Celulose em Destaque
Arauco e Sebrae/MS impulsionam empreendedorismo feminino com o Programa Inocência Criativa
Valorizar os saberes locais para transformar o potencial cultural de Inocência (MS) em oportunidades reais de geração de renda é o propósito do Programa Inocência Criativa. Desenvolvida pela Arauco em parceria com o Sebrae/MS, a iniciativa capacita mulheres do município e do distrito de São Pedro que atuam nos setores de artesanato e gastronomia. As interessadas em integrar as próximas etapas ainda podem se inscrever presencialmente na Casa Arauco.
Entre março e julho, a iniciativa cumpriu suas primeiras etapas. A programação contou com ações de acolhimento e desenvolvimento pessoal, incluindo rodas de conversa e workshop de inteligência emocional, além de capacitações práticas em gestão, precificação e controle de fluxo de caixa. Na sequência, oficinas de design orientaram as participantes na criação de produtos alinhados à identidade e valorização da cultura local.
Atualmente, na fase de aprofundamento, que segue até novembro, o cronograma aborda indicadores financeiros, gestão avançada e associativismo. Nesta etapa, as empreendedoras recebem suporte de consultorias especializadas em posicionamento de mercado e marketing digital, com foco no desenvolvimento de logomarcas, estratégias para o Instagram e estruturação de canais de venda. Todo o trabalho se completará com a produção de catálogos, fotos e vídeos profissionais para divulgar e impulsionar a comercialização dos produtos.
A coordenadora de Desempenho Social da Arauco, Tatiane Palazzio, afirma que a iniciativa reforça o compromisso de promover legado e impacto positivo para o município, que vive um momento de transformação e desenvolvimento. “O Inocência Criativa nasce justamente para garantir que a riqueza cultural do município, revelada no artesanato e na gastronomia local, se converta em autonomia, geração de renda e orgulho para a comunidade”, observa.
Tatiane destaca que a expectativa é de que “o projeto impulsione essas mulheres para que seus negócios prosperem de maneira sustentável”. A coordenadora acrescenta que o encerramento da iniciativa ocorrerá em fevereiro de 2027, com a realização da Caravana RuralTur, evento em que as participantes exporão e comercializarão seus produtos aplicando os aprendizados adquiridos ao longo do programa.
Sonhos renovados
A evolução das capacitações e o impacto do programa se refletem diretamente na rotina das participantes. Para Jaqueline Leandro do Nascimento, de 40 anos, o projeto veio no momento exato de sua jornada. “Atualmente, me dedico aos afazeres de casa e à produção dos meus artesanatos. O programa tem me ajudado bastante e a capacitação é a oportunidade que eu buscava para aprimorar meu negócio. Meu grande objetivo para o futuro é abrir minha própria loja de aviamentos integrada ao meu ateliê, além de multiplicar tudo o que estamos aprendendo aqui com outras pessoas da comunidade”, pontua.
Já no setor de alimentação, o programa tem impulsionado a estruturação de novos negócios no campo. Moradora de um sítio na zona rural de Inocência, Iracilda Junqueira, de 52 anos, comemora a evolução com as mentorias e projeta o futuro da sua padaria artesanal. “As capacitações têm sido fundamentais para eu enxergar do que sou capaz. Meu grande sonho é consolidar minha padaria artesanal e, no futuro, ter um espaço de comida caseira no fogão a lenha no sítio. O Inocência Criativa está me ensinando a planejar o negócio e gerenciar as finanças com profissionalismo. Quero mostrar que não existe idade para realizar sonhos”, destaca Iracilda.
Sobre o Projeto Sucuriú
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. Está localizado em uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do Rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.
Em todas as fases de desenvolvimento do Projeto, e de maneira contínua, monitora e respeita a biodiversidade local, identificando espécies de flora e fauna nativas da região, além de fazer o mapeamento das áreas prioritárias para conservação.
Durante as obras, a Arauco vai oferecer capacitação e gerar mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do start up, o Projeto Sucuriú empregará cerca de 6 mil pessoas nas unidades Industrial, Florestal e operações de logística. O propósito é impulsionar o desenvolvimento social e econômico para toda região, fomentando um aumento na geração de renda e na arrecadação de impostos, além de contribuir para atrair investimentos.
Sobre a Arauco Brasil
No país desde 2002, a Arauco atua nos segmentos Florestal e de Madeiras com o propósito de, a partir da natureza e de fontes renováveis, contribuir com as pessoas e o planeta. Emprega 3.500 colaboradores e conta com cinco unidades industriais brasileiras.
As plantas estão distribuídas entre a produção de painéis, em três fábricas localizadas nas cidades de Jaguariaíva (PR), Ponta Grossa (PR) e Montenegro (RS); painéis e molduras, na planta localizada em Piên (PR); resinas e químicos, na unidade de Araucária (PR); e, em 2027, a companhia prepara-se para inaugurar sua primeira fábrica de celulose branqueada em Inocência (MS).
Todas as florestas de eucalipto plantadas pela Arauco no Brasil são certificadas pelo FSC® (Forest Stewardship Council®), que reconhece o manejo florestal ambientalmente adequado, socialmente benéfico e economicamente viável. A companhia também conta com certificações FSC relacionadas à Cadeia de Custódia, Madeira Controlada, operação Multisite e uso da marca, que abrangem a rastreabilidade da madeira utilizada na produção de painéis, inclusive a adquirida de terceiros. Os painéis também atendem à certificação CARB, relacionada aos baixos níveis de emissão de formaldeído.
Celulose em Destaque
Em Inocência| Operários comemoram 1 milhão de horas trabalhadas em obra de gigante da celulose
Os operários que trabalham na construção do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, comemoraram a marca de 1 milhão de horas trabalhadas. A obra, que prevê investimento de cerca de R$ 25 bilhões, já ultrapassou 70% de execução e tem previsão de iniciar as operações no fim de 2027.
Desde o lançamento da pedra fundamental, em abril de 2025, cerca de 14 mil trabalhadores foram mobilizados na construção. O número supera a população de Inocência, estimada em 8,4 mil habitantes, e movimentou setores como transporte, alimentação, hospedagem, segurança e fornecimento de materiais.
O projeto prevê uma fábrica com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A construção inclui estruturas industriais, equipamentos, sistemas elétricos, automação e uma estrutura logística que também envolve o transporte de peças produzidas em outros países.
Um dos equipamentos que chegaram ao canteiro foi o balão da caldeira, produzido na China. A carga passou por portos como Paranaguá (PR) e Santos (SP) antes de seguir por rodovias até Inocência.

Fábrica terá a capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. (Foto: Divulgação/Assessoria).
Para o escoamento da produção, a Arauco também constrói uma ferrovia de 54 quilômetros ligada à Malha Norte. A estrutura terá 26 locomotivas e cerca de mil vagões, com previsão de transportar a celulose por aproximadamente 1.050 quilômetros até o Porto de Santos.
Com a marca de 1 milhão de horas trabalhadas, a construção segue para as etapas finais antes da previsão de início da operação da fábrica, no fim de 2027.
Celulose em Destaque
Entre sementes e florestas: há 40 anos, viveirista transforma coleta em recuperação da biodiversidade sul-mato-grossense
Há 16 anos no Viveiro Isaac de Oliveira, Nereu Rios transforma sementes nativas do Cerrado em mudas destinadas à recuperação ambiental
Nereu Rios construiu sua trajetória profissional transformando sementes em novas possibilidades de recuperação ambiental. Parte dessa história é vivida no Viveiro Isaac de Oliveira, onde atua há 16 anos em uma iniciativa mantida pela Águas Guariroba e pela Ambiental MS Pantanal, voltada à produção de mudas nativas, à proteção dos recursos hídricos e à recuperação de áreas degradadas em Mato Grosso do Sul.
Todos os anos, esse trabalho começa muito antes de a muda chegar ao campo. Em expedições que podem percorrer cerca de 7 mil quilômetros pelo Brasil, Nereu e sua equipe coletam sementes de espécies nativas que, meses depois, retornam ao território na forma de novas árvores. “Eu digo que plantar árvores é estar agraciado com a natureza”, resume o viveirista.
Parte desse trabalho começa longe do viveiro. O percurso parte de Campo Grande e passa por Goiás, incluindo a região da Chapada dos Veadeiros, além de Tocantins, Bahia e Minas Gerais. No retorno, a equipe cruza Mato Grosso e continua a coleta em Mato Grosso do Sul, passando por áreas como Bonito, Serra da Bodoquena, Miranda e Corumbá.
“Quando chegamos de volta a Mato Grosso do Sul, continuamos a expedição em diferentes regiões do Estado. É um trabalho que começa no Cerrado e chega até áreas de transição com o Pantanal”, explica Nereu.
Da semente à muda
Depois da expedição, começa outro ciclo. As sementes coletadas retornam ao Viveiro Isaac de Oliveira, onde passam pelos processos de seleção, germinação e desenvolvimento até se transformarem em mudas. Em cerca de um ano, muitas delas já estão prontas para deixar o viveiro e seguir para ações de recuperação ambiental em diferentes regiões do Estado.
Para Nereu, acompanhar esse processo também significa perceber, ano após ano, as mudanças na paisagem e as pressões sobre a vegetação nativa. “Nós, enquanto pesquisadores e coletores de sementes, temos visto muito isso. A cada ano, encontramos locais onde passamos coletando e que depois foram atingidos pelo fogo”, relata.
Segundo o viveirista, o período de queimadas muitas vezes coincide com a época de produção de sementes de diversas espécies. Quando o fogo alcança essas áreas, o impacto não se restringe às árvores: compromete também sementes e a capacidade de regeneração natural da vegetação.
Como parte das expedições, a equipe leva entre 120 e 150 mudas, que são plantadas ao longo do percurso como forma de devolver ao território parte do trabalho realizado durante a coleta. “Vamos plantando pelo caminho e contribuindo para a recuperação dos locais por onde passamos”, conta.
Do Cerrado ao Pantanal
Dezesseis dos 40 anos de profissão de Nereu estão ligados ao Viveiro Isaac de Oliveira. Criado em 2010 pela Águas Guariroba, o espaço nasceu com o objetivo de apoiar ações de recuperação ambiental, especialmente em áreas relacionadas às bacias dos córregos Guariroba e Lageado, responsáveis pelo abastecimento de Campo Grande.
Desde 2021, o viveiro passou a ser mantido conjuntamente pela Águas Guariroba e pela Ambiental MS Pantanal, ampliando a destinação de mudas também para municípios do interior de Mato Grosso do Sul.
Hoje, as espécies produzidas apoiam ações de recuperação de matas ciliares, áreas degradadas e ambientes associados ao Cerrado e ao Pantanal.
Nereu estima que o Viveiro Isaac de Oliveira já tenha produzido mais de 800 mil mudas. A capacidade de produção também vem crescendo: passou de cerca de 60 mil mudas por ano para 80 mil em 2025 e, em 2026, já se aproxima de 90 mil mudas anuais.
O espaço ocupa uma área de aproximadamente 14 hectares e, além da produção de mudas, tornou-se também um ambiente arborizado, com presença de frutos e de espécies da fauna local, como araras, tucanos e outras aves.
“Ver as áreas que a gente ajudou a reflorestar florescendo a partir dessas mudas é gratificante. Isso acontece desde as margens do Lageado e do Guariroba até áreas em Bonito e Miranda”, afirma.
Conhecimento que também se multiplica
Ao longo de quatro décadas de profissão, Nereu estima ter participado da produção de mais de 2 milhões de árvores nativas. Mas, para ele, o legado vai além da quantidade de mudas produzidas. O Viveiro Isaac de Oliveira também se tornou espaço de formação e troca de conhecimento.
Ao longo dos anos, profissionais que chegaram ao local para outras atividades aprenderam técnicas de produção, manejo e cuidado com espécies nativas e, posteriormente, passaram a atuar em outros viveiros.
“Tem pessoas que trabalharam aqui, aprenderam a cuidar de árvores e hoje estão em outros viveiros. Nós precisamos ter no Estado pessoas dedicadas a isso, que gostem de fazer esse trabalho. Temos um Brasil inteiro para recuperar”, ressalta.
Para Nereu, produzir mudas, recuperar áreas e formar novos viveiristas fazem parte de um mesmo compromisso com o futuro.
“Quando eu estou no interior, vejo que as mudas do Viveiro Isaac de Oliveira são conhecidas. A gente sabe que elas saíram daqui”, conta.
“Se não tiver árvores, não tem água.” A frase de Nereu sintetiza uma conexão que também atravessa o trabalho da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal. De um lado, o saneamento contribui para a proteção da qualidade da água; de outro, a produção e o plantio de mudas ajudam a conservar e recuperar áreas naturais importantes para a proteção dos recursos hídricos. Um ciclo de cuidado que conecta saneamento, água, biodiversidade e futuro.
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