Saúde
Novo Ministro da Saúde Marcelo Queiroga diz que meta do governo é vacinar 1 milhão por dia
O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse ontem (24), durante coletiva de imprensa realizada na Esplanada dos Ministérios, que será possível triplicar o ritmo atual de vacinação – hoje na casa das 300 mil doses por dia – para chegar a cerca de 1 milhão de doses aplicadas diariamente.

“O compromisso número um do nosso governo é a implementação de uma forte campanha de vacinação. Todos sabem o esforço que foi feito para buscar vacinas. Hoje sabemos que 95% da população brasileira deseja ser imunizada. E nós, agentes públicos, temos que envidar esforços para que o programa de vacinação tenha concretude”, declarou Queiroga.
A posição reforça o compromisso feito em rede nacional no dia (23), pelo presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que o governo fará de 2021 o “ano da vacinação dos brasileiros”. “Somos incansáveis na luta contra o coronavírus. Essa é a missão e vamos cumpri-la”, afirmou o presidente.
Sem lockdown, mas com distanciamento
Quando perguntado sobre medidas não farmacológicas, o novo titular do ministério descartou lockdown como uma resposta para conter a disseminação do vírus e citou outras formas de distanciamento.
“Quem quer o lockdown? Ninguém quer lockdown. O que temos do ponto de vista prático é adotar medidas sanitárias eficientes que evitem lockdown. Até porque a população não adere. A vacina é importante, mas precisamos usar máscaras, precisamos manter um certo distanciamento. Vamos buscar maneiras de disciplinar o distanciamento social”, disse.
Medicamentos off-label
Questionado sobre o endosso do Ministério da Saúde a protocolos off-label – o uso de medicamentos e substâncias para tratamentos que não constam em bula -, Queiroga reiterou a importância da autonomia médica em relação aos pacientes, e lembrou que o conhecimento científico é dinâmico e está constantemente em revisão. “Esta doença, que não tem tratamento específico, tem vários estudos que ainda não mostraram eficácia, como a Anvisa atesta. O que precisamos alertar é que o conhecimento científico é dinâmico. No passado, se dizia ‘fica em casa e vai para o hospital quando tiver falta de ar’. A ciência evoluiu e vimos que precisamos atender paciente precocemente. Compete ao médico, com sua autonomia, decidir caso a caso”, respondeu.
Queiroga afirmou que Bolsonaro lhe conferiu autonomia para montar sua equipe e mencionou alguns nomes. Para a Secretaria Executiva foi indicado o servidor de carreira Rodrigo Castro. Para a Secretaria de Atenção Especializada em Saúde foi escolhido o Dr. Sérgio Okani, diretor-executivo de traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Uma secretaria especial será criada para o combate à pandemia, mas o nome não foi informado.
Durante a entrevista, Queiroga também foi questionado sobre a queixa de secretários estaduais e municipais de saúde sobre o sistema para registrar mortes por covid-19. Mas não deu resposta sobre se as mudanças exigindo mais dados seriam ou não mantidas. Em nota, o Ministério da Saúde informou que os novos campos serão suspensos por enquanto.
Por Agência Brasil
Saúde
Esquecimento de fatos recentes e perda de autonomia estão entre os sintomas do Alzheimer
Em 2023, Ruth Barbosa começou a notar mudanças sutis no comportamento de sua mãe, dona Rosalina, seguidas por lapsos frequentes de memória. Pouco tempo depois, veio a confirmação do diagnóstico da Doença de Alzheimer. “Isso mudou totalmente a rotina dela, desde os afazeres diários da casa até os cuidados pessoais”, relata Ruth.
O relato reflete a realidade de milhões de famílias brasileiras. Para orientar a população sobre o reconhecimento precoce dos sintomas, novos tratamentos e estratégias de cuidado, neurologistas da HU Brasil esclarecem os principais aspectos da condição.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da doença combina avaliação médica detalhada, histórico relatado por familiares, testes neuropsicológicos e exames de imagem e sangue para excluir outras causas. Atualmente, já é possível identificar alterações associadas ao Alzheimer precocemente por meio de um exame de sangue que mede a proteína p-tau217 no organismo. Estudos indicam precisão de cerca de 95%, em comparação com os testes considerados padrão-ouro.
No entanto, o exame ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e sua interpretação exige cautela. Segundo o neurologista Pedro Levi Alencar, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), condições clínicas, como a doença renal crônica, podem gerar falsos positivos, e os pontos de corte específicos para a população brasileira ainda estão em definição e variam conforme a tecnologia utilizada.
Apesar de a doença ainda não ter cura, o cenário terapêutico passou por transformações relevantes. Pedro Levi Alencar explica que, além dos medicamentos sintomáticos tradicionais, o país conta com terapias modificadoras da doença.
“Aprovados no Brasil em 2025, esses medicamentos atuam desacelerando o declínio cognitivo-funcional demonstrado em acompanhamentos clínicos de 18 a 36 meses”, esclarece o neurologista do Humap.
O especialista ressalta, no entanto, que essas terapias são indicadas exclusivamente para fases iniciais, exigem confirmação biológica por biomarcadores, acompanhamento regular por imagem devido ao risco de efeitos colaterais e ainda não possuem cobertura pelo SUS. Por isso, a investigação diante dos primeiros sinais tornou-se decisiva.
Sinais de alerta
A Doença de Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e funções cognitivas essenciais, como linguagem, raciocínio, orientação e autonomia para atividades diárias.
De acordo com o neurologista Rodrigo Alencar, do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), a Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência em idosos no Brasil e responde por 60% a 70% desses diagnósticos.
Entre os sintomas mais frequentes, estão o esquecimento de fatos recentes, desorientação no tempo e no espaço, perda de autonomia para realizar tarefas cotidianas como cozinhar ou gerir contas e mudanças comportamentais como apatia, sintomas depressivos e oscilações de humor.
O neurologista e chefe da Unidade do Sistema Neurológico do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), Delson José da Silva, ressalta que o próprio paciente costuma não perceber ou não aceitar as falhas de memória.
“Por isso, é muito importante que o paciente vá à consulta médica acompanhado de um familiar ou parente próximo que participe ativamente de sua rotina diária”, orienta Delson Silva.
Delson Silva, do HC-UFG, destaca que, além do tratamento medicamentoso, a abordagem multidisciplinar é indispensável. “É fundamental associar o tratamento a reabilitação com fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional, além de apoio psicológico para o paciente e suporte ao cuidador. Recomendamos todo um processo educativo focado nessa rede de apoio”, enfatiza.
Formas de prevenção e cuidados
Embora não exista uma forma definitiva de prevenir o surgimento da patologia, a adoção de hábitos saudáveis reduz os riscos e ajuda a preservar a reserva cognitiva por mais tempo.
O médico Gustavo Souto, neurologista do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS), reforça que praticar atividade física regular, controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e manter o sono regulado são medidas fundamentais. “Além disso, manter-se mental e socialmente ativo, lendo, estudando e convivendo com outras pessoas, fortalece as conexões cerebrais”, recomenda.
Para auxiliar na qualidade de vida do paciente, o neurologista Rodrigo Alencar reforça a importância de estabelecer rotinas estruturadas e previsíveis, evitando confrontos diretos ou situações que possam gerar estresse, ansiedade ou agitação no paciente, além de estimular sua autonomia com vigilância e participação nas atividades cotidianas.
“Ao compreender a evolução da doença, respeitar a individualidade e acolher o paciente com empatia e afeto, reduzimos alterações comportamentais e proporcionamos maior conforto a toda a família”, finaliza o Alencar.
Gerência Executiva de Comunicação Social da Rede HU Brasil
Saúde
Entre emagrecimento e preservação muscular, Educação Física amplia atuação na saúde metabólica
Minicurso da XV Semana Acadêmica discutiu hipertrofia, tratamentos metabólicos e a necessidade de atualização dos profissionais diante das novas demandas da saúde
A atuação do profissional de Educação Física diante do avanço dos tratamentos para obesidade e alterações metabólicas foi um dos temas centrais da XV Semana Acadêmica de Educação Física da UNIGRAN. O minicurso ‘Hipertrofia na Era dos Análogos de GLP-1 e GIP: O Papel da Educação Física na Prevenção Metabólica’ colocou em discussão a relação entre treinamento de força, preservação da massa muscular e acompanhamento de pessoas submetidas a tratamentos metabólicos.
A discussão acompanha um cenário de crescimento da obesidade no Brasil e no mundo. Dados do Ministério da Saúde apontam que 25,7% dos adultos residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal apresentavam obesidade em 2024, enquanto 62,6% tinham excesso de peso. O recém-lançado Atlas Mundial da Obesidade emitido pela Federação Mundial de Obesidade acendeu um alerta severo: 20,7% das crianças e adolescentes (de 5 a 19 anos) no mundo todo já convivem com o sobrepeso ou a obesidade.
Conduzido pelo professor Fernando Dias Boeira, o minicurso abordou os desafios que surgem para a Educação Física diante da rápida evolução científica e tecnológica na área da saúde. Graduado em Educação Física, especialista em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais e mestre em Ciências do Movimento pela UFMS, Boeira também é professor da Rede Municipal de Ensino de Ponta Porã.
Para o professor, a atuação profissional exige atualização permanente. “O profissional de Educação Física atual precisa estar acompanhando as atualizações científicas e tecnológicas, bem como ter uma boa percepção de comportamentos para uma melhor relação interpessoal com clientes e alunos”, afirmou.
Segundo Boeira, as transformações do mercado e da ciência exigem uma formação capaz de acompanhar mudanças rápidas. Ele defende que o conhecimento científico seja aplicado com leitura crítica, atualização constante e responsabilidade ética. “É um cenário de mudanças rápidas, de novos achados em curto espaço de tempo, que exige a busca de atualização constante em fontes confiáveis”, destacou.
A discussão também reforçou o caráter interdisciplinar da atuação em saúde. Na avaliação do palestrante, o profissional de Educação Física integra o cuidado de pessoas com doenças crônicas, especialmente por meio da prescrição adequada do treinamento de força e da promoção de hábitos que contribuam para uma longevidade metabólica sustentável.
Formação conectada às novas demandas
A programação integrou a XV Semana Acadêmica de Educação Física, realizada de 1º a 4 de setembro, em uma edição que também celebrou o Dia do Profissional de Educação Física e os 50 anos da UNIGRAN. Além do minicurso sobre análogos de GLP-1 e GIP, os acadêmicos participaram de atividades sobre biomecânica aplicada à musculação e hipertrofia, diagnóstico por imagem no esporte e metodologias inovadoras para a Educação Física escolar.
De acordo com o coordenador do curso de Educação Física, Robson de Oliveira, a diversidade de temas reflete a necessidade de preparar o futuro profissional para uma área em constante transformação. “Hoje o acadêmico recebe esse tipo de conteúdo e já sai para o mercado de trabalho com uma consciência diferente, valorizando sua profissão e capacitado para auxiliar na prevenção de algumas situações”, destacou ele.
A Semana Acadêmica também evidenciou a trajetória do curso na relação com a comunidade. Projetos como o ‘UNIGRAN Vai à Comunidade’ aproximam acadêmicos, universidade e população de Dourados e região por meio de ações esportivas, educativas e de promoção da saúde.
Para o coordenador, a iniciativa cria uma via de aproximação entre o Ensino Superior e a comunidade, ao mesmo tempo em que proporciona aos acadêmicos experiências práticas de atuação profissional.
“É um projeto voltado a essa aproximação da universidade com a comunidade. Através da atuação dos futuros profissionais dentro da comunidade, isso faz com que jovens, crianças e pais tenham essa proximidade com a faculdade e com o ensino superior”, explicou.
Segundo ele, o projeto ultrapassa os limites da Educação Física e envolve outros cursos da Instituição, ampliando o contato da comunidade com diferentes áreas profissionais. “Dentro desse projeto, nós também convidamos outros cursos a participar. Então eles têm contato com o pessoal da Odontologia, Enfermagem, Farmácia, Biomedicina e Nutrição. Os pais e os adultos da comunidade também têm essa experiência”, afirmou.
A iniciativa também pode despertar nos jovens o interesse pelo Ensino Superior. “O jovem, o irmão que muitas vezes vai levar o irmão mais novo para participar desse dia, tem contato com os acadêmicos e vê uma oportunidade também de cursar um Ensino Superior”, pontuou.
As ações já foram realizadas em diferentes localidades, incluindo Dourados, Itaporã e distritos da região. Para o coordenador, essa presença é especialmente relevante para comunidades que possuem menor contato cotidiano com o Centro Universitário. “Algumas escolas ficam longe da instituição de ensino e não conseguem vir com frequência. Outro projeto são os jogos, quando acontecem alguns jogos escolares e campeonatos, em que eles também têm essa oportunidade de vir conhecer a instituição”, acrescentou.
Tradição e compromisso com a comunidade
Na abertura, a Instituição ainda homenageou egressos da primeira turma de Educação Física, reconhecendo aqueles que participaram da construção inicial do curso. A iniciativa integrou as comemorações dos 50 anos da UNIGRAN e reforçou a conexão entre a trajetória do Centro Universitário, a formação profissional e a contribuição da Educação Física para a comunidade.
Ao reunir discussões sobre novas tecnologias e tratamentos metabólicos, atualização científica, práticas profissionais e ações comunitárias, a XV Semana Acadêmica evidencia a amplitude da formação em Educação Física e o papel do curso na preparação de profissionais atentos às transformações da área e às necessidades da sociedade.
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