Brasil
Troca de tiros com a polícia termina com 26 mortos, em Varginha
Uma violenta troca de tiros em dois sítios nos arredores de Varginha, na região Sul de Minas Gerais, deixou mortos 26 suspeitos de integrar uma quadrilha do novo cangaço neste domingo (31). O confronto teve início após ação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar (PM). As informações foram apuradas em primeira mão pelo repórter Renato Rios Neto, da Itatiaia.
Além dos mortos nos locais dos confrontos, alguns criminosos sofreram ferimentos e foram levados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Varginha e ao pronto-socorro do município. Entretanto, conforme confirmaram as corporações em coletiva de imprensa na tarde de domingo, nenhum dos integrantes do grupo sobreviveu à ação.
Os suspeitos reuniam um arsenal de guerra nos dois imóveis no perímetro urbano de Varginha – os sítios em questão estão em pontos extremos do município, e a escolha por eles tratou-se de estratégias do grupo. Conforme informações obtidas com exclusividade pela Itatiaia, pelo menos dez fuzis foram recolhidos, além de uma escopeta calibre 12 e três metralhadoras ponto 50 – capazes de derrubar até aeronaves. De acordo com a capitão Layla Brunnella, porta-voz da Polícia Militar (PM), a quadrilha de roubos a banco era composta por vários criminosos. Durante a ação, também foram encontrados explosivos.
“Trabalho perfeito, sensacional”, parabeniza secretário de Justiça
Em entrevista exclusiva ao repórter Renato Rios Neto, da rádio Itatiaia, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, parabenizou o trabalho conjunto da PRF e da Polícia Militar (PM) por meio do Bope para a operação da madrugada de sábado (30) para domingo.
“É um trabalho que já vem sendo feito há muito tempo, falando principalmente da inteligência. Me parece que já era uma operação da inteligência da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais) e que resultou nessa ação muito bem-sucedida através do Bope e da PRF. Da nossa parte aqui, nós só temos que parabenizar nossas forças policiais por um trabalho perfeito, sensacional. Fazer o que eles (policiais) fazem é para poucos, mostra que as forças de segurança aqui reduziram consideravelmente as ações do novo cangaço. Esse tipo de organização criminosa já percebeu que Minas não é um bom lugar para esse tipo de crime”, disse.
Denúncias anônimas
As primeiras informações sobre o possível ataque chegaram à Polícia Militar (PM) de Varginha na tarde desse sábado (30), e denúncias anônimas feitas por moradores do municípios auxiliaram as equipes de inteligência a traçar os locais onde os suspeitos se escondiam no município.
Entretanto, segundo esclareceu o inspetor Aristides Júnior, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a operação que ocorreu neste domingo “não foi planejada do dia para a noite, não foi em 24 horas, e nem em 48 horas”, disse.
Nos esclarecimentos prestados na coletiva, o tenente-coronel Marcos Serpa de Oliveira, do 24º Batalhão de Polícia Militar, lotado em Varginha, deu detalhes sobre as informações recebidas no transcorrer da tarde de sábado.
“No decorrer do dia fomos recebendo informações sobre um possível ataque de gangues contra instituições financeiras daqui da cidade. As informações não eram concretas, mas recebíamos informações sobre movimentações estranhas em estradas de terra, carros andando em comboio… Então, mantivemos o policiamento nas vias de acesso à cidade e acionamos as equipes especializadas”.
Araçatuba e PCC
O repórter Renato Rios Neto apurou com fontes ligadas às forças de segurança que há indícios de que os suspeitos mortos no confronto com a polícia eram membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.
Aliás, as primeiras informações dão conta de que os criminosos são oriundos de cidades paulistas e de municípios do Triângulo Mineiro – até o momento, já foi confirmado que três deles são de Uberaba.
Ainda em relação às ligações dos suspeitos e as fichas deles, o tenente-coronel Rodolfo César Morotti Fernandes, comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), declarou que há indícios de que a quadrilha que agiria em Varginha seja a mesma que atuou no assalto em Araçatuba, em São Paulo, no mês de agosto.
À ocasião, criminosos usaram moradores do município como escudo humano e espalharam explosivos pela cidade; três pessoas morreram e outras três ficaram feridas.
“Pelo que nós observamos do material utilizado, pela forma de se planejar para a ação, pelos armamentos e explosivos, tudo leva a crer que seja a mesma quadrilha que atuou em Criciúma, em Santa Catarina, em Araçatuba, e em Uberaba”.
Carreta para a fuga
Além dos dez veículos apreendidos pelas forças de segurança, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também apreendeu uma carreta, que, segundo acreditam agentes, seria usado para facilitar a fuga dos suspeitos.
“Nós encontramos um compartimento falso na carreta estacionada em Muzambinho, com colchonetes e galões com água escondidos. Por cima, uma carga simulada”, detalhou o inspetor Aristides Junior, porta-voz da PRF.
O que é novo cangaço?
Usada para designar quadrilhas especializadas em grandes assaltos a bancos, a expressão “novo cangaço” foi cunhada há cerca de três décadas no Brasil. Bandos são responsáveis por crimes de grande repercussão, como o assalto à unidade do Banco do Brasil em Araçatuba, em São Paulo, onde os suspeitos pretendiam R$ 90 milhões e impactaram o país com imagens de populares usados como escudos-humanos.
Em Minas Gerais, bem como em outras regiões do país, os suspeitos não chegam às cidades sem estar munidos com forte armamento – como metralhadoras de alto calibre capazes de derrubar aeronaves, fuzis e pistolas; alguns utilizam também carros blindados, e coletes balísticos são itens indispensáveis para esses criminosos. As ações do novo cangaço são marcadas por extrema violência.
Por Atatiaia
Brasil
Eldorado Brasil reúne mais de 400 mulheres em evento e reforça protagonismo feminino no campo
Três Lagoas, 30 de março de 2026 – A Eldorado Brasil Celulose, referência global em sustentabilidade e eficiência no setor, reuniu mais de 400 mulheres nesta quarta-feira (24), em Três Lagoas, para celebrar a diversidade e a presença feminina no campo. Na quarta edição, o encontro Mulheres em Campo, promove palestras, talk show e, principalmente, a promoção de troca de experiências entre profissionais que desafiam limites e rompem barreiras diariamente nas operações da companhia e no setor florestal de Mato Grosso do Sul.
De desafiar padrões, Milena da Silva Melo, 27 anos, entende bem. Mecânica na Eldorado Brasil Celulose, ela deixou por muito tempo o diploma na gaveta de casa até participar de uma seleção na empresa. “Desde criança eu sempre fui diferente das outras meninas. Enquanto elas brincavam de barbie e boneca, eu já era o tipo de criança que gostava de montar e desmontar brinquedos para ver como era. Adulta, eu fiz o curso técnico de Mecânica Industrial e como eu trabalhava, era casada, tinha minha casa, acabei deixando de lado”, relembra.

Durante uma seleção da Eldorado Brasil Celulose, um dos recrutadores pediu para analisar o currículo de Milena e deu a sugestão para que ela tentasse a vaga de mecânica da Florestal.
“Foi uma oportunidade que surgiu na hora certa, e eu a abracei da melhor forma possível. Quando cheguei ao campo, tive receio de ser deixada de lado por ser mulher em uma área predominantemente masculina, mas fui muito bem recebida pelos colegas, tanto da mecânica quanto pelas lideranças da manutenção. Posso não ter a mesma força física que um homem, mas tenho a minha força e a minha inteligência, que uso a meu favor no dia a dia no campo”, pontua.
Milena integra o quadro de colaboradores da Eldorado desde 2025 e faz parte de um movimento crescente de ampliação da presença feminina nas operações da companhia. No comparativo entre 2023 e 2024, a Eldorado registrou um aumento de 14% no número de mulheres em seu quadro de colaboradores. Na área administrativa, elas já são maioria.
Marilu Ramos, coordenadora de Treinamento Operacional e da equipe Nossa Gente Florestal, destaca a importância da iniciativa. “Estamos na quarta edição das Mulheres em Campo. É um evento pensado com muito carinho, ele é desenhado para ser um dia de celebração, de festa, de valorizar a presença feminina e o trabalho que cada uma delas desempenha”, ressalta.
Engenheira florestal, Marilu também reforça as transformações no setor. “Historicamente, essa é uma área predominantemente masculina, mas, nos últimos anos, o número de mulheres nesse setor tem aumentado, a presença feminina tem crescido — e eu sou um exemplo disso. A diversidade é fundamental para o mercado de trabalho, seja de gênero ou de qualquer outra natureza. Podemos contribuir com nosso jeito, com nosso preciosismo e qualidades”, pontua.
Sobre a Eldorado Brasil Celulose
A Eldorado Brasil Celulose, empresa do Grupo J&F, é reconhecida globalmente por sua excelência operacional e seu compromisso com a sustentabilidade, resultado do trabalho de uma equipe qualificada de mais de 6 mil colaboradores. Inovadora no manejo florestal e na fabricação de celulose, produz 1,8 milhão de toneladas de celulose de alta qualidade por ano, atendendo aos mais exigentes padrões e certificações do mercado internacional. Seu complexo industrial em Três Lagoas (MS) também tem capacidade para gerar energia renovável para abastecer uma cidade de 2,1 milhões de habitantes. Em Santos (SP), opera o EBLog, um dos mais modernos terminais portuários da América Latina, exportando o produto para mais de 40 países. A Companhia mantém um forte compromisso com a sustentabilidade, inovação, competitividade e valorização das pessoas.
Brasil
Pós-Carnaval sem perrengue: o que fazer (e o que não fazer) para melhorar da ressaca
Depois de dias de folia, pouca água e sono bagunçado, é comum a manhã seguinte pesar. Dor de cabeça, enjoo, boca seca, tontura e cansaço intenso são sinais frequentes no pós-Carnaval, e não é exagero: a ressaca tem explicação fisiológica.
“A ressaca alcoólica é definida, sob o aspecto farmacológico e fisiológico, como um conjunto de sinais e sintomas resultantes dos efeitos tóxicos do etanol e de seus metabólitos”, explica Denise Basílio, coordenadora do curso de Farmácia da Estácio. Segundo ela, mesmo quando a concentração de álcool no sangue cai, o organismo segue com alterações metabólicas e inflamatórias.
O principal fator é o acetaldeído, substância formada no fígado durante o metabolismo do álcool. “O etanol é metabolizado principalmente no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase, resultando na formação de acetaldeído, um metabólito altamente reativo e tóxico”, afirma Denise. “Esse composto está amplamente associado a manifestações como náuseas, cefaleia, rubor e mal-estar geral.”
Além disso, o álcool ativa processos inflamatórios. “O consumo provoca a ativação de vias inflamatórias sistêmicas, levando ao aumento de citocinas pró-inflamatórias”, aponta. Isso ajuda a explicar a fadiga, dores no corpo e a sensibilidade maior a luz e som.
Por que a ressaca dá tantos sintomas? – A desidratação é um dos mecanismos principais, já que o álcool aumenta a perda de líquidos e eletrólitos. “Isso aumenta a diurese e provoca a perda de água e eletrólitos”, destaca Denise. Com isso, aparecem sintomas como dor de cabeça, tontura, boca seca e fraqueza.
Já o enjoo e a dor no estômago costumam ser consequência da irritação gástrica. “Estão mais relacionados à irritação da mucosa gástrica e ao aumento da secreção ácida provocados pelo álcool”, explica.
“A sensibilidade à luz e ao som, além da cefaleia pulsátil, também tem relação com alterações no cérebro. ‘Estão associadas à vasodilatação cerebral e à inflamação neurovascular’, acrescenta Denise.
E há ainda um agravante importante: o sono. O álcool diminui a qualidade do sono REM, fase considerada essencial para a recuperação do cérebro, ligada à consolidação da memória e ao descanso mental. “Quando esse ciclo é prejudicado, a pessoa pode acordar mais cansada, irritada e com dificuldade de concentração, mesmo tendo dormido por várias horas”, pontua.
O que melhora – Quando a ressaca já chegou, não existe milagre. “A recuperação da ressaca baseia-se, essencialmente, em medidas de suporte”, orienta Denise.
A principal delas é beber água. “A hidratação adequada, de preferência com água e associada a soluções eletrolíticas, é essencial”, diz. Alimentação leve também contribui, especialmente com carboidratos, e o repouso ajuda o corpo a se recuperar do estresse metabólico.
O que piora – Na tentativa de melhorar rápido, muita gente se automedica e isso pode trazer risco. “O alívio dos sintomas deve ser feito com cautela, evitando a automedicação inadequada”, reforça Denise.
Ela alerta para o paracetamol: “Seu uso após a ingestão de álcool aumenta o risco de hepatotoxicidade, que é quando o órgão sofre dano por estar sobrecarregado ao metabolizar substâncias, como álcool e alguns medicamentos”. Anti-inflamatórios também exigem cuidado, pois podem agravar a irritação gástrica e aumentar riscos renais. Já medicamentos depressores do sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, podem ser perigosos quando associados ao álcool.
“A abordagem mais segura consiste em garantir hidratação, alimentação adequada, um ambiente tranquilo e descanso”, afirma Denise. “O uso de medicamentos deve ser reservado apenas para quando for estritamente necessário e sob orientação.”
Além disso, ela alerta que alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica. “Vômitos persistentes, confusão mental, dor abdominal intensa, sonolência excessiva, convulsões ou icterícia não são sinais de uma ressaca comum.”
Como prevenir – Para evitar a ressaca, Denise reforça que medidas simples funcionam melhor. “Evitar o consumo em jejum, alternar bebida alcoólica com água, alimentar-se adequadamente e respeitar os limites individuais são medidas embasadas em evidências”, orienta.
Ela também chama atenção para práticas comuns que podem aumentar riscos. “O uso preventivo de medicamentos e a combinação de álcool com bebidas energéticas carecem de fundamentação científica e podem piorar os danos à saúde”, conclui.
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