TRÊS LAGOAS
Pesquisar
Close this search box.

Agronegócios

Ameaça no Estreito de Ormuz reacende risco sobre diesel, fertilizantes e custo da safra

Publicado em

A ameaça dos Estados Unidos de bloquear integralmente o Estreito de Ormuz, em um cenário que já vinha de restrições e tensões na região, representa um salto de risco para o agronegócio brasileiro. Mais do que um novo fator, trata-se de uma possível mudança de escala no impacto sobre energia, fertilizantes e logística global.

Até aqui, o mercado vinha absorvendo um ambiente de instabilidade controlada. Mesmo com interrupções pontuais e risco elevado, o fluxo de petróleo e derivados não havia sido totalmente comprometido. Isso permitiu ajustes de preços, mas sem ruptura.

O cenário muda com a perspectiva de um bloqueio mais amplo. Por Ormuz passa cerca de um quinto do petróleo mundial, além de volumes relevantes de gás natural liquefeito. Um fechamento efetivo tende a reduzir a oferta global de energia em curto prazo, elevando preços de forma mais abrupta.

Para o agro brasileiro, o primeiro impacto é direto: diesel ainda mais caro. O combustível é base do transporte e das operações no campo. Em um país onde cerca de 65% da produção agrícola depende do modal rodoviário, qualquer salto no preço do diesel se traduz em aumento imediato do frete e do custo operacional.

O segundo impacto, mais sensível, está nos fertilizantes. O Oriente Médio é um dos principais polos de produção de nitrogenados, como a ureia, cuja fabricação depende de gás natural. Com a elevação do custo energético e possíveis restrições logísticas, os preços desses insumos tendem a reagir rapidamente.

O Brasil é particularmente vulnerável. Importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, com forte dependência externa justamente nos nitrogenados. Em um cenário de bloqueio efetivo, o risco deixa de ser apenas preço e passa a incluir disponibilidade e prazo de entrega.

A diferença em relação ao que já vinha ocorrendo até aqui está na intensidade. Antes, o produtor lidava com volatilidade e tendência de alta. Com uma interrupção mais severa, o impacto pode se transformar em choque, com reajustes mais rápidos, prêmios logísticos e maior disputa global por insumos.

Há ainda um efeito indireto relevante: o timing. O momento coincide com a fase de planejamento e compra de insumos para a safra 2026/27. Com maior incerteza, o produtor tende a adiar decisões ou travar custos em patamares mais elevados, reduzindo margem.

Outro ponto é o crédito. Em ambientes de risco elevado, fornecedores e instituições financeiras tendem a endurecer condições, o que pode restringir o acesso a financiamento justamente no período de formação da safra.

Na prática, o que muda não é a direção do impacto, que já era negativa, mas a sua magnitude. Um eventual bloqueio total de Ormuz pode transformar uma pressão gradual de custos em um choque mais agudo, com reflexos diretos na rentabilidade do campo brasileiro.

O agro já opera em um ambiente globalizado. Mas, em momentos como este, fica mais evidente: decisões geopolíticas a milhares de quilômetros de distância continuam sendo determinantes para o custo dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook

Agronegócios

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Published

on

By

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue Reading

Agronegócios

Agro brasileiro amplia exportações de carnes, frutas e insumos

Published

on

By

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou, nesta sexta-feira (17.04), a abertura de 29 novos mercados em nove países apenas nos primeiros 17 dias de abril, ampliando o acesso para produtos como proteínas animais, frutas, sementes e insumos. O movimento reforça a estratégia de diversificação de destinos em um cenário de maior competição global.

Entre os destaques está o Vietnã, que passou a autorizar a importação de pés e miúdos suínos e miúdos bovinos. A abertura amplia o aproveitamento comercial da carcaça e melhora a rentabilidade da indústria exportadora, ao permitir a venda de itens com menor valor no mercado interno, mas com demanda consistente no exterior.

Em 2025, o Vietnã importou o equivalente a cerca de R$ 17,5 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para milho, complexo soja, fibras e têxteis, consolidando-se como um dos mercados relevantes na Ásia.

No Oriente Médio, a Arábia Saudita abriu mercado para uma série de frutas brasileiras, incluindo citros, mamão, melancia, gengibre e goiaba, ampliando as oportunidades para a fruticultura nacional em regiões de alto consumo e baixa produção local.

Na África, a Etiópia concentrou o maior número de aberturas, com autorização para importação de carnes bovina, suína e de aves, além de produtos lácteos, pescados, genética animal e insumos para alimentação. O movimento amplia o acesso a um mercado com forte potencial de crescimento populacional e demanda por proteína.

Outros avanços incluem a liberação de carne de frango termoprocessada e maçãs para El Salvador, uvas para o Azerbaijão, feno para a Jordânia, sementes de pimenta para o Peru, além de produtos voltados à nutrição animal nas Filipinas.

No caso de Angola, a abertura para exportação de oócitos ovinos e caprinos insere o Brasil em um nicho de maior valor agregado, ligado à genética animal. Em 2025, o país africano importou cerca de R$ 1,9 bilhão em produtos agropecuários brasileiros.

O desempenho comercial acompanha o ritmo das exportações. No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio brasileiro embarcou cerca de R$ 190,5 bilhões, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e recorde para o intervalo de janeiro a março.

Com os novos anúncios, o Brasil acumula 578 aberturas de mercado desde o início de 2023, resultado do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Na prática, a ampliação de mercados reforça a capacidade do agro brasileiro de escoar produção, reduzir dependência de destinos tradicionais e agregar valor, especialmente em segmentos como proteína animal e genética, que têm maior impacto direto sobre a renda do produtor.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue Reading

TRÊS LAGOAS

Três Lagoas17/04/2026

Prefeitura de Três Lagoas homologa resultado final do MS Alfabetiza e conclui processo seletivo

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), concluiu mais uma etapa importante do Programa...

Três Lagoas17/04/2026

Servidores da SMAS participam de capacitação sobre estilos comportamentais em Três Lagoas

Na manhã desta sexta-feira, 17 de abril, diretores, coordenadores e técnicos de apoio da Política da Secretaria de Assistência Social...

Três Lagoas17/04/2026

Campeonato Municipal de Futebol de Base movimenta Três Lagoas neste fim de semana

O futebol de base volta a movimentar Três Lagoas neste fim de semana com mais uma rodada do Campeonato Municipal...

Três Lagoas17/04/2026

Crianças e adolescentes da Patrulha Florestinha vivenciam educação ambiental no Parque Natural Municipal do Pombo

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio das secretarias municipais de Assistência Social (SMAS) e de Meio Ambiente e Agronegócio...

Três Lagoas17/04/2026

Decisão no vôlei masculino dos JETs movimenta Três Lagoas nesta sexta-feira (17)

Três Lagoas vive mais um momento decisivo dos Jogos Escolares Três-Lagoenses (JETs) 2026 nesta sexta-feira, 17 de abril. O Ginásio...

Três Lagoas17/04/2026

Prefeitura de Três Lagoas e Polícia Civil atuam com rapidez e resgatam animais em situação de maus-tratos

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio do Departamento de Bem-Estar Animal, vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e...

ÁGUA CLARA

CÂMARA DE TRÊS LAGOAS

SUZANO

ELDORADO

Assembléia Legislativa MS

Mato Grosso do Sul

POLICIAL

Policial17/04/2026

Por aclamação, Comandante-geral da PMMS é reeleito presidente do CNCG-PM

São Paulo (SP) – O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes, foi...

Policial16/04/2026

Polícia Militar em Brasilândia apreende veículos com produtos de contrabando

Brasilândia – MS, no dia 15 de abril, os policiais militares do 2º Pelotão da 1ª Cia do 2º Batalhão...

Policial16/04/2026

Polícia Militar apreende adolescente por tráfico de drogas em Rio Verde

Coxim (MS): A Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (16),  apreendeu um adolescente de 16 anos por tráfico de drogas...

Policial16/04/2026

APREENSÃO HISTÓRICA: Polícia Militar intercepta 3,6 toneladas de drogas em Rio Negro

Coxim (MS): A Polícia Militar na madrugada desta quarta-feira (16/04),  realizou a maior apreensão de entorpecentes já registrada no município...

Policial15/04/2026

Polícia Militar Recupera Aparelho Celular em Corumbá.

Corumbá (MS) – Na tarde de terça-feira (14), a Polícia Militar localizou e recuperou um aparelho celular na Rua Marechal...

Policial15/04/2026

Ação Conjunta: Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal e Coordenadoria de Fiscalização de Posturas Realizam Operação de Fiscalização, Prevenção e Repressão Qualificada Voltada ao Combate ao Furto e à Receptação de Cabos e Fios Metálicos em Corumbá.

Corumbá (MS) – Na terça-feira (14), a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio da equipe de Força...

Mais Lidas da Semana