TRÊS LAGOAS
Pesquisar
Close this search box.

Agronegócios

Agronegócio e conservação da natureza ditam o ritmo na Sapucaí

Publicado em

A agremiação carioca Imperatriz Leopoldinense trouxe para a Marquês de Sapucaí este ano o enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta”, em que defende os índios e acusa produtores rurais pelas mazelas da região. A escola, cantou: “Sangra o coração do meu Brasil, o belo monstro rouba as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios”, apresentou as alas “fazendeiros e seus agrotóxicos”, “pragas e doenças”, “a chegada dos invasores” e “olhos da cobiça”.

Polêmico, o enredo da escola traz à tona o debate sobre a proteção de áreas naturais essenciais para garantir a manutenção dos serviços ambientais, fundamentais para a manutenção da agricultura. A discussão pode ser positiva, uma vez que auxilia a comunidade a compreender que áreas naturais protegidas, públicas ou privadas, contribuem para o fornecimento de água, solos férteis e polinizadores.

Diante da fragilizada economia, o agronegócio, um dos poucos setores que continua crescendo no Brasil, é responsável por quase um terço dos postos de trabalho do país, segundo levantamento mais recente da Confederação Nacional da Agricultura, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014. No entanto, especialistas defendem que seu crescimento deve acontecer de forma aliada com a conservação da natureza.

Menos agrotóxicos e mais orgânicos

A utilização demasiada de agrotóxicos é um dos temas do enredo que precisa ser discutido pela nossa sociedade. O Brasil é o líder mundial do consumo dessas substâncias, com uma média de 5,2 kg por habitante, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Comparativamente, os EUA, a média por habitante é cerca de 1,8 kg, afirma a organização.

A redução do consumo desses produtos nas propriedades rurais é um desafio e a conta dessa utilização desenfreada já está chegando. A população de abelhas e outros insetos polinizadores, por exemplo, têm sofrido baixas significativas, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidad Nacional Autónoma de México e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. O impacto dessa perda pode variar entre R$ 16,6 bi e R$49 bi, isso porque 68% da agricultura do Brasil é atrelada à polinização.

Carlos Hugo Rocha, doutor em Manejo de Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Colorado (EUA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, acredita que a solução está em sistemas de produção que valorizem a conservação de áreas naturais, dos solos e da água.  Ele explica que a produção orgânica aliada a sistemas agroflorestais, abrangem um sistema produtivo ambientalmente correto com uso racional dos recursos naturais e, portanto, sustentável. Os alimentos são produzidos da maneira mais natural possível e, por não contemplar o uso de insumos químicos, fertilizantes e pesticidas, evitam a contaminação do solo e dos recursos hídricos; além de serem mais benéficos à saúde. E, ao diminuir custos e agregar valor aos produtos dos agricultores, estimula-se o desenvolvimento econômico.

“Dessa forma, o produtor também estará contribuindo na produção de serviços ecossistemas essenciais”, conta Rocha, ressaltando que essa estratégia contribui para o equilíbrio no solo e na natureza, o que favorece a própria produção. “A matéria orgânica do solo estimula a resistência das plantas e o equilíbrio promove o controle natural de pragas; assim a própria natureza combate os organismos, sem necessidade de agrotóxicos”, explica o doutor.

Desmatamento e mudanças climáticas

O Brasil é líder mundial em desmatamento de florestas tropicais. Os dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, do Observatório do Clima, mostram que em 2015, dos cinco setores do inventário de emissões de gases de efeito estufa, o setor de “mudança de uso da terra e florestas” foi o maior responsável pelas emissões brasileiras, seguido respectivamente pela energia, agropecuária, processos industriais e resíduos. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou o relatório Estado das Florestas do Mundo 2016 e concluiu que no Brasil, mais de 80% do desmatamento está ligado à conversão de terras em terrenos de pasto. Apesar de elevada, a taxa de desmatamento reduziu em quase 50% na América Latina nos últimos 26 anos. Ainda assim, entre 2000 e 2010, foi registrado um desmatamento de sete milhões de hectares de florestas nos países tropicais e aumento das terras agrícolas de seis milhões de hectares ao ano.

Segundo Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza e membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências dos EUA, e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o setor de agronegócio precisa fazer muito ainda para que o Brasil alcance as metas ambientais estabelecidas no Acordo do Clima de Paris, compromisso internacional para a redução de gases de efeito estufa na atmosfera. “Recuperação de pastagens degradadas, utilização de técnicas de manejo de pastagem para que o solo aumente a absorção de matéria orgânica e carbono e a integração de lavoura, e pecuária e floresta são algumas técnicas de baixo carbono amigáveis que precisam fazer ainda mais parte do cenário brasileiro”, diz.

Para o gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, coordenador geral do Observatório do Clima (OC) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, André Ferretti, o Brasil deveria estimular ainda mais o debate sobre a conservação da natureza. “O Plano Safra (Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017), que disponibiliza R$ 185 bilhões para financiar a produção agropecuária nacional, destina apenas 1,6% dos recursos para propriedades que praticam a agricultura de baixo carbono (ABC)”, analisa. Segundo ele, a parcela poderia ser de até 50% dos recursos para incentivar as práticas sustentáveis que beneficiam tanto o produtor como o meio ambiente.

Segundo ele, a parcela deveria ser muito maior, e o Plano Safra poderia ir além, sendo dedicado 100% à agricultura de baixo carbono. “A modalidade é mais sustentável e pode dar mais um diferencial competitivo para a agropecuária brasileira”, afirma Ferretti.

Trabalhando em conjunto 

É importante admitir que o controle na utilização de agrotóxicos, bem como o monitoramento de atividades florestais ligadas ao desmatamento e, ainda, a manutenção de áreas de vegetação nativa precisam ser iniciativas realizadas em parceria pela sociedade, governo e também pelos produtores rurais. Algumas dessas frentes, no entanto, acabam sendo mais efetivas quando há envolvimento do Estado.

Segundo Nobre, o controle e o monitoramento das atividades florestais, e a criação de políticas públicas são fatores decisivos para diminuir o desmatamento no Brasil, complementa. “O país tem feito um bom trabalho com a rastreabilidade da madeira, por exemplo. Hoje, muitos governos estaduais exigem somente madeira certificada por meio do Manejo Florestal Sustentável (MFS), que garante não ser decorrente de desmatamento ilegal”, conta.

O incentivo a cadeias produtivas sustentáveis, que beneficiem produtores, comercializadores e consumidores também é uma alternativa. Por exemplo, o programa Araucária+, desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário e pela Fundação CERTI, promove a conservação da Floresta com Araucárias por meio da inclusão socioeconômica de proprietários de áreas no Planalto Serrano de Santa Catarina e região em cadeias produtivas inovadoras, tendo como base espécies nativas desse ecossistema, como a erva-mate (Ilex paraguariensis) e o pinhão – que é a semente da araucária ou pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Os produtores integrados ao Araucária+ passam a adotar um padrão sustentável de produção dessas matérias-primas e depois são conectados a um mercado diferenciado, que comercializa os produtos com valor agregado.

Outro exemplo de parceria entre diversos atores é projeto Paragominas, criado por proprietários rurais da região do Pará, governo, organizações não governamentais e comunidade científica, é mais uma iniciativa que tem como objetivo acabar com o desmatamento local e aumentar o lucro dos produtores. Desde 2011, o município ampliou o desempenho do rebanho em 70%, além de sair da nefasta lista de desmatamento em que figurava.

* André Ferretti, Carlos Hugo Rocha e Carlos Nobre são membros da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Comentários Facebook

Agronegócios

Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro

Published

on

By

A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.

Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.

Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.

Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.

Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.

O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.

Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue Reading

Agronegócios

Semana será dedicada ao avanço da genética Nelore

Published

on

By

Mato Grosso do Sul será o centro das atenções da pecuária de corte brasileira de amanhã (08.06) até domingo (14) com a realização da Semana do Programa Embrapa Geneplus 2026. O evento reunirá pesquisadores, criadores, técnicos, centrais de inseminação e empresas de genética em uma programação voltada ao melhoramento genético bovino, considerada uma das principais ferramentas para ampliar a produtividade e a rentabilidade da pecuária nacional.

Realizada em Campo Grande, a iniciativa ganhou relevância nacional ao longo dos últimos anos e se consolidou como um dos principais fóruns de discussão sobre seleção genética de bovinos de corte no Brasil. Em 2026, o encontro também marca os 30 anos de atuação do Programa Embrapa Geneplus, referência na avaliação genética e no desenvolvimento de tecnologias para aumento da eficiência dos rebanhos brasileiros.

O destaque da programação será o Encontro Técnico Embrapa Geneplus, marcado para o dia 12 de junho, quando serão divulgados os resultados da GP PAD Nelore 2026, uma das mais importantes provas de avaliação de desempenho da raça Nelore do país, além da aguardada lista dos touros GP ATJ Nelore 2026, programa que identifica e seleciona jovens reprodutores de alto potencial genético.

A GP PAD Nelore tem papel estratégico para a pecuária brasileira. Realizada dentro da Embrapa Gado de Corte, a prova avalia características ligadas à eficiência alimentar, desempenho produtivo, qualidade de carcaça e atributos reprodutivos dos animais. Os resultados servem de base para a seleção de touros capazes de transmitir características economicamente importantes aos rebanhos comerciais.

Desde o início do programa, mais de mil touros Nelore já passaram pelas avaliações da Embrapa Geneplus. O trabalho contribui para o desenvolvimento de animais mais eficientes, capazes de produzir mais carne consumindo menos recursos, uma demanda cada vez mais importante diante da necessidade de elevar a produtividade sem ampliar áreas de pastagem.

A programação da semana inclui visitas técnicas a criatórios parceiros, workshops promovidos por empresas de genética, mostras de animais selecionados, dias de campo e leilões. Entre os criatórios participantes estão Elge, Cachoeirão, Genética Aditiva, Baía Boa Vista, Nelore Meab, Montana Calidad e 7 Estrelas, além de eventos comerciais voltados à oferta de reprodutores e matrizes de elevado mérito genético.

Segundo os organizadores, a edição deste ano terá como tema central a relação entre genética e rentabilidade. A proposta é mostrar como a seleção baseada em índices econômicos pode impactar diretamente os resultados financeiros das fazendas, reduzindo custos de produção, aumentando a eficiência alimentar e melhorando a qualidade dos animais destinados à reprodução e ao abate.

Responsável por cerca de 80% do rebanho de corte brasileiro, a raça Nelore continua sendo a principal base genética da bovinocultura nacional. Por isso, os avanços obtidos por programas de avaliação genética como o Embrapa Geneplus têm reflexos diretos sobre a competitividade da pecuária brasileira, tanto no mercado interno quanto nas exportações de carne bovina.

A expectativa dos organizadores é reunir durante a semana alguns dos principais nomes da genética bovina do país, fortalecendo a troca de conhecimento entre pesquisadores e produtores e acelerando a adoção de tecnologias que permitam à pecuária brasileira produzir mais carne, com maior qualidade e sustentabilidade.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue Reading

TRÊS LAGOAS

Três Lagoas06/06/2026

Três Lagoas celebra 111 anos com entregas, homenagens e investimentos na segunda-feira (8)

A Prefeitura de Três Lagoas convida toda a população para participar da programação especial desta segunda-feira, 8 de junho, que...

Três Lagoas04/06/2026

Comunidade católica de Três Lagoas celebra nesta quinta-feira Corpus Christi

A comunidade católica de Três Lagoas já se mobiliza para as celebrações de Corpus Christi, uma das datas mais importantes...

Três Lagoas03/06/2026

Três Lagoas celebra 111 anos com programação especial de entregas, homenagens, esporte, fé e desenvolvimento

O mês de junho será marcado por uma extensa programação em comemoração aos 111 anos de emancipação política de Três...

Três Lagoas03/06/2026

Escola Fernando Corrêa é a grande vencedora do Vôlei feminino do JET’s 2026

Aconteceu nesta terça-feira, 2 de junho, a grande final do vôlei feminino dos Jogos Escolares Três-Lagoenses (JET’s) 2026, promovido pela...

Três Lagoas03/06/2026

Feira “Uma Só Terra” reúne estudantes, parceiros e ações de conscientização durante a Semana Municipal do Meio Ambiente 2026

A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio (SEMEA), realizou no Ginásio Poliesportivo...

Três Lagoas03/06/2026

Após recapeamento, pista da Lagoa ganha nova sinalização viária

A Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Trânsito (SEINTRA), por meio do Departamento Municipal de Trânsito (DEPTRAN), finalizou na tarde...

ÁGUA CLARA

CÂMARA DE TRÊS LAGOAS

SUZANO

ELDORADO

Assembléia Legislativa MS

Mato Grosso do Sul

POLICIAL

Mais Lidas da Semana