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Agronegócios

Fim do “tarifaço” traz alívio, mas prejuízo acumulado exige mais negociações para o agro

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A revogação do tarifaço de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, anunciada nesta quinta-feira (20.11) pelo governo dos Estados Unidos, encerra um período de pressão sobre setores estratégicos do agronegócio nacional. Por outro lado, o rompimento tarifário não resolve todas as distorções criadas desde agosto, e parte dos exportadores abre novas negociações para recuperação integral das exportações.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os Estados Unidos importaram 231 mil toneladas de carne bovina do Brasil até outubro, mesmo sob a tarifa extra. Estimativas de mercado apontam perda de aproximadamente R$ 300 milhões em receitas para o segmento de carnes, durante os meses de incidência da sobretaxa, devido à menor competitividade e contratos renegociados com margem reduzida.

No segmento de café, dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que o faturamento com exportações para o mercado norte-americano caiu aproximadamente 12% no período, reflexo da desvantagem competitiva em relação a fornecedores isentos de sobretaxa.

A medida dos EUA tem efeito retroativo a 13 de novembro: exportadores que pagaram uma tarifa extra sobre produtos contemplados com reembolso de valores. Foram beneficiados principalmente carne bovina, café em grão, além de frutas como banana, manga, goiaba e produtos tropicais. Por outro lado, itens processados, como café solúvel, mel e pescados, encontrados fora da lista e superam barreiras tarifárias elevadas.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, destacou, em nota oficial, que a retirada da tarifa representa uma vitória para boa parte do agro, mas que continuará exigindo dos EUA o mesmo tratamento para segmentos ainda prejudicados: “Vamos cobrar uma posição do governo americano. Mas hoje é dia de celebrar”.

Para o produtor rural, a reversão da tarifa permite retomar as bases de negociação anteriores a agosto, reorganizar contratos e reforçar a previsibilidade das margens de lucro. Entidades do setor afirmam que a decisão norte-americana reforça a importância do diálogo técnico e da mobilização institucional do agro brasileiro em fóruns internacionais.

Apesar do rompimento, especialistas alertam que o perfil restrito da lista de isenções exige novas rodadas de negociações. Segundo o Cecafé e associações da indústria alimentícia, a inclusão de processamentos – principalmente café solúvel e derivados de proteína animal – deve ter prioridade nas tratativas entre governos.

Em resumo:

  • Produtos beneficiados: carne bovina, café em grão e frutas tropicais.

  • Itens ainda sujeitos à tarifa: café solúvel, mel, pescados e outros industrializados.

  • Estimativa de prejuízo no agro entre agosto e novembro: mais de R$ 300 milhões (carnes) e faturamento do café em queda de 12%.

  • Os exportadores que embarcaram desde 13/11 terão reembolso das tarifas pagas.

  • Associações e governo sinalizam continuidade das negociações para ampliar o alcance dos benefícios nas próximas rodadas.

O agro brasileiro comemora vitória parcial, mas mantém a pressão para garantir condições equitativas a todo o setor exportador nos Estados Unidos. O resultado mostra que a articulação institucional e os dados concretos seguem sendo armas essenciais do produtor rural brasileiro na disputa pelos principais mercados globais.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Receita dá trégua em aplicação de multas da Reforma Tributária, mas é preciso atenção

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A Receita Federal confirmou que não aplicará multas em 2026 para os contribuintes que cometerem erros ao preencher o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas notas fiscais eletrônicas. O anúncio traz um alívio temporário para o agronegócio, setor que enfrenta uma das maiores reformulações operacionais de sua história.

A partir de 1º de agosto de 2026, quando começam a valer as novas obrigações de preenchimento, o governo adotará uma postura exclusivamente educativa. Caso o produtor rural ou a empresa do agro cometa alguma falha nas informações fiscais, haverá uma notificação com prazo de até 60 dias para a correção das inconsistências, sem aplicação de penalidades. As cobranças e punições financeiras efetivas foram postergadas para 1º de janeiro de 2027, data em que a CBS entra oficialmente em vigor.

O que são o IBS e a CBS

Para o produtor rural, entender a nova engrenagem é essencial, já que o modelo atual de impostos será progressivamente substituído por dois novos tributos que vão incidir diretamente sobre a comercialização da produção, insumos e maquinários:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): É o novo imposto federal. Ele vai unificar os atuais PIS e Cofins. Por ser de competência da União, sua arrecadação vai direto para o governo federal.

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): É o novo imposto estadual e municipal. Ele vai juntar o ICMS (que hoje é estadual) e o ISS (que é municipal). A gestão desse tributo será feita de forma conjunta por Estados e Municípios através de um órgão chamado Comitê Gestor do IBS.

Juntos, o IBS e a CBS formam o chamado IVA Dual (Imposto sobre o Valor Agregado). Na rotina do campo, a principal mudança está na forma de calcular: o imposto passará a ser cobrado apenas sobre o valor que o produtor agrega ao produto, permitindo o abatimento de créditos dos impostos pagos nas etapas anteriores (como na compra de fertilizantes, sementes ou diesel). É por isso que o preenchimento correto da nota fiscal se torna o coração do novo sistema.

Embora o governo tenha aberto uma janela sem punições, especialistas alertam que o prazo regulamentar não deve se traduzir em braços cruzados no campo. O momento exige preparação estratégica imediata, especialmente pelas particularidades logísticas e comerciais do agronegócio.

O produtor rural precisa entender que esse período sem multas é uma oportunidade para ajustar processos, revisar sistemas e compreender como a nova lógica tributária vai funcionar. Quem deixar para agir apenas em 2027 pode enfrentar dificuldades operacionais, erros fiscais e impactos financeiros importantes. Os dados transmitidos voluntariamente neste ano de aprendizado servirão de base para o governo calibrar as alíquotas de referência do futuro sistema.

O tamanho do desafio se reflete nos números oficiais: a Receita Federal informou que mais de 12,5 milhões de empresas já estão emitindo notas fiscais no ambiente de testes montado pelo governo, com um volume que já supera 13,5 bilhões de documentos processados.

Os especialistas recomendam ao homem do campo buscar orientação técnica especializada e atualizar os sistemas de gestão da fazenda o quanto antes, já que a Reforma Tributária muda não apenas tributos, mas também rotinas fiscais, parametrizações e obrigações acessórias. O produtor rural precisa estar cercado de informação confiável.

O cenário demanda atenção redobrada porque o arcabouço legal ainda está sendo desenhado. O regulamento operacional publicado pelo governo traz mais de 160 referências a futuras normas complementares que ainda dependem de publicação oficial por parte da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. Essas indefinições envolvem desde o desenho final dos layouts das notas fiscais até os procedimentos práticos de apuração de créditos para o produtor.

Entidades representativas do setor agropecuário começam a enviar sugestões de aprimoramento ao Ministério da Fazenda para tentar simplificar os mecanismos antes da estreia definitiva do modelo, garantindo que a transição no campo ocorra sem travar o escoamento da produção nacional.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Produção animal registra crescimento nos abates no primeiro trimestre

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O primeiro trimestre de 2026 registrou avanço no abate de bovinos, suínos e frangos no Brasil em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados constam das Pesquisas Trimestrais da Pecuária, divulgadas nesta terça-feira (19.05), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O balanço indica, por outro lado, uma desaceleração generalizada na comparação com o quarto trimestre de 2025.

No segmento de bovinos, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária entre janeiro e março. O volume representa uma alta de 3,3% na comparação anual, mas uma retração de 6,8% frente ao trimestre imediatamente anterior.

A produção de carcaças bovinas seguiu a mesma tendência: alcançou 2,63 milhões de toneladas, o que significa um incremento de 5,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e recuo de 10,2% na comparação trimestral.

O abate de suínos somou 15,27 milhões de cabeças no período, número 5,5% superior ao de igual intervalo do ano anterior. Frente ao fechamento de 2025, houve estabilidade, com leve redução de 0,1%. O peso acumulado das carcaças de suínos atingiu 1,37 milhão de toneladas, com crescimento de 2,6% ante o primeiro trimestre do ano passado e queda de 3,0% perante o quarto trimestre.

No setor de aves, o País abateu 1,71 bilhão de cabeças de frango nos primeiros três meses do ano, alta de 3,7% no confronto anual e recuo de 0,4% na comparação trimestral. O peso das carcaças totalizou 3,73 milhões de toneladas, com expansão de 7,0% na comparação anual e avanço de 2,3% frente ao trimestre anterior.

Leite, ovos e couro

Os dados do IBGE também mostraram o desempenho de outras cadeias da pecuária nacional:

  • Leite: A captação de leite cru inspecionado atingiu 6,78 bilhões de litros, volume 3,3% maior do que o registrado no primeiro trimestre de 2025. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve queda de 7,9%.

  • Ovos: A produção de ovos de galinha totalizou 1,21 bilhão de dúzias. O resultado aponta crescimento de 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e baixa de 3,5% frente ao trimestre imediatamente anterior.

  • Couro: Os curtumes que processam pelo menos 5 mil unidades anuais receberam 10,76 milhões de peças inteiras de couro cru bovino. O volume repetiu o desempenho de igual período de 2025 (variação de 0,0%), mas recuou 3,3% em relação ao último trimestre do ano passado.

Fonte: Pensar Agro

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