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Agronegócios

Crédito travado expõe falhas em regra ambiental e causa insegurança jurídica

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A combinação entre novas exigências ambientais e o uso automático de monitoramento por satélite para concessão de crédito rural passou a travar operações no campo e reacendeu o debate sobre segurança jurídica no financiamento da produção. Em vigor desde 1º de abril, as resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) obrigam instituições financeiras a consultar o sistema Prodes antes de liberar recursos, medida que, na prática, tem gerado bloqueios até em áreas produtivas regulares.

O problema está na forma como os apontamentos são feitos. O Prodes, ferramenta oficial de monitoramento por satélite, identifica alterações na cobertura vegetal, mas não distingue automaticamente práticas agrícolas legais — como renovação de culturas, manejo de pastagens ou substituição de lavouras, de desmatamento irregular. O resultado tem sido um volume elevado de registros que, mesmo sem confirmação de infração, acabam impedindo o acesso ao crédito.

Dados de mercado indicam que, até outubro de 2025, foram registrados 5,4 milhões de apontamentos positivos no sistema, parte deles considerados potenciais falsos positivos. No campo, produtores relatam embargos administrativos sem notificação prévia e sem possibilidade imediata de contestação, o que interrompe o fluxo de financiamento em momentos críticos da safra.

O impacto se soma a um quadro mais amplo de restrição ao crédito no campo. Como mostrou o portal Pensar Agro mostrou na edição de ontem (09.04) – leia aqui, o aumento do endividamento rural e o custo elevado do financiamento também vêm limitando a capacidade de acesso a recursos por parte dos produtores.

Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças tanto no Congresso quanto junto ao Executivo. Dois projetos de lei em tramitação buscam limitar o uso exclusivo de sensoriamento remoto para embargos e estabelecer critérios mais claros, com base no Código Florestal, para o bloqueio de crédito rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o problema não está na ferramenta, mas na forma como ela vem sendo aplicada. “O monitoramento por satélite é essencial e deve ser mantido. O que não pode acontecer é o produtor ser penalizado automaticamente por uma leitura que não diferencia manejo produtivo de desmatamento ilegal. Hoje, há situações em que a simples renovação de uma área agrícola gera um bloqueio de crédito, o que compromete toda a operação da safra”.

Segundo ele, o efeito mais imediato é a ruptura no fluxo financeiro dentro da porteira. “O crédito rural não é apenas financiamento, é a engrenagem que sustenta o ciclo produtivo. Quando há um bloqueio inesperado, o produtor perde capacidade de compra de insumos, atrasa plantio e aumenta o risco operacional. Isso encarece a produção e reduz competitividade, principalmente em um cenário de margens já pressionadas”.

Rezende avalia que a insegurança jurídica tende a ampliar o custo do crédito no médio prazo. “O sistema financeiro reage ao risco. Se há incerteza sobre a elegibilidade do produtor, o crédito fica mais restritivo e mais caro. Isso pode afastar investimentos, travar expansão de área e até comprometer ganhos de produtividade. No fim, o impacto não fica só no produtor, mas em toda a cadeia, inclusive no abastecimento e nos preços ao consumidor”.

Paralelamente, o Congresso também discute mudanças no seguro rural. O Projeto de Lei que reformula o modelo e prevê a criação de um fundo de catástrofes tramita em regime de urgência. A proposta busca recompor a previsibilidade de um instrumento que perdeu força nos últimos anos: os recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) caíram de R$ 1,15 bilhão em 2021 para R$ 565,3 milhões em 2025, o menor nível desde 2019.

A avaliação no setor é de que crédito e seguro caminham juntos. Sem previsibilidade regulatória e instrumentos de mitigação de risco, o ambiente de financiamento tende a se deteriorar. No momento em que o país busca ampliar produção com sustentabilidade, o desafio passa a ser calibrar controle ambiental com viabilidade econômica — sem comprometer o acesso ao crédito que sustenta o campo.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Agro dobra empregos em 20 anos e sustenta mais de 50% da economia

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O avanço do agronegócio em Mato Grosso redesenhou o mercado de trabalho e consolidou o setor como base da economia estadual. Em duas décadas, o número de trabalhadores ligados ao agro saltou de cerca de 173 mil em 2006 para 449 mil em 2026, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) — crescimento de quase 160%.

O movimento acompanha a expansão da produção e da área cultivada. Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com safras que superam 100 milhões de toneladas somando soja, milho e algodão. A área agrícola do Estado ultrapassa 20 milhões de hectares cultivados, dentro de um território de cerca de 90 milhões de hectares, o que evidencia o espaço ainda disponível para intensificação produtiva.

Esse crescimento dentro da porteira puxou a geração de empregos fora dela. A cadeia do agro — que inclui transporte, armazenagem, processamento e serviços — passou a absorver mão de obra em ritmo mais acelerado, especialmente a partir de 2021, com o avanço da agroindustrialização e o aumento do volume produzido.

O peso econômico é direto. O agronegócio responde por cerca de 50% a 55% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, de acordo com estimativas do próprio Imea e de órgãos estaduais. Na prática, isso significa que mais da metade de toda a riqueza gerada no Estado está ligada ao campo.

Esse protagonismo se reflete na dinâmica regional. Municípios com forte presença agrícola concentram maior circulação de renda, impulsionando comércio, serviços e construção civil. O efeito multiplicador do agro faz com que cada safra movimente não apenas a produção, mas toda a economia local.

Ao mesmo tempo, o perfil da mão de obra vem mudando. A incorporação de tecnologia no campo e na indústria exige trabalhadores mais qualificados, enquanto a expansão logística amplia a demanda por serviços especializados. O resultado é um mercado de trabalho mais diversificado, que vai além das atividades tradicionais da agricultura.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Fechada em 2020, fábrica de ureia volta funcionar para reduzir custos do agro

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A volta da produção de ureia em uma unidade da Petrobras no Paraná recoloca o País na tentativa de reduzir uma dependência estrutural que pesa diretamente no custo do agro. Hoje, o Brasil importa cerca de 80% a 85% da ureia que consome, insumo básico para culturas como milho, cana-de-açúcar e pastagens, o que expõe o produtor às oscilações do câmbio e do mercado internacional.

A unidade Araucária Nitrogenados (Ansa), reativada após quatro anos parada, tem capacidade de produzir 720 mil toneladas por ano, o equivalente a cerca de 8% da demanda nacional. Na prática, é um volume relevante, mas ainda insuficiente para alterar de forma estrutural o quadro de dependência externa.

A fábrica havia sido fechada em 2020 para priorizar a importação do produto. A decisão de retomar a operação reflete uma mudança de estratégica. Episódios recentes, como a disparada dos preços de fertilizantes durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, evidenciaram o risco de depender quase integralmente do mercado externo para um insumo crítico. O choque elevou custos no campo e pressionou margens, especialmente em culturas de alta demanda por nitrogênio.

Além da ureia, a planta também produz amônia (475 mil toneladas por ano) — base para diversos fertilizantes — e Arla 32, insumo utilizado na redução de emissões de veículos a diesel. A reativação exigiu investimentos de cerca de R$ 870 milhões e mobilizou mais de 2 mil trabalhadores na fase de preparação.

O movimento se soma à retomada de outras unidades de fertilizantes nitrogenados, como as fábricas na Bahia e em Sergipe, ampliando a presença da Petrobras no setor. Com essas operações, a companhia projeta atingir cerca de 20% do mercado nacional de ureia. No médio prazo, a entrada de uma nova unidade em Mato Grosso do Sul pode elevar essa participação para algo próximo de 35%.

Mesmo com esse avanço, o impacto para o produtor tende a ser gradual. A produção interna ajuda a reduzir custos logísticos e melhora a segurança de abastecimento, mas o preço final continua fortemente influenciado pelo valor do gás natural, variável que segue sendo o principal desafio para tornar o fertilizante nacional competitivo.

Hoje, o Brasil consome dezenas de milhões de toneladas de fertilizantes por ano e gasta bilhões de dólares com importações, sendo os nitrogenados uma das principais categorias. Nesse cenário, ampliar a produção doméstica não elimina a dependência externa, mas reduz a vulnerabilidade em momentos de crise e melhora o planejamento do setor.

Para o campo, a mensagem é direta: a reativação da fábrica é um passo importante, mas ainda não muda o jogo no curto prazo. O custo da adubação continuará sensível ao mercado global — com a diferença de que o País passa a ter um pouco mais de margem para reagir.

Fonte: Pensar Agro

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