Economia
Mais de mil instituições financeiras, entre bancos e seguradoras, deixaram vazar dados para cibercriminosos no último ano
Relatório mostra onde estão os principais agentes e quais são as principais táticas usadas para atacar um dos setores mais produtivos da sociedade
O setor financeiro e de seguros, que movimenta quantias monetárias enormes diariamente, continua a ser um dos alvos mais atrativos para cibercriminosos de todo o mundo. Segundo dados do FMI, nas últimas duas décadas, o setor teve perdas de 12 bilhões de dólares em ataques, representando um quinto dos registrados no período.
O relatório 2024 Data Breach Investigations Report da Verizon mostra que, no último ano, no mundo, houve 3.348 incidentes no setor financeiro e de seguros, com 1.115 resultando em vazamento de dados.
“O perfil das ameaças mostra uma prevalência de Intrusões de Sistema, Erros Diversos e Engenharia Social, que juntos representam 78% das violações. O aumento da complexidade é evidente, com ataques que demandam técnicas mais sofisticadas ultrapassando os métodos mais básicos que dominavam até o ano anterior”, explica Anchises Moraes, Head de Threat Intelligence da Apura Cyber Intelligence, uma das empresas que contribuíram com dados para o relatório da Verizon.

Anchises Moraes
Abaixo, um cenário das principais táticas usadas pelos cibercriminosos, e como foram as investidas contra o setor.
A Intrusão de Sistemas e a Engenharia Social em Ascensão
A Intrusão de Sistemas foi a principal ameaça para o setor financeiro e de seguros, desbancando outras formas de ataque. Este padrão inclui técnicas avançadas, como o uso de ransomware, e o uso de credenciais roubadas, indicando que os cibercriminosos estão adotando estratégias mais elaboradas para obter ganhos financeiros.
A Engenharia Social, por sua vez, também surge como uma tendência crescente. A arte de enganar usuários para obter informações confidenciais, muitas vezes através de ataques de phishing e pretexting, continua a ser uma ferramenta poderosa nas mãos dos criminosos. Esse aumento reflete a realidade de que, independentemente dos avanços tecnológicos em cibersegurança, o elemento humano permanece sendo uma grande fragilidade nas organizações.
Atividades Externas e Motivações Financeiras
Cerca de 69% dos ataques direcionados ao setor financeiro e de seguros vêm de atores externos, enquanto 31% são internos (como empregados e colaboradores), destacando a necessidade de políticas de segurança robustas para proteger contra ameaças externas e mitigar riscos internos. A motivação predominante dos atacantes é financeira, em 95% dos incidentes.
Dados Comprometidos e Brechas na Cadeia de Suprimentos
“Como na maioria dos casos, os dados mais visados incluem informações pessoais”, ressalta Moraes. Elas representam 75% dos casos, seguidos por “outros dados” (30%), informações bancárias (27%) e credenciais (22%). Estes dados são de alto valor no mercado negro, utilizados para fraudes financeiras, roubo de identidade e uma série de outras atividades ilícitas.
8% dos casos no banco de dados de incidentes da Verizon envolvem a célebre exploração de vulnerabilidade na ferramenta MOVEit Transfer ocorrida em 2023 pelos operadores do ransomware Cl0p. Esse caso emblemático evidenciou os perigos das brechas na cadeia de suprimentos – uma lembrança contundente de como um único ponto de vulnerabilidade pode ter um impacto devastador e disseminado.
Erros Diversos
Apesar dos avanços nas práticas de segurança, os “Erros Diversos” continuam a ser um ponto fraco significativo no setor financeiro e de seguros. Problemas comuns como a entrega errada de informações e falhas de configuração precisam de atenção contínua. “Às vezes, um ataque pode começar a partir de uma brecha interna gerada por um erro humano, como ao acessar um e-mail malicioso”, alerta Moraes.
Reforço na Defesa
A boa notícia é que o aumento na complexidade dos ataques sugere que as medidas de defesa adotadas pelo setor estão forçando os cibercriminosos a empregar táticas mais sofisticadas. No entanto, a luta é constante e exige atenção redobrada, inovação incessante e colaboração entre todos os envolvidos.
“Proteger os cofres digitais que impulsionam a economia global é uma batalha constante. A indústria financeira e de seguros precisa se antecipar, reforçando suas defesas para garantir a segurança e confiança de seus clientes e parceiros”, conta Moraes.
Segundo ele, uma das mais eficazes soluções para evitar incidentes é atuar na prevenção, por meio do monitoramento de ameaças. “Hoje é possível obter informações sobre as mais diversas ameaças, sejam elas internas ou externas, a partir da coleta de informações em fontes variadas, tanto na surface web, quanto na deep web e dark web. Isso possibilita uma visibilidade ampla de possíveis ameaças presentes na rede. Assim, as instituições podem ter uma reação rápida ou mesmo se antecipar e evitar ataques, golpes, fraudes e outras ações hacktivistas que as ameaçam”, finaliza o especialista da Apura Cyber Intelligence.
Sobre a Apura Cyber Intelligence:
A Apura Cyber Intelligence S/A é uma empresa com alta qualificação técnica e ampla experiência em inteligência de ameaças, forense digital, resposta a incidentes e combate a fraudes. Nosso principal produto é o BTTng, uma ferramenta OSINT e CTI líder no mercado latino-americano, que proporciona uma visibilidade ampla e dinâmica das potenciais ameaças, a partir das fontes mais abrangentes.
Contribuir para o Verizon Data Breach Investigations Report por seis anos consecutivos e fazer parte do FIRST, a principal organização global de resposta a incidentes, destaca a expertise da Apura. A expansão dos negócios está ocorrendo por meio de canais confiáveis de MSSP em todo o mundo, graças à plataforma de CTI e combate a fraudes mais personalizável e flexível da indústria.
Economia
Presidente do Concen-MS participa de reunião na ANEEL sobre regras que afetam a tarifa de energia
Representantes de associações e entidades de defesa dos consumidores de energia elétrica participaram nesta quinta-feira (25), em Brasília, de uma reunião promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para discutir propostas de aperfeiçoamento da metodologia do Fator X, componente utilizado nos processos de reajuste e revisão tarifária das distribuidoras de energia elétrica. A iniciativa faz parte das discussões preparatórias para uma futura consulta pública sobre o tema.
Entre os participantes esteve a presidente do Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Energisa Mato Grosso do Sul (Concen-MS) e também do Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica (Conacen), Rosimeire Costa, que representou os consumidores nas discussões sobre os impactos da metodologia tarifária e a necessidade de ampliar os mecanismos de participação social nas decisões regulatórias.
O Fator X é um dos componentes considerados pela ANEEL nos reajustes tarifários e tem como objetivo compartilhar com os consumidores os ganhos de produtividade obtidos pelas distribuidoras ao longo dos ciclos tarifários. Atualmente, o mecanismo também incorpora indicadores relacionados à qualidade do serviço prestado e à satisfação dos consumidores.
Durante a reunião, Rosimeire Costa destacou a importância de que as futuras alterações continuem fortalecendo o papel do consumidor dentro do modelo regulatório brasileiro.
“É fundamental que os indicadores utilizados pela ANEEL reflitam cada vez mais a experiência real do consumidor. A qualidade do fornecimento, a eficiência dos serviços prestados e a percepção dos usuários precisam estar no centro das discussões tarifárias”, afirmou.
A dirigente também ressaltou que os conselhos de consumidores acompanham de forma permanente os processos tarifários em todo o país e têm papel estratégico na tradução dos temas regulatórios para a sociedade.
O encontro foi conduzido por técnicos da agência reguladora e integra uma série de discussões com os diferentes segmentos envolvidos no setor elétrico. Segundo a ANEEL, o objetivo é aprimorar a metodologia do Fator X para que os ganhos de eficiência das distribuidoras sejam compartilhados com os consumidores de forma mais equilibrada e transparente. Uma consulta pública deverá ser aberta nos próximos meses para receber contribuições da sociedade, distribuidoras, especialistas e entidades representativas.
A discussão ocorre em um momento em que a agência vem ampliando o peso dos indicadores de satisfação do consumidor na composição das tarifas. Em janeiro deste ano, a ANEEL aprovou mudanças que reforçam a influência da avaliação dos consumidores sobre a receita das distribuidoras, por meio de indicadores como o Índice ANEEL de Satisfação do Consumidor (IASC) e mecanismos relacionados ao atendimento das demandas registradas pelos usuários.
Para Rosimeire Costa, a participação das entidades de consumidores nesse processo é essencial para garantir que as mudanças regulatórias resultem em benefícios concretos para a população.
“Nosso papel é assegurar que as decisões regulatórias considerem não apenas os aspectos técnicos e econômicos do setor, mas também os impactos diretos na vida dos consumidores que pagam suas contas de energia todos os meses”, concluiu.
Foto: Divulgação / ANEEL
Economia
Brasileiros já convivem com o dólar no dia a dia, mas ainda investem pouco na moeda
Mesmo quem nunca comprou um único dólar já convive diariamente com os efeitos da moeda americana. Combustíveis, medicamentos, eletrônicos, passagens aéreas e parte dos alimentos consumidos no Brasil possuem preços influenciados pelo câmbio. A diferença é que, para a maioria das pessoas, essa exposição acontece apenas do lado das despesas — e não do patrimônio.
“O brasileiro já está dolarizado sem perceber. O problema é que essa exposição normalmente acontece apenas quando os preços dos produtos consumidos sobem. Ter parte do patrimônio em ativos atrelados ao dólar pode funcionar como um mecanismo de proteção e diversificação”, afirma Pedro Fontes, Analista de Research do MB | Mercado Bitcoin.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros sofre influência direta ou indireta do dólar. O levantamento sugere que uma exposição semelhante a ativos dolarizados pode ajudar a neutralizar parte do impacto cambial sobre o poder de compra da população.
Acesso simplificado ao dólar com Stablecoins
Durante décadas, investir em dólar exigia abrir contas internacionais, realizar remessas bancárias, converter moedas e aguardar processos de liquidação que podiam levar dias. O avanço das stablecoins — criptomoedas lastreadas em moedas fiduciárias, como o dólar — vem mudando esse cenário.
Com ativos como USDT e USDC, o acesso ao dólar ocorre de forma digital, com negociação disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, liquidação praticamente instantânea e maior transparência nos custos de conversão.
“A tecnologia eliminou grande parte da burocracia associada à dolarização. Hoje é possível acessar o dólar em segundos, sem depender dos processos tradicionais do sistema financeiro internacional”, afirma Pedro.
O crescimento das stablecoins reflete essa transformação. Juntas, USDT e USDC já somam mais de US$ 260 bilhões em circulação, movimentando volumes superiores à base monetária de diversos países. As reservas que lastreiam esses ativos são compostas majoritariamente por títulos do Tesouro americano, colocando suas emissoras entre os maiores financiadores da dívida pública dos Estados Unidos.
Dólar digital também possibilita rendimento
Outro diferencial das stablecoins é a possibilidade de combinar exposição cambial com geração de renda. Enquanto recursos mantidos em contas internacionais frequentemente permanecem sem rendimentos, algumas soluções do mercado permitem que investidores obtenham ganhos adicionais sobre seus ativos dolarizados.
No Mercado Bitcoin, por exemplo, investidores podem adquirir dólar digital por meio de stablecoins como USDT e USDC e utilizá-las em soluções de staking que atualmente oferecem rendimentos de até 5% ao ano em dólar.
Na prática, isso permite reunir três características em um único ativo: exposição à moeda americana, liquidez praticamente imediata e potencial de rendimento em uma moeda forte.
“O debate sobre dolarização não deveria estar restrito à expectativa sobre o câmbio. O ponto principal é reconhecer que parte relevante da vida financeira dos brasileiros já depende do dólar. A questão é se os investimentos acompanham essa realidade”, conclui Pedro.
Sobre o MB | Mercado Bitcoin
Com 4,5 milhões de clientes em 13 anos de operação, o MB | Mercado Bitcoin é a plataforma de investimentos em ativos digitais líder na América Latina, a partir da atuação como corretora de criptomoedas, tokenizadora de ativos e banco digital. Primeiro unicórnio cripto brasileiro, tem sedes no Brasil e em Portugal e opera com os mais altos padrões de transparência e integridade financeira, sendo auditada pela KPMG, uma das maiores empresas de auditoria do mundo.
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