Saúde
Gestão financeira corporativa: adoecimento emocional de trabalhadores afeta diretamente o orçamento das empresas
Afastamentos, queda de produtividade e rotatividade elevam custos operacionais; especialista da UniCesumar afirma que prevenção atua como gestão de risco econômico.
A saúde mental dos trabalhadores deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a fazer parte da gestão financeira das empresas. Afastamentos, queda de produtividade, rotatividade, retrabalho e erros operacionais geram custos diretos e indiretos para as organizações, além de afetarem o desempenho das equipes.
Em 2025, o Brasil registrou 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, alta de 15,66% em relação a 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. “Os gastos com atestados médicos e processos perante o INSS são apenas a parte visível do problema. Há um custo indireto alto na substituição de pessoal, na sobrecarga das equipes, no aumento de erros operacionais e na degradação de indicadores de atendimento como o NPS”, explica Marília da Mata, professora do curso de Psicologia da UniCesumar de Maringá (PR).
Outro impacto financeiro relevante é o presenteísmo, situação em que o profissional cumpre a jornada de trabalho, mas atua com capacidade reduzida devido ao desgaste emocional. Por não constar nos indicadores tradicionais de RH, o fenômeno distorce a medição da capacidade operacional das equipes e gera perdas contínuas de produtividade.
“A falta de acompanhamento preventivo gera um ciclo contínuo de custos dentro das companhias e a maior parte das organizações só reage quando o caso resulta em afastamento médico. Quando a função de um colaborador afastado é distribuída entre os demais sem adequação de metas, gera-se uma sobrecarga imediata. Esse cenário deteriora o clima organizacional, eleva a margem de erro e desencadeia novos afastamentos em cadeia. A prevenção de distúrbios emocionais e o monitoramento contínuo do clima interno são estratégias de proteção orçamentária, pois evitam a perda de conhecimento acumulado e o custo contínuo de substituição de pessoal, complementa a especialista.
Sinais de sobrecarga
Antes de um afastamento, alguns indícios podem mostrar que uma equipe está enfrentando sobrecarga emocional:
- Queda na qualidade das entregas sem redução aparente do esforço;
- Aumento de faltas curtas e atestados pontuais;
- Irritabilidade, isolamento ou baixa participação em reuniões;
- Menor adesão às pesquisas de clima;
- Crescimento de conflitos interpessoais;
- Pedidos de transferência de área ou mudança de gestor;
- Aumento de erros, retrabalho e atrasos.
“A segurança psicológica também tem relação com a eficiência operacional, já que em ambientes nos quais os profissionais conseguem pedir ajuda e apontar problemas, os erros tendem a ser identificados antes de se agravarem. A retenção de pessoas experientes também reduz a perda de conhecimento institucional e a necessidade de reconstruir processos a cada nova contratação”, afirma Marília da Mata
Prevenção reduz impacto financeiro
O primeiro passo para uma empresa atuar de forma mais responsável é dar visibilidade ao problema e isso envolve medir clima, carga de trabalho e percepção de sobrecarga com frequência, além de preparar as lideranças para reconhecer sinais precoces de sofrimento psíquico.
“A prevenção não significa eliminar todos os fatores de pressão do trabalho, mas identificar aqueles que podem ser administrados antes que se transformem em afastamentos e perda de desempenho. A empresa que mede a sobrecarga e treina suas lideranças consegue agir antes do pico de custo”, conclui a docente da UniCesumar.
Sobre a UniCesumar
Com mais de 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de cerca de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.
Saúde
Bets saem do ar, mas ludopatia permanece como desafio de saúde pública
A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, determinou a proibição da exploração, da oferta, da intermediação e da publicidade das chamadas bets no Brasil. A norma alcança as apostas esportivas e os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, mas não alcança as demais modalidades lotéricas autorizadas por lei, como as loterias tradicionais. O prazo para retirada dos saldos vai até as 23h59 de 5 de outubro. Os sites e aplicativos deverão ficar indisponíveis a partir de 6 de outubro, enquanto as autorizações existentes serão extintas em 25 de outubro. A medida tem efeito imediato, mas ainda será analisada pelo Congresso Nacional.
A decisão recoloca no centro do debate os impactos da ludopatia, também conhecida como transtorno do jogo. Embora o encerramento das plataformas autorizadas possa reduzir a oferta e a publicidade das apostas, ele não elimina automaticamente os casos já existentes nem os prejuízos provocados pelo comportamento compulsivo.
Dados citados pelo Ministério da Saúde indicam que mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores a um levantamento realizado em 2023. Desse total, 10,9 milhões apresentavam padrão de risco. O número não corresponde ao total de casos. A estimativa é de cerca de 1,4 milhão de pessoas que atendem aos critérios clínicos para a condição. A pasta também informa que os atendimentos relacionados ao jogo patológico e a complicações com apostas cresceram 140% entre 2018 e 2025.
A procura por mecanismos de proteção também evidencia a dimensão do problema. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 1,3 milhão de pedidos de autoexclusão haviam sido registrados na plataforma até agosto de 2026. Em 35,93% dos casos, a justificativa foi a perda de controle e os impactos na saúde mental.
“O jogo passa a configurar um transtorno mental quando deixa de ser uma atividade controlada e recreativa e passa a provocar prejuízos concretos, como endividamento, sofrimento psíquico e comprometimento de relações interpessoais”, explica Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.
De acordo com o especialista, os jogos de azar são percebidos por muitos como forma legítima de entretenimento. No entanto, em alguns casos, o envolvimento excessivo, em termos de tempo e dinheiro, pode levar ao desenvolvimento de um transtorno psiquiátrico.
“Chamamos de comportamento de jogo patológico, e ele costuma evoluir em três fases distintas. Na fase inicial, os ganhos são interpretados como indicativos de habilidade, o que leva à repetição do comportamento. Depois, o jogador passa a perder com frequência e tende a reinvestir recursos na tentativa de reverter o prejuízo. Já no estágio final, observa-se aumento do isolamento, dificuldades familiares, esgotamento emocional e comprometimento funcional relevante”, enfatiza.
Os impactos se estendem à vida financeira, à produtividade no trabalho, ao convívio familiar e à saúde mental. “É comum que o jogo se torne um elemento organizador da rotina do indivíduo, substituindo relações, ocupações e projetos pessoais. As consequências incluem a inadimplência, perda do emprego, conflitos conjugais e exposição a riscos legais”, complementa.
A ludopatia também apresenta elevada taxa de comorbidade com outras condições psiquiátricas, como transtornos do humor, bipolaridade, ansiedade generalizada, estresse pós-traumático e dependência de substâncias. O Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, publicado pelo Ministério da Saúde em 2026, cita estudos internacionais que indicam que até 75% das pessoas com problemas de apostas apresentam alguma outra complicação mental, o que aumenta a complexidade do tratamento.
“Não é raro que o jogo seja utilizado como uma tentativa de regulação emocional ou fuga de situações adversas. Isso torna o comportamento particularmente resistente à mudança, especialmente quando não há um olhar clínico ampliado para as condições associadas”, analisa Lancelote.
Embora historicamente mais frequente entre homens, o público feminino também é afetado. De acordo com o Guia de Cuidado do Ministério da Saúde, com base em registros do SUS, em 2024, as mulheres representaram 43% dos atendimentos realizados por jogo patológico e mania de jogo e aposta, enquanto os homens corresponderam a 57%. A maior concentração ocorreu entre pessoas de 20 a 49 anos. Conforme o médico, as mulheres tendem a apresentar maior prevalência de sintomas depressivos e uso do jogo como forma de lidar com sofrimento emocional.
Além disso, a expansão das apostas digitais tem exposto de forma precoce adolescentes e jovens adultos a comportamentos de risco. Dados da Frente Parlamentar da Educação, divulgados pelo Equidade.info, apontam que 20,4% dos estudantes de escolas públicas e privadas já apostaram online. O levantamento indica ainda que o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do terceiro ano do ensino médio, a proporção chega a 49,7%.
“A acessibilidade contínua, aliada a elementos como recompensa imediata, gamificação e anonimato, torna o ambiente propício ao desenvolvimento de padrões compulsivos, especialmente em indivíduos com maior vulnerabilidade psíquica ou social”, pontua o psiquiatra.
Tratamento exige cuidado integrado e apoio contínuo
O tratamento da ludopatia requer uma abordagem multidisciplinar e individualizada. Entre as estratégias utilizadas, destacam-se terapias psicodinâmicas, comportamentais, grupos de apoio como Jogadores Anônimos e, quando necessário, intervenções farmacológicas para comorbidades psiquiátricas.
O especialista afirma que o processo terapêutico deve considerar a trajetória de vida do paciente, seu contexto social, histórico familiar e hábitos de consumo. “Além da escuta clínica, é importante oferecer suporte em áreas práticas, como reorganização financeira e reconstrução da rede de apoio. Técnicas de prevenção de recaída, treinamento de habilidades sociais e planejamento de atividades complementares são recursos frequentemente utilizados”.
O atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é realizado por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com apoio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que funcionam no sistema de portas abertas, ou seja, não é preciso realizar agendamento. A porta de entrada também pode ser uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a pessoa recebe acolhimento e orientação.
No entanto, o desconhecimento sobre o transtorno e a ausência de capacitação específica ainda são entraves para a identificação precoce e o encaminhamento adequado dos casos. “É fundamental que os profissionais estejam preparados para reconhecer o quadro e atuar de forma integrada com a rede”, afirma.
Com a proibição das bets, o debate sobre políticas públicas passa a envolver não apenas a oferta autorizada, mas também a continuidade do cuidado em saúde mental. A própria medida provisória prevê a criação de um comitê interinstitucional para fiscalizar a exploração e a publicidade ilegal de apostas.
Outro ponto que merece atenção é a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção da ludopatia. Embora o Ministério da Saúde participe das discussões por meio de grupos interministeriais, ainda há lacunas significativas na articulação entre os setores envolvidos e na implementação de estratégias educativas.
“Qualquer avanço na regulamentação precisa considerar os riscos à saúde pública. A existência de um marco legal não elimina a necessidade de campanhas de informação, capacitação de profissionais e fortalecimento da rede de cuidado. O Brasil ainda carece de um plano nacional específico para o enfrentamento da ludopatia”, conclui o psiquiatra.
Sobre o CEJAM
O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição.
Saúde
Cozinha sensorial para crianças: frutas despertam curiosidade, mas aceitação leva tempo
Com a chegada do mês de outubro, a cozinha pode virar espaço de brincadeira e aprendizado. Montar pratos coloridos, sentir aromas e ajudar no preparo de receitas simples são formas de aproximar as crianças das frutas, segundo a professora Monica Lizete Ruschel dos Reis, do curso de Gastronomia da UNIASSELVI. A especialista, porém, faz um alerta: uma única experiência não garante que a criança vá aceitar novos alimentos.
Para Monica, o exemplo da família pesa nessa aproximação. “A criança tende a se aproximar dos alimentos que vê em casa. Isso não significa que aceitará tudo imediatamente, mas aquilo que não é apresentado dificilmente fará parte de seu repertório alimentar”, afirma.
Segundo a professora, muitas recusas vêm do estranhamento diante de sabores, aromas ou texturas desconhecidas. Um alimento amargo, ácido ou fibroso pode causar reação negativa já no primeiro contato. “Por isso, não costumo interpretar a recusa simplesmente como ‘manha’ ou falta de educação”, explica.
Brincadeira com os sentidos
Antes de provar, a criança observa, cheira, toca e imagina o sabor. Monica sugere usar esses estímulos a favor da descoberta. Uma ideia é montar uma “paleta” com o amarelo da manga, o vermelho da melancia, o verde do kiwi e o laranja do mamão.
Os formatos também contam: a melancia pode virar triângulos, e a banana, uma “lua”. Vale ainda pedir que a criança descreva o cheiro da fruta e compare texturas, como a maciez do mamão e a crocância da maçã. “Não é necessário fazer uma produção sofisticada; o importante é tornar o alimento convidativo”, ressalta.
A professora lembra que o tamanho dos pedaços deve respeitar a idade da criança. Frutas redondas e pedaços firmes podem causar engasgo.
Variedade que cabe no bolso
Outra estratégia é apresentar a mesma fruta de formas diferentes. A banana, por exemplo, pode ir à mesa em pedaços, amassada, assada ou em panqueca. Pratos em que o ingrediente aparece misturado ajudam, mas não devem ser a única saída. Aos poucos, a criança precisa reconhecer a cor, o aroma e a textura do alimento.
A variedade também não depende de ingredientes caros. A dica é observar o que está na safra e o que se produz na região. Banana, mamão, laranja, melancia e goiaba estão entre as opções mais acessíveis. Conforme o local e a época, entram caju, acerola, jabuticaba e outras frutas regionais. “Mais importante do que seguir uma lista fixa é criar variedade dentro da realidade de cada família”, orienta.
Sem prêmio e sem castigo
A professora recomenda evitar frases como “você só ganha sobremesa se comer”. Quando a comida vira prêmio ou punição, a criança pode associá-la à obrigação ou à culpa, e não ao prazer. Diante da recusa, uma resposta possível é: “Tudo bem você não querer provar agora. Podemos conhecer esse alimento outra vez em outro momento”.
Para Monica, o caminho está no equilíbrio. “Acolher a recusa não significa oferecer apenas aquilo que a criança já aceita, mas também não significa forçá-la. É criar oportunidades, com paciência, sem ameaças, comparações ou conflitos”, conclui a especialista. Em casos de recusa intensa ou persistente, dificuldade de mastigação ou grande restrição alimentar, a orientação é procurar um pediatra ou nutricionista. Para colocar as dicas em prática no dia a dia, uma sugestão é montar uma Paleta de Frutas em família.
Atividade em família: Paleta de Frutas
Você vai precisar:
- Frutas de cores diferentes: de 4 a 5 opções da estação, como manga, melancia, kiwi, mamão e banana.
- Utensílios: prato grande, tábua e faca (de uso exclusivo do adulto).
- Tigela com água: para higienizar as frutas.
Como fazer:
- Escolha: leve a criança à feira ou ao mercado e deixe que ela ajude a escolher as frutas.
- Higienize: peça que a criança lave as frutas e preste atenção ao som da água.
- Corte: o adulto corta as frutas em triângulos, rodelas e “luas”, em tamanhos adequados à idade.
- Monte: a criança separa as frutas por cor e organiza a paleta no prato.
- Explore: antes de provar, convide a criança a cheirar e descrever cada fruta. É doce, cítrica, suave ou intensa?
Sobre a UNIASSELVI
A UNIASSELVI é uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil. Com uma oferta diversificada de mais de 500 cursos, que incluem Graduação, Pós-Graduação e Profissionalizantes, nas modalidades presencial, semipresencial e a distância (EAD), a instituição se destaca pela sua abrangência e qualidade educacional. Presente em todos os estados brasileiros, a UNIASSELVI conta com uma ampla rede de mais de 1,3 mil polos e mais de 16 unidades de ensino presencial. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional a receber nota máxima no Recredenciamento Institucional, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). A missão da UNIASSELVI é fornecer os recursos e o suporte necessários para que os alunos construam suas próprias histórias e alcancem o sucesso acadêmico e profissional, promovendo assim o desenvolvimento pessoal e profissional de cada estudante.
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