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Agronegócios

Banco Central registra maior inadimplência do crédito rural em 15 anos e índice chega a 8,8%

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A inadimplência do crédito rural contratado por pessoas físicas voltou a acelerar e atingiu 8,8% da carteira em julho, o maior índice desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em março de 2011. O novo recorde interrompe um período de relativa estabilidade e mostra que a dificuldade financeira dos produtores continua avançando, apesar das medidas anunciadas para renegociação das dívidas do setor.

Os dados divulgados pelo BC na sexta-feira (28.08) mostram uma piora rápida. Em junho, 7,5% da carteira estava inadimplente. Em apenas um mês, portanto, o indicador avançou 1,3 ponto percentual. Há um ano, em julho de 2025, estava em 4,5%, praticamente metade do percentual atual.

O problema é ainda maior entre produtores que dependem de financiamentos contratados a taxas de mercado. Nesse grupo, a inadimplência saltou de 13,1% em junho para 15,5% em julho, também o maior nível registrado na série histórica.

Nas operações com taxas reguladas, tradicionalmente utilizadas no crédito rural, o índice é significativamente menor, mas também aumentou. A inadimplência passou de 3,3% para 3,7% entre junho e julho.

A diferença entre os dois grupos ajuda a dimensionar o peso do custo financeiro sobre o produtor. A inadimplência nas linhas a taxas de mercado é hoje mais de quatro vezes superior à registrada nas operações com juros controlados.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), avalia que o novo recorde não pode ser interpretado como um problema isolado de produtores que assumiram dívidas acima de sua capacidade.

“Quando a inadimplência alcança o maior nível de uma série de 15 anos, deixa de ser possível tratar o problema como dificuldade individual de alguns produtores. Estamos diante do resultado acumulado de safras afetadas pelo clima, queda dos preços de importantes produtos, custos elevados e juros que permaneceram altos justamente no momento em que muitas propriedades precisavam reorganizar seu caixa”, afirma.

Rezende chama atenção especialmente para a diferença entre as linhas controladas e aquelas contratadas a taxas de mercado.

“Os 15,5% de inadimplência nas operações a taxas de mercado talvez sejam o dado mais preocupante desse levantamento. Eles mostram o que acontece quando o produtor, sem encontrar crédito suficiente nas linhas tradicionais, precisa buscar recursos mais caros para financiar a atividade. A lavoura pode até produzir bem, mas chega um ponto em que a margem não consegue carregar esse custo financeiro”, diz.

Para ele, a renegociação precisa permitir que propriedades economicamente viáveis recuperem capacidade de pagamento e continuem produzindo.

“Renegociar não significa simplesmente empurrar dívida para frente. É preciso separar quem tem uma atividade produtiva viável, mas perdeu capacidade de pagamento por uma sequência excepcional de problemas, de situações em que não existe perspectiva de recuperação. Se a solução apenas alongar o passivo sem adequar parcelas e juros à geração de renda da propriedade, daqui a algum tempo estaremos discutindo novamente os mesmos números”, afirma Rezende.

A carteira de crédito rural para pessoas físicas considerada pelo Banco Central somava R$ 557,28 bilhões em julho. O saldo caiu 1% em relação a junho, mas ainda era 4,2% maior do que há um ano.

A deterioração ocorre justamente quando o governo tenta colocar em funcionamento uma nova rodada de renegociação. A Medida Provisória 1.376/2026 criou condições para reestruturação de dívidas rurais e foi apresentada com potencial de alcançar até R$ 100 bilhões em operações.

Publicada em julho, a medida ainda não produziu impacto capaz de aparecer nos indicadores do Banco Central. A operacionalização das renegociações enfrentou dificuldades nas instituições financeiras e o setor produtivo vem cobrando mudanças para ampliar o alcance da medida.

O dado de julho também pode ter sido influenciado pelo calendário de vencimentos de operações rurais. Parte importante das parcelas é concentrada em determinados períodos do ano, de acordo com a atividade e a comercialização da safra. A espera por condições de renegociação também pode ter levado produtores a postergar pagamentos.

A própria trajetória dos números, entretanto, mostra que o problema começou antes das medidas mais recentes. Em julho de 2024, a inadimplência estava próxima de 1,9%. Um ano depois havia avançado para 4,5% e agora alcança 8,8%.

A situação das empresas do agronegócio é bastante diferente. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência chegou a 0,9% em julho, ante 0,8% em junho. Nas operações a taxas de mercado, passou de 1,1% para 1,2%, enquanto permaneceu em 0,4% nos financiamentos com taxas reguladas.

A distância entre os indicadores de pessoas físicas e jurídicas é relevante porque grande parte da produção agropecuária brasileira é financiada diretamente em nome do produtor rural. Dessa forma, a deterioração aparece com muito mais intensidade na carteira de pessoas físicas.

O cenário se torna mais delicado porque o custo do dinheiro também aumentou em julho. A taxa média do crédito rural para pessoas físicas passou de 10,5% para 11,3% ao ano. Nas operações com juros controlados, subiu de 9,2% para 9,6%, enquanto nas linhas de mercado avançou de 12,1% para 13,4% ao ano.

O produtor entra, portanto, no novo ciclo agrícola diante de uma combinação difícil: inadimplência recorde, crédito mais seletivo e taxas elevadas. O efeito pode ir além das propriedades que já estão em atraso. Quando o risco da carteira aumenta, as instituições financeiras tendem a reforçar critérios para novas concessões, o que pode dificultar o financiamento também para produtores que continuam adimplentes.

Os próximos meses mostrarão se a renegociação autorizada pelo governo será suficiente para interromper essa trajetória. Por enquanto, o levantamento de julho do Banco Central indica que a curva ainda segue na direção contrária: a inadimplência voltou a acelerar e atingiu o maior nível registrado em 15 anos.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócios

Brasil caminha para produzir 16 milhões de toneladas de frango

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A avicultura brasileira deve superar pela primeira vez a marca de 16 milhões de toneladas de carne de frango em 2026, ao mesmo tempo em que amplia exportações e recupera mercados afetados pela influenza aviária no ano passado. O crescimento aumenta a responsabilidade dentro das granjas: uma falha sanitária localizada pode produzir consequências comerciais para uma cadeia que vende seus produtos a mais de 150 países.

As projeções mais recentes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam produção entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas neste ano. Se alcançar o limite superior, o Brasil produzirá 5,6% mais que as 15,289 milhões de toneladas registradas em 2025.

O País já é o maior exportador mundial e o terceiro maior produtor de carne de frango. Para 2026, os embarques podem alcançar 5,875 milhões de toneladas, crescimento de até 10,3% sobre as 5,324 milhões de toneladas exportadas no ano passado.

A recuperação ficou evidente nos números recentes. Somente em julho, o Brasil embarcou 519,2 mil toneladas de carne de frango, aumento de 29,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, foram 3,455 milhões de toneladas, crescimento de 15,2%.

Parte dessa forte variação, entretanto, decorre de uma base de comparação atípica. Em 2025, o primeiro foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial brasileira levou importantes compradores a suspender temporariamente as importações.

O episódio foi registrado no Rio Grande do Sul e rapidamente controlado, mas demonstrou como um problema sanitário em uma única propriedade pode ultrapassar os limites da granja e atingir frigoríficos, exportadores e produtores de diferentes regiões do País.

Mercados importantes que haviam adotado restrições retomaram as compras. Em julho deste ano, a China voltou a ocupar a primeira posição entre os destinos do frango brasileiro, com 70,5 mil toneladas. A União Europeia comprou 36,8 mil toneladas no mês. Ambos estavam fechados ao produto brasileiro no mesmo período de 2025.

É nesse cenário que a ABPA voltou a reforçar, durante a campanha do Dia do Avicultor, comemorado na sexta-feira (28.08), a necessidade de manutenção permanente das medidas de biosseguridade nas propriedades.

Entre os cuidados estão o controle de entrada de pessoas e veículos, higienização de equipamentos, restrição da circulação dentro das granjas, acompanhamento constante das aves e comunicação imediata aos órgãos de defesa sanitária diante de qualquer suspeita.

Para o produtor, biosseguridade deixou de representar apenas proteção do próprio plantel. O status sanitário brasileiro influencia diretamente a abertura e a manutenção de mercados e, consequentemente, a demanda das agroindústrias pelos animais produzidos no campo.

A dimensão econômica explica a preocupação. Somente a produção brasileira de carne de frango gerou Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 112,6 bilhões em 2025.

E a expansão não ocorre apenas na produção de carne. O Brasil também deverá produzir até 64,8 bilhões de ovos em 2026, crescimento de 4,1% sobre os 62,253 bilhões registrados no ano passado.

O consumo interno acompanha esse movimento. A estimativa é de que cada brasileiro consuma, em média, 48,1 quilos de carne de frango neste ano, ante 46,7 quilos em 2025. No caso dos ovos, o consumo deve passar de 288 para 301 unidades por habitante.

As primeiras projeções para 2027 apontam continuidade do crescimento. A produção de carne de frango pode chegar a 16,6 milhões de toneladas e a de ovos, a 66,5 bilhões de unidades.

O avanço reforça a importância econômica da avicultura, mas também aumenta a exposição do setor a problemas sanitários. Depois do alerta de 2025, o desafio é crescer sem permitir que a expansão do número de aves e da produção seja acompanhada por aumento do risco sanitário.

Para o avicultor, essa vigilância começa na porteira. Em uma cadeia cada vez mais dependente do comércio internacional, procedimentos rotineiros de biosseguridade dentro de cada granja ajudam a proteger não apenas os próprios animais, mas o acesso de toda a produção brasileira aos mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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