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Mato Grosso do Sul

Documentário sobre fé, doçura e resistência no Pantanal terá premiere no Festival América do Sul

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Em Corumbá, no coração do Pantanal, há uma cidade inteira que, ao som dos atabaques e do perfume dos doces coloridos, vira terreiro. E não apenas um terreiro de chão batido, mas um terreiro de fé espalhado pelas casas, pelas ruas, pelas ladeiras, pelas mãos que partilham, pelos olhos que se emocionam. É neste cenário onde o sagrado e o cotidiano se entrelaçam que nasce “Louvação à Ibejada”, média-metragem documental dirigido por Thayná Cambará, que estreia em maio com exibições gratuitas pela cidade.

O pré-lançamento integra a programação do Festival América do Sul e acontece no sábado, às 16h, com entrada gratuita.

O filme é um mergulho sensorial e afetivo na celebração de São Cosme e Damião, uma das festas mais populares e vigorosas da região, onde crianças correm pelas ruas em busca dos saquinhos de doces enquanto promessas são renovadas em silêncio dentro dos barracões. Mais do que um registro de uma festa, “Louvação à Ibejada” é uma carta de amor ao povo corumbaense, um retrato da resistência cotidiana, da doçura como política, da fé como gesto de partilha.

“Essa festa não é só devoção, é também resistência. Cosme e Damião nos lembram que a fé se manifesta no gesto mais simples: partilhar. Ver as crianças esperando os saquinhos, os mais velhos preparando com carinho, as promessas sendo renovadas… tudo isso me fez entender que a identidade corumbaense é tecida entre fé, afeto e comunidade”, reflete Thayná Cambará, que também é umbandista e viveu o processo de criação do filme não apenas como cineasta, mas como filha de santo, adepta e devota.

O filme nasceu do desejo de dar continuidade à websérie Encruzilhada de Estórias: Registro das Festividades Afro Brasileiras de Corumbá e Ladário, em que Thayná documentou outras festas religiosas de matriz africana da região. Mas foi em meio à pandemia que a necessidade de filmar Cosme e Damião se impôs como urgência espiritual e pessoal. “Eu tive o meu milagre, que é o bem-estar da minha filha. Então somou a vontade de continuar o projeto com a promessa pessoal que eu tinha a cumprir”, conta.

Porém, o caminho não foi fácil. Gravado entre 2021 e 2022, o filme passou por anos de desafios, tentativas frustradas de lançamento e bloqueios criativos. “Foi muito difícil eu, enquanto médium, me concentrar e entender qual era a mensagem que eu tinha que trazer. Nós tínhamos muitas horas de entrevistas… e como condensar tudo isso numa história que as pessoas pudessem entender?”, lembra.

Essa imersão profunda também exigiu escolhas estéticas cuidadosas. Thayná optou por um híbrido entre o cinema-direto e o cinema-verdade, respeitando o tempo das pessoas, dos rituais, da rua. “A oralidade e o improviso fazem parte da essência dessa tradição. Era importante que o filme tivesse o ritmo da rua, do barracão, da entrega… Que fosse sensorial, vivo. A escolha do formato partiu do desejo de escutar e ver sem dominar”, explica.

Em meio a silêncios, cânticos, brincadeiras de rua e gestos de cuidado, “Louvação à Ibejada” revela como a espiritualidade afro-brasileira pulsa na vida corumbaense e como essa cultura resiste e floresce mesmo em tempos de intolerância. “Contar essa história é um ato de afirmação. Em tempos em que religiões de matriz africana ainda enfrentam preconceito e violência, mostrar a beleza, a doçura e a profundidade dessa tradição é um gesto político e afetivo. É dizer que essa fé também educa, forma e transforma”, afirma a diretora.

Na geografia pantaneira, onde as águas, ventos e matas são orixás em movimento, o filme costura a paisagem natural ao corpo, ao batuque, ao gesto coletivo de fé. “Em Corumbá, a natureza é sagrada. As religiões de matriz africana celebram os elementos da criação porque cultuam orixás que são, em si, forças da natureza. No dia 27, quando celebramos São Cosme e Damião, Corumbá se transforma — a cidade inteira se torna um grande terreiro, onde a doçura, a fé e o axé se espalham pelas ruas”, descreve Thayná, com olhos brilhantes de quem não apenas filmou, mas viveu cada cena.

“Louvação à Ibejada” quer provocar o público a olhar mais fundo, para além do folclore, do estigma e do preconceito. Enxergar nas festas, nas ruas, nas partilhas, as raízes de uma identidade que é coletiva, múltipla e vibrante. “Espero que o filme provoque um olhar mais atento para aquilo que muitas vezes passa despercebido: o quanto a cultura afro-brasileira está presente no nosso dia a dia, nos gestos de cuidado, na música, na fé, na comida, na forma como nos relacionamos com o sagrado e com a comunidade. Aqui o povo reza junto, celebra junto, presta caridade junto, independente da religião. Essa convivência mostra que um povo com história é um povo que respeita, que compartilha e que entende que identidade se constrói coletivamente”, conclui.

A produção tem investimento da Lei Paulo Gustavo, do MinC (Ministério da Cultura), por meio de edital da Fundação de Cultura da Prefeitura Municipal de Corumbá. O filme será lançado ainda durante este mês no canal do Youtube da Bela Oyá Pantanal (https://www.youtube.com/@belaoyapantanal) e terá recursos de acessibilidade como legenda e interpretação de libras.

Rios de Memória Afro-brasileira

As vozes, memórias e expressões afro-brasileiras estarão em evidência no Festival América do Sul Pantanal, que acontece de 15 a 18 de maio, em Corumbá. Com uma programação que atravessa o cinema, a música, as artes cênicas, as artes visuais e a ancestralidade, a presença negra reafirma sua força na narrativa pantaneira, abrindo espaços para reflexões sobre identidade, território e pertencimento. A pré-estreia do documentário “Louvação à Ibejada” integra a programação.

Antes da exibição do documentário, a programação dedicada à cultura afro-brasileira inclui atividades formativas e artísticas que dialogam com o corpo, a palavra e o ritmo. Às 14h do sábado (17), acontece a mesa de diálogos “Raízes, Identidade e Mestres do Saber”, que participam Profa. Mestre Rosiane Albuquerque (Corumbá/MS), Prof. Dr. Mário Sá (UFGD/FADIR) — pesquisador e referência em estudos sobre cultura afro-brasileira, Mãe Elenir Batista (Corumbá/MS) e Mãe Alexandra de Oyá (Campo Grande/MS) — ambas reconhecidas como Mestras do Saber pela PNAB, e será mediada por Thayná Cambará. A atividade visa promover uma troca intergeracional sobre identidade, tradição e pertencimento, conectando saberes acadêmicos e ancestrais na construção de políticas culturais de valorização da afro-brasilidade.

No mesmo dia e horário haverá programação para os pequenos com a escritora Sarah Muricy, autora do livro “O Reino Mágico dos Orixás”. Ela fará uma leitura do livro, com dramatização e interação com as crianças. Além disso, haverá uma atividade prática, já que o livre conta com um encarte para colorir, tratando da temática do sincretismo religioso.

No domingo (18), a partir das 15h, haverá uma Roda de Curimba e Oficina de Capoeira, que irá integrar música, ancestralidade e movimento corporal na prática coletiva que valoriza a capoeira como ferramenta cultural e pedagógica. Este evento acontece na Orla do Porto Geral, próximo a âncora. Para acompanhar a programação e mais informações acesse o perfil da Bela Oyá Pantanal no Instagram: https://www.instagram.com/belaoyapantanal/.

Programação Rios de Memória Afro-brasileira – Festival América do Sul Pantanal 2025

Sábado, 17/05

  • 14h às 16h – Mesa de Diálogos: Raízes, Identidade e Mestres do Saber;
    Local: Auditório do Centro de Convenções do Pantanal, R. Domingos Sahib, 570 – Centro, Corumbá.

  • 14 às 16h – O Reino Mágico dos Orixás” com Sarah Muricy – Uma Jornada de Aprendizado e Diversidade;
    Local: Sala de apoio no Centro de Convenções do Pantanal, R. Domingos Sahib, 570 – Centro, Corumbá.

  • 16h – Lançamento Documentário Louvação à Ibejada: Minha Fé em Curumim
    Local: Auditório do Centro de Convenções do Pantanal, R. Domingos Sahib, 570 – Centro, Corumbá.

Domingo, /05

  • 15h às 17h – Roda de Curimba e Oficina de Capoeira – Técnicas de Capitães de Areia;
    Local: Orla do Porto Geral, próximo a âncora.

Lucas Arruda e Aline Lira, Ascom FAS 2025
Fotos: Thayná Cambará/Ascom FAS 2025

Fonte: Governo MS

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Mato Grosso do Sul

Debate sobre saúde mental e impacto das apostas online abrem a semana de prevenção às drogas na Capital

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O Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas (CEAD/MS), vinculado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), realiza a partir desta segunda-feira (22) a XXVIII Semana Nacional, Estadual e Municipal de Políticas Públicas e Prevenção às Drogas. O evento reúne especialistas, representantes de instituições de ensino, órgãos públicos e entidades da sociedade civil no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS), em Campo Grande.

A abertura, realizada nesta manhã, foi marcada pelo lançamento de uma cartilha inédita sobre apostas on-line e por debates sobre os impactos das dependências comportamentais na saúde mental. Entre os destaques da programação esteve o lançamento do protótipo da cartilha “Bets & Saúde Mental – O que você pode fazer para se proteger das apostas online”, desenvolvida por acadêmicos da Unigran Capital em parceria com o CEAD/MS. O material busca orientar jovens, famílias e educadores sobre os riscos associados às apostas digitais, fenômeno que vem crescendo em todo o país e despertando preocupação de especialistas em saúde mental.

A presidente do CEAD/MS, Denise Fátima Barbosa Souza e Silva, explicou que a iniciativa surgiu diante do avanço dos transtornos relacionados aos jogos de apostas e da necessidade de ampliar as ações preventivas voltadas à população jovem. “As pessoas acreditam que por meio das apostas vão resolver um problema financeiro, mas acabam adquirindo um problema muito maior, que é o endividamento”, afirmou. Segundo ela, os impactos vão além das finanças e atingem diretamente a saúde mental, comprometendo relações familiares e o bem-estar emocional.

Denise destacou ainda que a cartilha é resultado de uma estratégia inovadora de prevenção desenvolvida pelo projeto Protagonismo Juvenil na Prevenção, que incentiva a participação dos próprios estudantes na construção de ferramentas educativas. “Precisávamos encontrar uma outra estratégia para sensibilizar nossos jovens. Hoje eles participam da construção desses instrumentos e isso tem mostrado resultados positivos”, ressaltou.

A pró-reitora de Ensino e Extensão da Unigran Capital, Angelita Leal de Castro, explicou que a produção da cartilha envolveu acadêmicos dos cursos de Direito, Psicologia e Publicidade e Propaganda, integrando conhecimentos jurídicos, científicos e educacionais.

Segundo ela, os estudantes pesquisaram desde aspectos legais e estatísticos relacionados às apostas até os efeitos emocionais provocados pelo comportamento compulsivo. O resultado foi um material educativo acompanhado de uma sequência didática que poderá ser utilizada por professores em atividades escolares. “Nosso foco é levar a universidade para a comunidade. É assim que a universidade se coloca como agente transformador na educação das pessoas”, afirmou.

A expectativa é que o material fique disponível gratuitamente para consulta e utilização em ações de prevenção realizadas por escolas, instituições e órgãos parceiros.

Quando o jogo deixa de ser diversão

Dr Vinicius Andrade

A abertura também contou com o painel “Dependências comportamentais: jogos, diversão ou compulsão?”, ministrado pelo médico psiquiatra Vinicius Oliveira de Andrade, supervisor do Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Durante a apresentação, o especialista explicou que o transtorno relacionado aos jogos não é definido apenas pela frequência das apostas, mas pelos prejuízos causados à vida da pessoa. “A dependência se torna um adoecimento quando gera prejuízo funcional na vida da pessoa”, afirmou.

Segundo o psiquiatra, os sinais incluem dificuldades financeiras, problemas familiares, comprometimento das relações sociais e sofrimento emocional. Mesmo percebendo as consequências negativas, muitas pessoas não conseguem interromper o comportamento compulsivo. “Apesar de entender as consequências, ela não consegue parar o comportamento compulsivo”, explicou.

Vinicius destacou ainda que as dependências comportamentais apresentam mecanismos semelhantes aos observados nas dependências químicas e exigem atenção das políticas públicas de saúde.

O secretário-adjunto da Sejusp, Ary Carlos Barbosa destacou que o enfrentamento das dependências passa necessariamente pela educação, que desempenha papel fundamental na prevenção, e pelo compromisso coletivo.

“Hoje, vamos discutir com seriedade e embasamento científico os impactos das novas formas de dependência que emergem em nossa sociedade. As apostas on-line, o uso compulsivo de dispositivos eletrônicos e outras dependências comportamentais não são apenas desafios individuais. São problemas que afetam famílias, fragilizam vínculos sociais e exigem políticas públicas firmes, integradas e eficazes”, defendeu.

Reconhecimento

Além dos painéis e lançamentos, a solenidade de abertura contou com a entrega dos diplomas e placas de Mérito pela Valorização da Vida, concedidos pelo CEAD/MS a instituições e personalidades que se destacam na prevenção às drogas, promoção da saúde mental e fortalecimento das políticas públicas sobre drogas no Estado.

A programação da semana prossegue com debates sobre legislação e políticas públicas sobre drogas, ciência e tecnologias aplicadas à prevenção, saúde mental, acolhimento, reinserção social e qualificação das redes de atendimento. As atividades seguem até o dia 26 de junho, reunindo especialistas de diversas áreas e representantes de instituições parceiras.

Também participaram da solenidade de abertura o procurador de Justiça Rogério Augusto Calábria de Araújo, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminais (Coacrim) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e conselheiro do CEAD/MS; a professora doutora Cláudia Gonçalves de Lima, vice-reitora da UFGD; o coronel PM Alexandre Rosa Ferreira, coordenador estadual do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd); a tenente-coronel Cleide Maria, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul; e o subsecretário de Políticas Públicas para a Juventude do Estado, Jessé Fragoso da Cruz.

Clique aqui e confira a programação completa.

Joilson Francelino, Comunicação Sejusp
Fotos: Max Arantes/Casa Civil

Fonte: Governo MS

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Mato Grosso do Sul

Com atuação de frente fria, Defesa Civil alerta população para queda de temperatura em MS

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Com previsão de mudança nas condições atmosféricas em Mato Grosso do Sul, a Defesa Civil do Estado alerta a população para a queda brusca de temperatura a partir das 23h desta segunda-feira (22).

Dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) aponta que o avanço de uma intensa frente fria que deve aumentar a ocorrência de chuvas em grande parte do Estado, com possibilidade de tempestades.

Além da frente fria, a atuação de uma área de baixa pressão atmosférica – com instabilidade, chuvas e temporais – entre o Paraguai e a Bolívia, contribui para intensificar a formação de instabilidades sobre o estado.

O Cemtec informou ainda que nos próximos dias, com o avanço da massa de ar frio, poderá ocorrer o fenômeno das mínimas invertidas, caracterizado pelo registro das menores temperaturas durante a tarde ou noite, e não ao amanhecer, como normalmente ocorre.

Na quarta-feira (24), devido à atuação da massa de ar frio associada à frente fria, ainda há previsão de chuvas e tempestades, especialmente nas regiões centro, norte, pantaneira e nordeste de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas do Estado, o tempo tende a ficar mais firme, com sol e variação de nebulosidade.

Já na quinta-feira (25), a possibilidade de chuva fica restrita às regiões norte e nordeste do Estado, enquanto o tempo permanece estável nas demais localidades.

Nestes dias, haverá acentuada queda nas temperaturas em todo o Estado, com previsão de mínimas entre 0°C e 2°C, especialmente na região sul, além de valores baixos nas demais regiões. Há potencial para ocorrência de geadas em algumas localidades. Este sistema deverá provocar a onda de frio mais intensa de 2026 até o momento em Mato Grosso do Sul, com potencial para registrar as menores temperaturas do ano.

Também existe a possibilidade de rajas de vento acima de 60 km/h. Nas regiões Sul, Cone-Sul e Grande Dourados, as mínimas ficam entre 6°C e 12°C e as máximas entre 13°C e 27°C. Já nas regiões Pantaneira e Sudoeste as mínimas previstas são entre 9°C e 17°C e máximas entre 15°C e 33°C.

E nas regiões Bolsão, Norte e Leste as mínimas são entre 9° e 19°C e máximas entre 15°C e 31°C. Em Campo Grande as mínimas são entre 9°C e 17°C e máximas entre 16°C e 26°C.

Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Foto: Álvaro Rezende, Secom/MS

Fonte: Governo MS

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