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Pulverização começa antes de o equipamento entrar na lavoura

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A eficiência de uma pulverização não começa quando o equipamento entra na lavoura. Antes da operação, decisões sobre histórico da área, monitoramento de pragas e doenças, escolha dos produtos, qualidade da água, condições climáticas, regulagem do pulverizador e características das gotas já podem determinar parte importante do resultado obtido no campo.

Em um cenário no qual produtores buscam maior eficiência operacional e controle de custos, o planejamento antecipado ganha peso dentro da estratégia de manejo. Para Leandro Viegas, CEO da Sell Agro, pulverizar deve ser assertivo. “A pulverização é apenas uma etapa da estratégia de manejo. Quando o produtor planeja antecipadamente, ele reduz improvisações, organiza a logística, escolhe corretamente os produtos, prepara os equipamentos e aumenta as chances de cada aplicação entregar o resultado esperado”, afirma.

A avaliação encontra respaldo nas recomendações técnicas da Embrapa. A instituição define a tecnologia de aplicação como uma interação entre fatores como cultura, praga, doença ou planta daninha, produto utilizado, equipamento e ambiente. Entre os problemas capazes de comprometer a operação estão equipamento desregulado, produto ou dose inadequados, condições meteorológicas desfavoráveis e problemas na qualidade da água utilizada na calda.

Viegas destaca que um dos primeiros passos antes da safra é justamente recuperar o histórico da propriedade. Saber quais pragas predominaram, quais doenças tiveram maior severidade e quais plantas daninhas apresentaram maior dificuldade de controle ajuda a antecipar estratégias.

O monitoramento complementa essas informações, pois, em vez de basear decisões exclusivamente em um calendário, o produtor consegue avaliar a situação real da área, o estágio da cultura, a pressão do alvo e as condições encontradas no momento. “A escolha correta depende de diagnóstico, e não apenas de calendário”, resume o especialista.

Decisão técnica não deve virar urgência

Quando o planejamento é deixado para a última hora, segundo Viegas, uma decisão que deveria ser técnica pode se transformar em uma resposta à urgência. Compras emergenciais, indisponibilidade de produtos, problemas logísticos e menor possibilidade de escolher a melhor janela de aplicação estão entre os riscos.

Definir antecipadamente os objetivos das aplicações também ajuda a organizar o uso das máquinas e da mão de obra e reduz a possibilidade de retrabalho ou intervenções redundantes.

Outro ponto importante é a preparação do pulverizador. Por exemplo, antes do início das operações, componentes como bombas, filtros, mangueiras, válvulas, barras e pontas precisam ser revisados, enquanto a regulagem e a calibração devem estar adequadas às condições de cada trabalho.

A Embrapa reforça a importância dessa etapa. A instituição mantém, inclusive, tecnologias específicas para avaliação da deposição das gotas durante a calibração de pulverizadores, com o objetivo de melhorar os parâmetros de aplicação e contribuir para a redução de custos relacionados à regulagem e calibração. A escolha das pontas também interfere na distribuição e no tamanho das gotas, cobertura do alvo e risco de deriva. “Não existe uma ponta ideal para todas as aplicações. Existe a ponta mais adequada para cada objetivo agronômico”, diz o CEO da Sell Agro.

Água precisa entrar no planejamento

Embora represente grande parte da calda utilizada nas pulverizações, a água nem sempre recebe a mesma atenção destinada aos demais componentes da operação. Características como pH, dureza e presença de determinadas substâncias podem afetar seu comportamento na mistura e interferir no desempenho de alguns produtos. “Muitas vezes o produtor investe em tecnologias de alto valor, mas perde eficiência por não conhecer a qualidade da água utilizada”, destaca Viegas.

As misturas em tanque também exigem planejamento, já que combinações inadequadas podem provocar problemas físicos ou químicos, como precipitação, formação de grumos, excesso de espuma e obstrução de filtros e pontas. Por isso, compatibilidade e ordem de mistura precisam ser avaliadas previamente.

Clima define a janela, não apenas a agenda

Temperatura, umidade relativa, vento e previsão de chuva completam a lista de variáveis que precisam ser acompanhadas. Condições inadequadas podem favorecer evaporação, deriva ou perda do produto antes que ele alcance adequadamente o alvo. Altas temperaturas e baixa umidade podem acelerar a evaporação das gotas, enquanto ventos inadequados elevam o potencial de deriva.

Para o profissional da Sell Agro, isso significa mudar a lógica de simplesmente procurar um espaço disponível na agenda operacional. “Planejar significa escolher a melhor janela operacional e não apenas o dia disponível”.

Na empresa, a orientação é incorporar esses fatores à tomada de decisão desde o início da safra. Por isso, a companhia presta suporte técnico relacionado às condições de pulverização, qualidade da água, compatibilidade de misturas e escolha de tecnologias de aplicação.

Segundo Viegas, trabalhos acompanhados pela equipe em diferentes regiões mostram que antecipar análises e definir a estratégia antes de iniciar as aplicações reduz problemas como paradas provocadas por incompatibilidade de calda e contribui para uma operação mais organizada ao longo do ciclo. “A primeira pulverização da safra não começa quando o pulverizador entra na lavoura. Ela começa meses antes, quando as decisões certas são tomadas”, conclui.

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Agronegócios

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Produção de frangos cresce quase o dobro da média nacional

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A avicultura de Goiás começou 2026 crescendo quase duas vezes mais que a média brasileira. O Estado abateu 135,6 milhões de frangos no primeiro trimestre, aumento de 7,1% sobre igual período de 2025, enquanto o avanço nacional ficou em 3,6%. O desempenho manteve Goiás como quinto maior produtor do País e foi acompanhado pela expansão das exportações.

Entre janeiro e julho, os frigoríficos goianos embarcaram 181,9 mil toneladas de carne de frango para 95 países, volume 18,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita aumentou ainda mais, 23,3%, chegando ao equivalente a cerca de R$ 1,9 bilhão.

Os números reforçam um movimento de expansão que já vinha sendo observado na cadeia. Goiás responde por aproximadamente 8% dos frangos abatidos no Brasil e se consolidou como o principal polo da avicultura de corte do Centro-Oeste.

O crescimento também aparece na quantidade de carne produzida. No primeiro trimestre, o peso das carcaças chegou a 309,3 mil toneladas, avanço de 10,5% em um ano. O percentual superior ao aumento de 7,1% no número de aves abatidas indica maior produção de carne por animal processado.

No Brasil, foram abatidos 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, maior resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1997. A produção nacional de carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas.

O desempenho de Goiás, portanto, ficou acima de um mercado nacional que também cresceu. Além do aumento da produção, o Estado vem ganhando espaço no comércio internacional.

A China foi o mercado que mais ampliou as compras de carne de frango goiana nos sete primeiros meses do ano, com crescimento de 95,5%. As vendas para o Japão avançaram 23,2% e para os Emirados Árabes Unidos, 10,3%.

A presença em 95 países reduz a dependência de um único comprador e ganha importância principalmente diante das oscilações do comércio internacional de proteínas. Para o produtor integrado e para a indústria, mercados diversificados ajudam a sustentar a demanda mesmo quando um destino reduz temporariamente suas compras.

Goiás tem ainda uma vantagem importante na estrutura da cadeia: está no centro de uma das maiores regiões produtoras de milho e soja do País. Os dois grãos são a base da alimentação das aves e representam a maior parcela dos custos da atividade.

Essa proximidade, entretanto, não elimina a pressão sobre as margens. Em julho, o preço do frango resfriado recuou 0,5%, enquanto a saca de milho subiu 1,8%, de R$ 63,68 para R$ 64,84. Com isso, o poder de compra do avicultor em relação ao cereal diminuiu 2,3%.

A alimentação é justamente o principal componente da conta. Dados acompanhados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) mostram que a ração chegou a representar cerca de 64% do custo de produção do frango neste ano.

Por isso, aumento de produção e exportações não significa automaticamente melhora equivalente da rentabilidade dentro das granjas. Para o produtor, o resultado dependerá também da relação entre o preço recebido pelo frango e o custo de milho, farelo de soja, energia e demais insumos.

Ainda assim, os números de 2026 mostram uma cadeia em expansão. Goiás cresce acima da média brasileira no abate, produz mais carne e amplia as vendas externas, fortalecendo sua posição entre os principais polos avícolas do País.

Fonte: Pensar Agro

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