Celulose em Destaque
MPMS apura impactos de plantações de eucalipto em municípios da região leste
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar os impactos ambientais causados pela expansão das plantações de eucalipto destinadas à produção de celulose na região Leste do Estado. A investigação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas e tem como foco principal possíveis prejuízos aos recursos hídricos, à biodiversidade e aos ecossistemas do Cerrado.
Segundo o MPMS, o procedimento foi aberto após o recebimento de representações encaminhadas pela Ouvidoria do órgão e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, fundamentadas em estudos e relatórios socioambientais produzidos na Costa Leste.
Entre os pontos que despertaram preocupação está a existência de indícios de que mais de 400 nascentes possam ter sido impactadas ou degradadas pela expansão da silvicultura na região, especialmente em áreas de assentamentos rurais localizados nos municípios de Três Lagoas, Selvíria e cidades vizinhas.
De acordo com o promotor de Justiça Antonio Carlos Garcia de Oliveira, a investigação buscará verificar se a atividade florestal vem provocando alterações significativas nos recursos hídricos, considerando o elevado consumo de água desde o cultivo do eucalipto até o processamento industrial da madeira.
Além da possível redução da disponibilidade hídrica, o Ministério Público também irá apurar eventuais impactos sobre a fauna, a flora e a vegetação nativa, em razão da substituição de áreas naturais por extensas plantações de eucalipto.
Com a instauração do inquérito, o MPMS determinou uma série de diligências para esclarecer a dimensão dos impactos ambientais e verificar se as empresas do setor cumprem integralmente a legislação ambiental.
A investigação irá analisar a regularidade dos licenciamentos ambientais, das outorgas para captação e uso da água, dos planos de manejo florestal e das medidas compensatórias e mitigadoras exigidas pelos órgãos responsáveis, como o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
O objetivo é identificar se houve irregularidades na implantação ou operação dos empreendimentos e avaliar se as medidas de proteção ambiental previstas nos processos de licenciamento estão sendo efetivamente cumpridas. A investigação segue em andamento e poderá resultar na adoção de medidas administrativas ou judiciais, caso sejam constatados danos ambientais ou descumprimento da legislação vigente.
Celulose em Destaque
Parceria entre Arauco, Prefeitura e Senac viabiliza Curso Técnico em Enfermagem em Inocência
Formação gratuita para 25 alunos impulsiona o eixo de saúde e a qualificação profissional no município
Para quem mora em Inocência e deseja se qualificar na área da saúde, a formação técnica agora está mais perto de casa. Pela primeira vez, uma turma do Curso Técnico em Enfermagem é realizada no município, permitindo que 25 moradores façam a capacitação gratuitamente sem precisar se deslocar para outras cidades para estudar.
O momento de acolhida aos alunos aconteceu nesta segunda-feira (21), no Centro Cultural Lázara Lessonier. Com duração de dois anos, o curso é viabilizado por uma parceria entre a Arauco, a Prefeitura Municipal de Inocência, por meio das Secretarias Municipais de Educação e de Saúde, e o Senac.
Para a gerente de Desempenho Social da Arauco, Cláudia Belchior, levar a formação para dentro do município amplia as possibilidades para quem quer se preparar profissionalmente.
“Acreditamos que o verdadeiro desenvolvimento acontece quando investimos nas pessoas da região, preparando-as para participar ativamente do crescimento do município e construir, junto com ele, um futuro mais próspero. A educação é o alicerce dessa transformação, pois amplia oportunidades, fortalece talentos e garante que o desenvolvimento econômico seja acompanhado de inclusão e melhores perspectivas para as famílias”, afirma.
A iniciativa integra o Plano Estratégico Socioambiental (PES) do Projeto Sucuriú, construído a partir do diálogo com o poder público e a comunidade para preparar Inocência para as transformações relacionadas ao empreendimento. O plano prevê R$ 85 milhões em investimentos, distribuídos em nove eixos, entre eles saúde, educação, assistência social, saneamento, habitação, trabalho e renda e infraestrutura urbana.
Na área da saúde, além da formação de novos profissionais, o PES contempla ações voltadas ao fortalecimento da estrutura de atendimento do município. Outras ações já estão em andamento em Inocência, como a construção da nova sede do CRAS e da Casa de Passagem e a ampliação da Escola Municipal Professor Olivalto Elias da Silva.
Mais de 100 inscritos
A procura pelo Curso Técnico em Enfermagem mostrou o interesse da população pela oportunidade. Mais de 100 pessoas se inscreveram para as 25 vagas oferecidas, preenchidas por sorteio conforme as regras do processo seletivo.
“Publicamos o edital no Diário Oficial e tivemos uma resposta extraordinária, com mais de 100 pessoas inscritas. Desse total, 25 vagas foram preenchidas por meio de sorteio, conforme estabelecido no processo. Agradecemos a todos que se inscreveram e demonstraram esse interesse. Estamos muito felizes em participar deste projeto e ver nossa população abraçar uma profissão tão honrosa e essencial quanto o Técnico em Enfermagem”, destaca o secretário municipal de Saúde, Cristhiano Leal Araujo.
No modelo de parceria, a Arauco financia integralmente a capacitação, a Prefeitura é responsável pela seleção dos candidatos e pelo acompanhamento da turma, enquanto o Senac realiza a formação técnica.
A cerimônia de acolhida reuniu representantes da Prefeitura, Câmara de Vereadores, Arauco e Senac, além de professores e alunos, marcando o início dos dois anos de formação.
Sobre o Projeto Sucuriú
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. Está localizado em uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do Rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.
Em todas as fases de desenvolvimento do Projeto, e de maneira contínua, monitora e respeita a biodiversidade local, identificando espécies de flora e fauna nativas da região, além de fazer o mapeamento das áreas prioritárias para conservação.
Durante as obras, a Arauco vai oferecer capacitação e gerar mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do start up, o Projeto Sucuriú empregará cerca de 6 mil pessoas nas unidades Industrial, Florestal e operações de logística. O propósito é impulsionar o desenvolvimento social e econômico para toda região, fomentando um aumento na geração de renda e na arrecadação de impostos, além de contribuir para atrair investimentos.
Sobre a Arauco Brasil
No país desde 2002, a Arauco atua nos segmentos Florestal e de Madeiras com o propósito de, a partir da natureza e de fontes renováveis, contribuir com as pessoas e o planeta. Emprega 3.500 colaboradores e conta com cinco unidades industriais brasileiras.
As plantas estão distribuídas entre a produção de painéis, em três fábricas localizadas nas cidades de Jaguariaíva (PR), Ponta Grossa (PR) e Montenegro (RS); painéis e molduras, na planta localizada em Piên (PR); resinas e químicos, na unidade de Araucária (PR); e, em 2027, a Companhia prepara-se para inaugurar sua primeira fábrica de celulose branqueada em Inocência (MS).
Todas as florestas de eucalipto plantadas pela Arauco no Brasil são certificadas pelo FSC® (Forest Stewardship Council®), que reconhece o manejo florestal ambientalmente adequado, socialmente benéfico e economicamente viável. A Companhia também conta com certificações FSC relacionadas à Cadeia de Custódia, Madeira Controlada, operação Multisite e uso da marca, que abrangem a rastreabilidade da madeira utilizada na produção de painéis, inclusive a adquirida de terceiros.
Agronegócios
Celulose rende R$ 11 bilhões e assume liderança nas exportações industriais
A celulose tornou-se o principal produto industrial de Mato Grosso do Sul no mercado internacional. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações do segmento renderam aproximadamente R$ 11 bilhões e responderam por 40% da receita industrial obtida pelo Estado no exterior.
Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,11. Os dados são do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), com base no sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No período, as exportações industriais sul-mato-grossenses alcançaram o recorde de R$ 27,5 bilhões, crescimento de 5% sobre os oito primeiros meses de 2025. A indústria respondeu por 66% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior.
O avanço da celulose está ligado à formação de um polo florestal e industrial no leste de Mato Grosso do Sul, especialmente na região de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. A cadeia conecta os plantios de eucalipto às fábricas, transportadoras, prestadores de serviços e estruturas de armazenamento e escoamento.
As pastas químicas de madeira concentraram 99,4% das exportações do segmento. O resultado demonstra a especialização alcançada pelo Estado, que deixou de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas agropecuárias e passou a abrigar uma das maiores estruturas de transformação de madeira plantada do País.
Para o produtor rural, a expansão abre espaço para contratos florestais, arrendamentos e diversificação de renda. O aproveitamento dessas oportunidades, contudo, depende da proximidade das fábricas, do custo do transporte e do planejamento financeiro de uma cultura com ciclo mais longo que o das lavouras anuais.
A celulose superou o complexo frigorífico, que exportou R$ 9,66 bilhões e respondeu por 35% da receita industrial. A diferença entre as duas cadeias chegou a R$ 1,33 bilhão. Juntas, celulose e carnes concentraram três quartos das vendas industriais externas do Estado.
Outros segmentos também contribuíram para o resultado. As exportações de óleos vegetais renderam R$ 2,97 bilhões; açúcar e etanol movimentaram R$ 1,39 bilhão; e os produtos da indústria extrativa mineral somaram R$ 814,5 milhões.
Somente em agosto, as vendas industriais ao exterior alcançaram R$ 3,6 bilhões, alta de 3% na comparação anual e o melhor resultado já registrado pelo Estado para o mês.
A manutenção desse crescimento exigirá expansão planejada das florestas cultivadas, capacidade logística e disponibilidade de mão de obra. O desempenho até agosto, entretanto, confirma a celulose como novo eixo da economia sul-mato-grossense e mostra como a integração entre produção rural e indústria pode ampliar o valor gerado dentro do Estado.
Fonte: Pensar Agro
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