado na Marangatu, em Antônio João, o analista do Sebrae e facilitador Empretec, Francisco Júnior, falou sobre o significado simbólico da formação e a importância de os participantes reconhecerem sua própria força.
“Vamos dizer que este é o encerramento de uma maneira de viver que vocês estavam levando até agora — e o início de algo novo, de um tempo em que vocês vão poder dizer: valeu a pena mudar, essa experiência chegou na hora certa. E o mais importante é lembrar que as únicas pessoas que podem dizer se vocês podem ou não fazer algo, são vocês mesmos. Todos os dias, olhem para si e digam: eu consegui chegar até aqui, imagina o que posso alcançar daqui pra frente”, provocou Francisco.
Na semana que passaram juntos, imersos no aprendizado do empreendedorismo, o grupo de 27 indígenas venceram desafios, e nas palavras do analista, superaram a si mesmos. “Mesmo com chuva, barro e cansaço, vocês persistiram. Isso é força, é resiliência, é acreditar. A partir de agora, a vida e a condução são de vocês. Perguntem-se sempre: o que posso fazer melhor do que ontem? O que posso fazer para que minha comunidade cresça comigo?”, completou.

O subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários, Fernando Souza, destacou a emoção de ver o brilho nos olhos dos participantes e a importância de levar o programa para dentro das aldeias:
“Eu estou muito feliz por vocês. Quando estive aqui no primeiro dia, vi nos rostos uma certa dúvida sobre o que seria o Empretec. Hoje, apesar do cansaço, vejo um brilho nos olhos, e isso nos alegra muito”, afirma.
Em nome do Governo do Estado, Fernando contextualizou como foi o processo de trazer o Empretec para dentro do território indígena. “Vencemos muitas barreiras, porque acreditamos no potencial e na força de trabalho de vocês. Enfrentamos resistências, ouvimos questionamentos, como por exemplo: ‘por que levar o Empretec para uma comunidade indígena?’, mas seguimos firmes, porque sabemos que temos capacidade de crescer. Eu sou prova disso. A gente pode evoluir, melhorar de vida, sem deixar de ser quem somos: Guarani, Kaiowá, Terena, Ofaié. O que queremos é ver o nosso povo crescendo, se fortalecendo e construindo um futuro melhor.”
A vereadora do município de Antônio João, liderança da Terra Indígena Marangatu e também participante do Empretec, Inaye Lopes reforçou que o seminário é a realização de um sonho antigo.
“Esse curso era um sonho nosso desde o início. A comunidade precisava de uma formação que mostrasse como usar o território de forma produtiva e sustentável. Agradeço aos participantes que acreditaram e se inscreveram, mesmo com as dificuldades. Tivemos jovens, acadêmicos e até o seu Carlos, com 78 anos, que nos dá um exemplo lindo de que nada é impossível quando a gente quer. Que venham mais cursos como este para fortalecer nossa juventude e o nosso território.”

Entre os participantes, um exemplo de união familiar chamou atenção. Pai e filha decidiram transformar o aprendizado em negócio real. Durante o curso, Adão Benites, que é diretor da escola onde o seminário aconteceu, e a herdeira Karine Benites, criaram uma empresa fictícia que já é uma realidade.
“A ideia é vender doces, carne assada, frango caipira e caldos, produtos que já fazíamos antes. Agora, com o que aprendemos, ganhamos confiança para abrir de verdade a Soberana S.A., junto com minha esposa Cleusa e meu genro Adelso”, conta o morador da localidade Soberana, uma das 12 divisões da Aldeia Marangatu.
O nome da empresa vem do próprio lugar onde vivem, Soberana, e simboliza o orgulho de empreender com raízes fincadas na terra indígena que os viu crescer.
Realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, em parceria com o Sebrae/MS e com apoio das prefeituras municipais, o Empretec Indígena faz parte de uma agenda que valoriza o empreendedorismo como ferramenta de autonomia e transformação social. Novas edições já estão confirmadas em outros territórios indígenas e, de forma inédita no Estado, será realizado também o primeiro Empretec Quilombola, em Nioaque, ampliando o alcance da formação e reafirmando o compromisso com o fortalecimento das comunidades tradicionais.

Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Turismo de MS amplia conectividade com mais um voo da Latam entre São Paulo e Bonito
A conectividade aérea de Bonito, considerado o principal destino de ecoturismo do Brasil, será fortalecida a partir de 25 de outubro com a ampliação da operação da LATAM Airlines entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) e Bonito (MS). A companhia aérea passará a oferecer três voos semanais, o que amplia a integração de Mato Grosso do Sul com o principal hub aéreo do país.
Atualmente com operações às quartas-feiras e aos sábados, a LATAM incluirá um novo voo aos domingos e ajustará sua malha para operações às quartas, sextas e domingos. Os voos seguirão os seguintes horários: saída de Guarulhos (GRU) às 9h30, com chegada em Bonito (BYO) às 10h30, e retorno às 11h10, pousando em São Paulo às 14h05.
A ampliação da frequência representa um importante avanço para o turismo sul-mato-grossense, proporcionando mais opções de deslocamento aos visitantes, maior flexibilidade na programação das viagens e ampliação das conexões nacionais e internacionais por meio do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O elevado índice de ocupação dos voos foi determinante para viabilizar a expansão da operação, resultado do trabalho contínuo desenvolvido pelo Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Turismo (Fundtur MS), em parceria com o trade turístico.
Segundo o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling, a nova frequência representa mais um avanço na estratégia de fortalecimento da malha aérea do estado. “A ampliação da operação da LATAM demonstra que o mercado responde positivamente aos investimentos realizados na promoção do destino. O bom desempenho da taxa de ocupação dos voos comprova o protagonismo de Bonito e a confiança da companhia em ampliar sua oferta. Além de facilitar o acesso ao principal destino de ecoturismo do Brasil, essa nova frequência amplia as possibilidades de conexão com diversos destinos nacionais e internacionais via Guarulhos, tornando Mato Grosso do Sul ainda mais competitivo no mercado turístico”.
Débora Bordin, comunicação FundturMS
Foto: Infraero
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
MS consolida protagonismo e recebe reconhecimento internacional por vigilância de vírus respiratórios
Visita técnica do Ministério da Saúde, TEPHINET e CDC de Atlanta destacou modelo integrado desenvolvido pela SES e fortaleceu cooperação para enfrentamento de doenças respiratórias
Mato Grosso do Sul encerrou quinta-feira (25) a programação da visita técnica promovida pela Coordenação-Geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e Outros Vírus Respiratórios do Ministério da Saúde, com participação da TEPHINET e do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), de Atlanta, nos Estados Unidos. Durante três dias, representantes das instituições conheceram de perto a estrutura e as estratégias adotadas pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) para vigilância, prevenção e resposta aos vírus respiratórios.
A escolha do Estado para receber a missão técnica representou o reconhecimento dos avanços alcançados na área e da capacidade de articulação entre diferentes setores envolvidos na vigilância em saúde.
Reconhecimento ao trabalho desenvolvido no Estado

Para a gerente de Influenza e Doenças Respiratórias da SES, Lívia Mello, a visita reforçou que Mato Grosso do Sul vem construindo, ao longo dos anos, uma resposta sólida e integrada frente aos vírus respiratórios.
“A visita da Coordenação Nacional da CG Covid, do Ministério da Saúde, da TEPHINET e da equipe do CDC de Atlanta nos trouxe a certeza de que estamos no caminho certo. Desde o convite, ficou claro que Mato Grosso do Sul foi escolhido por conseguir implementar medidas satisfatórias no enfrentamento aos vírus respiratórios, resultado de um trabalho contínuo de qualificação das equipes e fortalecimento das capacidades institucionais”, afirmou.
Segundo Lívia, a programação permitiu apresentar a estrutura estadual de vigilância, envolvendo áreas como Gerência de Influenza e Doenças Respiratórias, unidades sentinelas, imunização, Lacen, RENAVEH (Rede Estadual de Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar), Cievs, assistência farmacêutica e rede hospitalar.
“São diferentes áreas e superintendências que atuam de forma integrada para garantir uma resposta conjunta e eficiente. Esse reconhecimento nos estimula a continuar aprimorando nossas ações e buscando novas ferramentas para fortalecer ainda mais a vigilância”, destacou.
Modelo sul-mato-grossense recebe avaliação positiva do Ministério da Saúde
Durante a visita, a equipe do Ministério da Saúde conheceu o funcionamento do Lacen, do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, referência para SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), além de unidades sentinelas em Campo Grande e Sidrolândia.
Para a assessora técnica da Coordenação-Geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e Outros Vírus Respiratórios do Ministério da Saúde, Walquiria Almeida, o Estado se destaca nacionalmente pela capacidade de resposta e pela adoção de estratégias alinhadas às recomendações internacionais.
“A avaliação do Ministério da Saúde é muito positiva. Mato Grosso do Sul segue as diretrizes preconizadas pelo Ministério, alinhadas às recomendações da OMS/OPAS (Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde). O Estado frequentemente está à frente na implementação de estratégias e na capacidade de resposta da vigilância dos vírus respiratórios”, ressaltou.
Ainda conforme Valquíria, a integração entre os diferentes setores envolvidos no enfrentamento das doenças respiratórias contribui para uma atuação mais eficiente e qualificada no território.
Cooperação internacional fortalece vigilância em saúde
A consultora da TEPHINET e articuladora do projeto de cooperação técnica entre Ministério da Saúde e CDC, Graziela Alvares, destacou que Mato Grosso do Sul foi selecionado não apenas por características estratégicas, como a extensa faixa de fronteira internacional e a forte presença da suinocultura e avicultura, mas também pelos resultados alcançados pelo Estado.
“Mato Grosso do Sul foi escolhido com muito cuidado e carinho justamente pelo trabalho consistente que vem desenvolvendo na vigilância dos vírus respiratórios. Esta visita representou uma oportunidade importante para conhecermos, na prática, a realidade brasileira e fortalecermos a troca de experiências para qualificar ainda mais as ações em todo o país”, avaliou.
Ao longo da programação, os participantes acompanharam o fluxo laboratorial realizado pelo Lacen, conheceram a atuação dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalares e visitaram unidades sentinelas estratégicas para monitoramento de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave, reforçando a importância da vigilância integrada para proteção da saúde pública.


André Lima, Comunicação SES
Fotos: André Lima
Fonte: Governo MS
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