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Agronegócios

Esmagamento recorde de soja sinaliza avanço industrial e mudança no perfil do agro em 2026

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A revisão para cima das projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) reforça um movimento estrutural em curso no agronegócio brasileiro: a consolidação do País como grande processador de soja, e não apenas como exportador de grãos. Para 2026, a entidade elevou a estimativa de esmagamento de 60,5 milhões para 61 milhões de toneladas, o que representa novo recorde histórico e crescimento de 4,3% em relação ao volume processado em 2025.

O aumento, ainda que percentual aparentemente modesto frente à revisão anterior (+0,8%), carrega significado econômico relevante. Ele indica maior capacidade industrial instalada, avanço no aproveitamento interno da matéria-prima e reforço da estratégia de agregação de valor, num cenário em que margens na exportação de grãos seguem pressionadas por preços internacionais mais baixos e custos logísticos elevados.

A ampliação do processamento puxa a produção de derivados. A Abiove revisou a produção de farelo de soja de 46,6 milhões para 47 milhões de toneladas em 2026, alta de 0,9%, enquanto a fabricação de óleo de soja passou de 12,15 milhões para 12,25 milhões de toneladas, avanço de 0,8%. O desempenho reflete tanto o crescimento da oferta de grãos quanto a demanda firme por proteína vegetal e energia, especialmente nos mercados interno e externo.

Do lado das exportações, os ajustes também apontam para uma recomposição do mix vendido pelo Brasil. A projeção de embarques de soja em grão foi elevada para 111,5 milhões de toneladas, crescimento de 0,5% frente à estimativa anterior. Já as exportações de óleo de soja tiveram salto mais expressivo, passando de 1,3 milhão para 1,45 milhão de toneladas, expansão de 6,3%, sinalizando maior competitividade do produto processado no comércio internacional. As exportações de farelo permaneceram estáveis em 24,6 milhões de toneladas.

No mercado interno, o consumo segue como um dos principais vetores de sustentação da indústria. A Abiove estima que a demanda doméstica por farelo alcance 20,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 4,1% em relação ao ano anterior, impulsionada sobretudo pelos setores de proteína animal. O consumo de óleo de soja deve chegar a 10,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,9%, refletindo tanto o uso alimentar quanto a demanda para biocombustíveis.

Os estoques finais projetados indicam maior equilíbrio entre oferta e demanda. A Abiove estima estoque final de soja em 9,2 milhões de toneladas, ante 7,1 milhões em 2025, enquanto os estoques de farelo devem alcançar 7 milhões de toneladas e os de óleo, 533 mil toneladas.

Segundo o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, o avanço do esmagamento reflete o amadurecimento da cadeia industrial brasileira. “Ao processarmos 61 milhões de toneladas, estamos agregando valor à nossa matéria-prima e garantindo o suprimento de proteínas e energia para o mercado interno e global”, afirmou, em nota.

As projeções para 2026 partem de uma safra robusta. A produção de soja é estimada em 177,1 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, acima das 171,5 milhões de toneladas consolidadas na temporada anterior. As importações devem permanecer marginais, com previsão de 500 mil toneladas de grãos e 125 mil toneladas de óleo.

Em 2025, o Brasil produziu 171,5 milhões de toneladas de soja e processou 58,5 milhões de toneladas, resultando em 45,1 milhões de toneladas de farelo e 11,7 milhões de toneladas de óleo. As exportações, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), somaram 108,2 milhões de toneladas de grãos, 23,3 milhões de toneladas de farelo e 1,36 milhão de toneladas de óleo.

O conjunto dos dados indica que, mesmo em um ambiente de preços internacionais mais desafiador, o agronegócio brasileiro avança em direção a um modelo menos dependente da exportação de commodities in natura, com maior peso da indústria, do mercado interno e de produtos de maior valor agregado — uma mudança que tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos ciclos.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Soja lidera geração de renda no campo e reforça dependência brasileira das commodities

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A agricultura brasileira continuou altamente concentrada em poucas culturas em 2025. Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, mostram que a soja manteve ampla liderança no valor de produção, seguida por açúcar e milho, consolidando o protagonismo das commodities no desempenho econômico do agronegócio nacional.

Sozinha, a soja gerou R$ 260,2 bilhões em valor bruto de produção no ano passado — um montante superior ao de várias cadeias produtivas somadas e mais que o dobro da segunda colocada. O açúcar aparece em seguida, com R$ 105 bilhões, impulsionado pelo mercado internacional e pela rentabilidade do setor sucroenergético. O milho completa o grupo principal, com R$ 88,1 bilhões, sustentado pela demanda interna de ração animal e pelas exportações crescentes.

O levantamento mostra que o topo da renda agrícola brasileira está cada vez mais associado a produtos voltados ao mercado externo. O café, quarto colocado com R$ 69,2 bilhões, mantém posição tradicional como cultura de maior valor agregado, enquanto o algodão, com R$ 31,3 bilhões, consolidou-se como uma das cadeias mais competitivas do país, apoiada em produtividade elevada e forte demanda da indústria têxtil internacional.

Na sequência aparecem laranja (R$ 28,5 bilhões), arroz (R$ 22,3 bilhões) e mandioca (R$ 18,1 bilhões). Diferentemente dos grãos, essas culturas possuem maior participação no abastecimento interno e renda regional. A banana gerou R$ 16,1 bilhões e o cacau, R$ 15,3 bilhões, impulsionado pela valorização global do produto. Fecham o ranking fumo e feijão, ambos com R$ 12,2 bilhões.

O resultado evidencia um padrão estrutural: poucas cadeias concentram grande parte da riqueza agrícola, enquanto culturas alimentares essenciais mantêm importância social e regional, mas participação menor no valor econômico total.

A liderança da soja, por sua vez, vai além do território nacional. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil também ocupa a primeira posição mundial na safra 2024/25, com produção estimada em 171,5 milhões de toneladas, bem à frente dos Estados Unidos, com 119 milhões, e da Argentina, com 51,1 milhões.

O ranking global confirma a concentração da oferta nas Américas. Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Canadá e Uruguai respondem pela maior parte da produção mundial do grão, o que transforma a região em eixo central da segurança alimentar internacional, especialmente no fornecimento de proteína vegetal para ração animal.

A predominância da soja ajuda a explicar o peso do agronegócio na economia brasileira. O grão participa diretamente das exportações, do equilíbrio da balança comercial e da formação de renda em diversas regiões do país. Ao mesmo tempo, aumenta a sensibilidade do setor a fatores externos, como preços internacionais, câmbio e clima.

Isan Rezende

DEPENDENCIA – Os dados da PAM indicam que o agronegócio segue forte, mas também mais dependente de mercados consolidados. Em anos de preços elevados, a renda cresce rapidamente; em ciclos de baixa, o impacto se espalha por toda a economia rural. Nesse contexto, a liderança da soja representa ao mesmo tempo a principal força do campo brasileiro e sua maior vulnerabilidade econômica.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a discussão sobre financiamento no campo já não envolve apenas juros, mas o modelo produtivo que o Brasil pretende adotar nos próximos anos.

“O levantamento do IBGE confirma algo que o setor já percebe no dia a dia: o agro brasileiro é extremamente eficiente, mas ainda muito concentrado. Quando três ou quatro culturas respondem pela maior parte da renda agrícola, o produtor e a economia ficam mais expostos à volatilidade internacional de preços e câmbio”, comentou.

“Não se trata de reduzir a importância da soja, do milho ou do açúcar, que são pilares da nossa competitividade global. O desafio agora é avançar para a próxima etapa, que é agregar valor. O Brasil exporta muito grão, mas ainda exporta pouca transformação industrial. Cada tonelada que sai in natura representa renda, mas poderia representar emprego, tributo e estabilidade econômica se fosse processada aqui”, defendeu Rezende.

“Por isso, políticas públicas voltadas à industrialização do agro e à diversificação produtiva são estratégicas. Incentivar bioindústria, proteína animal, biocombustíveis e processamento de alimentos reduz a dependência das commodities e protege o produtor das oscilações externas. O país já provou que sabe produzir em escala; o próximo passo é capturar mais valor dentro da porteira”.

“O Brasil ainda concentra grande parte da renda do agro na exportação de produtos primários. Sem políticas públicas que estimulem armazenagem, processamento e agregação de valor dentro da fazenda e nas regiões produtoras, o produtor continua dependente do preço internacional e da variação cambial, fatores que ele não controla”.

“O crédito rural precisa evoluir para financiar não só plantio e compra de máquinas, mas também industrialização, energia, irrigação e tecnologia. Quando o produtor consegue armazenar, processar ou gerar sua própria energia, ele reduz risco, ganha previsibilidade de receita e passa a vender melhor, não apenas colher mais”, completou Rezende

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Show Rural supera previsão do Pensar Agro movimenta R$ 7,5 bilhões

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O Show Rural Coopavel 2026 terminou maior do que começou. A feira, realizada de 9 a 13 de fevereiro em Cascavel (PR), encerrou com 430.300 visitantes e R$ 7,5 bilhões em negócios — acima inclusive das projeções revisadas durante o próprio evento. O resultado também superou o desempenho de 2025, quando haviam sido contabilizados 407 mil visitantes e R$ 7,05 bilhões movimentados.

O número final confirma, na prática, uma percepção que o Portal Pensar Agro já havia apontado ainda antes da abertura oficial, em 4 de fevereiro: mesmo em um ciclo de margens apertadas, o produtor não deixaria de investir, apenas mudaria a forma de investir. O comportamento visto ao longo da semana seguiu exatamente esse roteiro.

Inicialmente, a organização trabalhava com expectativa de apenas R$ 6 bilhões em negócios — cerca de 15% abaixo do ano anterior — refletindo a queda nas cotações de soja e milho, juros elevados e incertezas de renda no campo. Com o avanço da visitação, a projeção foi revisada para a faixa de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões. O fechamento superou até esse novo patamar.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Coopavel, Dilvo Grolli, o resultado reflete mais do que otimismo: indica mudança de postura do produtor rural. Em vez de expansão de área ou aquisição por impulso, a procura concentrou-se em tecnologia, manejo e soluções capazes de reduzir custo operacional e aumentar eficiência.

A feira teve pico de público no último dia, com 61.476 visitantes, e recebeu caravanas de diversas regiões do Brasil e mais de 20 delegações internacionais, além de recorde de participação de estudantes de escolas técnicas agrícolas.

Apesar do volume total elevado, os resultados não foram homogêneos entre os setores — o que ajuda a entender o momento atual do agro brasileiro.

Na área de máquinas e implementos agrícolas, houve retração. A Câmara Setorial da Abimaq registrou queda de cerca de 15% nas intenções de compra em relação a 2025. O motivo não foi falta de interesse tecnológico, mas de rentabilidade. Com soja e milho em patamares de preço mais baixos, valorização do real e custo financeiro elevado, o produtor evitou investimentos de alto valor e longo prazo.

Ou seja: a feira foi cheia, o produtor apareceu, mas comprou com critério.

Por outro lado, o crédito rural teve desempenho oposto. O Sicoob registrou o maior volume de sua história dentro do evento: R$ 4,5 bilhões protocolados em 9.108 operações, mais que o dobro da meta inicial de R$ 2 bilhões. Aproximadamente R$ 3,8 bilhões corresponderam a crédito rural e CPR-F. O montante respondeu por mais de 40% de todo o movimento financeiro intermediado por instituições presentes na feira.

A estratégia ajudou: durante a semana, agências de todo o Paraná ofereceram as mesmas condições do parque de exposições, transformando o evento numa plataforma de negócios estadual, não apenas presencial.

O contraste entre os setores revela o atual estágio do agronegócio brasileiro. O produtor não está paralisado — está seletivo. Grandes aquisições foram postergadas, mas investimentos ligados a produtividade, manejo e custeio avançaram.

Isso explica por que, mesmo com preços pressionados e margens comprimidas, o resultado final superou as expectativas iniciais. O produtor pode até reduzir o risco, mas não pode reduzir a produtividade — e sabe que tecnologia hoje deixou de ser expansão para virar sobrevivência econômica.

A próxima edição já tem data marcada: de 1º a 5 de fevereiro de 2027.

Fonte: Pensar Agro

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