Mato Grosso do Sul
Hemosul reúne especialistas e pacientes para debater avanços no tratamento da hemofilia
Ação realizada no dia 13 marca a semana do Dia Mundial da Hemofilia; capacitação com especialista nacional será realizada no dia 16
Em alusão ao Dia Mundial da Hemofilia, celebrado em 17 de abril, o Hemosul promoveu, no dia 13, um encontro que reuniu especialistas, pacientes e familiares para discutir avanços no tratamento, desafios e a importância do acesso à informação. A programação continua na quinta-feira (16), com uma capacitação online voltada a profissionais da saúde.
O Brasil vive um momento de evolução no cuidado com a hemofilia, com a incorporação de novas terapias e maior acesso ao tratamento. A presidente da ABRAPHEM (Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia), Indianara Galhardo, destacou o impacto dessas mudanças. “As novas terapias trazem mais autonomia e qualidade de vida para os pacientes”.
Ela também reforçou a importância da participação da sociedade na construção das políticas públicas. “As consultas públicas são fundamentais. A vivência do paciente já é suficiente para contribuir e ajudar a melhorar o sistema”.
A hemofilia é uma condição principalmente genética que acompanha o paciente desde o nascimento e exige adaptação constante ao longo da vida, embora existam também casos raros adquiridos.
O presidente da APHEMS (Associação de Pessoas com Hemofilia e Outras Coagulopatias Hereditárias do Mato Grosso do Sul), Néder Gustavo dos Santos, destacou a importância da informação. “Estamos trazendo os protocolos atualizados para esclarecer dúvidas e aproximar os pacientes do tratamento”.
Rede estruturada e acesso ao tratamento
No Mato Grosso do Sul, o atendimento é centralizado na Rede Hemosul, com ambulatório especializado e distribuição de medicamentos em todo o Estado. A coordenadora da rede, Marina Sawada Torres, destacou o avanço no acesso. “Hoje conseguimos atender pacientes da Capital e do interior, com uma rede estruturada e maior acesso aos medicamentos”.
Ela também enfatizou o impacto das novas terapias. “Antes, muitos não podiam praticar atividades físicas. Hoje, com os tratamentos, conseguem ter uma infância mais ativa e com mais qualidade de vida”.
A hemofilia é causada por uma alteração genética que compromete a coagulação do sangue, aumentando o risco de sangramentos. A médica hematologista Rosânia Maria Basegio explica. “O homem tem apenas um cromossomo X. Quando recebe a alteração genética da mãe, ele manifesta a doença”.
Sobre as complicações, ela alerta. “Sem os fatores de coagulação, o sangramento não é controlado e pode causar problemas importantes, principalmente nas articulações e músculos”.
Evolução dos tratamentos
Os avanços recentes têm transformado a forma de tratar a hemofilia, tornando o cuidado mais eficaz e menos invasivo. A enfermeira em hematologia Érika Cristina Rosa destacou. “A medicação subcutânea facilitou muito o tratamento, principalmente para crianças, que tinham dificuldade com a punção venosa”.
Ela também ressaltou que novas terapias continuam sendo estudadas. “Já existem pesquisas para tratamentos semelhantes voltados também para pacientes com hemofilia B”.
Durante o evento, foi apresentado o emicizumabe, recentemente incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde). A farmacêutica Renata Neves explicou. “É um medicamento subcutâneo, que representa um grande avanço em relação ao modelo anterior, que era exclusivamente venoso”.
Segundo ela, o medicamento amplia o acesso. “Ele foi liberado de forma mais abrangente para pacientes de até 6 anos, facilitando o tratamento”.
Impacto direto na vida das famílias
Para os pacientes e familiares, o acesso ao tratamento faz toda a diferença na qualidade de vida. A mãe de paciente Juliana Mota Miller relatou. “Depois que ele começou o tratamento com a nova medicação, a vida dele mudou. Hoje ele tem uma rotina praticamente normal”.
Dando continuidade às ações da semana, será realizado nesta quinta-feira (16) um evento voltado a profissionais da saúde de todas as áreas, incluindo estudantes. A atividade será online, com certificação de duas horas, e contará com a participação do especialista André Cruz, da Roche Farma Brasil, que abordará protocolos para o tratamento da hemofilia.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link:
https://www.cursos.ms.gov.br/Hemosul/Home/DetalhesEvento/4007
O objetivo é ampliar o conhecimento técnico, fortalecer o diagnóstico precoce e qualificar o atendimento às pessoas com hemofilia e outras coagulopatias na rede pública.
André Lima, Comunicação SES
Mayra Franceschi, Comunicação Hemosul
Fotos: André Lima
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Bioparque Pantanal resgata peixes afetados pela decoada e fortalece pesquisas científicas
O Bioparque Pantanal resgatou peixes impactados pelo fenômeno da decoada no Pantanal. A expedição realizada em fevereiro no Rio Miranda, na região do Passo do Lontra, mobilizou uma equipe multidisciplinar de biólogos, veterinários e zootecnistas que garantiram segurança e bem-estar aos animais durante o transporte.
A decoada é um evento típico do bioma pantaneiro, marcado pela redução drástica de oxigênio na água, o que impacta diretamente a sobrevivência das espécies aquáticas. Segundo o biólogo-curador do Bioparque, Heriberto Guimenes Júnior, o fenômeno ocorre a partir do contato da água com matéria orgânica em decomposição.
“O processo acontece quando a água do rio extravasa para as margens e entra em contato com folhas, galhos e matéria orgânica. Esse processo gera uma intensa atividade bacteriana, que consome o oxigênio dissolvido na água. Como consequência, ocorre uma mortandade significativa de peixes, principalmente daqueles que não conseguem se deslocar rapidamente para áreas com melhores condições”, explica.
Diante desse cenário, o Bioparque Pantanal realizou a expedição para resgatar indivíduos ainda vivos, mas em estado debilitado. Ao chegarem ao empreendimento, os animais passaram por um rigoroso protocolo de quarentena e foram acompanhados por profissionais que monitoraram o estado clínico e nutricional de cada animal.
Foram resgatados exemplares cascudos (Loricaria spp. e Pseudohemiodon spp.) e bagres (Amaralia spp.), espécies que apresentam maior vulnerabilidade diante das alterações ambientais provocadas pelo fenômeno.
Pesquisa
Além do resgate, o trabalho integra um projeto de pesquisa científica voltado à compreensão dos impactos da decoada sobre a ictiofauna pantaneira. De acordo com Heriberto, o monitoramento dos animais resgatados permite gerar informações relevantes para a ciência.
“A partir da reabilitação desses peixes, conseguimos acompanhar como ocorre a sobrevivência das espécies afetadas pela decoada. Esses dados são fundamentais para entender a dinâmica do fenômeno e contribuir para estratégias de conservação da fauna aquática”, comentou.
Os estudos desenvolvidos devem resultar em publicações científicas e ampliar o conhecimento sobre os efeitos da decoada. A diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, ressalta que a iniciativa vai além de uma ação pontual de resgate, representando um compromisso contínuo com a ciência e a conservação:
“Essa ação reforça o papel do Bioparque Pantanal como uma instituição comprometida não apenas com a conservação da biodiversidade, mas também com a produção de conhecimento científico aplicado. Ao resgatar esses animais, damos a eles uma nova chance de sobrevivência, ao mesmo tempo em que ampliamos nossa compreensão sobre fenômenos naturais como a decoada, que são próprios do Pantanal, mas que ainda demandam estudos aprofundados. Mais do que acolher esses indivíduos, nós os transformamos em fonte de aprendizado, contribuindo para estratégias mais eficazes de conservação da ictiofauna pantaneira. É a união entre cuidado, ciência e propósito, que orienta todas as nossas ações”.
Eduardo Coutinho, Bioparque Pantanal
Foto: Eduardo Coutinho
Fonte: Governo MS
Mato Grosso do Sul
Programa Centelha faz ideia inovadora virar empresa lucrativa com apoio da Fundect
Uma ideia inovadora desenvolvida ao longo da carreira de um pesquisador pode se transformar em empresa, gerar empregos e produzir soluções tecnológicas graças ao apoio de recursos públicos federais e estaduais. A trajetória da Selkis Biotech, sediada em Mato Grosso do Sul, se tornou um exemplo de como o apoio a projetos acadêmicos pode fazer a pesquisa científica virar um bom negócio.
A empresa foi uma das selecionadas pelo Programa Centelha 2 – MS e atua na produção de peptídeos sintéticos, moléculas formadas por cadeias de aminoácidos que podem ser utilizadas em pesquisas biomédicas, desenvolvimento de medicamentos, vacinas e outras aplicações científicas.
“A Selkis nasceu de uma ideia inicial que eu venho desenvolvendo ao longo da minha carreira de pesquisador, à medida que eu ia publicando artigos, me especializando em sínteses de peptídeos. É uma técnica bem definida, bem difundida, onde a gente consegue construir moléculas sintéticas”, explica o pesquisador e fundador da empresa, Ludovico Migliolo.
Segundo Migliolo, o conhecimento acumulado ao longo de anos de pesquisa foi o ponto de partida para a criação da empresa. A iniciativa também surgiu da percepção de que muitos estudantes formados em pesquisa científica tinham dificuldades para encontrar espaço no mercado.
“À medida que eu ia formando recursos humanos, esses alunos de mestrado e doutorado, o mercado não estava absorvendo. E com essa falta de absorção do mercado e tendo essa minha carreira, eu comecei pensar em como melhorar isso”, relata.
Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de participar do Programa Centelha. Com os recursos do programa, a Selkis conseguiu estruturar sua operação e iniciar a produção de peptídeos sintéticos em Mato Grosso do Sul.
“Empreender em uma empresa como a Selkis, ainda durante a formação acadêmica, exige conciliar o rigor científico com uma visão estratégica de inovação. Trabalhar com uma equipe formada por pesquisadores em diferentes níveis de formação fortalece a multidisciplinaridade e permite que as decisões sejam baseadas em evidências”, afirma Pedro Henrique de Oliveira Cardoso, sócio da Selkis Biotech.
Hoje a empresa mantém um estoque de reagentes, resinas e aminoácidos que permite realizar todo o processo de produção dessas moléculas, desde a síntese até a purificação e validação, garantindo alto grau de pureza.
“O Centelha foi a principal subvenção econômica, a principal alavanca para jogar a gente para frente. Hoje a gente tem uma independência de produzir peptídeo dentro do Estado com a melhor qualidade possível”, afirma Ludovico.
“A subvenção do Centelha econômica reduziu riscos iniciais e proporcionou maior segurança na transição da pesquisa para o mercado, fortalecendo a base científica do empreendimento”, completa Cardoso.
Centelha 3
A terceira edição do programa será lançada no próximo dia 27 de março. O Centelha 3, como está sendo chamado, tem como objetivo apoiar ideias inovadoras ainda em fase inicial, especialmente nos estágios de ideação e prototipação, quando projetos costumam enfrentar maiores riscos tecnológicos e de mercado.
A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.
Em Mato Grosso do Sul, o programa é executado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
O edital prevê a seleção de até 47 propostas, conforme a disponibilidade orçamentária. Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, modalidade de financiamento que não exige reembolso. Além disso, cada iniciativa poderá contar com até R$ 45,5 mil em Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora, concedidas pelo CNPq. O investimento total previsto para esta edição é de R$ 6,3 milhões.
Podem participar pessoas físicas com ideias inovadoras, como inventores, pesquisadores, professores e empreendedores, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência. Todos os participantes devem submeter suas propostas como pessoa física e, caso sejam selecionados, deverão constituir uma empresa com CNPJ em Mato Grosso do Sul para receber os benefícios do programa.
As inscrições estarão abertas de 27 de março a 11 de maio de 2026 e devem ser realizadas por meio do Sigfundect, disponível no site da Fundect. Nas duas edições anteriores do programa no estado, foram selecionadas 79 startups, que receberam mais de R$ 5,9 milhões em investimentos. Ao todo, 809 ideias foram submetidas nas etapas anteriores. Para a terceira edição, a meta é alcançar mil ideias inscritas.
Comunicação Fundect
Fotos: Magdiel Trelha
Fonte: Governo MS
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