Agronegócios
Produção de laranja deverá alcançar 263,15 milhões de caixas
A produção de laranja no principal cinturão citrícola do Brasil deverá alcançar 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra 2026/27. A nova projeção para as lavouras de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais acrescenta 7,95 milhões de caixas à estimativa inicial, mas ocorre em um ano de forte redução da receita obtida pelos produtores.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estima que o Valor Bruto da Produção (VBP) da laranja cairá 41,8% em 2026, para R$ 14,47 bilhões. Em 2025, a atividade havia gerado cerca de R$ 24,9 bilhões dentro das propriedades rurais. O indicador considera o volume produzido e o preço recebido pelo produtor, sem incluir o faturamento posterior da indústria e das exportações.
A diferença entre o aumento da safra no cinturão e a queda do faturamento mostra que colher mais não significa necessariamente ganhar mais. Depois de um período de oferta reduzida e preços elevados, a recuperação parcial da produção encontra valores menores pagos pela fruta. Para o citricultor, o ganho de peso das laranjas ajuda a elevar o volume colhido, mas não compensa sozinho a redução das cotações nem o aumento dos custos de manejo.
São Paulo e o Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais formam o centro da citricultura destinada à indústria de suco. A nova previsão do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) equivale a 10,74 milhões de toneladas, volume próximo de 69% de toda a produção brasileira esperada para 2026.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta uma colheita nacional de 15,63 milhões de toneladas neste ano, o equivalente a cerca de 383 milhões de caixas. O resultado deve ficar praticamente estável em relação às 15,68 milhões de toneladas estimadas para 2025. Os levantamentos usam calendários e metodologias diferentes, mas a comparação dimensiona o peso do cinturão paulista e mineiro na oferta nacional.
A revisão de 3,1% divulgada pelo Fundecitrus foi provocada principalmente pelo aumento do peso das frutas precoces e de meia-estação. Entre maio e agosto, o cinturão recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período.
As precipitações, combinadas ao avanço mais lento da colheita, mantiveram as laranjas por mais tempo nas árvores e favoreceram o crescimento dos frutos. Na média das variedades, agora são necessárias 246 laranjas para completar uma caixa de 40,8 quilos, ante as 255 calculadas inicialmente. O peso médio de cada fruta subiu de 160 para 166 gramas.
Até meados de agosto, apenas 27% da safra havia sido retirada dos pomares. O atraso decorre, entre outros fatores, da participação elevada de frutas da segunda florada e da estratégia dos produtores de esperar o ponto adequado de maturação.
O benefício das chuvas, entretanto, veio acompanhado de maior queda prematura. A taxa média projetada aumentou de 23,7% para 24,1%, pressionada pelo avanço do greening e pela ocorrência de leprose e cancro cítrico.
Sem cura, o greening enfraquece as árvores, deforma as laranjas e provoca a queda antes da colheita. Além de reduzir a produtividade, a doença obriga o produtor a ampliar os gastos com inspeção, controle do inseto transmissor e eliminação das plantas contaminadas.
O Fundecitrus divulgará uma nova reestimativa em dezembro. Até lá, o resultado dependerá do desenvolvimento das variedades tardias, do clima e da capacidade dos produtores de conter as perdas provocadas por pragas e doenças.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócios
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Agronegócios
Fim do uso da biomassa nativa abre corrida para plantar mais de 400 mil ha de eucalipto
As agroindústrias de alto consumo energético instaladas em Mato Grosso terão de abandonar o uso de biomassa de floresta nativa até 2035, conforme acordo firmado pelo governo estadual e pelo Ministério Público de Mato Grosso. A mudança pode obrigar o Estado a plantar mais 407 mil hectares de eucalipto até 2028 para garantir madeira suficiente quando o novo limite entrar em vigor.
O prazo foi estabelecido em um acordo firmado em junho pelo governo estadual e pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A medida atinge diretamente as usinas de etanol de milho, que utilizam cavacos de madeira para alimentar as caldeiras responsáveis pela geração de vapor e energia.
O desafio começa pela diferença entre a oferta atual e o consumo projetado. Mato Grosso possuía 165 mil hectares de eucalipto no fim de 2025, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No cenário de maior demanda, seriam necessários 572 mil hectares para atender somente às usinas de etanol de milho.
Como o eucalipto demora aproximadamente sete anos para chegar ao primeiro corte, a floresta que abastecerá as indústrias em 2035 precisa começar a ser formada até 2028. O investimento necessário poderá variar de R$ 7,6 bilhões a R$ 14,3 bilhões, conforme a produtividade das árvores e a eficiência energética das fábricas.
As usinas de etanol de milho instaladas no Estado têm capacidade para produzir cerca de 8 bilhões de litros por ano. Se todas utilizassem exclusivamente eucalipto hoje, seriam necessários aproximadamente 383 mil hectares plantados, mais que o dobro da área existente.
A necessidade será maior com a expansão da indústria. Mato Grosso poderá alcançar capacidade de 12 bilhões de litros de etanol de milho em 2030. Em um cenário de eficiência intermediária das caldeiras, o abastecimento exigiria 440 mil hectares de eucalipto e cortes anuais de 63 mil hectares.
Se as unidades consumirem mais madeira para gerar a mesma quantidade de energia, a necessidade anual poderá chegar a 82 mil hectares. Nesse caso, a área total subiria para 572 mil hectares. Usinas mais eficientes reduziriam tanto o consumo de biomassa quanto o volume de investimentos necessários.
As estimativas foram elaboradas pelo Itaú BBA com custo médio de R$ 35 mil por hectare durante um ciclo de 13 anos. A conta inclui a implantação, a manutenção e dois cortes, o primeiro aos sete anos e o segundo seis anos depois.
Para o produtor rural, a nova demanda abre uma possibilidade de diversificação e contratos de longo prazo. Com a madeira negociada perto de R$ 150 por metro cúbico, o retorno estimado do eucalipto pode superar a taxa básica de juros e alcançar valor equivalente a 30 sacas de soja por hectare.
A comparação não significa, porém, que as duas culturas ofereçam o mesmo tipo de renda. A soja gera receita a cada safra. O eucalipto exige investimento prolongado e deixa o capital imobilizado até o corte, além de envolver riscos de incêndio, produtividade abaixo do esperado e dependência de compradores próximos.
A distância das usinas também será decisiva. Como a madeira é pesada e ocupa grande volume, o frete pode consumir parcela importante da remuneração. As áreas localizadas próximas às fábricas tendem a ser mais competitivas e a receber propostas melhores.
O acordo ainda enfrenta uma tentativa de alteração. O governo estadual propôs permitir que até 5% da biomassa utilizada depois de 2035 continue vindo de áreas com supressão vegetal legalmente autorizada. A proposta está em discussão e pode influenciar a decisão de produtores e investidores sobre os novos plantios.
Mesmo que a exceção seja aceita, a substituição da madeira nativa exigirá uma expansão sem precedentes das florestas plantadas. E a conta considera apenas as usinas de etanol de milho. A inclusão das demais agroindústrias de alto consumo energético poderá elevar ainda mais a procura por eucalipto no Estado.
Fonte: Pensar Agro
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