Agronegócios
Safra de soja pode atingir 17,7 milhões de toneladas prevê Aprosoja
A safra de soja 2025/2026 em Mato Grosso do Sul ganhou força na reta final, com revisão para cima na produtividade média estadual, que passou de 52,82 para 61,73 sacas por hectare, alta de 19,2% sobre o ciclo anterior. Com isso, a produção pode alcançar 17,7 milhões de toneladas, avanço de 26,3% em relação à safra passada.
Os dados são do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de Mato Grosso do Sul (Siga-MS), plataforma de monitoramento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) que acompanha em tempo real o desempenho das lavouras no Estado com base em levantamentos de campo e imagens de satélite.
Até 3 de abril, 4,3 milhões de hectares de soja já haviam sido colhidos, de um total estimado em 4,7 milhões de hectares — área que representa expansão de 5,9% frente ao ciclo anterior. A revisão de produtividade considera amostragens em 19,5% da área cultivada e ainda pode sofrer ajustes conforme avança a consolidação dos dados nas propriedades.
O desempenho mais robusto da soja reflete uma melhora nas condições ao longo do ciclo, após um início mais irregular. Em campo, o ganho de rendimento por hectare ajuda a recompor parte das margens do produtor, pressionadas por custos elevados de insumos e crédito mais caro.
No milho segunda safra, os dados da Aprosoja-MS mostram que o plantio já alcança 2,1 milhões de hectares, o equivalente a mais de 90% da área prevista nas principais regiões produtoras: 95,3% no Norte, 93,1% no Centro e 99,6% no Sul do Estado.
A área total destinada ao cereal está estimada em 2,2 milhões de hectares, crescimento de cerca de 3% na comparação anual. Ainda assim, a produtividade média esperada recuou para 84,2 sacas por hectare, queda de 22,4% frente à safra anterior.
Com isso, a produção de milho deve somar 11,1 milhões de toneladas, volume 20,1% inferior ao ciclo 2024/2025. A redução está associada, principalmente, ao encurtamento da janela ideal de plantio em parte das áreas e ao aumento do risco climático durante o desenvolvimento da cultura.
O quadro consolida um contraste relevante no Estado: enquanto a soja avança com ganho de produtividade e maior volume, o milho safrinha entra na temporada com expectativa mais cautelosa, exigindo maior atenção do produtor à gestão de risco e à condução da lavoura.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Fersul conecta agricultura familiar a novos mercados e tecnologia
Começa nesta quarta-feira (12.08), em Rio do Sul (190 km da capital, Florianópolis), em Santa Catarina, a 15ª Feira Multissetorial do Alto Vale do Itajaí (Fersul). Embora reúna diferentes setores da economia, a edição deste ano terá pela primeira vez uma área exclusiva para o agronegócio, com 42 expositores da região.
O espaço terá 300 metros quadrados e funcionará como uma vitrine para produtos da agricultura familiar. Entre os participantes estão 32 agroindústrias que trabalham com alimentos processados e produtos de maior valor agregado, além de produtores de plantas ornamentais e empreendimentos de turismo rural.
A proposta é aproximar os produtores diretamente dos consumidores, comerciantes, distribuidores e possíveis parceiros. Para as pequenas agroindústrias, a participação pode abrir canais de venda fora dos municípios de origem e aumentar a visibilidade de marcas ainda pouco conhecidas no mercado regional.
Antes da feira, os produtores passaram por um ciclo de preparação promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os treinamentos abordaram atendimento ao público, técnicas de venda e apresentação dos produtos e das marcas.
A capacitação busca resolver uma dificuldade comum entre pequenos empreendimentos rurais. Mesmo quando possuem alimentos de qualidade e produção regular, muitas agroindústrias encontram obstáculos para definir preços, apresentar seus diferenciais e alcançar compradores além da venda direta na propriedade.
O turismo rural também terá espaço na feira. Os empreendimentos participantes apresentarão experiências ligadas à produção agrícola, à gastronomia e ao modo de vida das comunidades do Alto Vale do Itajaí. A atividade permite que as famílias rurais complementem a renda com hospedagem, alimentação, visitas às propriedades e comercialização de produtos locais.
A estrutura dedicada ao agro conta com a participação da Cresol, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), da Cooperfavi e do Sebrae.
Além da área rural, a Fersul terá ambientes voltados à inovação, à tecnologia e ao empreendedorismo feminino. Parte das soluções apresentadas nesses espaços poderá ser aproveitada pelas agroindústrias em atividades como gestão, vendas digitais, divulgação das marcas e organização dos processos produtivos.
Realizada pela Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs), a Fersul chega à 15ª edição como a principal feira de negócios do Alto Vale. A programação segue até sexta-feira (14.08), com exposição multissetorial, palestras, atividades técnicas e um congresso empresarial.
Serviço
Evento: 15ª Feira Multissetorial do Alto Vale do Itajaí
Data: 12 a 14 de agosto de 2026
Abertura: quarta-feira, às 16 horas
Local: Centro de Eventos Hermann Purnhagen
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
Tecnologia biológica que poupa R$ 143 bilhões será debatida em Curitiba
Começa na quarta-feira da próxima semana (19.08), em Curitiba, no Paraná, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O evento discutirá o avanço dos bioinsumos, tecnologias que já permitem à soja brasileira economizar aproximadamente R$ 143 bilhões por safra com fertilizantes nitrogenados.
Promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPIIBio) e a CropLife Brasil, o encontro deverá reunir cerca de 200 pesquisadores, representantes da indústria, consultores, integrantes de universidades e órgãos de fiscalização.
Bioinsumos são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de substâncias naturais. Entre eles estão os inoculantes, que contêm bactérias ou fungos capazes de melhorar o aproveitamento de nutrientes, estimular o desenvolvimento das plantas e auxiliar no controle de pragas e doenças.
O exemplo mais conhecido é a fixação biológica de nitrogênio na soja. A tecnologia utiliza bactérias que capturam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para a planta, dispensando a aplicação de fertilizantes nitrogenados na cultura.
Segundo a Embrapa, aproximadamente 85% da área brasileira de soja recebe inoculantes a cada safra. Mesmo onde as bactérias já estão presentes no solo, a recomendação é repetir a aplicação anualmente.
A inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode elevar a produtividade da soja em cerca de 8%. Quando combinada com outros microrganismos promotores do crescimento, o ganho pode chegar a 16%, dependendo das condições da lavoura.
Na última safra, a substituição dos fertilizantes nitrogenados pela fixação biológica proporcionou economia estimada em R$ 142,8 bilhões. A tecnologia também evitou a emissão de quase 280 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente, volume comparável às emissões anuais de aproximadamente 60 milhões de automóveis.
As pesquisas avançam para outras culturas. No milho, principalmente na segunda safra, já são comercializadas mais de 40 milhões de doses de inoculantes por ano. Os produtos não eliminam completamente a necessidade de adubação nitrogenada, mas podem aumentar o aproveitamento do nutriente e, em determinadas condições, permitir redução de até 25% na cobertura com nitrogênio.
Outro campo de estudo envolve microrganismos que ajudam as plantas a aproveitar o fósforo acumulado no solo. Parte desse nutriente permanece presa às partículas da terra e não pode ser absorvida pelas raízes. Os microrganismos mobilizadores de fosfato transformam parte desse estoque em formas acessíveis às culturas.
O controle biológico de pragas e doenças também estará na programação. A utilização de fungos, bactérias e outros agentes naturais amplia as opções de manejo e pode reduzir a dependência de defensivos químicos, sem dispensar o acompanhamento técnico da lavoura.
Durante os dois dias, os participantes discutirão protocolos para avaliar a qualidade dos inoculantes, critérios de validação de novos produtos, legislação e condições de mercado. O objetivo é evitar que a rápida expansão da oferta seja acompanhada pela comercialização de produtos sem eficiência comprovada.
A programação terá ainda uma rodada de negócios para aproximar pesquisadores e empresas interessadas em transformar tecnologias desenvolvidas nos laboratórios em produtos disponíveis aos agricultores.
A organização recebe até sábado (15.08) resumos de trabalhos científicos, que serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais do evento. Para enviar o material, o interessado precisa estar inscrito na Relare.
Serviço
Evento: 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola
Data: 19 e 20 de agosto de 2026
Local: Centro de Eventos do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)
Endereço: Avenida Comendador Franco, 1.341, Jardim Botânico, Curitiba
Trabalhos científicos: envio até 15 de agosto
Informações: [email protected]
Inscrições: clique aqui
Fonte: Pensar Agro
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